NOSSA SENHORA

OLHAI PARA MARIA!
“…viemos todos juntos para encontrar o olhar de Maria, porque ali é como reflexo do olhar do Pai, que a fez Mãe de Deus, e o olhar do Filho na cruz, que a fez nossa Mãe”.
“…Precisamos do seu olhar de ternura, do seu olhar materno que nos conhece melhor que qualquer outro, do seu olhar pleno de compaixão e de cuidado”.
“Maria, hoje queremos dizer-te: Mãe, doa-nos o seu olhar! O teu olhar nos leva a Deus, o teu olhar é um presente do Pai bom, que nos espera a cada passo do nosso caminho, é um presente de Jesus Cristo na cruz, que toma sobre si os nossos sofrimentos, os nossos cansaços, o nosso pecado”.
“E para encontrar este Pai repleto de amor, hoje lhe dizemos: Maria, doa-nos o teu olhar! Digamos todos juntos: “Mãe, doa-nos o teu olhar!”. “Mãe, doa-nos o teu olhar!”.
“…no Cenáculo se pode ver que “Maria reza, reza junto aos Apóstolos. Maria reza, reza junto à comunidade dos discípulos, e nos ensina a ter plena confiança em Deus, na sua misericórdia. Este é o poder da oração! Não cansemos de bater à porta de Deus. Levemos ao coração de Deus, através de Maria, toda a nossa vida, cada dia”.
“…da cruz, Jesus olha sua Mãe e lhe confia o apóstolo João, dizendo: este é o teu filho. Em João estamos todos, também nós, e o olhar de amor de Jesus nos confia à proteção da Mãe”.
“Maria lembrou um outro olhar de amor, quando era uma moça: o olhar de Deus Pai, que tinha olhado para a sua humildade, a sua pequenez. Maria nos ensina que Deus não nos abandona, pode fazer coisas grandes mesmo com a nossa fraqueza. Tenhamos confiança Nele! Batamos à porta do seu coração!”.
“…no caminho, muitas vezes difícil, não estamos sozinhos, somos muitos, somos um povo, e o olhar de Nossa Senhora nos ajuda a olharmos entre nós de modo fraterno.”.
“Olhemo-nos de modo mais fraterno! Maria nos ensina a ter aquele olhar que busca acolher, acompanhar, proteger. Aprendamos a olhar-nos uns aos outros sob o olhar materno de Maria! Há pessoas que instintivamente consideramos menos e que têm mais necessidade: os mais abandonados, os doentes, aqueles que não têm do que viver, aqueles que não conhecem Jesus, os jovens que estão em dificuldade, os jovens que não encontram trabalho”.
“…não ter medo de sair e olhar para os nossos irmãos e irmãs com o olhar de Nossa Senhora, ela nos convida a sermos verdadeiros irmãos. E não permitamos que algo ou alguém se coloque entre nós e o olhar de Nossa Senhora”.
“Mãe, doa-nos o teu olhar! Ninguém o esconda! O nosso coração de filhos saiba defendê-lo de tantas pessoas que prometem ilusões; daqueles que têm um olhar ávido por vida fácil, de promessas que não podem ser cumpridas. Não nos roubem o olhar de Maria, que é repleto de ternura, que nos dá força, que nos torna solidários entre nós. Todos digamos: Mãe, doa-nos o teu olhar!”.
(Papa Francisco, 22.SET.2013)
NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA

A Princesa Isabel, após conseguir engravidar, ofereceu à Nossa Senhora Aparecida o rico manto cravejado com 21 brilhantes que representavam as 21 províncias do Império e a capital.

Alguns anos depois, Isabel também pediu ao ourives da Corte que fizesse uma réplica em miniatura da coroa que ela usaria quando assumisse o trono brasileiro, e também ofereceu à santa.

Em 1888, a Princesa Isabel aboliu a escravidão e recebeu do Papa a Rosa de Ouro, reconhecimento dado aos governantes que fizeram algo muito importante para o seu povo. Porém, os poderosos não gostaram da abolição da escravatura e prometeram que a herdeira não se sentaria no trono.
Diante das circunstâncias, a filha de Pedro II foi ao Santuário, fez a oferta da coroa e deixou um bilhete junto que dizia:
“Eu, diante de Vós, sou uma princesa da terra e me curvo, pois és a Rainha do céu e te dou tão pobre presente que é uma coroa que seria igual à minha, e se eu não me sentar no trono do Brasil, rogo que a Senhora se sente nele por mim e governe perpetuamente o Brasil”.
Em 8 de 1904, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi coroada com a réplica oferecida por Isabel, após um decreto do Papa Pio X. Em uma celebração solene em praça pública, a santa passou a ser considerada a Rainha do Brasil.
Em 1930, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada a Padroeira do Brasil.
Desta maneira surgiu a veneração.
A narrativa desse culto à Virgem Maria teve seu início na segunda metade de outubro de 1717, quando chegou a notícia de que o Conde de Assumar, Dom Pedro de Almeida e Portugal, que governava a Província de São Paulo e Minas Gerais, estava a caminho da Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá.
Convocados pela Câmara de Guaratinguetá, os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves partiram em busca de peixes no Rio Paraíba do Sul para preparar um banquete em honra ao ilustre visitante e sua comitiva.
Eles desceram o rio e, apesar de muitas tentativas infrutíferas, chegaram ao Porto Itaguaçu. Foi lá que João Alves lançou a rede nas águas e resgatou o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, mas sem a cabeça. Ele lançou a rede novamente e recuperou a cabeça da mesma imagem.
Há poucos registros documentados desse encontro com a imagem. Oito anos após o acontecimento, o pároco de Guaratinguetá elaborou um relatório sobre o evento, mencionando os três pescadores, Domingos, João e Felipe, que estiveram envolvidos na descoberta. Esse relato serviu de base para o que foi registrado no Livro Tombo da paróquia, em agosto de 1757, pelo vigário Padre João de Morais e Aguiar, sob o título “Informação sobre a Aparição da Imagem da Senhora”.
Nos registros do Livro Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá, que está preservado no Arquivo da Cúria de Aparecida, encontra-se a narrativa do vigário. Nele, está documentado que a imagem foi “encontrada” pelos três modestos pescadores: “João Alves, lançando a rede de arrasto, retirou o corpo da Senhora sem cabeça; e lançando novamente a rede mais adiante, retirou a cabeça da mesma Senhora, sem que se soubesse quem a havia lançado ali”.
Os pescadores interpretaram esse evento como um sinal divino, especialmente devido à pesca abundante que se seguiu. O relato afirma: “Até então, eles não tinham pescado nada, mas a partir desse momento, a pesca foi tão abundante em poucos lançamentos que os pescadores, com medo de que seus barcos naufragassem devido à quantidade de peixes, recolheram-se às suas casas, maravilhados com esse sucesso.”
Um pequeno oratório: a primeira residência de Maria
Em um modesto lar, sobre um altar improvisado com pedaços de madeira, a imagem de Nossa Senhora da Conceição, que mais tarde ficaria conhecida como “Aparecida” devido à forma como “apareceu”, foi colocada. Essa casa pertencia a Filipe Pedroso, o mais velho dos pescadores, que abrigou a imagem em sua residência por 15 anos. Seu filho, Atanásio, construiu um pequeno oratório onde as famílias vizinhas se reuniam para rezar o rosário e outras orações. Esse foi o início de uma devoção que eventualmente se tornaria o maior movimento religioso do país.
Com o aumento constante do número de fiéis que visitavam a imagem, ela foi posteriormente transferida para uma capela primitiva construída no Porto Itaguaçu, marcando o local onde foi encontrada. Após passar por várias casas, a imagem foi finalmente levada para uma capela maior em 1745, recebendo a aprovação oficial da Igreja.
O Padre José Alves Villela, vigário da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá, decidiu construir uma nova igreja no alto do Morro dos Coqueiros em 1741. Esta igreja foi construída pelos escravos usando taipa de pilão (barro socado). Em 25 de julho de 1745, o povo realizou uma grande procissão para transferir a imagem da Senhora Aparecida para a nova igreja. No dia seguinte, o Padre Villela abençoou e inaugurou a primeira igreja dedicada a Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
Com essa inauguração, o santuário e as bases do povoado de Aparecida foram estabelecidos. Em 1760, a capela passou por uma reforma e recebeu uma segunda torre.
A antiga Basílica
Devido ao crescente número de fiéis que visitavam o local, Frei Joaquim do Monte Carmelo decidiu construir uma igreja maior para Nossa Senhora. As obras começaram em 1844, e a capela foi ampliada, recebendo altares artísticos e uma transformação de estilo do colonial para o barroco, com elementos neoclássicos. Em 24 de junho de 1888, a nova igreja foi solenemente entregue aos devotos, mesmo estando inacabada. Em 1893, recebeu o título de Santuário Episcopal.
Em 1908, Dom Duarte Leopoldo e Silva, arcebispo de São Paulo, solicitou à Santa Sé o título de Basílica Menor para o Santuário de Aparecida, a igreja localizada na parte alta e mais antiga da cidade, conhecida como basílica antiga. Essa honra foi concedida pelo Papa São Pio X em 29 de abril de 1908.
Finalmente, em 1928, a vila que se formou ao redor da capela foi emancipada de Guaratinguetá, tornando-se uma nova cidade chamada Aparecida do Norte.
O Maior Santuário Mariano
Aparecida se tornou a “capital mariana do Brasil”. A primeira basílica ficou pequena para a crescente quantidade de peregrinos, tornando necessária a construção de um templo maior que pudesse acomodar a grande quantidade de fiéis.
A pedra fundamental da nova basílica foi lançada em 10 de setembro de 1946, mas a construção efetiva começou em 11 de novembro de 1955. Projetada pelo arquiteto Benedito Calixto de Jesus Neto, a basílica possui a forma de uma cruz grega e pode acomodar até 45 mil peregrinos.
Em 4 de julho de 1980, durante sua primeira visita ao Brasil, o Papa João Paulo II celebrou a cerimônia de consagração da nova igreja, mesmo que ela ainda estivesse inacabada, conferindo-lhe o título de Basílica Menor. Em 1984, a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil declarou oficialmente o local como Santuário Nacional.
As atividades religiosas no Santuário Nacional passaram a ser realizadas definitivamente a partir de 3 de outubro de 1982, quando a imagem da antiga basílica foi transferida para a nova.
Hoje, o Santuário Nacional é considerado o centro da fé católica no Brasil, recebendo anualmente milhões de fiéis peregrinos de diversas origens e etnias, demonstrando a diversidade cultural mantida e fortalecida pela fé em um belo testemunho de nossa riqueza cultural e nossa “unidade na diversidade”.
É o maior centro de peregrinação religiosa da América Latina, e o maior santuário mariano do mundo, notável por sua arquitetura imponente, que reflete o profundo amor e devoção dos brasileiros por sua rainha e padroeira.
A Imagem Descoberta
A imagem de Nossa Senhora encontrada era pequena, feita de terracota, que é argila moldada e cozida em um forno apropriado, medindo 39 centímetros de altura, incluindo o pedestal. Quando foi retirada do rio, provavelmente não tinha as cores originais devido aos anos que passou submersa na água e no lodo. Alguns especialistas acreditam que seu estilo seja do século XVII.
A cor amarelada que a imagem possui hoje em dia deve-se ao fato de ter sido exposta durante anos à fumaça das velas e lamparinas. A partir de 8 de setembro de 1904, quando foi coroada, a imagem começou a usar oficialmente uma coroa e um manto azul-marinho, presenteados pela Princesa Isabel.
Em 16 de maio de 1978, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi alvo de um atentado que a quebrou em 165 pedaços. No entanto, ela foi completamente restaurada graças ao talento da artista plástica Maria Helena Chartuni, que na época era restauradora do Museu de Arte de São Paulo.
A Coroação de Nossa Senhora
Em 1901, os bispos da Província Eclesiástica Meridional do Brasil, seguindo a sugestão de Dom Joaquim Arcoverde, arcebispo do Rio de Janeiro, solicitaram ao Papa a coroação da imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Em fevereiro de 1904, o Papa Pio X, atendendo ao pedido de Dom Joaquim Arcoverde, feito em nome do episcopado brasileiro, autorizou a coroação solene da imagem de Nossa Senhora Aparecida, seguindo o costume da Igreja de coroar imagens e quadros venerados.
Assim, em 8 de setembro, Dom José de Camargo Barros, bispo de São Paulo, realizou a solene coroação da imagem da Padroeira do Brasil, usando a coroa doada pela Princesa Isabel. A coroa era uma bela peça de ouro, decorada com brilhantes, sendo 24 maiores e 16 menores. A Princesa também presenteou a imagem com um precioso manto azul-marinho, simbolizando o céu estrelado do Brasil, adornado com 21 brilhantes, representando as 20 províncias do Império e a capital.
A cerimônia contou com a presença do Núncio Apostólico, Dom Júlio Tonti, inúmeros sacerdotes, religiosos e milhares de romeiros. Logo após a coroação, foi inaugurado o monumento à Imaculada Conceição em comemoração aos 50 anos do dogma da Imaculada Conceição proclamado pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854.
A Nova Coroa
Em 8 de setembro de 2004, o Santuário Nacional de Aparecida comemorou os 150 anos do dogma da Imaculada Conceição e os 100 anos da coroação de Nossa Senhora Aparecida com uma grande celebração. Durante esse evento, a imagem da Padroeira do Brasil recebeu uma nova coroa feita de ouro e pedras preciosas.
Essa coroa foi projetada pela designer mineira Lena Garrido em colaboração com Débora Camisasca, e foi a vencedora do “Concurso Nacional para o Centenário da Coroação de Nossa Senhora Aparecida”. A nova coroa foi feita de ouro e pedras preciosas e financiada pela Ajoresp – Associação dos Joalheiros e Relojoeiros do Noroeste Paulista.
A antiga coroa, doada pela Princesa Isabel, foi restaurada e é preservada no Museu do Santuário, sendo usada apenas em ocasiões especiais.
A nova coroa foi escolhida entre cinco modelos por uma comissão de 12 jurados, além do voto popular de 63.870 fiéis. Todas as cinco coroas propostas à votação eram protótipos, mas apenas a vencedora foi confeccionada em ouro e pedras preciosas. Os outros cinco protótipos, feitos de prata, fazem parte do acervo do Museu Nossa Senhora Aparecida e podem ser apreciados pelos devotos.
A Rosa de Ouro
A Rosa de Ouro é um presente dado pelo Papa para honrar e distinguir pessoas que contribuíram com ações em prol do bem comum, para homenagear cidades que se destacaram na expressão da fé católica ou para destacar santuários que se tornaram centros de peregrinação e de profunda espiritualidade.
O Brasil já recebeu três Rosas de Ouro: em 1888, o Papa Leão XIII concedeu à Princesa Isabel em reconhecimento à abolição da escravatura no país; as outras duas foram destinadas ao Santuário de Aparecida.
Em 1967, o Papa Paulo VI concedeu a Rosa de Ouro por ocasião dos 250 anos do encontro da imagem. Em 15 de agosto daquele ano, o Cardeal Amleto Giovanni Cicognani, como Legado Pontifício, entregou ao Santuário de Aparecida uma Rosa de Ouro, feita pelo artista plástico Mário de Marchis, acompanhada de uma mensagem do Papa Paulo VI que dizia: “Dizei a todos os brasileiros, Senhor Cardeal, que esta flor é a expressão mais espontânea do afeto que temos por esse grande povo, que nasceu sob o signo da Cruz. No Santuário de Nossa Senhora Aparecida, ela dará testemunho de nossa constante oração à Virgem Santíssima para que interceda junto de seu Filho pelo progresso espiritual e material do Brasil”. O Legado Pontifício entregou a oferta do Papa no interior da nova basílica ao Cardeal Motta, como presente de aniversário pelos 250 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida no Rio Paraíba do Sul.
A terceira Rosa de Ouro também foi concedida ao santuário pelo Papa Bento XVI em sua visita ao Brasil em maio de 2007. Uma plaqueta gravada registra que o Papa, com grande afeto, oferece a Rosa de Ouro à Virgem Maria de Aparecida, a padroeira da nação brasileira.
Os Papas e a Padroeira
Na história, sempre encontramos evidências da predileção dos Papas por Nossa Senhora Aparecida.
Leão XIII, em 1895, autorizou a celebração de sua festa no primeiro domingo de maio.
Pio X assinou o decreto da Coroação em 1904 e o da elevação à dignidade de Basílica Menor em 1908.
Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil em 1930.
Pio XII, em 1958, elevou Aparecida à condição de arquidiocese.
Paulo VI, em 1967, presenteou Nossa Senhora com a Rosa de Ouro.
João Paulo II, em 1980, consagrou a nova basílica.
Bento XVI, em 2007, também presenteou com a Rosa de Ouro.
Francisco em 2013, realizou uma visita ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no Brasil, durante sua primeira viagem apostólica internacional, no ano em que foi eleito.
Fonte: https://diocesedepiracicaba.org.br/capa.asp?p=461 – https://www.facebook.com/BrazilImperiu/posts/coroa-e-manto-da-imagem-de-nossa-senhora-aparecida-doados-pela-princesa-isabel-e/2180659538930918/
NOSSA SENHORA DE GUADALUPE
Dez anos depois da tomada da Cidade do México, a guerra chegou ao fim e houve uma paz entre os povos. Desta maneira começou a brotar a fé, o conhecimento do Deus Verdadeiro, por quem nós vivemos. Neste tempo, no ano de mil quinhentos e trinta e um (1531), nos primeiros dias do mês de dezembro, aconteceu que havia um pobre índio, chamado Juan Diego, inicialmente conhecido pelo nome nativo de Cuautitlan. No que diz respeito às coisas espirituais, ele pertencia ao Tlatilolco.

| Primeira Aparição |
Era sábado de madrugada, pouco antes do amanhecer, ele estava em seu caminho, a seguir seu culto divino e empenhado em sua tarefa. Ao chegar próximo do monte conhecido como Tepeyac, o dia amanhecia e ele ouviu cantos acima do monte, assemelhando-se a cantos de vários lindos pássaros. De vez em quando, as vozes cessavam e parecia que o monte lhes respondia. O canto, muito suave e deleitoso, sobrepujava o do “coyoltototl” e do “tzinizcan” e de outros pássaros de lindos cantos. Juan Diego parou, olhou e disse para si mesmo: “Porventura, sou digno do que ouço? Será um sonho? Estou dormindo em pé? Onde estou? Será que estou agora em um paraíso terrestre de que os mais velhos nos falam a respeito? Ou quem sabe estou no céu?”. Ele estava olhando para o oriente, acima do monte, de onde vinha o precioso canto celestial e então de repente houve um silêncio. Então, ouviu uma voz por cima do monte dizendo-o: “Juanito, Juan Dieguito.”. Ele com coragem foi onde o estavam chamando, não teve o mínimo de medo, pelo contrário, sentia-se alegre e contente ao extremo; e subiu a montanha para ver de onde o chamavam. Quando alcançou o topo, viu uma Donzela, que estava parada e disse-lhe para se aproximar. Em Sua presença, ele maravilhou-se pela Sua grandeza sobre-humana. Seu vestido era radiante como o sol, o penhasco onde estavam Seus pés, penetrado com o brilho, assemelhava-se a uma pulseira de pedras preciosas e a terra cintilava como o arco-íris. As “mezquites”, “nopales”, e outras ervas daninhas que ali estavam, pareciam como esmeraldas, sua folhagem como turquesas e seus ramos e espinhos brilhavam como ouro. Ele inclinou-se diante Dela e ouviu Sua palavra, suave e cortês, como alguém que encanta e cativa muito. Ela disse-lhe “Juanito, o mais pequenino dos meus filhos, onde você está indo?” Ele respondeu: “Minha Senhora, Rainha, minha Menininha, eu tenho que chegar na Sua igreja no México, Tlatilolco, para seguir as coisas divinas, que nos dão e ensinam aqueles que são as imagens de Nosso Senhor: nossos sacerdotes.”. Ela, então lhe disse: “Saiba e tenha certeza, meu filho, o mais pequenino, que Eu sou a Perfeita Sempre Virgem Santa Maria, Mãe do verdadeiro Deus por quem se vive, o Criador das pessoas e de todas as coisas, Senhor do céu e da terra, desejo muito que aqui se levante minha Casinha Sagrada; então, Eu poderei mostrar todo o meu amor, compaixão, socorro e proteção, porque Eu sou vossa piedosa Mãe e de todos os habitantes desta terra e de todos os outros que me amam, invocam e confiam em mim. Ouvirei todos os seus lamentos e remediarei e curarei todas as suas misérias, aflições e dores. E para realizar o que a minha clemência pretende, vá ao palácio do Bispo do México e lhe diga que Eu manifesto o meu grande desejo, que aqui neste lugar seja construído um templo para mim. Você dirá exatamente tudo que viu, admirou e ouviu. Tenha certeza que ficarei muito agradecida e lhe recompensarei.
Porque Eu farei você muito feliz e digno da minha recompensa, por causa do esforço e fadiga que você terá, para cumprir o que Eu lhe ordeno e confio. Observe, você ouviu minha ordem, meu filho, o mais pequenino, vá e coloque todo seu esforço.” Neste ponto ele inclinou-se diante Dela e disse: “Minha Senhora, Eu estou indo cumprir Tua ordem, agora me despeço de Ti, Teu pobre indiozinho”. Logo desceu para cumprir sua tarefa e foi direto pela estrada, até a Cidade do México.
| Segunda Aparição |

Tendo entrado na cidade, sem perder tempo, foi direto ao palácio do Bispo, que chegara recentemente e se chamava Frei Juan de Zumarraga, um religioso Franciscano. Ao chegar, procurou vê-lo, pediu ao criado para anunciá-lo. Esperou muito tempo. Quando entrou, se ajoelhou e disse ao Bispo a mensagem da Rainha do Céu, bem como tudo que havia visto, escutado e admirado. Porém, após ouvir toda a conversa, o Bispo incrédulo disse-lhe: “Volte depois, meu filho e eu lhe ouvirei com muito prazer. Eu examinarei tudo e pensarei no motivo pelo qual você veio”. Juan Diego saiu triste, porque não realizou o seu encargo.
Retornou no mesmo dia. Foi diretamente ao topo do monte, encontrou-se com a Senhora do Céu, que o esperava no mesmo lugar, onde tinha aparecido. Vendo-A, prostrou-se diante Dela e disse: “Patroazinha, Senhora, Rainha, filha minha, a mais pequenina, minha Menininha, eu fui onde me mandou para levar Sua mensagem, como me havia instruído. Ele recebeu-me benevolentemente e ouviu-me atentamente, mas quando respondeu, pareceu-me não acreditar.
Ele disse: “Volte depois, meu filho e eu o ouvirei com muito prazer. Examinarei o desejo que você trouxe, da parte da Senhora”. Entendo pelo seu modo de falar, que não acredita em mim e que seja invenção da minha parte, o Seu desejo de construção de um templo para Você neste lugar. E que isso não é Sua ordem. Por isso eu, lhe suplico, Senhora minha, Rainha, Menininha minha, que instrua a alguém mais importante, bem conhecido, respeitado e estimado para que acreditem. Porque eu não sou ninguém, sou um barbantinho, uma escadinha de mão, o fim da cauda, uma folha. E você, Virgenzinha minha, Filhinha, Senhora, Menininha, envia-me a um lugar onde eu nunca estive! Por favor, perdoe o grande pesar e aborrecimento causado, minha Senhora e meu Tudo.”
A Virgem Santíssima respondeu: “Escuta, meu filho, o mais pequenino, você deve entender que eu tenho vários servos e mensageiros, aos quais Eu posso encarregar de levar a mensagem e executarem o meu desejo, mas eu quero que você mesmo o faça. Eu fervorosamente imploro, meu filho, o mais pequenino, e com rigor Eu ordeno que volte novamente amanhã ao Bispo.
Você vai em meu Nome e faça saber meu desejo: que ele inicie a construção do templo como Eu pedi. E novamente diga que Eu, pessoalmente, a Sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, lhe ordenei.”
Juan Diego respondeu: “Senhora, minha Rainha, Menininha, não deixe que eu lhe cause aflição.
Alegremente e de bom grado eu irei cumprir Sua ordem. De nenhuma maneira irei falhar e não será penoso o caminho. Irei realizar seu desejo, mas acho que não serei ouvido, ou se for, não acreditarão. Amanhã ao entardecer, trarei o resultado da Sua mensagem com a resposta do Bispo.
Descanse neste meio tempo.” Ele, então, foi para sua casa.
| Terceira Aparição |
No dia seguinte, domingo, antes do amanhecer, ele deixou sua casa e foi direto ao Tlatilolco, para ser instruído em coisas divinas, e em seguida estar presente a tempo para ver o Bispo. Por volta das 10 horas, estando em cima da hora, após participar da Missa e o povo ter dispersado, ele apressadamente se foi. Pontualmente, Juan Diego foi ao palácio do Bispo. Mal chegou, ansioso já estava para tentar vê-lo. E novamente com muita dificuldade, o Bispo estava à sua frente. Ajoelhou-se diante de seus pés, entristecidamente e chorando, expôs a ordem de Nossa Senhora do Céu, e que por Deus, acreditasse em sua mensagem, de que o desejo da Imaculada de erguer um templo onde Ela queria, fosse realizado. O Bispo para assegurar-se, fez várias perguntas, onde ele A tinha visto e como Ela era. E ele descreveu perfeitamente em detalhes ao Bispo. Apesar da precisa descrição de Sua imagem, e tudo que ele tinha visto e admirado, que em tudo refletia ser a Sempre Virgem Santíssima Mãe do Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, o Bispo não deu crédito e disse que somente pela sua súplica, não atenderia o seu pedido, que aliás, um sinal era necessário; só então acreditaria, ser ele enviado pela verdadeira Senhora do Céu.
Após ouvir o Bispo, disse Juan Diego: “Meu senhor, escuta! Qual deve ser o sinal que o senhor quer? Para eu pedir a Senhora do Céu que me enviou aqui”. O Bispo, vendo que ele ratificava tudo sem duvidar, nem retratar nada, o despediu. Imediatamente, ordenou algumas pessoas de sua casa, e de inteira confiança, para segui-lo e olhar onde ele ia, a quem ele via e falava. E assim foi feito. Juan Diego veio direto pela estrada. Aqueles que o seguiam, após cruzarem o barranco perto da ponte do Tepeyac, perderam-no de vista. Eles procuraram por todos os lugares, mas não puderam mais vê-lo. Retornaram com muita raiva, não somente porque estavam aborrecidos, mas também por ficarem impedidos do objetivo. E o que eles informaram ao Bispo, o influenciou a não acreditar em Juan Diego. Eles lhe disseram que foi enganado. Juan Diego apenas forjou o que veio dizer, e a sua mensagem e pedido não passava simplesmente de um sonho. Eles então arquitetaram um plano, que se ele de alguma forma voltasse, eles o prenderiam e o puniriam com severidade e de tal forma que ele jamais mentiria ou enganaria novamente.
Entretanto, Juan Diego estava com a Virgem Santíssima, contando-lhe a resposta que trazia do senhor Bispo. A Senhora, após ouvir, disse-lhe: “Muito bem, meu filhinho, você retornará aqui amanhã, então levará ao Bispo o sinal por ele pedido. Com isso ele irá acreditar em você, e a este respeito, ele não mais duvidará nem desconfiará de você, e sabe, meu filhinho, Eu o recompensarei pelo seu cuidado, esforço e fadiga gastos em Meu favor. Vá agora. Espero você aqui amanhã”.
| Quarta Aparição |
No outro dia, segunda-feira, quando Juan Diego teria que levar um sinal pelo qual então acreditariam, ele não pode ir porque, ao chegar em casa, seu tio chamado Juan Bernardino, estava doente e em estado grave. Primeiro foi chamar um médico que o auxiliou, mas era tarde, e o estado de seu tio era muito grave. Por toda a noite seu tio pediu que, ao amanhecer, ele fosse ao Tlatilolco e chamasse um sacerdote, para prepará-lo e ouvi-lo em confissão, porque certamente sua hora havia chegado, pois não mais levantaria ou melhoraria de sua enfermidade.
Na terça-feira, antes do amanhecer, Juan Diego ia de sua casa ao Tlatilolco para chamar o sacerdote, e ao aproximar-se da estrada que liga a ladeira ao topo do Tepeyac, em direção ao oeste onde estava acostumado a passar, disse: “Se eu seguir adiante, a Senhora estará esperando-me, e eu terei que parar e levar o sinal ao Bispo. A primeira coisa que devo fazer, rapidamente, é chamar o sacerdote, porque meu pobre tio certamente o espera.”
Então, contornou a montanha, deu várias voltas, de forma que não poderia ser visto por Ela, que pode ver todos os lugares. Mas, ele A viu descer do topo do monte e estava olhando na direção onde eles anteriormente se encontraram. Ela aproximou-se dele pelo outro lado do monte e disse: “O que há meu filho, o mais pequenino? Aonde você esta indo?” Ele estava afligido, envergonhado, ou assustado, inclinou-se diante dela e A saudou dizendo: “minha Jovenzinha, minha filha a mais pequenina, minha menina, oxalá esteja contente; como você está nesta manhã? Está bem de saúde? Senhora minha, minha Criança. Vou lhe causar um pesar. Sabe, minha Menininha, um de Seus servos, meu tio, está muito doente. Ele está muito enfermo, e está perto de morrer. Eu estou indo depressa à Sua casa no México para chamar um dos amados de Nosso Senhor, um de nossos sacerdotes, para ouvir sua confissão e prepara-lo, porque desde que nós nascemos, aguardamos o trabalho de nossa morte. De forma que, se eu for, retornarei aqui brevemente, então levarei Sua mensagem. Senhora, jovenzinha minha, perdoe-me, seja paciente comigo. Eu não Te enganarei, minha filha, a menor. Amanhã eu voltarei o mais rápido possível.”
Depois de ouvir toda a conversa de Juan Diego, a Santíssima Virgem respondeu: “Escuta-Me e entenda bem, meu filho, o mais pequenino, nada deve amedrontar ou afligir você. Não deixe seu coração perturbado. Não tema esta ou qualquer outra enfermidade, ou angústia. Não estou Eu aqui, que sou sua Mãe? Você não estbaixo de minha proteção? Eu não sou sua saúde? Você não está feliz com o meu abraço? O que mais pode querer? Não tema nem se perturbe com qualquer outra coisa. Não se aflija por esta enfermidade de seu tio, porque dela, ele não morrerá agora. Tenha certeza de que ele já está curado.” ( E então, seu tio foi curado, como mais tarde se soube.)
Quando Juan Diego ouviu estas amáveis palavras da Rainha do Céu, ele ficou enormemente consolado e se apaziguou seu coração. Estava feliz. Prometeu que, quanto antes, estaria na presença do Bispo, para levar algum sinal, a fim de que cresse. A Senhora do Céu ordenou que subisse ao topo do monte, onde eles anteriormente haviam se encontrado. Ela disse-lhe: “Suba, meu filho, o mais pequenino, ao topo do monte; lá onde você Me viu e lhe dei a ordem, você encontrará diferentes flores. Corte-as, junte-as, então volte aqui e traga-as em minha presença.”
Imediatamente Juan Diego subiu o monte, e quando atingiu o topo, ele espantou-se pela variedade de lindas flores que haviam brotado tão fora de época; na verdade, naquela estação, lá só deveria haver gelo. Emanavam um perfume suavíssimo e cobertas com o orvalho da noite, assemelhando-se a pérolas preciosas. Imediatamente ele começou a cortá-las. Recolheu todas e colocou-as em seu tilma, (manto típico dos indígenas da região). O topo do monte era um lugar impossível de nascer qualquer tipo de flor, porque havia vários penhascos, e só brotavam espinhos e ervas daninhas. Ocasionalmente as ervas cresceriam, mas era mês de dezembro, na qual toda vegetação é destruída pelo frio. Ele voltou imediatamente e entregou as diferentes flores que havia cortado para a Senhora do Céu, que ao vê-las, tomou-as com suas veneráveis mãos e de novo colocou-as de volta no tilma, dizendo: “Meu filhinho, o mais pequenino, estas diversas flores são a prova, o sinal que você levará ao Bispo. Você irá dizer em meu nome que nelas ele verá o meu desejo e que deverá realizá-lo. Você é meu embaixador, muito digno de confiança. Rigorosamente eu ordeno que apenas diante da presença do Bispo, você desenrole o manto e descubra o que está carregando. Você contará tudo direito. Que Eu ordenei você a subir ao topo do monte, e cortar estas flores, e tudo que você viu e admirou, então, você pode induzir ao Bispo dar a sua ajuda, com o objetivo de que um templo seja construído e erguido como Eu tenho pedido”.
Depois que a Senhora do Céu deu seu aviso, ele se pôs a caminho pela estrada que dava diretamente ao México. Estava feliz e seguro de seu sucesso, carregando com grande carinho e cuidado o que continha dentro de seu tilma. De tal forma que nada poderia escapar de suas mãos, a não ser a maravilhosa fragância das variadas e belas flores.
| O Milagre da Imagem |

Ao chegar ao palácio do Bispo, encontrou-se com o secretário e outros criados do mesmo. Ele os suplicou para dizer que desejava vê-lo, mas ninguém consentiu, não pretendendo ouvi-lo, provavelmente porque era muito cedo, ou talvez, já sabiam como ele os incomodava porque lhes era inoportuno, e além disso eles foram avisados pelos seus companheiros, que o haviam perdido de vista quando o estavam seguindo.
Ele esperou por muito tempo. Quando viram que estava esperando por tanto tempo, em pé, cabisbaixo, sem nada fazer, somente esperando ser chamado, e aparentando trazer algo em seu tilma, eles chegaram perto na tentativa de matar suas curiosidades. Juan Diego, vendo que não poderia esconder o que trazia, e que por isso, poderia ser molestado, empurrado ou até quem sabe, apanhar, descobriu um pouco o seu tilma, onde estavam as flores, e ao verem que eram flores e todas diferentes e por não se tratar da época de darem, eles ficaram completamente atônitos, da mesma forma por estarem tão novas, tão abertas, tão perfumadas e tão preciosas.
Eles tentaram pegar algumas, mas não tiveram sucesso depois de três tentativas. Ao tentar pegá-las, elas não pareciam flores reais, em vez disso, pareciam estar pintadas, estampadas, ou costuradas na roupa. Então eles foram dizer ao Bispo o que havia acontecido e que aquele índio que tantas vezes lá estivera, novamente tentava vê-lo e por muito tempo já o aguardava.
O Bispo se deu conta de que aquilo era a prova, para confirmar e concordar com o pedido do índio. Imediatamente ordenou a sua entrada. tão logo Juan Diego entrou, ajoelhou-se diante dele, como estava acostumado a fazer, e de novo disse o que tinha visto e admirado, bem como a mensagem. Ele disse: “O senhor pediu para que fosse dizer a minha Ama, a Senhora do Céu, Santa Mãe preciosa de Deus, que desejava um sinal, e só assim então, acreditaria em mim, que deveria ser construído um templo onde Ela pediu para ser erguido. Também disse a Ela que havia lhe dado a minha palavra de lhe trazer algum sinal ou prova, da Sua vontade, como o senhor me encarregou. Ela condescendeu ao seu recado e acolheu o seu pedido, com algum sinal e prova para que se cumpra a Sua vontade. Hoje, bem cedo, Ela enviou-me para vê-lo. Eu pedi pelo sinal para que cresse em mim, e Ela disse que me daria. Enviou-me ao topo do monte, onde eu costumo vê-la, para cortar diversas rosas de Castilla. Depois de cortá-las e de trazê-las para baixo, Ela segurou-as em Suas mãos e colocou-as em minha roupa, para então trazê-las e entrega-las à sua pessoa. Contudo eu sabia que o topo do monte era um lugar que não dava flores, porque há vários penhascos, cardos, espinhos e ervas daninhas, e eu tinha minhas dúvidas.
Tão logo me aproximei do topo do monte, vi que estava em um paraíso, onde havia grande variedade de rosas preciosas, num orvalho brilhante, e eu imediatamente passei a cortá-las. Ela disse-me que deveria trazê-las ao senhor, e assim eu faço, para que, nelas, creia no sinal por você pedido e cumpra com Seu desejo e também que fique transparente a veracidade de minhas palavras e minha mensagem. Aqui estão elas. Recebe-as.”
Desenrolou a roupa, onde estavam as flores, e quando elas se espalharam no chão, todas as diferentes rosas, de repente apareceu desenhado na roupa, a amada Imagem da Perfeita Virgem Santa Maria, Mãe de Deus, da mesma maneira como hoje ela é guardada no templo do Tepeyac, chamada Guadalupe.
Quando o Bispo viu a imagem, ele e todos que estavam presentes caíram de joelhos. Ela foi admiradíssima. Eles levantaram-se para vê-la, e tremendo com grande arrependimento, contemplaram-na em seus corações e pensamentos. O Bispo em profundo arrependimento chorava, rezando e pedindo perdão por não ter atendido ao Seu desejo. Ao se por de pé, desamarrou do pescoço de Juan Diego a roupa que aparecia a Imagem da Senhora do Céu.
Levou-a para ser colocada em sua capela. Juan Diego permaneceu por mais um dia na casa do Bispo, a seu pedido.
No dia seguinte disse a ele: “Bem! Mostre-nos onde a Senhora do Céu desejava ser erguido o Seu templo”. Imediatamente, convidou a todos para lá.
| Aparição a Juan Bernardino |
Mal havia Juan Diego apontado onde a Senhora do Céu mandou que se erguesse o Seu templo, pediu licença para ir embora. Queria, agora, ir para sua casa para ver seu tio Juan Bernardino. O qual estava num estado muito grave, quando deixou e veio a Tlatitolco para chamar um sacerdote, que fosse confessá-lo e absolvê-lo, e lhe disse a Senhora do Céu que já o havia curado.
Mas, eles não o deixaram sozinho, e o acompanharam até sua casa.
Logo que chegaram, viram que seu tio estava muito contente e que nada sentia. Assustou-se ao ver seu sobrinho tão bem acompanhado e honrado, perguntando qual a razão pela honra, respondeu seu sobrinho que, quando partiu para chamar o sacerdote que lhe confessaria e absolveria, lhe apareceu no Tepeyac a Senhora do Céu, dizendo-lhe que não se afligisse, pois, seu tio estava bem. Muito confortado, foi ao México para encontrar-se com o senhor Bispo, para que edificasse uma casa no Tepeyac.
Disse seu tio, estar certo de que havia sido curado e que A viu do mesmo modo que aparecera a seu sobrinho, sabendo por Ela que o havia enviado ao México para ver o Bispo. Disse-lhe então a Senhora que, quando fosse ver o Bispo, lhe revelaria o que viu e de que maneira milagrosa lhe havia curado. E que bem assim a chamariam, bem assim a nomeariam a Sua Bendita Imagem: A PERFEITA VIRGEM SANTA MARIA DE GUADALUPE.
Levaram Juan Bernardino a presença do senhor Bispo, para ser informado e dar seu testemunho diante dele. Ambos, ele e o seu sobrinho, foram hospedados pelo Bispo em sua casa por alguns dias, até que se ergueu o templo da Rainha no Tepeyac, onde Juan Diego A viu.
O senhor Bispo transferiu a sagrada imagem da amada Senhora do Céu para a Igreja principal, retirando-a de sua capela em seu palácio. Onde ela se encontrava, para que todos pudessem ver e admirar Sua bendita imagem. Toda a cidade se comoveu: vinham ver e admirar sua devota imagem e fazer suas orações. Muitos se maravilharam, por ter acontecido tal milagre divino, porque nenhuma pessoa deste mundo pintou sua preciosa imagem.
NOSSA SENHORA DE LA SALETTE

João Paulo II, sobre La Salette:
“Neste lugar, Maria, a mãe sempre amorosa, mostrou sua dor pelo mal moral causado pela humanidade. Suas lágrimas nos ajudam a entender a gravidade do pecado e a rejeição a Deus, enquanto manifestam ao mesmo tempo a apaixonada fidelidade que Seu Filho mantém com relação a cada pessoa, embora Seu amor redentor esteja marcado com as feridas da traição e do abandono dos homens.
A História
Um menino de nome Maximino Giraud, de onze anos, e Mélanie (Mélanie) Calvat, de quinze, estavam cuidando do gado. Mélanie estava acostumada e treinada nesse tipo de trabalho desde os nove anos, mas tudo era novo para Maximino. Seu pai lhe havia pedido que fosse fazer esse serviço como ato generoso, para cooperar com o amigo que estava com o pastor adoentado.
Relata Mélanie:
No dia 18 de setembro de 1846, véspera da Aparição da Santíssima Virgem, eu estava sozinha, como sempre, cuidando do gado do meu patrão; por volta de onze horas vi um menino que se aproximava. Por um momento tive medo, pois achava que todos deviam saber que eu evitava todo tipo de companhia. O menino se aproximou e me disse:
“Ei menina, vou contigo, sou de Corps”. A estas palavras minha malícia natural se mostrou e lhe disse: “Não quero ninguém perto de mim. Quero ficar sozinha”. Mas ele, seguindo-me, disse: “Meu patrão me enviou aqui para que cuide do gado contigo. Venho de Corps”. Afastei-me dele, agastada, dando-lhe a entender que não queria ninguém por perto. Quando estava a certa distância, sentei-me na grama. Normalmente, dessa forma conversava com as florzinhas ou ao Bom Deus.
Depois de um momento, atrás de mim estava Maximino sentado e diretamente me disse: “Deixa-me ficar contigo, me comportarei muito bem”. Embora contra minha vontade e sentindo-me incomodada por Maximino, permiti que ficasse. Ao ouvir os sinos de La Salette para o Ângelus, disse-lhe para elevar sua alma a Deus. Ele tirou o chapéu e se manteve em silêncio por um momento. Logo comemos e brincamos juntos. Quando caiu a tarde descemos a montanha e prometemos voltar ao dia seguinte para levar o gado novamente.
No dia seguinte, sábado, 19 de setembro de 1846, o dia estava muito quente e os dois jovenzinhos concordaram em comer seu almoço em um lugar sombreado. Contrariamente a seu costume, eles se estendem sobre a relva… e adormecem. O tempo passa!… Mélanie foi a primeira a despertar: “Maximino, Maximino, vem depressa, vamos ver nossas vacas… Não sei onde andam!”.
Rapidamente sobem a ladeira. Voltando-se, têm diante de si toda a pradaria: as vacas lá estão ruminando calmamente. Os dois pastores se tranqüilizam. Mélanie começa a descer. A meio caminho se detém imóvel e pergunta a Maximino se não vê o que ela estava vendo: “Maximino, olha lá, aquele clarão!”. Maximino corre gritando: “Onde? Onde?” Mélanie estende o dedo para o fundo do vale onde haviam dormido. O clarão se mexia e se agitava, como dividindo-se ao meio. “Oh, meu Deus!”, exclamou Mélanie, deixando cair o cajado. Algo fantasticamente inconcebível a inundava nesse momento e ela se sentiu atraída, com profundo respeito, cheia de amor e o coração batendo mais rapidamente. Viram uma Senhora sentada em uma enorme pedra. Tinha o rosto entre as mãos e chorava amargamente. Mélanie e Maximino estavam com medo e não se mexiam. A Senhora, pondo-se lentamente de pé e cruzando suavemente seus braços, lhes chamou:
Vinde, meus filhos, não tenhais medo, aqui estou para vos contar uma grande novidade!

Então, as crianças foram até a Bela Senhora. Ela não parava de chorar. “Achávamos que era uma mamãe cujos filhos a tivessem espancado e que se teria refugiado na montanha para chorar”. A Senhora era alta e toda de luz. Vestia-se como as mulheres da região: vestido longo, um grande avental, lenço cruzado e amarrado as costas, touca de camponesa. Rosas coroando sua cabeça, ladeando o lenço e ornando seu calçado. Em sua fronte a luz brilhava como um diadema. Em seus olhos havia lágrimas que rolavam pelas faces. Sobre os ombros carregava uma pesada corrente. Uma corrente mais leve prendia sobre o peito um crucifixo resplandecente, com um martelo de um lado, e de outro uma torquês. Disse:
Se meu povo não quer submeter-se, sou forçada a deixar cair o braço de meu Filho. É tão forte e tão pesado que não o posso mais suster.
Há quanto tempo sofro por vós!

Dei-vos seis dias para trabalhar, reservei-me o sétimo, e não mo querem conceder! É isso que torna tão pesado o braço de meu Filho
E também os carroceiros não sabem jurar sem usar o nome de meu Filho. São essas as duas coisas que tornam tão pesado o braço de meu Filho.
Se a colheita se estraga, e só por vossa causa. Eu vo-lo mostrei no ano passado com as batatinhas: e vós nem fizestes caso! Ao contrário, quando encontráveis batatinhas estragadas, juráveis usando o nome de meu Filho. Elas continuarão assim, e neste ano, para o Natal, não haverá mais
A palavra “batatinhas” (em francês: ‘pommes de terre’), deixa Mélanie intrigada. No dialeto da região, se diz “la truffa”. E a palavra ‘pommes’ lembra-lhe o fruto da macieira. Ela se volta então para Maximino, para lhe pedir uma explicação. A Senhora porém, adianta-se dizendo
Não compreendeis, meus filhos? Vou dizê-lo de outro modo.
Retomando pois, as últimas frases no dialeto de Corps (‘patois’), língua falada correntemente por Maximino e Mélanie, a Senhora prossegue sempre no dialeto:
Se tiverdes trigo, não se deve semeá-lo. Todo o que semeardes será devorado pelos insetos, e o que produzir se transformará em pó ao ser malhado.
Virá grande fome. Antes que a fome chegue, as crianças menores de sete anos serão acometidas de tremor e morrerão entre as mãos das pessoas que as carregarem. Os outros farão penitência pela fome. As nozes caruncharão, as uvas apodrecerão.
De repente, a Senhora continuou a falar, mas somente Maximino a entendia. Mélanie percebia seus lábios se moverem, mas nada entendia. Alguns instantes depois, Mélanie por sua vez, pode ouvir, enquanto Maximino, que nada mais entende, faz girar o chapéu na ponta do cajado ou, com a outra, brinca com pedrinhas no chão. “Mas nenhuma sequer tocou os pés da Bela Senhora!”, escusar-se-ia alguns dias mais tarde. “Ela me disse alguma coisa ao me dizer: Tu não dirás nem isso. Depois, não compreendia mais nada, e durante esse tempo, eu brincava”.
Assim a Bela Senhora falou em segredo a Maximino e depois a Mélanie. E novamente, os dois em conjunto ouviram as seguintes palavras:
Se converterem-se, as pedras e rochedos se transformarão em montões de trigo, e as batatinhas serão semeadas nos roçados.
Fazeis bem vossa oração, meus filhos?
“Não muito, Senhora”, respondem as crianças.
Ah! Meus filhos, é preciso fazê-la bem, à noite e de manhã, dizendo ao menos um Pai Nosso e uma Ave Maria quando não puderdes rezar mais. Quando puderdes rezar mais, dizei mais.
Durante o verão, só algumas mulheres mais idosas vão à Missa. Os outros trabalham no domingo, durante todo o verão. Durante o inverno, quanto não sabem o que fazer, vão à Missa zombar da religião. Durante a Quaresma vão ao açougue como cães.
Nunca vistes trigo estragado, meus filhos?
“Não Senhora”, responderam eles.
Então Ela se dirigiu a Maximino:
Mas tu, meu filho, tu deves tê-lo visto uma vez, perto de Coins, com teu pai. O dono da roça disse a teu pai que fosse ver seu trigo estragado. Ambos fostes até lá. Ele tomou duas ou três espigas entre as mãos, esfregou-as e tudo caiu em pó. Ao voltardes, quando estáveis a meia hora de Corps, teu pai te deu um pedaço de pão dizendo-te: “Toma, meu filho, come pão neste ano ainda, pois não sei quem dele comerá no ano próximo, se o trigo continuar assim”.
Maximino respondeu: “É verdade, Senhora, agora lembro. Há pouco não lembrava mais”.
E a Bela Senhora concluiu, não mais em dialeto ‘patois’, e sim em francês:
Pois bem, meus filhos, transmitireis isso a todo o meu povo.
Então ela seguiu até o lugar em que haviam subido para ver onde estavam as vacas. Seus pés deslizavam, tocando apenas a ponta da grama, sem dobrá-la. Na colina, a Bela Senhora se deteve. Mélanie e Maximino correram até ela para ver onde ia. A Senhora se eleva rapidamente, permanecendo por uns minutos a alguns metros de altura (3 ou 5 m). Olhou para o céu, olhou à sua direita (na direção de Roma?), à sua esquerda (na direção da França?), olhou para os dois meninos, e se confundiu com o globo de luz que a envolvia. Este então subiu até desaparecer no firmamento
Depois da aparição
No início, poucos acreditavam no que os dois jovens diziam ter visto e ouvido. Os camponeses que os haviam contratado se surpreendiam com o fato de que, sendo eles tão ignorantes, fossem capazes de transmitir e relatar uma mensagem tão complicada tanto em
francês (que não entendiam bem) como em ‘patois’, em que descreviam exatamente o que diziam.
Na manhã seguinte, Mélanie e Maximino foram levados ao pároco. Era um sacerdote de idade avançada, muito generoso e respeitado. Ao interrogar os dois, ouviu todo o relato, diante do qual ficou muito surpreso e realmente considerou que diziam a verdade. Na missa do domingo seguinte, falou da visita da Senhora e seu pedido. Quando chegou aos ouvidos do Bispo que o pároco havia falado da aparição no púlpito, este foi repreendido e substituído por outro sacerdote. Isso não é de surpreender, pois a Igreja é muito prudente em não fazer juízos apressados sobre aparições.
Mélanie e Maximino eram constantemente interrogados por curiosos e por devotos. Simplesmente contavam a mesma história. Aos que estavam interessados em subir a montanha, mostravam o local exato onde a Senhora havia aparecido. Várias vezes foram ameaçados de prisão se não negassem o que continuavam a dizer. Sem nenhum temor e hesitação, relatavam a todos as mensagens que a Senhora havia dado.
Surgiu uma fonte no lugar onde a Senhora havia aparecido e a água corria colina abaixo. Muitos milagres começaram a acontecer. As terríveis calamidades anunciadas começaram a se cumprir. A terrível escassez de batatas de 1846 se espalhou, especialmente na Irlanda, onde muitos morreram. A escassez de trigo e milho foi tão severa, que mais de um milhão de pessoas na Europa morreram de fome. Uma enfermidade atacou as uvas em toda a França. Provavelmente o castigo teria sido pior se não fosse pelos que aceitaram a mensagem de La Salette. Muitos começaram a ir à missa. As lojas eram fechadas aos domingos e as pessoas pararam de fazer trabalhos desnecessários do dia do Senhor. Os xingamentos e as blasfêmias foram diminuindo.
A Aprovação Eclesiástica
O Bispo de La Salette encarregou a dois teólogos a investigação da aparição e de todas as curas registradas. Durante cinco anos fizeram as mais minuciosas investigações. Em toda a França, em aproximadamente oitenta lugares diferentes, os bispos encarregaram sacerdotes que investigassem as curas milagrosas através das orações a Nossa Senhora de La Salette e da água da fonte. Centenas de graças foram registradas.
O Santo Padre Pio IX aprovou a devoção a Nossa Senhora de La Salette. Pediu aos jovens que lhe enviassem o relato dos segredos por escritos. Tempo depois dirá o Santo Padre:
“Estes são os segredos de La Salette; se o mundo não se arrepender, perecerá”.
NOSSA SENHORA DE LOURDES
“A Imaculada Conceição”.

11 de fevereiro de 1858. Jovem de 14 anos, Bernadette Soubirous sai à procura de gravetos para a estufa de sua casa, onde há falta de tudo. Com Bernadette vão sua irmã e uma colega.
E chegaram a Massabielle, lugarejo vizinho a Lourdes.
Atrasando no caminho, Bernadette vai tentar a travessia do pequeno braço do córrego do Gave, quando uma repentina e forte rajada de vento a detém assustada. Para e olha a gruta de onde lhe aparece a imagem de uma Senhora toda de branco dentro de uma nuvem dourada.
Repete-se a 14 de fevereiro a aparição, dessa vez na presença de algumas pessoas.
O mesmo se dá no dia 18 quando Bernadette, respondendo sim ao convite da Senhora de voltar 15 vezes à gruta, ouve as palavras: “Eu lhe prometo a felicidade, não neste mundo mas no outro.”
Bernadette cumpre a promessa e a Senhora lhe fala com suma bondade, mas não lhe revela quem é. A 25 de fevereiro, pela 9º aparição, a Senhora convida Bernadette a cavar a terra. Bernadette e os numerosos presentes vêem jorrar o primeiro fio d’água da fonte milagrosa
Em 26 de fevereiro a Senhora de branco pede a Bernadette que beije o chão.
Ela compreende que deve fazê-lo por penitência e seu gesto é logo imitado pela já numerosa multidão. Ainda hoje continua essa devoção no lugar sagrado das aparições.
Em 12 de março a Senhora pede: “Vá dizer aos sacerdotes que levantem aqui uma capela. Desejo que venha o povo em procissão a esta.”
Bernadette se prontifica a realizar a difícil incumbência.
Não crendo nas afirmações da menina o pároco a repreende e exige que ela pergunte o nome à Senhora. Em 25 de março a visitante do céu satisfaz as insistências da jovem. E lhe revela:
“EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO.”

Na 17° aparição Bernadette permanece em êxtase diante da visão por uns 15 minutos. Como de costume, segura na mão direita uma vela acesa e dessa vez coloca a mão esquerda bem junto da chama por um quarto de hora. Passando o êxtase o médico ali presente não encontra na mão da jovem nem o mais leve sinal de queimadura.
A 18° e última aparição dá-se a 16 de julho.
Oito anos depois, em maio de 1866, Bernadette vê, com alegria, realizado o desejo de Nossa Senhora: Levanta-se junto da gruta de Massabielle magnífica Basílica.
A 7 de julho de 1866 Bernadette ingressa no Convento das irmãs de Caridade e da Instrução Cristã, em Nevers, onde vem a falecer em 16 de abril de 1879.

Em 8 de dezembro de 1933 é solenemente canonizada por Sua Santidade o Papa PIO XI.
NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

A 13 de Maio de 1917, três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima.
Chamavam-se Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos.
Por volta do meio dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma “Senhora mais brilhante que o sol”, de cujas mãos pendia um terço branco. A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora. As crianças assim fizeram, e nos dias 13 de Junho, Julho, Setembro e Outubro, a Senhora voltou a aparecer-lhes e a falar-lhes, na Cova da Iria. A 19 de Agosto, a aparição deu-se no sítio dos Valinhos, a uns 500 metros do lugar de Aljustrel, porque, no dia 13, as crianças tinham sido levadas pelo Administrador do Concelho, para Vila Nova de Ourém.
a última aparição, a 13 de Outubro, estando presentes cerca de 70.000 pessoas, a Senhora disse-lhes que era a “Senhora do Rosário” e que fizessem ali uma capela em Sua honra. Depois da aparição, todos os presentes observaram o milagre prometido às três crianças em Julho e Setembro: o sol, assemelhando-se a um disco de prata, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra.
Posteriormente, sendo Lúcia religiosa de Santa Doroteia, Nossa Senhora apareceu-lhe novamente em Espanha (10 de Dezembro de 1925 e 15 de Fevereiro de 1926, no Convento de Pontevedra, e na noite de 13 e 14 de Junho de 1929, no Convento de Tuy), pedindo a devoção dos cinco primeiros sábados (rezar o terço, meditar nos mistérios do Rosário, confessar-se e receber a Sagrada Comunhão, em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria) e a Consagração da Rússia ao mesmo Imaculado Coração. Este pedido já Nossa Senhora o anunciara em 13 de Julho de 1917, na parte já revelada do chamado “Segredo de Fátima”.
Anos mais tarde, a Ir. Lúcia conta ainda que, entre Abril e Outubro de 1916, tinha aparecido um Anjo aos três videntes, por três vezes, duas na Loca do Cabeço e outra junto ao poço do quintal da casa de Lúcia, convidando-os à oração e penitência.

Desde 1917, não mais cessaram de ir à Cova da Iria milhares e milhares de peregrinos de todo o mundo, primeiro nos dias 13 de cada mês, depois nos meses de férias de Verão e Inverno, e agora cada vez mais nos fins de semana e no dia-a-dia, num montante anual de quatro milhões.
Fatos relacionados à Aparição de Nossa Senhora em Fátima

13 de maio de 1981– O então papa João Paulo II sofre um atentado, a tiros, na Praça de São Pedro no Vaticano, é alvejado por dois projéteis e fica gravemente ferido, o Papa atribui à proteção de Nossa Senhora o fato de ter sobrevivido. Um ano depois, no dia 13 de maio de 1982, vai ao Santuário de Fátima agradecer a Nossa Senhora
– «…Venho hoje aqui, porque exatamente neste mesmo dia do mês, no ano passado, se dava, na Praça de São Pedro, em Roma, o atentado à vida do Papa, que misteriosamente coincidia com o aniversário da primeira aparição em Fátima, a qual se verificou a 13 de Maio de 1917.
Estas datas encontraram-se entre si de tal maneira, que me pareceu reconhecer nisso um chamamento especial para vir aqui. E eis que hoje aqui estou. Vim para agradecer à Divina Providência, neste lugar, que a Mãe de Deus parece ter escolhido de modo tão particular.
“Misericordiae Domini, quia non sumus consumpti” – Foi graças ao Senhor que não fomos aniquilados (Lam. 3, 22) – repito uma vez mais com o Profeta.» (Trecho da Homilia do saudoso e amado Papa João Paulo II em 13 de maio de 1982 em Fátima)
Dezenove anos depois do atentado, no dia 13 de maio de 2000, na homilia da missa de beatificação dos pastorinhos de Fátima, Jacinta e Francisco, João Paulo II agradece também pelas orações da Beata Jacinta
– «…E desejo uma vez mais celebrar a bondade do Senhor para comigo, quando, duramente atingido naquele dia 13 de Maio de 1981, fui salvo da morte. Exprimo a minha gratidão também à beata Jacinta pelos sacrifícios e orações oferecidas pelo Santo Padre, que ela tinha visto em grande sofrimento.»
(Trecho da Homilia do saudoso e amado Beato Papa João Paulo II em 13 de maio de 2000, por ocasião da beatificação dos veneráveis Pastorinhos de Fátima Jacinta e Francisco)

12 de Maio de 2002 – o Cardeal Joachim Meisner, Arcebispo de Colônia, visitou a Irmã Lúcia. Nessa ocasião foi apresentada a batina que o Santo Padre ofereceu ao Santuário de Fátima para recordar a veste do «bispo vestido de branco» que os pastorinhos viram na visão do segredo. Foi uma surpresa e motivo de grande alegria para a Irmã Lúcia que abraçou a batina como se nos seus braços tivesse o Santo Padre. Manifestou várias vezes o desejo de se encontrar com o Santo Padre, nem que para isso ela tivesse de ir a Roma.

13 de fevereiro de 2005 – morre Ir. Maria Lúcia do Coração Imaculado, a última sobrevivente dos três pastorinhos a quem Nossa Senhora apareceu pela primeira vez em 13 de maio de 1917.
“Para ir para o céu, não é condição indispensável recitar muitos Rosários no sentido estreito da palavra, mas sim, rezar muito; naturalmente para aquelas pobres crianças (os três pastorinhos de Fátima) recitar o rosário todos os dias era a forma de oração mais acessível, assim como é ainda hoje para a maior parte das pessoas, e não há dúvida de que dificilmente alguém se salva se não rezar” (Irmã Lúcia, em Os apelos de Fátima, Libreria Editrice Vaticana, 2001, pág. 116-117).

2 de abril de 2005 – morre o «bispo vestido de branco», nosso querido Papa João Paulo II.

13 de Maio de 2007 – na Festa de 90 anos da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima, o Santo Padre o Papa Bento XVI estava em visita ao nosso Brasil no Santuário de Nossa Senhora Aparecida.
<<Recorre hoje o nonagésimo aniversário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima. Com o seu veemente apelo à conversão e à penitência é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas. Vamos pedir à Mãe da Igreja, Ela que conhece os sofrimentos e as esperanças da humanidade, que proteja nossos lares e nossas comunidades. Saúdo especialmente as mães que hoje comemoram o seu Dia. Deus as abençoe com os seus queridos.>>
(Trecho do Regina Caeli do Papa Bento XVI na Esplanada do Santuário de Aparecida VI Domingo de Páscoa, 13 de Maio de 2007.)

12.maio.2010 – O Papa Bento XVI consagra todos os sacerdotes do mundo ao Coração Imaculado de Maria.
ATO DE CONFIANÇA E CONSAGRAÇÃO
DOS SACERDOTES AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA
ORAÇÃO DO PAPA BENTO XVI
Igreja da Santíssima Trindade – Fátima
Quarta-feira, 12 de Maio de 2010
Mãe Imaculada,
neste lugar de graça,
convocados pelo amor do vosso Filho Jesus,
Sumo e Eterno Sacerdote, nós,
filhos no Filho e seus sacerdotes,
consagramo-nos ao vosso Coração materno,
para cumprirmos fielmente a Vontade do Pai.
Estamos cientes de que, sem Jesus,
nada de bom podemos fazer (cf. Jo 15, 5)
e de que, só por Ele, com Ele e n’Ele,
seremos para o mundo
instrumentos de salvação.
Esposa do Espírito Santo,
alcançai-nos o dom inestimável
da transformação em Cristo.
Com a mesma força do Espírito que,
estendendo sobre Vós a sua sombra,
Vos tornou Mãe do Salvador,
ajudai-nos para que Cristo, vosso Filho,
nasça em nós também.
E assim possa a Igreja
ser renovada por santos sacerdotes,
transfigurados pela graça d’Aquele
que faz novas todas as coisas.
Mãe de Misericórdia,
foi o vosso Filho Jesus que nos chamou
para nos tornarmos como Ele:
luz do mundo e sal da terra
(cf. Mt 5, 13-14).
Ajudai-nos,
com a vossa poderosa intercessão,
a não esmorecer nesta sublime vocação,
nem ceder aos nossos egoísmos,
às lisonjas do mundo
e às sugestões do Maligno.
Preservai-nos com a vossa pureza,
resguardai-nos com a vossa humildade
e envolvei-nos com o vosso amor materno,
que se reflecte em tantas almas
que Vos são consagradas
e se tornaram para nós
verdadeiras mães espirituais.
Mãe da Igreja,
nós, sacerdotes,
queremos ser pastores
que não se apascentam a si mesmos,
mas se oferecem a Deus pelos irmãos,
nisto mesmo encontrando a sua felicidade.
Queremos,
não só por palavras mas com a própria vida,
repetir humildemente, dia após dia,
o nosso « eis-me aqui».
Guiados por Vós,
queremos ser Apóstolos
da Misericórdia Divina,
felizes por celebrar cada dia
o Santo Sacrifício do Altar
e oferecer a quantos no-lo peçam
o sacramento da Reconciliação.
Advogada e Medianeira da graça,
Vós que estais totalmente imersa
na única mediação universal de Cristo,
solicitai a Deus, para nós,
um coração completamente renovado,
que ame a Deus com todas as suas forças
e sirva a humanidade como o fizestes Vós.
Repeti ao Senhor aquela
vossa palavra eficaz:
« não têm vinho » (Jo 2, 3),
para que o Pai e o Filho derramem sobre nós,
como que numa nova efusão,
o Espírito Santo.
Cheio de enlevo e gratidão
pela vossa contínua presença no meio de nós,
em nome de todos os sacerdotes quero,
também eu, exclamar:
« Donde me é dado que venha ter comigo
a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43).
Mãe nossa desde sempre,
não Vos canseis de nos visitar,
consolar, amparar.
Vinde em nosso socorro
e livrai-nos de todo o perigo
que grava sobre nós.
Com este acto de entrega e consagração,
queremos acolher-Vos de modo
mais profundo e radical,
para sempre e totalmente,
na nossa vida humana e sacerdotal.
Que a vossa presença faça reflorescer o deserto
das nossas solidões e brilhar o sol
sobre as nossas trevas,
faça voltar a calma depois da tempestade,
para que todo o homem veja a salvação
do Senhor,
que tem o nome e o rosto de Jesus,
reflectida nos nossos corações,
para sempre unidos ao vosso!
Assim seja!

1º.maio.2011 – Em uma cerimônia solene na presença de mais de 1 milhão de pessoas que lotaram a praça de São Pedro, segundo a polícia romana, o Papa Bento XVI proclamou beato o seu predecessor, João Paulo II (1920-2005).
O corpo do Beato João Paulo II repousa agora na Basílica de São Pedro no Vaticano, sob o altar da Capela de São Sebastião.

13.maio.2012 – Um número recorde de fiéis católicos, cerca de 300 mil, vindos de 30 países, realizou neste ano, 95˚ aniversário da primeira aparição de Nossa senhora, a peregrinação de Fátima, de acordo com os responsáveis do santuário.

10.fev.2013 – O Papa Bento XVI anuncia sua renúncia ao pontificado dia 28.fev.2013,
<<…Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro…>>

13.mar.2013 – “Habemus Papam”, os senhores cardeais, iluminados pelo Espírito Santo, elegem o 266º sucessor de São Pedro, o então Cardeal Arcebispo de Buenos Aires, Dom Jorge Mario Bergoglio, que toma o nome de Francisco.
12.maio.2013 – A pedido do Papa Francisco, a imagem peregrina de Fátima visita o Vaticano e Roma, diante da qual o Santo Padre consagra o mundo ao Coração Imaculado de Maria, repetindo o gesto de seus antecessores: São João Paulo II e Bento XVI.

13.maio.2013 – 96º aniversário da Primeira Aparição de Nossa Senhora em Fátima, que recebeu aproximadamente 37.000 peregrinos, e foi marcado pela Consagração do Pontificado do Santo Padre, o Papa Francisco ao Coração Imaculado de Maria, feita a pedido do próprio Papa, pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa Dom José Policarpo.
O cardeal-patriarca assim rezou ao consagrar o pontificado do Papa Francisco:
“Assim vos consagramos Senhora, vós que sois Mãe da Igreja, o ministério do novo Papa: enchei o seu coração da ternura de Deus, que vós experimentastes como ninguém, para que ele possa abraçar todos os homens e mulheres deste tempo com o amor do vosso Filho Jesus Cristo”.

27.abril.2014 – O “Bispo vestido de branco”, o Papa João Paulo II, é canonizado no segundo domingo de Páscoa – “Domingo da Divina Misericórdia”, festa instituída pelo próprio São João Paulo II.

13.maio.2017 – No centenário das aparições de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em 12 e 13 de maio de 2017, o mundo católico se uniu em uma comemoração marcante no Santuário de Fátima, Portugal. Milhares de fiéis participaram de cerimônias especiais, relembrando as visões dos pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta. O ponto alto das celebrações foi a presença e as palavras impactantes do Papa Francisco, que destacou a importância da mensagem de paz transmitida por Nossa Senhora em 1917.
Em sua homilia, o Papa Francisco enfatizou a relevância contínua dos ensinamentos de Fátima, chamando a atenção para a necessidade de oração e compaixão em um mundo muitas vezes marcado por conflitos. “Que este centenário seja tempo de reflexão sobre o quanto, na nossa vida, a oração é capaz de fazer milagres”, afirmou o Papa. Suas palavras ressoaram entre os presentes, reforçando a importância espiritual do santuário. As procissões solenes, as missas emocionantes e a convergência de peregrinos de todas as partes do globo culminaram em um momento de reflexão e devoção, marcando o centenário como um evento inesquecível na história da fé católica.

31.dez.2022 – No último dia do ano de 2022 morre o Papa Emérito Bento XVI, aos 95 anos, às 9h34 no Mosteiro Mater Ecclesiae, em sua residência na Cidade do Vaticano. Desde 2020, o pontífice enfrentava desafios de saúde, conforme informações divulgadas pela Sala de Imprensa da Santa Sé. Na quinta-feira (28.dez.2022), foi revelado que seu estado de saúde era grave, mas estável.
O Papa Francisco expressou sua tristeza, afirmando que Bento XVI estava “muito doente” e solicitou orações pela sua recuperação. Em suas palavras, proferidas em 28 de dezembro de 2022, Francisco destacou a importância de dirigir pensamentos de solidariedade e fé ao Papa Emérito.
O corpo de Bento XVI foi levado à Basílica de São Pedro em 2 de janeiro, onde foi publicamente exposto até o dia 4, antes de ser sepultado na cripta da Basílica. O funeral, marcado pela ausência de elementos tradicionais da paramentação papal, marcou o encerramento de um capítulo peculiar na história da Igreja Católica, caracterizado pela coexistência de dois papas após a renúncia de Bento XVI em 2013, encerrando assim uma época única na história eclesiástica.
O Segredo de Fátima
Chama-se “Segredo de Fátima” o cerne das revelações feitas por Nossa Senhora aos 3 pastorinhos.
A própria Irmã Lúcia, uma das videntes, divide o Segredo em 3 partes.
Primeira parte: a visão do Inferno
“Vimos como que um grande mar de fogo e mergulhados nesse fogo os demônios
e as almas como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma
humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam
juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados – semelhantes ao cair
das fagulhas nos grandes incêndios – sem peso nem equilíbrio, entre gritos
e gemidos de dor e desespero que horrorizavam e faziam estremecer de pavor.
Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais
espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa”.
Segunda parte: anúncio do castigo e dos meios para evitá-lo
“Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz.
“A guerra vai acabar (estava-se em 1917), mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.
“Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Coração Imaculado e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Coração Imaculado triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.
“Em Portugal se conservará sempre o Dogma da Fé”.
Terceira parte
Como é de conhecimento dos católicos, no mês de junho de 2000, a Congregação para Doutrina da Fé, da Santa Sé, divulgou a Terceira Parte do Segredo de Fátima que destacamos abaixo.
” J.M.J.
A terceira parte do segredo revelado a 13 de Julho de 1917 na Cova da Iria-Fátima.Escrevo em ato de obediência a Vós Deus meu, que mo mandais por meio de sua Ex.cia Rev.ma o Senhor Bispo de Leiria e da Vossa e minha Santíssima Mãe.Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo em a mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos n’uma luz imensa que é Deus: “algo semelhante a como se vêem as pessoas n’um espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio tremulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n’eles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.
Tuy-3-1-1944 “.
Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós!
NOSSA SENHORA DA GRAÇA

A aparição de Nossa Senhora das Graças ocorreu no dia 27 de novembro de 1830 a Santa Catarina Labouré, irmã de caridade.

A santa encontrava-se em oração na capela do convento, quando a Virgem Santíssima lhe apareceu. Tratava-se de uma “Senhora de mediana estatura, o seu rosto tão belo e formoso… Estava de pé, com um vestido de seda, cor de branco-aurora. Cobria-lhe a cabeça um véu azul, que descia até os pés… As mãos estenderam-se para a terra, enchendo-se de anéis cobertos de pedras preciosas… A Santíssima Virgem disse: ‘Eis o símbolo das graças que derramo sobre todas as pessoas que mais pedem …’.
Formou-se então em volta de Nossa Senhora um quadro oval, em que se liam em letras de ouro estas palavras:
“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.
Nisto voltou-se o quadro e eu vi no reverso a letra M encimada por uma cruz, com um traço na base. Por baixo os Sagrados Corações de Jesus e Maria – o de Jesus cercado por uma coroa de espinhos e a arder em chamas, e o de Maria também em chamas e atravessado por uma espada, cercado de doze estrelas. Ao mesmo tempo ouvi distintamente a voz da Senhora a dizer-me:

“Manda, cunhar uma medalha por este modelo. As pessoas que a trouxerem por devoção hão de receber grandes graças!
TUPASY CAACUPÉ (Mãe de Deus de Caacupé)

A Tupasy Caacupé chegou de Assunção até Torreciudad em 1º de outubro de 2002, acompanhada pela devoção dos peregrinos. Aquela imagem foi substituída por esta em 12 de setembro de 2010, durante a peregrinação das famílias paraguaias residentes em Zaragoza. Tupasy significa Mãe de Deus em guarani, e Caacupé é a cidade onde está localizado o santuário.

Informações sobre esta devoção

Conta a tradição que, por volta de 1600, um indígena cristão havia ido às selvas do Vale Ytú em busca de alimentos e madeira. Era um índio guarani convertido, da missão franciscana de Tobatí, e estava em grave perigo de morte. Cercado pelos ferozes mbayaes, uma tribo que não havia aceitado a fé cristã e se declarado inimiga ferrenha dos convertidos. Nesse momento, a imagem da Virgem Maria lhe apareceu e disse: “Kaaguy kupépe”, que traduzido significa “atrás da erva” (em referência à erva-mate, infusão atribuída a muitos poderes medicinais e que é um dos principais produtos exportáveis do país). Lá, ele encontrou um tronco espesso que lhe oferecia refúgio seguro e se escondeu, pedindo amparo à sua Mãe do Céu, a Imaculada, que os bons frades lhe ensinaram a amar profundamente.
Neste momento, ele prometeu esculpir, com a madeira da árvore protetora, uma bela imagem da Virgem se conseguisse sair vivo da situação. Seus perseguidores seguiram adiante sem perceber sua presença, e o índio escultor, agradecido, assim que pôde retornar, pegou a madeira que precisava para o seu trabalho. Diz-se que brota água no local exato da aparição, e essa água ajudou os guaranis a sobreviverem ao calor do mês de dezembro.
Do tronco surgiram duas esculturas; a maior foi destinada à igreja de Tobatí, e a menor o índio conservou consigo para sua devoção pessoal. Anos depois, a grande inundação que criou o lago de Ypacaraí ameaçava destruir as vilas próximas. Os frades franciscanos, junto com os habitantes da região, organizaram rogativas pedindo a tranquilidade das águas. Conta-se que o padre Luis de Bolaños abençoou as águas, que recuaram até seus limites atuais; junto com a calma, apareceu flutuando uma maleta lacrada que continha uma imagem da Virgem, reconhecida pelos presentes como a mesma que o índio esculpira anos atrás. Desde então, o povo a chamou de “Virgem dos Milagres”. Depois, o escultor indígena se instalou com sua família nesses vales, confiante de que a Virgem Maria sempre o protegeria. Construiu um humilde oratório, que, por sua vez, como um ímã, atraía moradores ao seu redor, formando uma vila conhecida inicialmente como os ituanos. Por volta de 1765, a área já era conhecida como o vale de Caacupé, uma tradição que se consolidava. Em 4 de abril de 1770, tomou-se como referência a fundação de Caacupé.
Quem visita Caacupé deve levar água do poço da Virgem (Tupãsy Ykuá). O templo é a réplica da antiga igreja, o Tupaõ Tuja. O peregrino que chega a Caacupé junto com a Mãe inevitavelmente vai ao poço para cumprir sua promessa. Tupasy significa Maria, a mãe de Deus, a Virgem em guarani.
INDULGÊNCIAS

O que são as indulgências?
Antes de explicar o que são as indulgências, vamos mostrar que a Igreja ensina esta doutrina sem hesitação.
O Catecismo da Igreja (CIC) afirma que:
“Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, seqüelas dos pecados.” (CIC, 1498) O Papa Paulo VI (1963´1978), na Constituição Apostólica Doutrina das Indulgências (DI), ensina com clareza toda a verdade sobre esta matéria. Começa dizendo que: “A doutrina e o uso das indulgências vigentes na Igreja Católica há vários séculos encontram sólido apoio na Revelação divina, a qual vindo dos Apóstolos “se desenvolve na Igreja sob a assistência do Espírito Santo”, enquanto “a Igreja no decorrer dos séculos, tende para a plenitude da verdade divina, até que se cumpram nela as palavras de Deus (Dei Verbum, 8)”. ( DI, 1) Assim, fica claro que as indulgências têm base sólida na doutrina católica (Revelação e Tradição) e, como disse Paulo VI, “se desenvolve na Igreja sob a inspiração do Espírito Santo”.
A ORIGEM DAS INDULGÊNCIAS
O uso das indulgências teve sua origem já nos primórdios da Igreja. Desde os primeiros tempos ela usou o seu poder de remir a pena temporal dos pecadores. Sabemos que na Igreja antiga dos primeiros séculos, a absolvição dos pecados só era dada aos penitentes que se acusassem dos próprios pecados e se submetessem a uma pesada penitência pública; por exemplo, jejum de quarenta dias até o pôr do sol, trajando´se com sacos e usando o silício, autoflagelação, retirada para um convento, vagar pelos campos vivendo de esmolas, etc., além de ser privado da participação na Liturgia eucarística e na vida comunitária. Isto era devido ao “horror” que se tinha do pecado e do escândalo. Aquele que blasfemasse o nome de Deus, da Virgem Maria, ou dos santos, ficava na porta da igreja, sem poder entrar, sete domingos durante a missa paroquial, e, no último domingo ficava no mesmo lugar sem capa e descalço; e nas sete sextas´ feiras precedentes jejuava a pão e água, sem poder neste período entrar na igreja. Aquele que rogasse uma praga aos pais, devia jejuar quarenta dias a pão e água… Essas pesadas penitências, e outras, tinham o objetivo de extinguir no penitente os resquícios do pecado e as más inclinações que o pecado sempre deixa na alma do pecador, fazendo´o voltar a praticá-lo. Na fase das perseguições dos primeiros séculos, quando era grande o número de mártires, muitos cristãos ficavam presos e aguardando o dia da própria execução. Surgiu nesta época um belo costume: os penitentes recorriam à intercessão dos que aguardavam presos a morte. Um deles escrevia uma carta ao bispo pedindo a comutação da pesada penitência do pecador; eram as chamadas “cartas de paz”. Com este documento entregue ao bispo, o penitente era absolvida da pesada penitência pública que o confessor lhe impusera, e também da dívida para com Deus; a pena temporal que a penitência satisfazia. Assim, transferia´se para o pecador arrependido, o valor satisfatório dos sofrimentos do mártir.
Desta forma começou o uso da indulgência na Igreja.
Muitas vezes os penitentes não tinham condições de saúde suficiente para cumprir essas penitências tão pesadas; e isto fez com que a Igreja, com o passar do tempo, em etapas sucessivas e graduais, fosse abrandando as penitências. Na idade média, a Igreja, com a certeza de que ela é a depositária dos méritos de Cristo, de Nossa Senhora e dos Santos, o chamado “tesouro da Igreja”, começou a aplicar isto aos seus filhos pecadores. Inspirados pelo Espírito Santo, os Papas e Concílios, a partir do século IX, entenderam que podiam aplicar esses méritos em favor dos penitentes que deviam cumprir penitencias rigorosas. Assim, surgiram as “obras indulgenciadas”, que substituíam as pesadas penitencias. O jejum rigoroso foi substituído por orações; a longa peregrinação, por pernoitar em um santuário; as flagelações, por esmolas; etc.. A partir daí, a remissão da pena temporal do pecado, obtida pela prática dessas “obras indulgenciadas”, tomou o nome de “indulgência”. Nos exemplos das pesadas penitências públicas citadas acima, elas eram substituídas, respectivamente, por uma indulgência de sete semanas e por uma indulgência de 40 dias; por isso as indulgências eram contadas em dias, semanas e meses, porque assim, eram também contadas as penitências públicas. Com a reza do Terço, por exemplo, em qualquer dia do mês de outubro, se ganhava a indulgência de sete anos. No século IX, os bispos já concediam indulgências gerais, isto é, a todos os fiéis, sem a necessidade da mediação de um sacerdote. Assim, os bispos estipularam que realizando certas obras determinadas, os fiéis poderiam obter, pelos méritos de Cristo, a remissão das penas devidas aos pecados já absolvidos. É preciso compreender que esta prática não se constituía em algo mecânico; não, o penitente, ao cumprir a obra indulgenciada devia trazer consigo as mesmas disposições interiores daquele que cumpria no passado as pesadas penitências, isto é, profundo amor a Deus e repúdio radical de todo pecado. Sem isto, não se ganharia a indulgência. Com o passar do tempo, e principalmente por causa da “questão das indulgências” no tempo de Martinho Lutero (explicado adiante), no século XVI, as indulgências foram ofuscadas e tornaram´se objeto de críticas. No entanto, após o Concílio Vaticano II (1962´65), o Papa Paulo VI reafirmou todo o seu valor, na Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina, onde quis claramente mostrar o sentido profundo e teológico das indulgências; incitando os católicos ao espírito de contrição e penitência que deve movê-los ao realizar as obras indulgenciadas, removendo toda a aparência de mecanicismo espiritual que no passado aconteceu.
Normas sobre as Indulgências
Extraídas do Manual das Indulgências aprovado pela Santa Sé e publicado em 1990 pela CNBB (Edições Paulinas, SP, 1990, pág. 15´19).
1. Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos. ( Indulgentiarum Doctrina, Norma 1)
2. A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberta, em parte ou no todo, da pena temporal devida pelos pecados. (Ib.norma 2)
3. Ninguém pode lucrar indulgências a favor de outras pessoas vivas. (Ib. norma 3)
4. Qualquer fiel pode lucrar indulgências parciais ou para si mesmo ou aplicá-las aos defuntos como sufrágio.(Ib. norma 5)
5. O fiel que, ao menos com o coração contrito, faz uma obra enriquecida de indulgência parcial, com o auxílio da Igreja, alcança o perdão da pena temporal, em valor correspondente ao que ele próprio já ganha com sua ação. (Cf. cân. 994, CDC)
6. A divisão das indulgências em pessoais, reais e locais já não se usa, para mais claramente constar que se enriquecem as ações dos fiéis, embora sejam atribuídas às vezes as coisas e lugares. (Ib. norma 12)
7. Além da autoridade suprema da Igreja, só podem conceder indulgências aqueles a quem esse poder é reconhecido pelo direito ou concedido pelo Romano Pontífice.( Cf. cân. 995, 1, CDC)
8. Na Cúria Romana, só à Sagrada Penitenciária se confia tudo o que se refere à concessão e uso de indulgências; excetua´se o direito da Congregação para a Doutrina da Fé de examinar o que toca à doutrina dogmática sobre as indulgências. (Cf. Const. Apost. Regiminae Ecclesiae Universae, 15/08/1967, n. 113: AAS 59, p. 113)
9. Nenhuma autoridade inferior ao Romano Pontífice pode conferir a outros o poder de conceder indulgências, a não ser que isso lhe tenha sido expressamente concedido pela Sé Apostólica. (Cf. cân. 995, 2, CDC)
10. Os Bispos e os equiparados a eles pelo direito, desde o princípio de seu múnus pastoral, têm os seguintes direitos:
1º Conceder indulgência parcial aos fiéis confiados ao seu cuidado.
2º Dar a benção papal com indulgência, segundo a fórmula prescrita, cada qual em sua diocese, três vezes ao ano, no fim da missa celebrada com especial esplendor litúrgico, ainda que eles próprios não a celebrem, mas apenas assistam, e isso em solenidade ou festas por eles designadas.
11. Os Metropolitas podem conceder a indulgência parcial nas dioceses sufragâneas, como o fazem na sua própria diocese.
12. Os patriarcas podem conceder a indulgência parcial em cada um dos lugares do seu patriarcado, mesmo isentos, nas igrejas de seu rito fora dos confins do patriarcado e, em qualquer parte, para os fiéis do seu rito. O mesmo podem os Arcebispos Maiores.
13. O Cardeal goza do direito de conceder a indulgência parcial em qualquer parte, mas só aos presentes em cada vez.
14. Parágrafo 1. Todos os livros, opúsculos, folhetos etc., em que se contém concessões de indulgências, não se editem sem licença do ordinário ou hierarquia local. Parágrafo 2. Requer-se licença expressa da Sé Apostólica para imprimir em qualquer língua a coleção autêntica das orações ou das obras pias a que a Sé Apostólica anexou indulgências. (Cf. cân. 826, 3, CDC)
15. Os que impetraram do Sumo Pontífice concessões de indulgências para todos os fiéis são obrigados, sob pena de nulidade da graça recebida, a mandar exemplares autênticos das mesmas à Sagrada Penitenciária.
16. A indulgência, anexa a alguma festa, entende-se como transferida para o dia em que tal festa ou sua solenidade externa legitimamente se transfere.
17. Para ganhar a indulgência anexa a algum dia, se é exigida visita à igreja ou oratório, esta pode fazer´se desde o meio´dia do dia precedente até a meia noite do dia determinado.
18. O fiel cristão que usa objetos de piedade (crucifixo ou cruz, rosário, escapulário, medalha) devidamente abençoados por qualquer sacerdote ou diácono, ganha indulgência parcial. Se os mesmos objetos forem bentos pelo Sumo Pontífice ou por qualquer Bispo, o fiel ao usá-los com piedade pode alcançar até a indulgência plenária na solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, se acrescentar alguma fórmula legítima de profissão de fé. (Indulg. Doctr., norma17)
19. Parágrafo 1. A indulgência anexa à visita a igreja não cessa, se o edifício se arruíne completamente e seja reconstruído dentro de cinqüenta anos no mesmo ou quase no mesmo lugar e sob o mesmo título. Parágrafo 2. A indulgência anexa ao uso de objeto de piedade só cessa quando o mesmo objeto acabe inteiramente ou seja vendido.
20. Parágrafo 1. Para que alguém seja capaz de lucrar indulgências, deve ser batizado, não estar excomungado e encontrar´se em estado de graça, pelo menos no fim das obras prescritas. Parágrafo 2. O fiel deve também ter atenção, ao menos geral, de ganhar a indulgência e cumprir as ações prescritas, no tempo determinado e no modo devido, segundo o teor da concessão. (Cf. cân. 996, CDC)
21. Parágrafo 1. A indulgência plenária só se pode ganhar uma vez ao dia. Parágrafo 2. Contudo, o fiel em artigo de morte pode ganhá-la, mesmo que já a tenha conseguido nesse dia. Parágrafo 3. A indulgência parcial pode-se ganhar mais vezes ao dia, se expressamente não se determinar o contrário. (Ind. Doctr., norma 6 e 18)
22. A obra prescrita para alcançar a indulgência, anexa à igreja ou oratório, é a visita aos mesmos: neles se recitam a oração dominical e o símbolo aos apóstolos (Pai´ nosso e Creio), a não ser caso especial em que se marque outra coisa (Ib. norma 16)
23. Parágrafo 1. Para lucrar a indulgência, além da repulsa de todo o afeto a qualquer pecado até venial, requerem´se a execução da obra enriquecida da indulgência e o cumprimento das três condições seguintes: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice.(Ib. normas 7,8,9,10) Parágrafo 2. Com uma só confissão podem ganhar´se várias indulgências, mas com uma só comunhão e uma só oração alcança´se uma só indulgência. Parágrafo 3. As três condições podem cumprir´se em vários dias, antes ou depois da execução da obra prescrita; convém, contudo, que tal comunhão e tal oração se pratiquem no próprio dia da obra prescrita. Parágrafo 4. Se falta a devida disposição ou se a obra prescrita e as três condições não se cumprem, a indulgência será só parcial, salvo o que se prescreve nos nn. 27 e 28 em favor dos “impedidos”. Parágrafo 5. A condição de rezar nas intenções do Sumo Pontífice se cumpre ao se recitar nessas intenções um Pai ´nosso e uma Ave´Maria, mas podem os fiéis acrescentar outras orações conforme sua piedade e devoção.
24. Com a obra, a cuja execução se está obrigado por lei ou preceito, não se podem ganhar indulgências, a não ser que em sua concessão se diga expressamente o contrário. Contudo, quem executa a obra que é penitência sacramental e é por acaso indulgenciada, pode ao mesmo tempo satisfazer a penitência e ganhar a indulgência. (Ib. norma 11)
25. A indulgência anexa a alguma oração pode ganhar´se em qualquer língua em que se recite, desde que a tradução seja fiel, por declaração da Sagrada Penitenciária ou de um dos ordinários ou hierarquias locais.
26. Para aquisição de indulgências é suficiente rezar a oração alternadamente com um companheiro ou segui-la com a mente, enquanto outro a recita.
27. Os confessores podem comutar a obra prescrita ou as condições, em favor dos que estão legitimamente impedidos ou impossibilitados de as cumprir por si próprios.
28. Os ordinários ou hierarquias locais podem além disso conceder aos fiéis que são seus súditos segundo a norma do direito, e que se encontrem em lugares onde de nenhum modo ou dificilmente possam se confessar e comungar, para que também eles possam ganhar a indulgência sem a atual confissão e comunhão, contanto que estejam de coração contrito e se proponham aproximar´se destes sacramentos logo que puderem.
29. Tanto os surdos como os mudos podem ganhar as indulgências anexas às orações públicas, se, rezando junto com outros fiéis no mesmo lugar, elevarem a Deus a mente com sentimentos piedosos, e tratando´se de orações em particular, é suficiente que as lembrem com a mente ou as percorram somente com os olhos.
Observação do Autor ··Vale a pena destacar aqui a indulgência plenária que se pode ganhar uma vez por dia, para si mesmo ou para as almas; realizando uma das seguintes obras:
1. adoração ao Santíssimo Sacramento pelo menos por meia hora (concessão n. 3);
2. leitura espiritual da Sagrada Escritura ao menos por meia hora (concessão n. 50);
3. piedoso exercício da Via Sacra (concessão n. 63);
4. recitação do Rosário de Nossa Senhora na igreja, no oratório ou na família ou na comunidade religiosa ou em piedosa associação (concessão n. 63). Para se lucrar a indulgência plenária, a cada dia, além de cumprir uma dessas quatro obras acima citadas, são também necessárias aquelas exigidas para todas as formas de indulgências plenárias: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelo Papa (Pai´Nosso e Ave´Maria, no mínimo). Além disso, é preciso, por amor a Deus, ter repúdio a todo pecado, mesmo venial, e ter a intenção de ganhar a indulgência plenária. Um belo e santo costume é oferecer a Nossa Senhora esta indulgência plenária para que ela a aplique à alma do purgatório que ela desejar. É importante que se leia cuidadosamente as Normas que regem o uso das indulgências, bem como o Manual das Indulgências; pois, além de serem riquíssimos, mostram os pontos principais da piedade cristã. Note como a Igreja, com a sua bondade de Mãe, tendo as “chaves do céu”, confiadas a Pedro e seus sucessores, quer abrir largamente o caminho para que os seus filhos possam se livrar das penas temporais dos seus pecados. Se de um lado se ensina que as almas sofrem no purgatório, por outro lado, a Igreja nos oferece este meio valioso e simples de livrar deste sofrimento tanto elas como a nós mesmos. Se tivermos de sofrer no purgatório antes de entrar no céu, podemos dizer que isto será duplamente por culpa nossa; pois, as indulgências plenárias são numerosas e as obras e orações são tão fáceis de serem cumpridas que, só mesmo por preguiça espiritual, ou por se duvidar do “tesouro da Igreja”, é que deixaremos de fazê-lo. A Igreja tem, segundo os teólogos, autoridade direta sobre os seus membros vivos, então podemos ter certeza dos efeitos das indulgências, desde que todas as exigências sejam cumpridas com a devida disposição interior. A Igreja não tem autoridade direta sobre as almas do purgatório, assim, as indulgências que oferecemos por elas são a título de sufrágio, isto é, tem o valor de petição à misericórdia de Deus pela alma. Por isso, a Igreja permite que ofereçamos mais de uma indulgência plenária a uma mesma alma, por não se ter certeza absoluta do seu sufrágio.
Do livro O QUE SÃO AS INDULGÊNCIAS
Obras e Orações Indulgenciadas
A seguir apresentamos as obras e orações enriquecidas com indulgências. Foram extraídas rigorosamente do Manual das Indulgências, aprovado pela Santa Sé e publicado em português pela CNBB, editado pelas Edições Paulinas em 1990. Essas obras e orações indulgenciadas mostram aquilo que, além da santa Missa e dos Sacramentos, é mais importante na piedade católica.
1. Inspirai, ó Deus
Inspirai, ó Deus as nossas ações e ajudai´nos a realizá-las, para que em vós comece e para vós termine tudo aquilo que fizermos. Por Cristo nosso Senhor. Amém. (Miss. Rom., 5a. feira após as cinzas, coleta; Lit. Hor., I sem. 2a. feira, laudes.)
Indulgência parcial.
2. Atos de virtudes teologais e de contrição
Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar atos de virtudes teologais e de contrição, nestas ou em outras fórmulas válidas. Cada ato recebe a indulgência. Por exemplo:
Ato de fé
Eu creio firmemente que há um só Deus, em três pessoas realmente distintas, Pai, Filho e Espírito Santo. Creio que o Filho de Deus se fez homem, padeceu e morreu na cruz para nos salvar e ao terceiro dia ressuscitou. Creio em tudo o mais que crê e ensina a Santa Igreja Católica, porque Deus, Verdade infalível, o revelou. Nesta crença quero viver e morrer.
Ato de esperança
Eu espero, meu Deus, com firme confiança, que, pelos merecimentos de nosso Senhor Cristo, me dareis a salvação eterna e as graças necessárias para consegui-la, porque vós, sumamente bom e poderoso, o haveis prometido a quem observar o evangelho de Jesus, como eu proponho fazer com o vosso auxílio.
Ato de caridade
Eu vos amo, meu Deus, de todo o meu coração e sobre todas as coisas, porque sois infinitamente bom e amável, e antes quero perder tudo do que vos ofender. Por amor de vós amo ao meu próximo como a mim mesmo.
Ato de contrição
Senhor meu Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração, de vos ter ofendido; pesa-me também de ter perdido o céu e merecido o inferno; e proponho firmemente, ajudado com os auxílios de vossa divina graça, emendar-me e nunca mais vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdão de minhas culpas pela vossa infinita misericórdia. Amém.
3. Adoração ao Santíssimo Sacramento
Concede-se indulgência parcial ao fiel que visitar o Santíssimo Sacramento para adorá-lo; se o fizer por meia hora ao menos, a indulgência será plenária.
4. Ó Deus verdadeiro.
Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar piedosamente o hino Ó Deus verdadeiro. Ó Deus verdadeiro sob o vinho e o pão, a teus pés depomos nosso coração. Vista, gosto e tato dizem´nos que não, mas o ouvido acolhe tua afirmação. Cremos que é verdade, Ó Filho de Deus, tudo o que ensinaste, porque vens dos céus. Na cruz escondias o esplendor de Deus; mas aqui se ocultam corpo e sangue teus. Pois és Deus e homem como na paixão; dá-nos o que deste ao teu bom ladrão. Não vemos as chagas como viu Tomé, mas Deus proclamamos com a mesma fé. Dá-nos cada dia crer que és Senhor, única esperança, todo o nosso amor. Lembras tua morte numa refeição, e dás vida ao homem, consagrando o pão. Dá´nos nesta terra só de ti viver e outros alimentos não apetecer. Ó bom pelicano, Nosso Salvador, limpa no teu sangue todo pecador! Dele uma só gota leva todo mal, faz do mundo inteiro lúcido cristal. Jesus, que encoberto temos sobre o altar, quando te veremos ante o nosso olhar? Quando face a face nos trará assim a alegria eterna da visão sem fim? Amém.
5. Aqui estamos
Aqui estamos, Divino Espírito Santo, aqui estamos detidos pela crueldade do pecado, mas especialmente reunidos em vosso nome. Vinde a nós, ficai conosco e dignai´vos entrar em nossos corações. Ensinai´nos o que devemos fazer e por onde caminhar; mostrai´nos o que devemos executar, a fim de podermos, com vosso auxílio, agradar´vos em tudo. Só vós inspirais e levais a realizar nossos propósitos, só vós, que possuís com Deus Pai e seu Filho um nome glorioso. Não permitais sejamos perturbadores da justiça, vós que amais a eqüidade em tudo, Que a ignorância não nos arraste para o mal, não nos corrompa a acepção de pessoas ou de cargos. Mas associai´nos a vós eficazmente pelo Dom de vossa graça, para que sejamos um em vós e por nada nos desviemos da verdade. Unidos em vosso nome, conservemos em tudo a justiça com bondade. E assim nossas resoluções em nada se apartem de vós e consigamos no futuro o prêmio eterno por todo o bem que fizermos. Esta oração, que se costuma rezar antes de sessões para tratar de assuntos em comum, é enriquecida de indulgência parcial.
6. A vós, São José
A vós, São José, recorremos em nossa tribulação e, depois de ter implorado o auxílio de vossa santíssima esposa, cheios de confiança solicitamos também o vosso patrocínio. Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente suplicamos que lanceis um olhar benigno sobre a herança que Cristo conquistou com seu sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o vosso auxílio e poder. Protegei, ó guarda providente da divina família, o povo eleito de Cristo. Afastai para longe de nós, ó pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti´nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas, e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus das ciladas de seus inimigos e de toda a adversidade. Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio, a fim de que, a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança. Amém. Indulgência parcial
7. Ação de graças pelos benefícios
Nós vos damos graças, Senhor, por todos os vossos benefícios. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém. Indulgência parcial
8. Santo Anjo
Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarde, governe e Ilumine. Amém. Indulgência parcial
9. Anjo do Senhor e Rainha do Céu
a) Durante o ano
V/. O anjo do Senhor anunciou a Maria. R/. E ela concebeu do Espírito Santo. Ave, Maria… V/. Eis aqui a serva do Senhor. R/. Faça´se em mim segundo a vossa palavra. Ave, Maria… V/. E o Verbo se fez homem. R/. E habitou entre nós. Ave, Maria… V/. Rogai por nós, santa Mãe de Deus, R/. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Oremos: Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações, para que, conhecendo pela mensagem do Anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor. Amém. (Miss. Rom., dom IV do Adv., coleta.)
b) No tempo pascal
Rainha do céu, alegrai-vos, aleluia! Pois o Senhor que merecestes trazer em vosso seio, aleluia. Ressuscitou, como disse, aleluia. Rogai a Deus por nós, aleluia. V/. Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria, aleluia! R/. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia! (Cf. Lit. Hor., ord. temp. pasc., após compl.) Oremos: Ó Deus, que vos dignastes alegrar o mundo com a ressurreição do vosso Filho, concedei-nos por sua Mãe, a Virgem Maria, o júbilo da vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor. Amém. (Miss. Rom., comum da B.V. Maria 6, temp. pasc., coleta.) Concede-se indulgência parcial ao fiel que piedosamente recitar estas orações, de acordo com o Tempo. Conforme louvável costume, estas orações se recitam de manhã, ao meio-dia e à tarde.
10. Alma de Cristo
Alma de Cristo, santificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me. Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, lavai-me. Paixão de Cristo, confortai-me. Ó bom Jesus, ouvi-me. Dentro de vossas chagas, escondei-me. Não permitais que me separe de vós. Do espírito maligno defendei-me. Na hora da morte chamai-me e mandai-me ir para vós, para que com vossos Santos vos louve por todos os séculos dos séculos. Amém. (Miss. Rom., ação de graças depois da missa.) Indulgência parcial.
11. Visita às basílicas patriarcais de Roma
Concede-se indulgência plenária ao fiel que visitar com devoção uma das quatro basílicas patriarcais de Roma e aí recitar o Pai-nosso e o Creio:
1) no dia da festa do titular;
2) em qualquer festa de preceito; (cf. cân. 1246, 1, CDC)
3) uma vez no ano, em dia à escolha do fiel.
12. Bênção papal
Ganha indulgência plenária o fiel que recebe com piedade e devoção a bênção dada pelo Sumo Pontífice a Roma e ao mundo, ou dada pelo Bispo aos fiéis confiados ao seu cuidado, conforme a norma 10, parágrafo 2, ainda que a benção se receba por rádio ou televisão.
13. Visita ao cemitério
Ao fiel que visitar devotamente um cemitério e rezar, mesmo em espírito, pelos defuntos, concede-se indulgência aplicável somente às almas do purgatório. Esta indulgência será plenária, cada dia, de 1 a 8 de novembro; nos outros dias do ano será parcial.
14.Visita a cemitério de antigos cristãos ou “catacumba”
Ao fiel que visitar devotamente um cemitério de antigos cristãos ou “catacumba”, concede-se indulgência parcial.
15. Comunhão espiritual
A comunhão espiritual, feita em qualquer fórmula piedosa, é enriquecida com indulgência parcial. Comunhão espiritual (Santo Afonso de Ligório) Meu Jesus, eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento. Amo-vos sobre todas as coisas e minha alma suspira por vós. Mas como não posso receber-vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, ao meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de vós! Ó, sumo bem e doce amor meu, vulnerai e inflamai o meu coração, a fim de que esteja abrasado em vosso amor para sempre. Amém.
16. Credo
Creio em Deus Pai todo´poderoso, criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor; que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado a direita de Deus Pai todo´poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos; creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém. Concede´se indulgência parcial ao fiel que recitar piedosamente este símbolo apostólico ou símbolo niceno-constantinopolitano.
17. Adoração da Cruz
Concede-se indulgência plenária ao fiel que, na Sexta-feira da paixão e Morte do Senhor, toma parte piedosamente na adoração da Cruz da solene ação litúrgica.
18. Ofício dos defuntos
Concede-se indulgência parcial ao fiel que devotamente recitar laudes ou vésperas do ofício dos defuntos.
19. Das profundezas
Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar piedosamente o salmo Das profundezas (Sl 129 [130]) (Tradução oficial) Das profundezas eu clamo ´ Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, escutai a minha voz!´ Vossos ouvidos estejam bem atentos, ao clamor da minha prece
´ Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir? ´ Mas em vós se encontra o perdão, eu vos temo e em vós espero ´ No Senhor ponho a minha esperança, espero em sua palavra, ´ A minh’alma espera no Senhor mais que o vigia pela aurora. ´ Espere Israel pelo Senhor mais que o vigia pela aurora! ´ Pois no Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção. ´ Ele vem libertar a Israel de toda a sua culpa. ´ Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
20. Doutrina cristã
Concede-se indulgência parcial ao fiel que se dedica a ensinar ou aprender a doutrina cristã. N.B.: Quem, levado pelo espírito de fé e caridade, ensina a doutrina cristã, pode ganhar indulgência parcial, conforme a concessão mais geral n.1. Por esta nova concessão confirma´se a indulgência parcial para o mestre e se estende ao discípulo.
21. Senhor Deus todo-poderoso
Senhor Deus todo poderoso, que nos fizestes chegar ao princípio deste dia, salvai´nos hoje por vosso poder, de sorte que não nos deixemos arrastar a pecado algum neste dia, mas nossas palavras, nossos pensamentos e obras tendam sempre só ao cumprimento da vossa justiça. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Indulgência parcial.
22. Eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus
Eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus ! De joelhos me prosto em vossa presença e vos suplico com todo o fervor de minha alma que vos digneis gravar no meu coração os mais vivos sentimentos de fé, esperança e caridade, verdadeiro arrependimento de meus pecados e firme propósito de emenda, enquanto vou considerando com vivo afeto e dor as vossas cinco chagas, tendo diante dos olhos aquilo que o profeta Davi já nos fazia dizer, ó bom Jesus: “Transpassaram minhas mãos e meus pés e contaram todos os meus ossos” (SI 21,17; cf. Miss. Rom., ação de graças depois da missa). Concede-se indulgência plenária, nas sextas-feiras da Quaresma, ao fiel que recitar piedosamente esta oração, diante de uma imagem de crucificado, depois da comunhão; e indulgência parcial nos outros dias do ano.
23. Congresso eucarístico
Concede-se indulgência plenária ao fiel que participar com devoção do solene rito que costuma encerrar o congresso.
24. Ouvi-nos
Ouvi-nos, Senhor santo, Pai todo´poderoso, Deus eterno, e dignai-vos mandar do céu o vosso santo anjo, para que ele guarde, assista, proteja, visite e defenda todos os que moram nesta casa. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Indulgência parcial.
25. Exercícios espirituais
Concede-se indulgência plenária ao fiel que faz os exercícios espirituais ao menos por três dias.
26. Dulcíssimo Jesus
(Ato de reparação)
Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis´nos aqui prostrados na vossa presença, para vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é, de toda a parte, alvejado o vosso amaríssimo Coração. Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar imploramos a vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo jugo da vossa santa lei. De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar´vos, mas, particularmente, da licença dos costumes e modéstias do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra vós e vossos Santos, dos insultos ao vosso Vigário, e a todo o vosso Clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor, e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e, o magistério da vossa Igreja. Oh! se pudéssemos lavar, com o próprio sangue, tantas iniqüidades! Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os Santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que vós oferecestes ao Eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar, todos os dias, sobre nossos altares. Ajudai´nos, Senhor, com o auxílio da vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a vivacidade da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de vossa divina Majestade e atrair ao vosso serviço o maior número de almas possíveis. Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até a morte, no fiel cumprimento dos nossos deveres e no vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à pátria bem-aventurada, onde vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e reinais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém. Concede´se indulgência parcial ao fiel que recitar esse ato de reparação piedosamente, e indulgência plenária se o ato se recitar publicamente na solenidade do Sagrado Coração de Jesus.
27. Dulcíssimo Jesus, Redentor
(Ato de consagração do gênero humano a Jesus Cristo Rei)
Dulcíssimo Jesus, Redentor do gênero humano, lançai sobre nós que humildemente estamos prostrados na vossa presença os vossos olhares, Nós somos e queremos ser vossos; a fim de podermos viver mais intimamente unidos a vós, cada um de nós se consagra, espontaneamente, neste dia, ao vosso sacratíssimo Coração. Muitos há que nunca vos conheceram; muitos, desprezando os vossos mandamentos, vos renegaram. Benigníssimo Jesus, tende piedade de uns e de outros e trazei-os todos ao vosso sagrado Coração. Senhor, sede rei não somente dos fiéis, que nunca de vós se afastaram, mas também dos filhos pródigos, que vos abandonaram; fazei que estes tornem, quanto antes à casa paterna, para não perecerem de miséria e de fome. Sede rei dos que vivem iludidos no erro, ou separados de vós pela discórdia; trazei´os ao porto da verdade e à unidade da fé, a fim de que, em breve, haja um só rebanho e um só pastor. Senhor, conservai incólume a vossa Igreja, e dai´lhe uma liberdade segura e sem peias; concedei ordem e paz a todos os povos; fazei que, de um pólo a outro do mundo, ressoe uma só voz: louvado seja o coração divino, que nos trouxe a salvação; honra e glória a ele, por todos os séculos. Amém. Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar piedosamente este ato, e plenária quando se recitar publicamente na solenidade de Jesus Cristo Rei.
28. Indulgência na hora da morte
O sacerdote que administra os sacramentos ao fiel em perigo de vida não deixe de lhe comunicar a benção apostólica com a indulgência plenária. Se não houver sacerdote, a Igreja, mãe compassiva, concede benignamente a mesma indulgência ao cristão bem disposto para ganhá-la na hora da morte, se durante a vida habitualmente tiver recitado para isso algumas orações. Para alcançar esta indulgência plenária louvavelmente se rezam tais orações fazendo uso de um crucifixo ou de uma simples cruz. A condição de ele habitualmente ter recitado algumas orações supre as três condições requeridas para ganhar a indulgência plenária. Esta concessão vem assinalada na const. Apost. Indulgentiarum Doctrina, norma 18.
29. Ladainhas
Com indulgência parcial são enriquecidas as ladainhas aprovadas pela autoridade competente. Sobressaem´se entre elas as seguintes: do santíssimo Nome de Jesus, do Sagrado Coração de Jesus, do preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Santíssima Virgem Maria, de São José e de Todos os Santos.
30. Magnificat
Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar piedosamente o Magnificat. Magnificat: A alegria da alma no Senhor ´ A minh’alma engrandece o Senhor e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador; ´ Porque olhou para a humildade de sua serva, doravante as gerações hão de chamar´me de bendita. ´ O Poderoso fez em mim maravilhas e Santo é o seu nome! ´ Seu amor para sempre se estende sobre aqueles que o temem; ´ Manifesta o poder de seu braço, dispersa os soberbos; ´ Derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes; ´ Sacia de bens os famintos, despede os ricos sem nada. ´ Acolhe Israel, seu servidor, fiel ao seu amor, ´ Como havia prometido a nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos para sempre. ´ Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
31. Maria, ó Mãe da graça
Maria, ó Mãe da graça, Ó Mãe da misericórdia, Do inimigo defendei´me, Na hora da morte acolhei-me! Indulgência parcial
32. Lembrai-vos
Lembrai-vos, ó piatíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que recorreram à vossa proteção, imploraram vossa assistência, reclamaram vosso socorro, fosse por vós desamparado. Animado eu, pois, com igual confiança, a vós, Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro; de vós me valho e, gemendo sob o peso de meus pecados me prostro aos vossos pés. Não desprezeis minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus feito homem, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que vos rogo. Amém.
Indulgência parcial
33. Miserere (Tende piedade)
Concede-se indulgência parcial ao fiel que em espírito de penitência recitar o salmo Miserere (Sl 50 [51]).
Tende piedade, ó meu Deus!
´ Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai´me! ´ Do meu pecado, todo inteiro, me lavai, e apagai completamente a minha culpa! ´ Eu reconheço toda a minha iniqüidade, o meu pecado está sempre à minha frente. ´ Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, e pratiquei o que é mau aos vossos olhos.
´ Mostrais assim quanto sois justo na sentença, e quanto é reto o julgamento que fazeis. ´ Vede, senhor, que eu nasci na iniqüidade e em pecado minha mãe me concebeu. ´ Mas vós amais os corações que são sinceros, na intimidade me ensinais a sabedoria.
´ Aspergi-me e serei puro do pecado, e mais branco do que a neve ficarei.
´ fazei-me ouvir cantos de festa e de alegria, e exultarão estes meus ossos que esmagastes. ´ Desviai o vosso olhar dos meus pecados e apagai todas as minhas transgressões! ´ Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. ´ Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! Dai´me de novo a alegria de ser salvo E confirmai´me com espírito generoso! ´ Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e para vós se voltarão os transviados. ´ Da morte como pena, libertai´me, e minha língua exaltará vossa justiça! ´ Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, e minha boca anunciará vosso louvor! ´ Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais.
´ Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido! ´ sede benigno com Sião, por vossa graça, reconstruí Jerusalém e os seus muros! ´ E aceitareis o verdadeiro sacrifício, os holocaustos e oblações em vosso altar! ´ Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
34. Novenas
Concede-se indulgência parcial ao fiel que assistir devotamente as novenas públicas que se fazem antes das solenidades do Natal, de Pentecostes e da Imaculada Conceição.
35. Uso de objetos de piedade
Concede-se indulgência parcial ao fiel que usa devotamente objetos de piedade, como crucifixo ou cruz, terço, escapulário, medalha, bentos ritualmente* por qualquer sacerdote ou diácono. Se o objeto de piedade for bento pelo Sumo Pontífice ou por um Bispo, o fiel que usa com devoção esse objeto pode ganhar a indulgência plenária na solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, acrescentando a profissão de fé com qualquer fórmula aprovada. * Para benzer ritualmente objetos de piedade, o sacerdote ou diácono, conforme o uso do Ritual Romano sobre Bênçãos, observe as formas litúrgicas prescritas: notar que basta o sinal da cruz e que é conveniente acrescentar as palavras: “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (cf. Rit. Rom. Bênçãos nn. 1165 e 1182) Esta concessão vem assinalada na const. Apost. Indulgentiarum doctrina, normas 16 e 18.
36. Ofícios breves
Com indulgência parcial são enriquecidos os ofícios breves da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, do Sagrado Coração de Jesus, da Santíssima Virgem Maria, da Imaculada Conceição e de São José.
37. Oração pelas vocações sacerdotais e religiosas Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar alguma oração aprovada pela autoridade eclesiástica para isso.
38. Oração mental
Concede-se indulgência parcial ao fiel que se entrega à oração mental com piedade.
39. Oremos pelo Pontífice
V/. Oremos pelo nosso Pontífice N. R/. O Senhor o conserve, o anime, e o torne feliz na terra, e não o entregue ao poder dos seus inimigos. Indulgência parcial.
40. Ó sagrado banquete
Ó sagrado banquete de que somos os convivas, no qual recebemos o Cristo em comunhão! Nele se recorda a sua paixão, o nosso coração se enche de graça e nos é dado o penhor da glória que há de vir. (Rit. Rom., Sagrada Com., n. 65.)
Indulgência parcial.
41. Participação na sagrada pregação
Concede-se indulgência parcial ao fiel que assistir atenta e devotamente à sagrada pregação da palavra de Deus. Concede´se indulgência plenária ao fiel que, no tempo das santas missões, ouvir algumas pregações e participar, além disso, do solene encerramento das mesmas missões.
42. Primeira comunhão
Concede-se indulgência plenária aos fiéis que se aproximarem pela primeira vez da sagrada comunhão ou que assistem a outros que se aproximam.
43. Primeira missa do neo´sacerdote
Concede-se indulgência plenária ao sacerdote que, em dia marcado, celebra sua primeira missa, diante do povo, e aos fiéis que devotamente a ela assistem.
44. Prece pela unidade dos cristãos
Ó Deus todo poderoso e cheio de misericórdia, que por vosso Filho quisestes reunir a diversidade das nações num só povo, concedei aos que se gloriam do nome de cristãos rejeitarem toda a divisão e se unirem na verdade e na caridade, e assim todos os homens, iluminados pela luz da verdadeira fé, se reúnam em comunhão fraterna numa só Igreja. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Indulgência parcial.
45. Recolhimento mensal
Concede´se indulgência parcial ao fiel que participar do recolhimento mensal.
46. Dai-lhes, Senhor
Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno, e brilhe para eles a vossa luz. Descansem em paz! Amém (cf. Rito das exéquias). Indulgência parcial aplicável somente às almas do purgatório.
47. Retribuí, Senhor
Retribuí, Senhor, a vida eterna a todos os que nos fazem o bem, por causa do vosso nome. Indulgência parcial
48. Reza do Rosário de Nossa Senhora
Indulgência plenária, se o Rosário se recitar na igreja ou oratório ou em família, na comunidade religiosa ou em piedosa associação; parcial, em outras circunstâncias. (O Rosário é uma fórmula de oração em que distinguimos quinze dezenas de saudações angélicas [Ave´Marias], separadas pela oração dominical [Pai´nosso] e em cada uma recordamos em piedosa meditação os mistérios da nossa redenção.) Chama´se também a terça parte dessa oração o Terço.
Para a indulgência plenária determina-se o seguinte:
1. Basta a reza da terça parte do Rosário, mas as cinco dezenas devem-se recitar juntas.
2. Piedosa meditação deve acompanhar a oração vocal.
3. Na recitação pública, devem-se anunciar os mistérios, conforme o costume aprovado do lugar; na recitação privada, basta que o fiel ajunte a meditação dos mistérios à oração vocal.
4. Entre os orientais, onde não existe a prática desta devoção, os Patriarcas poderão determinar outras orações em honra da santíssima Virgem Maria (por exemplo, entre os bizantinos o hino “Akathistos” ou o ofício “Paraclisis”), que gozarão das mesmas indulgências.
49. Jubileus de ordenação sacerdotal
Concede-se indulgência plenária ao sacerdote que, aos 25, 50, 60 anos de sua ordenação sacerdotal, renova diante de Deus o propósito de fidelidade aos deveres de sua vocação. Os fiéis que assistirem à missa jubilar do sacerdote, também eles podem ganhar a indulgência plenária.
50. Leitura espiritual da Sagrada Escritura
Concede-se indulgência parcial ao fiel que ler a Sagrada Escritura, com a veneração devida à palavra divina, e a modo de leitura espiritual. A indulgência será plenária, se o fizer pelo espaço de meia hora pelo menos.
51. Salve, Rainha
Salve, Rainha, mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas! Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro mostrai´nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre! Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria. (Lit. Hor., no final das completas.)
Indulgência parcial.
52. Santa Maria, socorrei os pobres
Santa Maria, socorrei os pobres, ajudai os fracos, consolai os tristes, rogai pelo povo, auxiliai o clero, intercedei por todas as mulheres: sintam todos a vossa ajuda, todos os que celebram a vossa memória.Indulgência parcial.
53. Santos Apóstolos Pedro e Paulo
Santos Apóstolos Pedro e Paulo, intercedei por nós.
Protegei, Senhor, o vosso povo, que confia na proteção dos vossos Apóstolos Pedro e Paulo, e conservai-o com a vossa contínua defesa. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Indulgência parcial.
54. O culto aos Santos
Concede-se indulgência parcial ao fiel que, no dia da celebração litúrgica de qualquer Santo, recitar em sua honra a oração tomada do Missal ou outra aprovada pela autoridade eclesiástica.
55. Sinal da cruz
Concede-se indulgência parcial ao fiel que faça devotamente o sinal da cruz, proferindo as palavras costumeiras: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
56. Visita às igrejas estacionais
Concede-se indulgência parcial ao fiel que visitar com devoção a igreja estacional em seu próprio dia; e se, além disso, assistir as sagradas funções que pela manhã ou à tarde se celebram, ganhará indulgência plenária (cf. Cerimonial dos Bispos, nn. 260´261).
57. À vossa proteção
À vossa proteção recorremos, santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. (Lit. Hor., no final das completas.)
Indulgência parcial
58. Sínodo diocesano
Concede-se indulgência plenária uma só vez ao fiel que, no tempo do sínodo diocesano, visitar piedosamente a igreja em que o sínodo se reúne e aí recitar o Pai Nosso e o Creio.
59. Tão sublime sacramento
Tão sublime sacramento vamos todos adorar, pois um Novo testamento vem o antigo suplantar! Seja a fé nosso argumento se o sentido nos faltar. Ao eterno Pai cantemos e a Jesus, o Salvador, igual honra tributemos, ao Espírito de amor. Nossos hinos cantaremos, Chegue ao céus nosso louvor. Amém. V/. Do céu lhes deste o pão, R/. Que contém todo o sabor. Oremos: Senhor Jesus Cristo, neste admirável Sacramento nos deixastes o memorial da vossa Paixão. Dai-nos venerar com tão grande amor o mistério do vosso corpo e do vosso sangue, que possamos colher continuamente os frutos da vossa redenção. Vós que viveis e reinais para sempre. R/. Amém. (Tit. Rom. Da sagr. Com., n. 102.) Concede´se indulgência parcial ao fiel que recitar com piedade estas orações. A indulgência será plenária na Quinta´feira da semana santa depois da missa da Ceia do Senhor, e na ação litúrgica da solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.
60. Te Deum
(A vós, ó Deus)
Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar o hino Te Deum (A vós, ó Deus) em ação de graças, e será plenária, quando recitado em público no último dia do ano. A vós, ó Deus, louvamos,a vós, Senhor, cantamos.A vós, eterno Pai, adora toda a terra. A vós cantam os anjos, Os céus e seus poderes: Sois Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus do universo! Proclamam céus e terra A vossa imensa glória. A vós celebra o coro glorioso dos Apóstolos. Louva-vos dos Profetas A nobre multidão e o luminoso exército dos vossos santos mártires. A vós por toda a terra Proclama a Santa Igreja, Ó Pai onipotente, de imensa majestade. E adora juntamente O vosso Filho único, Deus vivo e verdadeiro, e ao vosso Santo Espírito. Ó Cristo, Rei da glória, Do Pai eterno Filho, nascestes duma Virgem, a fim de nos salvar. Sofrendo vós a morte, Da morte triunfastes, abrindo aos que têm fé dos céus o reino eterno. Sentastes à direita De Deus, do Pai na glória. Nós cremos que de novo vireis como juiz. Portanto, vos pedimos: salvai os vossos servos, que vós, Senhor, remistes com sangue precioso. Fazei-nos ser contados, Senhor, vos suplicamos, Em meio a vossos santos Na vossa eterna glória.
(A parte que segue pode ser omitida, se for oportuno.)
Salvai o vosso povo. Senhor, abençoai-o Regei-nos e guardai-nos Até a vida eterna. Senhor, em cada dia, Fiéis, vos bendizemos, Louvamos vosso nome Agora e pelos séculos. Dignai-vos, neste dia, Guardar-nos do pecado. Senhor, tende piedade de nós, que a vós clamamos. Que desça sobre nós, Senhor, a vossa graça, porque em vós pusemos a nossa confiança. Fazei que eu, para sempre, não seja envergonhado: Em vós, Senhor, confio, Sois vós minha esperança!
61. Veni Creator
(Ó vinde, Espírito Criador)
Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar devotamente o hino Veni Creator (Ó vinde, Espírito Criador). A indulgência será plenária no dia primeiro de janeiro e na solenidade de Pentecostes, se o hino se recitar publicamente. (Tradução oficial:) Ó, vinde Espírito Criador, As nossas almas visitai E enchei os nossos corações Com vossos dons celestiais. Vós sois chamado o Intercessor Do Deus excelso o Dom sem par, A fonte viva, o fogo, o amor, A unção divina e salutar. Sois doador dos sete dons, E sois poder na mão do Pai, Por ele prometido a nós, Por nós seus feitos proclamai. A nossa mente iluminai, Os corações enchei de amor, Nossa fraqueza encorajai, Qual força eterna e protetor. Nosso inimigo repeli, E concedei-nos vossa paz; Se pela graça nos guiais, O mal deixamos para trás. Ao Pai e ao Filho Salvador Por vós possamos conhecer. Que procedeis do seu amor Fazei-nos sempre firmes crer.
62. Vinde, Espírito Santo
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.Indulgência parcial.
63. Via-sacra
Concede-se indulgência plenária ao fiel que fizer o exercício da via-sacra, piedosamente. Com o piedoso exercício da via-sacra renova-se a memória das dores que sofreu o divino Redentor no caminho do pretório de Pilatos, onde foi condenado à morte, até ao monte Calvário, onde morreu na cruz para a nossa salvação. Para ganhar a indulgência plenária, determina-se o seguinte:
1. O piedoso exercício deve-se realizar diante das estações da via-sacra, legitimamente eretas.
2. Requerem-se catorze cruzes para erigir a via-sacra; junto com as cruzes, costuma-se colocar outras tantas imagens ou quadros que representam as estações de Jerusalém.
3. Conforme o costume mais comum, o piedoso exercício consta de catorze leituras devotas, a que se acrescentam algumas orações vocais. Requer-se piedosa meditação só da Paixão e Morte do Senhor, sem ser necessária a consideração do mistério de cada estação.
4. Exige-se o movimento de uma para a outra estação. Mas se a via-sacra se faz publicamente e não se pode fazer o movimento de todos os presentes ordenadamente, basta que o dirigente se mova para cada uma das estações, enquanto os outros ficam em seus lugares.
5. Os legitimamente impedidos poderão ganhar a indulgência com uma piedosa leitura e meditação da Paixão e Morte do Senhor ao menos por algum tempo, por exemplo, um quarto de hora.
6. Assemelham´se ao piedoso exercício da via-sacra, também quanto à aquisição da indulgência, outros piedosos exercícios, aprovados pela competente autoridade: neles se fará memória da Paixão e Morte do Senhor, determinando também catorze estações.
7. Entre os orientais, onde não houver uso deste exercício, os Patriarcas poderão determinar, para lucrar esta indulgência, outro piedoso exercício em lembrança Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
64. Visitai, Senhor
Visitai, Senhor, esta casa, e afastai as ciladas do inimigo; nela habitem vossos santos Anjos, para nos guardar na paz, e a vossa benção fique sempre conosco. Por Cristo, nosso Senhor. Amém. (Lit. Hor., compl. após vesp. de dom.)
Indulgência parcial.
65. Visita à igreja paroquial
Concede-se indulgência plenária ao fiel que com devoção visitar a igreja paroquial:
a) na festa do titular;
b) a 2 de agosto, em que ocorre a indulgência da “Porciúncula”.
Uma e outra indulgência poderão alcançar-se no dia acima marcado ou noutro dia determinado pelo ordinário para utilidade dos fiéis. Gozam das mesmas indulgências a igreja catedral e, se houver, a concatedral, ainda que não sejam paroquiais, e também as igrejas quase-paroquiais. (cf. cân. 516,1,CDC) Tais indulgências já estão incluídas na const. Apost. Indulgentiarum Doctrina, norma 15; aqui se satisfaz aos desejos que neste intervalo se apresentaram à Sagrada Penitenciaria. Na piedosa visita, conforme a norma 16 da mesma const. apost., “recitam-se a oração dominical e o símbolo dos apóstolos” (Pai Nosso e Credo).
66. Visita à igreja ou altar no dia da dedicação
Concede-se indulgência plenária ao fiel que visitar a igreja ou o altar no próprio dia da dedicação e aí piedosamente rezar o Pai Nosso e o Creio.
67. Visita à igreja ou oratório
Na comemoração de todos os fiéis defuntos Concede-se indulgência plenária, aplicável somente às almas do purgatório, aos fiéis que no dia da comemoração de todos os fiéis defuntos visitarem piedosamente uma igreja ou oratório. Esta indulgência poderá alcançar-se no dia marcado ou, com consentimento do ordinário, no domingo antecedente ou subseqüente ou na solenidade de Todos os Santos. Esta indulgência já está incluída na const. apost. Indulgentiarum Doctrina, norma 15; aqui se satisfaz aos desejos que neste intervalo se apresentaram à Sagrada Penitenciária. Na piedosa visita, conforme a norma 16 da mesma const. apost., (norma 22) “se recitam a oração dominical e o símbolo dos apóstolos: Pai´nosso e Creio”.
68. Visita à igreja ou oratório de religiosos na festa do fundador
Concede-se indulgência plenária ao fiel que visitar piedosamente uma igreja ou oratório de religiosos na festa de seu fundador e aí rezar o Pai´nosso e o Creio.
69. Visita pastoral
Concede-se indulgência parcial ao fiel que visitar piedosamente uma igreja ou oratório, quando aí se faz a visita pastoral; e indulgência plenária, se nesse mesmo tempo assistir a uma função sagrada e presidida pelo visitador.
70. Renovação das promessas do batismo
Concede-se indulgência parcial ao fiel que renovar as promessas do batismo em qualquer formula de uso; e ganhará indulgência plenária, se o fizer na celebração da Vigília Pascal ou no aniversário do seu batismo.
Piedosas Invocações
Sobre cada piedosa invocação note-se o seguinte:
1. A invocação, quanto à indulgência, não se considera mais como obra distinta ou completa, mas como complemento da obra, com a qual o fiel eleva o espírito a Deus com humilde confiança no cumprimento de seus deveres e na tolerância das aflições da vida. A piedosa invocação completa essa elevação do espírito: ambas são como uma pérola que se insere nas atividades humanas e as adorna, ou como o sal que tempera e dá gosto.
2. Deve-se preferir a invocação que melhor concorda com as circunstâncias das ações e da pessoa: ela espontaneamente brota do coração e escolhem´se as que o uso antigo mais aprovou; delas se acrescenta uma lista, abaixo.
3. A invocação pode ser brevíssima, expressa em uma ou poucas palavras ou só concebida na mente.
Apraz dar alguns exemplos: Deus meu. Pai. Jesus. Louvado seja Jesus Cristo (ou outra saudação em uso). Creio em vós, Senhor. Espero em vós. Eu vos amo. Tudo por vós. Eu vos agradeço ou Graças a Deus. Bendito seja Deus ou Bendigamos ao Senhor. Venha a nós o vosso reino. Seja feita a vossa vontade. Seja como Deus quiser. Ajudai´me, Senhor. Confortai-me. Ouvi-me ou Atendei à minha oração. Salvai-me. Tende piedade de mim. Perdoai-me, Senhor. Não permitais separar-me de vós. Não me abandoneis. Ave, Maria. Glória a Deus nos céus. Senhor, vós sois grande.
INVOCAÇÕES EM USO
(que se dão como exemplo)
1. Abençoe-nos com seu dileto Filho a bem-aventurada Virgem Maria.
2. Amado, Senhor Jesus, dai´lhes o descanso eterno.
3. Bendita seja a Santíssima Trindade.
4. Coração de Jesus que tanto me amais, fazei que eu vos ame cada vez mais.
5. Coração de Jesus confio em vós.
6. Coração de Jesus, tudo por vós.
7. Coração sacratíssimo de Jesus, tende piedade de nós.
8. Cristo vence! Cristo reina! Cristo impera!
9. Dignai-vos que eu vos louve, ó Virgem santa, dai´me força contra vossos inimigos.
10. Doce Coração de Maria, sede a minha salvação.
11. Ensinai-me a fazer a vossa vontade, porque sois o meu Deus.
12. Enviai, Senhor, operários à vossa messe.
13. Ficai conosco, Senhor.
14. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
15. Graças e louvores sejam dados a todo momento ao santíssimo e diviníssimo Sacramento.
16. Jesus, Maria, José.
17. Jesus, Maria, José, eu vos dou meu coração e minha alma!
18. Jesus manso e humilde de coração, fazei nosso coração semelhante ao vosso.
19. Mãe dolorosa, rogai por nós.
20. Meu Deus e meu tudo.
21. Meu Senhor e meu Deus!
22. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.
23. Ó Deus, compadecei-vos de mim, pecador.
24. Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito.
25. Rainha, concebida sem pecado original, rogai por nós.
26. Rogai por nós, santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
27. Salve, ó Cruz, única esperança.
28. Santa Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, intercedei por nós.
29. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós.
30. Senhor, aumentai a nossa fé.
31. Senhor, faça-se a unidade das mentes na verdade, e a unidade dos corações na caridade.
32. Senhor, salvai-nos, pois perecemos.
33. Sois minha mãe e minha confiança.
34. Todos os Santos e Santas de Deus, rogai por nós.
35. Vós sois o Cristo, Filho de Deus vivo.
· Dogmas sobre Deus
2. A Existência de Deus como Objeto de Fé
· Dogmas sobre Jesus Cristo
1. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e filho de Deus por essência
2. Jesus possui duas naturezas que não se transformam nem se misturam
4. Jesus Cristo, ainda que homem, é Filho natural de Deus
5. Cristo imolou-se a si mesmo na cruz como verdadeiro e próprio sacrifício
6. Cristo nos resgatou e reconciliou com Deus por meio do sacrifício de sua morte na cruz
7. Ao terceiro dia depois de sua morte, Cristo ressuscitou glorioso dentre os mortos
8. Cristo subiu em corpo e alma aos céus e está sentado à direita de Deus Pai
· Dogmas sobre a Criação do Mundo
1. Tudo o que existe foi criado por Deus a partir do Nada
· Dogmas sobre o Ser Humano
1. O homem é formado por corpo material e alma espiritual
2. O pecado de Adão se propaga a todos seus descendentes por geração, não por imitação
3. O homem caído não pode redimir-se a si próprio
· Dogmas Marianos
1. A Imaculada Conceição de Maria
4. A Virgem
· Dogmas sobre o Papa e a Igreja
1. A Igreja foi fundada pelo Deus e Homem, Jesus Cristo
4. O Papa é infalível sempre que se pronuncia ex catedra
5. A Igreja é infalível quando faz definição em matéria de fé e costumes
· Dogmas sobre os Sacramentos
1. O Batismo é verdadeiro Sacramento instituído por Jesus Cristo
2. A Confirmação é verdadeiro e próprio Sacramento
3. A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos após o Batismo
4. A Confissão Sacramental dos pecados está prescrita por Direito Divino e é necessária para a salvação
5. A Eucaristia é verdadeiro Sacramento instituído por Cristo
7. A Unção dos enfermos é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo
8. A Ordem é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo
9. O matrimônio é verdadeiro e próprio Sacramento
· Dogmas sobre as Últimas Coisas (Escatologia)
3. O Inferno
4. O Purgatório
5. O Fim do mundo e a Segunda Vinda de Cristo
6. A Ressurreição dos Mortos no Último Dia
A EXISTÊNCIA DE DEUS
por: Dercio Antonio Paganini
Possibilidade de reconhecer a Deus como a única luz da razão natural – O concilio Vaticano I (1869-1870), sob Pio IX (1846-1870), declarou:
· “Se alguém disser que Deus vivo e verdadeiro, criador e Senhor nosso, não pode ser reconhecido com certeza pela luz natural da razão humana por meio das coisas que foram feitas, seja excomungado.” (Dz. 1806). “A mesma Santa Mãe Igreja sustenta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser reconhecido com certeza pela luz natural da razão humana partindo das coisas criadas.” (cf. Dz. 1785).
O Concilio apresenta os seguintes elementos:
a. O objeto de nosso conhecimento é Deus uno e verdadeiro, Criador e Senhor nosso; é portanto um Deus distinto do mundo e pessoal.
b. O princípio subjetivo do reconhecimento é a razão natural em estado de natureza caída.
c. Os meios do reconhecimento são as coisas criadas.
d. Esse reconhecimento é de per si um reconhecimento certo.
e. E é possível, ainda que não constitua o único caminho para chegar a conhecer a Deus.
Provas da Escritura:
· “Pela grandeza e formosura das criaturas, por racionalidade se chega a conhecer ao Criador delas” (Sab.13,1-9.15).
· “Porque desde a criação do mundo, a invisibilidade de Deus, Seu eterno poder e Sua divindade são conhecidos através das criaturas, de modo que são inescusáveis” (Rm 1,20).
A idéia de Deus não é inata em nós, mas temos a capacidade para conhece-Lo com facilidade, e de certo modo espontaneamente por meio de Sua obra.
A EXISTÊNCIA DE DEUS COMO OBJETO DE FÉ
por: Dercio Antonio Paganini
A existência de Deus não apenas é objeto do conhecimento da razão natural, mas também é objeto da fé sobrenatural – Segundo o Concílio Vaticano I (1869-1870), sob Pio IX (1846-1878), declarou em 24 de abril de 1870:
· “A Santa Igreja Católica Apostólica e Romana, crê e confessa que existe um único Deus Verdadeiro” (Dz. 1782).
Este mesmo Concílio condenou como herética a negação da existência de Deus:
· “Se alguém negar que apenas Deus é o Verdadeiro Criador e Senhor das coisas visíveis e invisíveis, seja excomungado” (Dz. 1801).
Provas da Escritura:
A fé na Escritura de Deus é condição indispensável para a salvação:
· “Sem a fé é impossível agradar a Deus, pois é preciso que quem se acerque de Deus creia que Ele existe e que é remunerador dos que O buscam” (Hb 11,6)
A revelação sobrenatural da existência de Deus confirma o conhecimento natural de Deus, faz com que todos possam conhecer a existência de Deus com facilidade. Não existe contradição no sentido de que uma pessoa possa temer ao mesmo tempo a ciência e a fé da existência de Deus, já que, em ambos os casos, o objeto formal é diverso:
Evidência Natural X Revelação Divina
Ao primeiro chegamos pela razão natural e, ao segundo, pela razão ilimitada da fé.
A UNICIDADE DE DEUS
por: Dercio Antonio Paganini
Não existe mais que um único Deus – O concílio de Latrão (1215), sob Inocêncio III (1198-1216) declarou:
· “Firmemente cremos e simplesmente confessamos que Deus é apenas Um” (Dz. 428). “A santa Igreja Católica Apostólica romana crê e confessa que existe um único Deus Verdadeiro e Vivo” (Dz. 1782).
Provas das Escrituras:
· “Ouve Israel, Iaveh é nosso Deus, apenas Iaveh” (Dt 6,4).
· “Sabemos que o ídolo não é nada no mundo e que não existe mais que um único Deus.” (1 Cor. 8,4).
· v. tb. At 14,14; 17,23; Rm 3,39; Ef 4,6; 1Tim 1,17; 2,5.
Os Santos Padres provam a unicidade de Deus por Sua perfeição absoluta e pela unidade da ordem do mundo. Diz Tertuliano:
· “O Ser Supremo e Excelentíssimo precisa ser único, e não pode haver igual a Ele, porque se não for assim, Ele não seria o Ser Supremo, e como Deus é o Ser Supremo, com razão diz nossa verdade Cristã: Se Deus não é o Único, não há nenhum Deus”
São Tomás [de Aquino] deduz especulativamente a unicidade de Deus devido à Sua simplicidade, da infinidade de Suas perdições e da unidade do universo (S.Th. I,11,3).
A história comparada das religiões nos ensina que a evolução religiosa da humanidade não passou do politeísmo ao monoteísmo, mas sim, ao contrário, ou seja, do monoteísmo ao politeísmo (cf. Rm 1,18). Se opõe a este dogma básico do Cristianismo o politeísmo dos pagãos e o dualismo agnóstico-maniqueista que supunha a existência de dois princípios não criados e eternos.
DEUS É ETERNO
por: Dercio Antonio Paganini
Deus não tem princípio nem fim – O Concílio IV de Latrão e o Concílio Vaticano atribuem a Deus a eternidade:
· “Firmemente cremos e simplesmente confessamos que apenas um é o Verdadeiro Deus eterno…” (Dz. 428). “A Santa Igreja Católica, Apostólica Romana crê e confessa que existe um único Deus Verdadeiro, Vivo, Eterno, Imenso, Incompreensível, Infinito em Seu entendimento e vontade e em toda perfeição” (Dz. 1782).
O Dogma diz que Deus possui o Ser Divino sem princípio nem fim, sem sucessão alguma, em um agora permanente e indivisível.
Provas das Escrituras:
· “Antes que os montes, a terra e o universo tivessem sido criados, Tu existíeis desde a eternidade até a eternidade” (Sl 89,2).
· “Antes que Abraão nascesse, eras Tu” (Sl 2,7; Jo 8,58).
Especulativamente, a eternidade de Deus se demonstra por sua absoluta imutabilidade; a razão última da eternidade de Deus é a plenitude absoluta de um ser que exclui toda potencialidade e, portanto, toda sucessão (S.Th. I,10,2-3).
SANTÍSSIMA TRINDADE
por: Dercio Antonio Paganini
Em Deus há três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; e cada uma delas possui a essência divina que é numericamente a mesma – O Concílio de Latrão (1215), sob Inocêncio III (1198-1216) diz:
· “Firmemente cremos e simplesmente confessamos que apenas um é o Deus Eterno, Verdadeiro, Imenso, Imutável, Incompreensível, Onipotente e Inefável; Pai, Filho e Espírito Santo; três pessoas certamente, mas uma só essência, substância ou natureza absolutamente simples. O Pai não vem de ninguém, O Filho apenas do Pai, e o Espírito Santo de Um e de Outro, sem começo, sempre, e sem fim” (Dz.428).
O dogma da Trindade é declarado por este Concílio, mas o Concílio de Florença (1438-1445), sob Eugênio IV (1431-1447), apresentou um compêndio desta doutrina que pode ser considerada como a meta final da evolução do dogma:
· “Por razão desta unidade, o Pai está todo no Filho todo no Espírito Santo; o Filho está todo no Pai e todo no Espírito Santo; o Espírito Santo está todo no Pai e todo no Filho. Nenhum precede ao outro em eternidade, ou o excede em grandeza, ou o sobrepuja em poder…” (Dz. 704).
Provas das Sagradas Escrituras:
· No Antigo Testamento fica subentendida a alusão ao mistério da Trindade:
· “Façamos ao homem…” (Gn 1,26).
· “Disse-me Iaveh: Tu és Meu Filho hoje Te gerei” (Sl 2,7).
· No Novo Testamento:
· “O Espirito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com Sua sombra, e por isto, o Filho criado será Santo, será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35) – Espírito Santo, Altíssimo e Filho do Altíssimo.
· “Viu o Espírito Santo de Deus descer como pomba e vir sobre Ele, enquanto uma voz do céu dizia: ‘este é Meu Filho Amado, em Quem tenho Minha complacência’” (Mt 3,16ss).
· “Ide, pois, e ensinai a todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).
Onde é revelado claramente o mistério da Trindade é em Mt 28,19. Assim como o homem pode por sua única razão descobrir a um Deus Uno, ao conhecimento de um Deus Trino não poderá chegar senão através da Divina Revelação.
Em Deus, a ação de entender, o mesmo que a de amar, se identificam com sua própria essência divina, pois seu entender e seu querer constituem um mesmo Ser. Por isso, nos dois procedimentos divinos, ou seja, que dá origem ao Filho por via de geração, e a que dá origem ao Espírito Santo por via de amor procedente do Pai e do Filho, não se dá sucessão alguma, nem por prioridade nem por posteridade… são eternas com a mesma eternidade de Deus.
O Pai, com efeito, vendo refletido em sua própria essência a Seu Verbo Divino, que é a Imagem perfeitíssima de Si mesmo, O ama com um amor sem limites. E o Verbo, que é a Luz do Pai, Seu Pensamento eterno, Sua Glória, Sua Formosura, o Esplendor de todas Suas perfeições infinitas, devolve a Seu Pai um amor semelhante, igualmente eterno e infinito. E ao encontrarem-se as correntes do amor que brota do Pai com aquela que vem do Filho, salta, por assim dizer, uma torrente de chamas que é o Espírito Santo, amor único, ainda que é mútuo, vivente e subsistente, abraço inefável, vínculo que completa ao Pai e ao Filho, na unidade do Espírito Santo (v. “Perfeição Cristã”, de Roeo Marin, p. 53).
JESUS CRISTO É VERDADEIRO DEUS E FILHO DE DEUS POR ESSÊNCIA
por: Dercio Antonio Paganini
Declara o Símbolo “Quicumque” do Concílio de Toledo (400-447):
· “É necessário para a eterna salvação crer fielmente na encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, que é Deus e homem. É Deus engendrado na substância do Pai antes dos séculos…” (Dz. 40).
O dogma diz que Jesus Cristo possui a infinita natureza divina com todas suas infinitas perfeições, por haver sido engendrado eternamente por Deus.
Provas das Sagradas Escrituras:
· Títulos que aludem à dignidade Divina do Messias:
· Emanuel, Deus conosco (Is 7,14; 8,8).
· Conselheiro admirável, Varão Forte, Pai do século futuro, Príncipe da Paz (Is 9,6).
· “Tu és Meu Filho amado, em Ti deposito minha complacência…” (Batismo no rio Jordão – Mt 23,17).
· “Este é Meu Filho muito amado, escutai-O …” (Monte Tabor – Mt 17,5).
· “…Não sabias que Eu devo ocupar-me nas coisas que dizem respeito ao serviço de Meu Pai…” (Lc 2,49).
· “Todas as coisas foram o Pai quem as colocou em Minhas mãos e ninguém conhece ao Filho senão o Pai, e ninguém conhece ao Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo…” (Mt 11,27).
Jesus equipara seu conhecimento ao conhecimento divino do Pai, porque possui em comum com o Pai a substância Divina. Os milagres são outra prova da divindade de Cristo:
· “As obras que faço em nome de Meu Pai dão testemunho de Mim…” (Jo 10,25).
JESUS POSSUI DUAS NATUREZAS QUE NÃO SE TRANSFORMAM NEM SE CONFUNDEM
por: Dercio Antonio Paganini
Afirma São Leão I Magno (440-461) em sua epístola dogmática de 13 de Junho de 449:
· “Ficando então a salvo a propriedade de uma e outra natureza… natureza íntegra e perfeita de verdadeiro homem, nasceu Deus Verdadeiro, inteiro no seu, inteiro no nosso” (Dz. 143 ss.)
Também diz o Concílio de Calcedônia (451, IV Ecumênico):
· “…Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele mesmo perfeito na divindade e Ele mesmo perfeito na humanidade… que se há de reconhecer em duas naturezas: sem confusão, sem mudanças, sem divisão, sem separação e de modo algum apagada a diferença de natureza por causa da união, conservando cada natureza sua propriedade e concorrendo em uma só pessoa” (Dz. 148).
Tudo isto indica que Cristo é possuidor de uma íntegra natureza divina e de uma íntegra natureza humana: a prova está nos milagres e no padecimento.
Sagradas Escrituras:
· “E o Verbo se fez carne…” (Jo 1,14).
· “O qual, sendo de condição divina, não reteve avidamente o fato de ser igual a Deus, mas se despojou de si mesmo, tomando a condição de servo, fazendo-se semelhante aos homens e aparecendo em seu porte como homem…” (Fil 2,6-7).
CADA UMA DAS DUAS NATUREZAS EM CRISTO POSSUI UMA PRÓPRIA VONTADE FÍSICA E UMA PRÓPRIA OPERAÇÃO FÍSICA
por: Dercio Antonio Paganini
Declara o III Concílio de Constantinopla (680-681), sob Santo Agatão (678-681):
· “Proclamamos igualmente, conforme os ensinamentos dos Santos Padres, que não existem também duas vontades físicas e duas operações físicas de modo indivisível, de modo que não seja conversível, de modo inseparável e de modo não confuso. E estas duas vontades físicas não se opõe uma a outra como afirmam os ímpios hereges…” (Dz. 291 e Dz. 263-288).
Sagradas Escrituras:
· “Não seja como Eu quero, mas sim como Tu queres…” (Mt 26,39).
· “Não seja feita Minha vontade, mas sim a Tua…” (Lc 22,42).
· “Desci do céu para fazer não a Minha vontade, mas sim a vontade de Quem Me enviou…” (Jn. 6,38).
· “Ninguém Me tira, Eu a doei voluntariamente, tenho o poder para concedê-la e o poder de recobrá-la novamente…” (Jo 10,18).
Apesar da dualidade física das duas vontades, existiu e existe a unidade moral porque a vontade humana de Cristo se conforma com a livre subordinação, de maneira perfeitíssima à vontade Divina.
JESUS CRISTO, AINDA QUE HOMEM, É FILHO NATURAL DE DEUS
por: Dercio Antonio Paganini
Diz o Concílio de Trento (1545-1563), na sessão IV de 13 de Janeiro de 1547 (sob Paulo III; 1534-1549):
· “…O Pai celestial… quando chegou a plenitude, enviou aos homens seu Filho, Jesus Cristo…” (Dz. 794, 299, 309).
Sagradas Escrituras:
· “Deus não perdoou Seu próprio Filho, mas sim O entregou por todos nós…” (Rm 8,32).
· “Deus tanto amou o mundo que lhe deu Seu Filho Unigênito…” (Jo 3,16).
· “E uma voz que saia dos céus dizia: ‘este é Meu Filho amado, em quem me alegro…” (Mt 3,17).
· “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e pudemos contemplar Sua glória, glória que recebe do Pai como Filho Único, cheio de graça e verdade…” (Jo 1,14).
Os Santos Padres sempre rechaçaram a doutrina da dupla filiação de Cristo. O sentido do dogma é: a pessoa que subsiste na natureza humana (de Cristo) é o filho natural de Deus. A filiação é propriedade da pessoa, não da natureza. Em Cristo não existe mais que uma pessoa que procede do Pai por geração eterna; pelo mesmo motivo, em Cristo não pode haver mais que uma filiação de Deus: a natural.
CRISTO IMOLOU-SE A SI MESMO NA CRUZ COMO VERDADEIRO E PRÓPRIO SACRIFÍCIO
por: Dercio Antonio Paganini
Afirma o Concílio de Trento (1545-1563), sob Pio IV (1559-1565), a 17 de Setembro de 1562:
· “O Sacrossanto Concílio… ensina, declara, ordena, que na Missa está contido e de modo não cruel se imola aquele mesmo Cristo, que apenas uma vez se ofereceu Ele mesmo cruelmente no altar da cruz…” (Dz. 940-122-951).
Sagradas Escrituras:
· “Eis aqui o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo” (Jo 1,29).
· “Cristo nos amou e se entregou por nós todos em sacrifício e oblação a Deus…” (Ef. 5,2).
· “Porque nosso Cordeiro Pascal, Cristo já foi imolado…” (Rm 3,25).
· “Cristo se ofereceu uma vez como sacrifício para tirar os pecados do mundo…” (Hb 9,28).
O adversário deste dogma é o racionalismo (Dz. 2038). Cristo quando instituiu a Sagrada Eucaristia recordou o sacrifício de Sua morte:
· “Este é Meu corpo que será entregue por vós…” (Lc 22,19).
Cristo, por sua natureza humana, era ao mesmo tempo sacerdote e oferenda, mas por sua natureza Divina, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, era o que recebia o sacrifício.
CRISTO NOS RESGATOU E RECONCILIOU COM DEUS POR MEIO DO SACRIFÍCIO DE SUA MORTE NA CRUZ
por: Dercio Antonio Paganini
Declara o Concílio de Trento (1545-1563), sob Pio IV (1559-1565):
· “O concilio… por inspiração do Espírito Santo, ensina, declara e manda… Este Deus e Senhor Nosso, Jesus Cristo quis oferecer-se a si mesmo a Deus Pai, como sacrifício apresentado sobre a ara da cruz em sua morte, para conseguir para eles o eterno perdão…” (Dz. 938). “… que nos reconciliou com Deus por meio de Seu Sangue fazendo-Se por nós a Justiça, a Santidade e a Redenção…” (Dz 790).
Sagradas Escrituras:
· “Preço do resgate por muitos…” (Mt 20,28).
· “O qual se deu a Si mesmo em preço do resgate…” (1Tm 2,6).
· “São justificados por Sua graça…” (Rm 3,24).
· “…Ele se deu a Si mesmo por nós para redimir-nos de toda iniquidade…” (1Tm 2,14).
· “…este é Meu Sangue da Aliança que se derrama sobre muitos para a remissão dos pecados…” (Mt 26,28).
São Paulo atribui à morte de Cristo a reconciliação dos pecados com Deus, ou seja, a restauração da antiga relação de filhos e amigos com Deus (cf. Rm 5,10).
AO TERCEIRO DIA DEPOIS DE SUA MORTE, CRISTO RESSUSCITOU GLORIOSO DENTRE OS MORTOS
por: Dercio Antonio Paganini
Expõe o XI Concílio de Toledo (675), sob Adeodato (672-676):
· “…ao terceiro dia, ressuscitado por sua própria virtude, se levantou do sepulcro.” (Dz. 286)
Sua razão foi a união hipostática. A causa principal da ressurreição foi o lugar comum com o Pai e o Espírito Santo. Foi causa instrumental a parte humana de Cristo, unida hipostaticamente com a divindade, ou seja, o corpo e a Alma. É negada a ressurreição de Cristo em todas as formas de racionalismo antigo e moderno. Tal negação foi condenada por Pio X (Dz. 2036).
Sagradas Escrituras:
· Não deixarás Tu minha alma no inferno, não deixarás que Teu justo experimente a corrupção…” (Sl 15,10).
· “[Cristo predisse:] pois da mesma forma que Jonas esteve no ventre da baleia três dias e três noites, assim também o Filho do homem estará no seio da terra três dias e três noites…” (Mt. 12,40).
· “Os Apóstolos davam testemunho, com grande poder, da ressurreição do Senhor Jesus…” (At 4,33).
Do ponto de vista apologético: a ressurreição é o argumento mais decisivo sobre a verdade dos ensinamentos de nosso Senhor:
· “… e se Cristo não ressuscitou, nossa pregação é vazia e também a vossa fé…” (1Cor 15,14).
CRISTO SUBIU EM CORPO E ALMA AOS CÉUS E ESTÁ SENTADO À DIREITA DE DEUS PAI
por: Dercio Antonio Paganini
Sob Inocêncio III (1198-1216), declarou o IV Concilio de Latrão (1215):
· “…fielmente cremos e simplesmente confessamos: ressuscitou dentre os mortos e subiu ao céu em Corpo e Alma…” (Dz. 429).
Todos os símbolos da fé confessam, de acordo com o símbolo apostólico:
· “…subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai…”.
Cristo subiu aos céus por sua própria virtude. O racionalismo é contrário a este dogma. O testemunho claro desta verdade da época apostólica, não deixa tempo suficiente para formação de lendas.
Sagradas Escrituras:
· Cristo havia predito: “O espírito é aquele que dá a vida; a carne de nada serve. As palavras que lhes disse são espirito e são vida…” (Jo 6,63; 14,2; 16,28).
· A realizou diante de testemunhas: “…com isto, o Senhor Jesus, depois de falar-lhes, foi elevado ao céu e se sentou à direita de Deus…” (Mc 16,19; Lc 24,51).
Importância: No aspecto cristológico é a elevação definitiva da natureza de Cristo. No aspecto sotereológico, é a coroação final de toda a obra redentora.
TUDO O QUE EXISTE FOI CRIADO POR DEUS A PARTIR DO NADA
por: Dercio Antonio Paganini
Afirma o Concílio Vaticano I (1869-1870), sob Pio IX (1846-1877):
· “Proclamamos e declaramos desta cátedra de Pedro… que unicamente este Verdadeiro Deus… criou do nada uma e outra criatura, a espiritual e a corporal, isto é, a angélica e a mundana, e logo a humana, como comum, constituída de espírito e corpo” (Dz. 1783).
Também o Concílio de Latrão, em 1215:
· “…Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, espirituais e corporais, que por Sua onipotente virtude, existente desde o princípio dos tempos, criou do nada a uma e outra criatura…” (Dz. 428).
Provas da Sagrada Escritura:
· “No princípio Deus criou o céu e a terra…” (Gn. 1,1).
· “Te suplico meu filho, que olhes o céu e a terra, e vejas o quanto existem neles, e entendas que do nada Deus fez tudo isso” (2Mc 7,28).
· “Pela fé conhecemos que os mundos foram dispostos pela palavra de Deus de modo que do invisível teve origem o visível” (Hb 11,3).
A criação do mundo do nada, não apenas é uma verdade fundamental da revelação cristã, mas também que ao mesmo tempo chega a alcançá-la a razão com apenas suas forças naturais, baseando-se nos argumentos cosmológicos e sobretudo na argumento da contingência.
CARÁTER TEMPORAL DO MUNDO
por: Dercio Antonio Paganini
O mundo teve princípio no tempo – O Concílio Vaticano I (1869-1870), sob Pio IX (1846-1878), afirma:
· “Determinamos declarar desta cátedra de São Pedro… desde o princípio do tempo, criou do nada…” (Dz. 1783). “…Criador de todas as coisas…” (Dz. 428).
Provas das Escrituras:
· “Agora, Tu, Pai, glorifica-me próximo a Ti mesmo, com a glória que tive perto de Ti antes que o mundo existisse…” (Jo 17,5).
· “Nos escolheu antes da constituição do mundo…” (Ef 1,4).
· “Desde o princípio fundaste Tu a terra…” (Sl 101,26).
A doutrina da eternidade do mundo foi condenada (cf. Dz. 501-503). Contra a filosofia pagã e o materialismo moderno que suponha a eternidade do mundo, ou melhor dizendo, da matéria cósmica, a Igreja ensina que o mundo não existe desde toda a eternidade, mas teve um princípio no tempo. O progresso da física atômica permite inferir, pelo processo de desintegração dos elementos radiativos, qual seja a idade da terra e do universo, provando positivamente o princípio do mundo no tempo (Discurso de Pio XII, 22 Novembro 1951: Sobre a demonstração da existência de Deus à luz das modernas ciências naturais).
CONSERVAÇÃO DO MUNDO
por: Dercio Antonio Paganini
Deus conserva na existência a todas as coisas criadas – Diz o Concílio Vaticano I (1869-1870), sob Pio IX (1846-1877), a 24 de Abril de 1870:
· “A Igreja Católica declara a partir desta cátedra… Tudo o que Deus criou, com sua providência o conserva e governa…” (Dz. 1784).
Provas da Sagrada Escritura:
· “E como poderia subsistir nada se Tu no quiseras ou como poderia conservar-se sem Ti?” (Sb 11,26).
· “Meu Pai segue trabalhando ainda e eu também trabalho” (Jo 5,17).
· “E tudo Nele subsiste” (Col 1,17).
A ação conservadora de Deus é um constante influxo causal pelo que mantém as coisas na existência. São Tomas de Aquino define a conservação do mundo como continuação da ação criadora de Deus. É condizente à sabedoria e bondade de Deus conservar na existência as criaturas que são vestígio das perfeições divinas e servem, portanto, para dar glória a Deus
O HOMEM É FORMADO POR CORPO MATERIAL E ALMA ESPIRITUAL
por: Dercio Antonio Paganini
Afirma o IV Concílio de Latrão (1215), sob Inocêncio III (1198-1216):
· “… a humana, composta de espirito e corpo…” (Dz. 428).
e o Concílio Vaticano I (1869-70), sob Pio IX (1846-78):
· “…a humana como comum constituída de corpo e alma…” (Dz. 1783).
Segundo a doutrina da Igreja, o corpo é parte essencialmente constituinte da natureza humana, e não carga e estorvo como disseram alguns (Platão e outros Originalistas). Igualmente, para defender o dogma católico contra os que dizem que consta de três partes essenciais: o corpo, a alma animal e a alma espiritual, o Concílio de Constantinopla declarou:
· “… que o homem tem apenas uma alma racional e intelectual…” (Dz. 338).
A alma espiritual é o princípio da vida espiritual e ao mesmo tempo o é da vida animal (vegetativa e sensitiva) (Dz. 1655).
Sagradas Escrituras:
· “O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em seu rosto o alento da vida…” (Gn 2,7).
· “…antes que o pó volte à terra de onde saiu, e o espírito retorne a Deus…” (Ecl 12,7).
· “Não tenhais medo dos que matam o corpo, e à alma não podem matar; temeis muito mais àquele que pode destruir o corpo e a alma na geena…” (Mt 10,28).
Se prova especulativamente a unicidade da alma no homem por testemunho da própria consciência, pela qual somos conscientes de que o mesmo Eu, que é o princípio da atividade espiritual, é o mesmo que gere a sensibilidade e a vida vegetativa.
O PECADO DE ADÃO SE PROPAGA A TODOS SEUS DESCENDENTES POR GERAÇÃO, NÃO POR IMITAÇÃO
por: Dercio Antonio Paganini
O Concílio de Trento (1545-63), sob Paulo III (1534-49) publicou o “Decreto sobre o pecado original”, a 17 Junho 1546:
· “Se alguém disser que a prevaricação de Adão o prejudicou somente a ele e não à sua descendência… Se alguém disser que este pecado de Adão, que é por sua origem apenas um, e transmitido a todos por propagação, não por imitação, é próprio de cada um…” (Dz. 789-90).
O Concílio de Trento condena a doutrina de que Adão perdeu para si apenas, e não também para nós todos, a justiça e Santidade que havia recebido de Deus. Positivamente ensina que o Pecado, que é morte da alma, se propaga de Adão a todos seus descendentes por geração e não por imitação, e que é inerente a cada indivíduo.
· “Tal pecado se apaga pelos méritos da Redenção de Cristo, os quais se aplicam ordinariamente tanto aos adultos como às crianças por meio do Sacramento do Batismo. Por isso, até as crianças recém-nascidas recebem o Batismo para remissão dos pecados.” (Dz. 791).
Sagrada Escritura:
· “Eis que aqui nasci; em culpa e em pecado me concebeu minha mãe…” (Sl 50,7).
· “Assim então, por um homem entrou o pecado no mundo… e assim a morte passou a todos os homens… pela obediência de um, muitos serão justiçados…”(Rm 5,12-21).
O efeito do Batismo, segundo a doutrina do Concílio de Trento, é apagar realmente em nós o pecado e não apenas que não nos impute uma culpa estranha (Dz. 792).
O HOMEM CAÍDO NÃO PODE REDIMIR-SE A SI PRÓPRIO
por: Dercio Antonio Paganini
Assim ensina o Concílio de Trento (1545-1563), sob Paulo III (1534-1549):
· “[Que os homens caídos] eram de tal forma escravos do pecado que se achavam sob a servidão do demônio e da morte, que nem os gentios poderiam livrar-se nem levantar-se com a força da natureza, nem os judeus poderiam faze-lo com a força da lei mosaica…” (Dz. 793).
O Concílio Vaticano II no decreto “Ad Gentes” nº 8 declara:
· “Somente um ato livre por parte do amor divino poderia restaurar a ordem sobrenatural, destruída pelo pecado. Se opõe à doutrina católica o pelagianismo, segundo o qual, o homem tem em sua livre vontade o poder de redimir-se a si mesmo, e é contrário também ao dogma católico o moderno racionalismo com suas diversas teorias de ‘auto-redenção’”.
Sagradas Escrituras:
· Cf. Rm 3,23, como “todos pecaram, todos estão privados da glória de Deus” (graça e justificação), e agora são justificados gratuitamente por sua graça, pela Redenção de Jesus Cristo. O pecado, enquanto ação da criatura é finito, mas, enquanto ofensa a Deus é infinito, portanto exige uma satisfação de valor infinito.
A IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA
por: Dercio Antonio Paganini
O Papa Pio IX, na Bula “Ineffabilis Deus”, de 8 de Dezembro de l854 definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria:
· “Declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que sustenta que a Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, foi por singular graça e privilégio de Deus onipotente em previsão dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do gênero humano, preservada imune de toda mancha de culpa original, foi revelada por Deus, portanto, deve ser firme e constantemente acreditada por todos os fiéis” (Dz. 1641).
a. Maria desde o primeiro instante que é constituída como pessoa no seio de sua mãe, o é sem mancha alguma de pecado (=pecado original).
b. Como foi concebida sem pecado:
1. Ausência de toda mancha de pecado.
2. Lema da graça Santificante.
3. Ausência da inclinação o mal.
c. Este privilégio e dom gratuito foi concedido apenas à Virgem e a ninguém mais, em atenção àquela que havia sido predestinada para ser a Mãe de Deus.
d. Em previsão dos méritos de Cristo porque a Maria a Redenção foi aplicada antes da morte do Senhor.
Provas das Escrituras:
· “Estabeleço hostilidade…” (Gn 3,15).
· “Deus te salve, cheia de graça.” (Lc 1,28).
· “Bendita tu entre as mulheres…” (Lc 1,42).
MARIA, MÃE DE DEUS
por: Dercio Antonio Paganini
O Concilio de Éfeso (431), sob o Papa São Celestino I (422-432), definiu solenemente que:
· “Se alguém afirmar que o Emanuel (Cristo) não é verdadeiramente Deus, e que portanto, a Santíssima Virgem não é Mãe de Deus, porque deu à luz segundo a carne ao Verbo de Deus feito carne, seja excomungado.” (Dz. 113).
Muitos Concílios repetiram e confirmaram esta doutrina:
· Concílio de Calcedônia (Dz. 148).
· Concílio de Constantinopla II (Dz. 218, 256).
· Concílio de Constantinopla III (Dz. 290).
Maria gerara a Cristo segundo a natureza humana, mas quem dela nasce, ou seja, o sujeito nascido, não tem uma natureza humana, mas sim o suposto divino que a sustenta, ou seja, o Verbo. Daí que o Filho de Maria é propriamente o Verbo que subsiste na natureza humana; então Maria é verdadeira Mãe de Deus, posto que o Verbo é Deus. Cristo: Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem.
Provas das Escrituras:
· “Eis que uma Virgem conceberá…” (Is 7,14).
· “Eis que conceberás…” (Lc 1,31).
· “O que nascerá de Ti será…” (Lc 1,35).
· “Enviou Deus a seu Filho nascido…” (Gl 4,4).
· “Cristo, que é Deus…” (Rm 9, 5).
Leia mais em: Dogmas de Maria
A ASSUNÇÃO DE MARIA
por: Dercio Antonio Paganini
O Papa Pio XII, na Bula “Munificentissimus Deus”, de 1º de Novembro de 1950, proclamou solenemente o dogma da assunção de Maria ao céu:
· “Pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, cumprindo o curso de sua vida terrena, foi assumpta em corpo e alma à gloria celeste” (Dz. 2333).
A Virgem Maria foi assumpta ao céu imediatamente depois que acabou sua vida terrena; seu Corpo não sofreu nenhuma corrupção como sucederá com todos os homens que ressuscitarão até o final dos tempos, passando pela descomposição.
O essencial do dogma é que a Virgem foi levada ao céu em corpo e alma, com todas as qualidades e dotes próprios da alma dos bem-aventurados e igualmente com todas as qualidades próprias dos corpos gloriosos.
Se entende melhor tudo ao recordar:
1. Maria foi isenta de pecado original e atual.
2. Teve a plenitude da graça.
Fundamentos deste dogma:
Desde os primeiros séculos foi um sentir unânime da fé do povo do Deus, dos cristãos. Os Santos Padres e Doutores manifestaram sua fé nesta verdade:
· São João Damascemo (séc. VII): “Convinha que aquela que no parto havia conservado a íntegra de sua virgindade, conservasse sem nenhuma corrupção seu Corpo, depois da morte.”
· São Germano de Constantinopla (séc. VII): “Assim como um filho busca estar com a própria Mãe, e a Mãe anseia viver com o filho, assim foi justo também que Tu, que amavas com um coração materno a Teu Filho, Deus, voltasses a Ele.”
Portanto, o fundamento deste dogma se depreende e é conseqüência dos anteriores.
Em sentido próprio é a integridade física dos órgãos reprodutivos. Muitas vezes a virgindade de Maria foi atacada pelos hereges. É verdade da fé católica que Nossa Senhora ficou perfeitamente sempre virgem, antes do parto, no parto e depois do parto.
No Símbolo apostólico se diz: “Nascido de Maria Virgem”; nas antigas liturgias é freqüente o titulo de Maria sempre virgem. No Concílio Romano do ano 649 se defini Maria Imaculada, sempre virgem, que concebeu sem concurso de homem e ficou também intacta depois do parto.
Na Sagrada Escritura temos a famoso trecho de Isaías 7, 14: “Eis que uma virgem conceberá e dará a luz a um filho e o chamará Deus conosco”. O texto é certamente messiânico e portanto a Virgem é Maria. No Evangelho cita-se esta profecia (Mt. 1, 18-23) e se conta com exatas palavras o nascimento virginal de Jesus, por obra do Espirito Santo. Os Padres da Igreja, no trecho de Ez. 44,2 veja a virgindade de Maria depois do parto: “este pórtico ficará fechado. Não se abrirá e ninguém entrara por ele, porque por ele entrara Iahweh, o Deus de Israel, pelo que permanecera fechado”.
Toda a Tradição e concorde em defender a virgindade perpetua de Maria: Santo Agostinho afirma: “A Virgem concebeu, a Virgem ficou gravida, a Virgem deu a luz, a Virgem é virgem perpetua”. A razão teológica deste dogma é clara e tão simples, ela esta na divindade do Verbo e na maternidade de Maria, ao qual repugnou toda a corrupção.
A IGREJA FOI FUNDADA PELO DEUS E HOMEM, JESUS CRISTO
por: Dercio Antonio Paganini
A Constituição Dogmática sobre a Igreja, aprovada pelo Concílio do Vaticano I (1869-1870), sob o papa Pio IX (1846-1878), declara:
· “Determinamos proclamar e declarar desta cátedra de Pedro… O Pastor eterno e guardião de nossas almas para converter em perene a obra salutar da Redenção decretou edificar a Santa Igreja, na qual, como casa do Deus Vivo, todos os fiéis estejam unidos pelo vínculo da fé e caridade…”.
Pio X, contra os erros modernistas declarou:
· “A Igreja foi fundada de modo rápido e pessoal por Cristo Verdadeiro e Histórico durante o tempo de sua vida sobre a terra…” (Dz. 2145).
Isto quer dizer que Cristo fundou a Igreja, que Ele estabeleceu os fundamentos substanciais da mesma, no tocante a doutrina, culto e constituição. Os reformadores ensinaram que Cristo havia fundado uma Igreja invisível. A Organização jurídica era pura instrução humana.
Sagradas Escrituras:
· Mt. 4,18: Escolhe a doze para “que Lhe acompanhem e enviá-los a pregar…”, “…com poder de expulsar demônios…” (Lc 16,13).
· Ele os chamou de Apóstolos: enviados, legados; lhes ensinou a pregar (Mc 4,34; Mt 13,52).
· Lhes deu o poder de ligar e desligar (Mt 18,7).
· De celebrar a Eucaristia (Lc 22,19).
· De batizar (Mt 28,19).
CRISTO CONSTITUIU O APÓSTOLO SÃO PEDRO COMO PRIMEIRO ENTRE OS APÓSTOLOS E COMO CABEÇA VISÍVEL DE TODA IGREJA, CONFERINDO-LHE IMEDIATA E PESSOALMENTE O PRIMADO DE JURISDIÇÃO
por: Dercio Antonio Paganini
Diz o Concílio de Florença (1438-1445), sob Eugênio IV (1431-1447), pela bula “Etentur coeli”, de 6 de Julho de 1439:
· “Definimos que todos os cristãos devem crer e receber esta verdade de fé… que a Sé Apostólica e o Pontífice Romano é o sucessor do bem-aventurado Pedro e tem o primado sobre todo rebanho…” (Dz. 694).
Afirma também o Concílio Vaticano I (1869-1870), na Constituição dogmática sobre a Igreja de Cristo:
· “Se alguém disser que o bem-aventurado Pedro Apóstolo, não foi constituído por Jesus Cristo nosso Senhor, como príncipe de todos os Apóstolos e cabeça visível de toda a Igreja, seja excomungado.” (Dz. 1823).
Sagradas Escrituras:
· Mt 16, 17-19: “Bem-aventurado és tu Simão…e Eu te digo, que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; Eu te darei as chaves do reino dos céus, e tudo quanto ligares na terra…”.
· Jo 21,15-17: “Apascenta Meus cordeiros…”.
Depois da Ascensão, Pedro exerceu seu primado, dispondo a eleição de Matias (cf. At 1,15: “Naqueles dias, Pedro se pôs em pé no meio dos irmãos…”).
Primado significa preeminência e primado de jurisdição; consiste na posse da plena e suprema autoridade legislativa, judicial e punitiva. A Cabeça invisível da Igreja é Cristo, mas o sucessor de Pedro faz as vezes de Cristo no governo exterior da Igreja militante, e é portanto, vigário de Cristo na terra.
O PAPA POSSUI O PLENO E SUPREMO PODER DE JURISDIÇÃO SOBRE TODA A IGREJA, NÃO SOMENTE EM COISAS DE FÉ E COSTUMES, MAS TAMBÉM NA DISCIPLINA E GOVERNO DA IGREJA
por: Dercio Antonio Paganini
Ensina o Concílio Vaticano I (1869-1870), sob Pio IX (1846-1878):
· “Se alguém disser que o Pontífice Romano tem apenas o dever de inspeção e direção, mas não pleno e supremo poder de jurisdição sobre a Igreja universal, não só nas matérias que pertencem à fé e aos costumes, mas também naquelas de regime e disciplina da Igreja…seja excomungado” (Dz. 1831 cf. Dz. 1827).
Conforme esta declaração, o poder do Papa é:
1. De Jurisdição: verdadeiro poder de governo que é potestade: legislativa, jurídica (litigiosa) e coercitiva.
2. Universal: se estende a todos os pastores e fiéis da Igreja em matéria de ensinamento e governo.
3. Supremo: nenhum outro sujeito possui o poder igual ou maior. Por isto, a coletividade de todos os Bispos não está acima do Papa.
4. Pleno: o Papa pode resolver por si mesmo qualquer assunto que caia dentro da jurisdição eclesiástica sem nada requerer dos Bispos nem de toda a Igreja.
5. Ordinário: é ligado com seu ofício em virtude de uma ordenação divina e não foi delegado por nenhum superior em jurisdição.
6. Episcopal: o Papa é ao mesmo tempo bispo universal de toda a Igreja e da diocese de Roma.
7. Imediato: pode exercer sem instância prévia sobre os Bispos e fiéis. Por este poder do Papa de tratar livremente com todos os bispos e fiéis da Igreja, se condena toda a ordenação do poder civil que subordinam a comunicação oficial com a Santa Sé a um controle civil e fazem depender a obrigatoriedade das disposições pontifícias a uma boa visão das autoridades civis. (Dz. 1829)
O PAPA É INFALÍVEL SEMPRE QUE SE PRONUNCIA EX CATEDRA
por: Dercio Antonio Paganini
Ensina o Concílio Vaticano I (1869-1870), sob Pio IX (1846-1878), na Sessão IV de 18 Julho 1870:
· “…ensinamos e definimos ser dogma divinamente revelado que o Pontífice Romano, quando fala ex catedra, isto é, quando cumprindo seu cargo de pastor e doutor de todos os cristãos, define por sua suprema autoridade apostólica que uma doutrina sobre a fé e costumes deve ser sustentada pela Igreja universal, pela assistência divina que lhe foi prometida na pessoa de Pedro, goza daquela infalibilidade que o Redentor divino quis que estivera provisionada sua Igreja na definição sobre a matéria da fé e costumes, e portanto, as definições do Bispo de Roma são irreformáveis por si mesmas e não por razão do consentimento da Igreja.” (Dz. 1839; Dz. 466-694).
Para compreender este dogma, convém ter na lembrança:
1. Sujeito da infalibilidade é todo o Papa legítimo, em sua qualidade de sucessor de Pedro e não outras pessoas ou organismos (ex.: congregações pontificais) a quem o Papa confere parte de sua autoridade magistral.
2. Objeto da infalibilidade são as verdades de fé e costumes, reveladas ou em íntima conexão com a revelação divina.
3. Condição da infalibilidade é que o Papa fale ex catedra:
a. Que fale como pastor e mestre de todos os fiéis fazendo uso de sua suprema autoridade.
b. Que tenha a intenção de definir alguma doutrina de fé ou costume para que seja acreditada por todos os fiéis. As encíclicas pontificais não são definições ex catedra.
4. Razão da infalibilidade é a assistência sobrenatural do Espírito Santo, que preserva o supremo mestre da Igreja de todo erro.
5. Conseqüência da infalibilidade é que a definição ex catedra dos Papas sejam por si mesmas irreformáveis, sem a intervenção ulterior de qualquer autoridade.
Sagradas Escrituras:
· “a ti darei as chaves do Reino…” (Mt 16,18).
· “apascenta Minhas ovelhas” (Jo 21,15-17).
· “Eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça … confirma a teus irmãos” (Lc 22,31).
Para poder cumprir com a função de ordenar eficazmente, é necessário que os Papas gozem de infalibilidade em matéria de fé e costumes.
A IGREJA É INFALÍVEL QUANDO FAZ DEFINIÇÃO EM MATÉRIA DE FÉ E COSTUMES
por: Dercio Antonio Paganini
Declara o Concílio Vaticano I (1869-1870), sob Pio IX (1846-1878):
· “O pontífice Romano quando fala ex catedra… possui aquela infalibilidade que o Divino Salvador quis que estivesse dotada sua Igreja quando definisse algo em matéria de fé e costumes” (Dz. 1839).
O Concílio Vaticano I, na definição da infalibilidade do Papa, pressupõe a infalibilidade da Igreja. São contrários a este dogma os que, ao rechaçar a hierarquia (Papa), rechaçam também o Magistério da autoridade da Igreja.
Sagradas Escrituras:
· A razão intrínseca da infalibilidade da Igreja se apoia na assistência do Espírito Santo, que Cristo prometeu a Seus Apóstolos para desempenho de sua missão de ensinar em Jo 14,16: “Eu rezarei ao Pai e os darei outro Advogado que estará convosco para sempre. O Espírito da Verdade.”
· Cristo exige a obediência absoluta à fé e faz depender disto a salvação eterna em Mc 16,16: “Aquele que crer se salvará…e aquele que no crer se condenará.”e em Lc 10,16: “Aquele que a vós ouve a Mim ouve; Aquele que a vós deprecia, a Mim deprecia”.
Os Apóstolos e seus sucessores (a Igreja) se acham livres do perigo de errar ao pregar a fé (Dz. 1793-1798).
Estão sujeitos à infalibilidade:
1. O Papa, quando fala ex catedra.
2. O episcopado pleno, com o Papa cabeça do episcopado, é infalível quando reunido em concílio universal ou disperso pelo rebanho da terra, ensina e promove uma verdade de fé ou de costumes para que todos os fiéis a sustentem.
· Obs: cada Bispo em particular não é infalível ao anunciar a verdade revelada (ex.: Nestório caiu em erro e heresia). Mas cada bispo em sua diocese, por razão de seu cargo, é mestre autorizado da verdade revelada enquanto esteja em comunhão com a Sé Apostólica e professe a doutrina universal da Igreja.
O BATISMO É VERDADEIRO SACRAMENTO INSTITUÍDO POR JESUS CRISTO
por: Dercio Antonio Paganini
O Concílio de Trento (1545-1563), sob Paulo III (1534-1549), afirma:
· “Se alguém disser que os Sacramentos da Nova Lei não foram instituídos por Jesus Cristo, a saber: Batismo, Confirmação… e que algum destes não é verdadeira e propriamente Sacramento, seja excomungado.”
Sagradas Escrituras:
· Cristo explica a Nicodemos a essência e necessidade do Batismo, em Jo 3,5: “Aquele que não nascer pela água e pelo Espírito não entrará no Reino de Deus”.
· Antes de subir aos céus, ordenou a Seus Apóstolos que batizassem a todas as pessoas, cf. Mt 28,19: “Me foi dado todo poder no céu e na terra; ide então e ensinai todas as pessoas, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
Escreve São Boaventura:
· “O Batismo foi instituído, quanto a sua matéria, quando Cristo se fez batizar, e quanto à sua forma quando o Senhor ressuscitou e nos deu essa forma (cf. Mt. 28,19); quanto a seu efeito: quando Jesus padeceu, pela paixão, o Batismo recebe toda sua virtude, e a seu fim, quando predisse sua necessidade e suas vantagens: ‘Respondeu Jesus: -Em verdade, em verdade vos digo, aquele que não nascer da água e do Espírito não entrará no Reino de Deus’ (cf. Jo 3,5).”
O Batismo pela água pode ser substituído, em caso legítimo, pelo Batismo de Sangue.
A CONFIRMAÇÃO É VERDADEIRO E PRÓPRIO SACRAMENTO
por: Dercio Antonio Paganini
O Concílio de Trento (1545-1563), sob Paulo III (1534-1549), diz:
· “Se alguém disser que a Confirmação dos batizados é cerimônia ociosa, e não um verdadeiro e próprio Sacramento…, seja excomungado.” (Dz. 871).
Diz São Tomás de Aquino:
· “Este Sacramento concede aos batizados a fortaleza do Espírito Santo para que se consolidem interiormente em sua vida sobrenatural e confessem exteriormente com valentia sua fé em Jesus Cristo.
Sagradas Escrituras:
· Jesus promete enviar o Espírito e se cumpre no dia de Pentecostes: “Ficaram todos cheios do Espírito Santo” (At 2,4).
· “Pedro e João são enviados à Samaria, para que recebam ao Espírito Santo, pois ainda não havia vindo sobre nenhum deles” (At 8,14).
· “E impondo-lhes Paulo suas mãos, desceu sobre eles o Espírito Santo” (At 19,6).
Os Apóstolos eram conscientes que efetuavam um rito sacramental, consistente na imposição das mãos e a oração que tinha como efeito a comunicação do Espírito Santo.
A IGREJA RECEBEU DE CRISTO O PODER DE PERDOAR OS PECADOS COMETIDOS APÓS O BATISMO
por: Dercio Antonio Paganini
Define o Concílio de Trento (1545-1563), sob Júlio III (1550-1565):
· “…foi comunicada aos Apóstolos e a seus legítimos sucessores o poder de perdoar e de reter os pecados para reconciliar aos fiéis caídos depois do Batismo.”(Com. 3; Dz. 894.).
Sagradas Escrituras:
· Mt 16,19: “Eu te darei as chaves do reino de os céus.” – O possuidor das chaves do Reino dos céus tem a plena potestade para admitir ou excluir qualquer pessoa deste Reino.
· Jo 20,21: “… a quem perdoares os pecados, lhes serão perdoados, a quem não perdoares, lhes serão retidos…”.
Assim como Jesus tinha perdoado os pecados durante sua vida terrena (cf. Mt 9,2; Mc 2,5; Lc 5,20), assim também agora participa a seus Apóstolos esse poder de perdoar. As palavras de Jesus Cristo se referem ao perdão real dos pecados pelo Sacramento da Penitência (Dz. 913).
O poder de perdoar não foi concedido aos Apóstolos como carisma pessoal, mas sim à Igreja como instituição permanente para passá-lo aos sucessores dos Apóstolos.
A CONFISSÃO SACRAMENTAL DOS PECADOS ESTÁ PRESCRITA POR DIREITO DIVINO E É NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO
por: Dercio Antonio Paganini
Diz o Concílio de Trento (1545-1563), sob Júlio III (1550-1555):
· “Se alguém disser que a Confissão Sacramental não foi instituída ou não é necessária para a salvação, por direito divino, ou disser que o modo de confessar secretamente apenas com o sacerdote, como a Igreja Católica sempre observou desde o princípio e segue observando, é alheio à instituição e mandato de Cristo e é uma intervenção humana, seja excomungado.” (Dz. 916).
Os reformadores, negaram que a Confissão particular dos pecados fosse de instituição Divina e necessária para a salvação.
Sagradas Escrituras:
· Não se expressa diretamente a instituição Divina da Confissão particular mas se deduz: o poder para reter ou perdoar não se pode exercer devidamente se aquele que possui tal poder não conhece a culpa da disposição do penitente. Para ele é necessário que o penitente se acuse.
O Papa Leão Magno, contra os abusos da confissão pública declarou: “basta indicar a culpa da consciência apenas aos sacerdotes mediante confissão secreta.” (Dz. 145).
A EUCARISTIA É VERDADEIRO SACRAMENTO INSTITUÍDO POR CRISTO
por: Dercio Antonio Paganini
O Concílio de Trento (1545-1563), sob Paulo III (1534-1549), expressa:
· “Se alguém disser que os Sacramentos da nova Lei não foram instituídos todos por Jesus Cristo, e que são sete: Batismo, Eucaristia… e que algum destes não é verdadeiro e propriamente Sacramento, seja excomungado.”
Sagradas Escrituras:
· O feito de que Cristo instituiu a Eucaristia se vê em suas palavras: “Fazei isto em memória de Mim…” (Lc 22,19). Nelas se cumprem todas as notas essenciais da definição do Sacramento:
· A matéria: o pão e vinho.
· A forma: as palavras da consagração.
· A graça interna: indicada e produzida pelo signo é a união com Cristo e a vida eterna:
1. “Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele” (Jo 6,56).
2. “Aquele que come Minha Carne e bebe Meu Sangue tem a vida eterna.” (Jo 6,54).
CRISTO ESTÁ PRESENTE NO SACRAMENTO DO ALTAR PELA TRANSUBSTANCIAÇÃO DE TODA A SUBSTÂNCIA DO PÃO EM SEU CORPO E TODA SUBSTÂNCIA DO VINHO EM SEU SANGUE
por: Dercio Antonio Paganini
O Concílio de Trento (1545-1563), sob Júlio III (1550-1555), declara:
· “Se alguém disser que no sacrossanto Sacramento da Eucaristia permanece as substâncias do pão e do vinho, juntamente com o Corpo e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, e negar aquela maravilhosa e singular conversão de toda a substância do pão e do vinho em Corpo e Sangue, permanecendo apenas as espécies de pão e vinho, conversão essa que a Igreja muito corretamente chama ‘Transubstanciação’, seja excomungado.” (Dz. 884-877).
“Transubstanciação” é uma conversão no sentido passivo; é o trânsito de uma coisa a outra. Cessam as substâncias de Pão e Vinho, pois sucedem em seus lugares o Corpo e o Sangue de Cristo. A Transubstanciação é uma conversão milagrosa e singular diferente das conversões naturais, porque não apenas a matéria como também a forma do pão e do vinho são convertidas; apenas os acidentes permanecem sem mudar: continuamos vendo o pão e o vinho, mas substancialmente já não o são, porque neles está realmente o Corpo, o Sangue, Alma e Divindade de Cristo.
Sagradas Escrituras:
· Mc 14,22: “Tomai, este é Meu Corpo…”.
· Lc 22,19: “Tomou o pão, e dando graças o deu a seus discípulos dizendo: Este é Meu Corpo…”.
A UNÇÃO DOS ENFERMOS É VERDADEIRO E PRÓPRIO SACRAMENTO INSTITUÍDO POR CRISTO
por: Dercio Antonio Paganini
O Concílio de Trento (1545-1563), sob Júlio III (1550-1555), declara:
· “Se alguém disser que a Extrema Unção não é verdadeira e propriamente um Sacramento instituído por Cristo, nosso Senhor, e promulgado pelo bem-aventurado São Tiago Apóstolo, mas apenas um rito aceito pelos Padres ou uma invenção humana, seja excomungado.” (Dz. 926).
Pio X condenou a sentença modernista que pretende que o Apóstolo São Tiago tenha, em sua carta, apenas recomendado uma prática piedosa (Dz. 2048).
Sagradas Escrituras.
· Mc 6,13: “Expulsavam muitos demônios e ungiam com azeite a muitos enfermos e os curavam”.
· Tg 5,14: “Existe algum enfermo entre nós? Façamos a unção do mesmo em nome do Senhor…”
Esta última passagem expressa as notas essenciais do Sacramento:
1. Sinal exterior da graça: óleo.
2. Matéria e forma: oração dos presbíteros.
3. Efeito interior da graça expresso no perdão dos pecados.
4. A instituição por Cristo: “no nome do Senhor”, “por encargo e autoridade do Senhor.” cf. Tg 5,10.
A ORDEM É VERDADEIRO E PRÓPRIO SACRAMENTO INSTITUÍDO POR CRISTO
por: Dercio Antonio Paganini
O Concílio de Trento 1545-1563, sob Pio IV (1559-1565), afirma:
· “Se alguém disser que no Novo Testamento não existe um sacerdócio visível e externo, ou que não se dá poder algum de consagrar e oferecer o verdadeiro Corpo e Sangue do Senhor e de perdoar os pecados, mas sim, apenas o dever e mero ministério de pregar o Evangelho…seja excomungado.” (Dz. 961).
Como se vê, existe na Igreja um sacerdócio visível e externo: “Se alguém disser que na Igreja católica não existe uma hierarquia instituída por ordenação Divina, que consta de Bispos, Presbíteros e Ministros, seja excomungado.” (Dz. 966). E é uma hierarquia instituída por ordenação divina.
Sagradas Escrituras:
· At 6,6: “Os quais (7 varões) foram apresentados aos Apóstolos, os quais, orando, lhes impuseram as mãos” – Instituição dos diáconos.
· At 14,22: “Os constituíram presbíteros pela imposição das mãos”.
O MATRIMÔNIO É VERDADEIRO E PRÓPRIO SACRAMENTO INSTITUÍDO POR CRISTO
por: Dercio Antonio Paganini
O Concílio de Trento (1545-1563), sob Pio IV (1559-1565), declara:
· “Se alguém disser que o matrimônio não é verdadeiro e propriamente um dos sete Sacramentos da Lei do Evangelho, e instituído por Cristo Senhor, mas sim inventado pelos homens da Igreja, e que não confere a graça, seja excomungado” (Dz. 971).
Sagradas Escrituras:
· Mt 19,6: “Assim, pois, já não são dois, mas apenas uma só carne”.
· Gn 2,23: “Pelo qual, abandonará o homem a seu pai e a sua mãe, e se juntará a sua mulher, e serão dois em uma só carne”.
· Mc 10,9: “O que Deus uniu o homem não o separe”.
· Ef 5,32: “Este Sacramento é grande mas em Cristo e na Igreja”.
O Matrimônio, como instituição natural, é de origem divina. Deus criou os seres humanos varão e fêmea (cf. Gn. 1,27) e depositou na mesma natureza humana o instinto de procriação. Deus abençoou o primeiro casal e lhes ordenou que se multiplicassem: “crescei e multiplicai, e povoai a terra” (Gn 1,28).
Cristo restaurou o matrimônio instituído e bendito por Deus, fazendo que recobrasse seu primitivo ideal da unidade e indissolubilidade e elevando-o a dignidade de Sacramento.
A MORTE E SUA ORIGEM
por: Dercio Antonio Paganini
A morte, na atual ordem de salvação, é conseqüência primitiva do pecado. O Concílio de Trento (1545-1563), sob Paulo III (1534-1549), ensina:
· “Se alguém não confessa que o primeiro homem, Adão, ao transgredir o mandamento de Deus no paraíso, perdeu imediatamente a Santidade e Justiça em que havia sido constituído e incorreu por ofensa… na morte com que Deus antes havia amenizado… que toda pessoa de Adão foi mudada para pior, seja excomungado.”
Ainda que o homem seja mortal por natureza, já que seu ser é composto de partes distintas, por revelação sabemos que Deus dotou o homem, no paraíso, do Dom pré-natural da imortalidade do corpo. Mas por castigo, ao quebrar a ordem Divina, ficou condenado a morrer.
Sagradas Escrituras:
· Gn 2,17: “Adão havia sido ameaçado: ‘O dia que comeres daquele fruto, morrerás…’”.
· Rm 5,12: “Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte…”
O CÉU (PARAÍSO)
por: Dercio Antonio Paganini
As almas dos justos que no instante da morte se acham livres de toda culpa e pena de pecado entram no céu. Benedito XII (1334-1342), pela Constituição “Benedictus Deus”, de 29 de Janeiro de 1336, proclama:
· “Por esta constituição que há de valer para sempre e por autoridade apostólica definimos… que segundo a ordenação de Deus, as almas completamente purificadas entram no céu e contemplam imediatamente a essência divina, vendo-a face a face, pois a referida Divina essência lhes é manifestada imediata e abertamente, de maneira clara e sem véus, e as almas em virtude dessa visão e esse gozo, são verdadeiramente ditosas e terão vida eterna e eterno descanso” (Dz. 530).
Também o Símbolo apostólico declara: “Creio na vida eterna” (Dz. 6 e 9).
Sagradas Escrituras:
· Jesus representa a felicidade do céu sob a imagem de um banquete de bodas: “…enquanto iam comprá-lo, chegou o noivo, e as que estavam preparadas entraram com o noivo ao banquete de boda, e a porta foi fechada” (Mt. 25,10).
· A condição para alcançar a vida eterna é conhecer a Deus e a Cristo: “Esta é a vida eterna, que te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro e a Teu enviado Jesus Cristo.” (Jo 17,3).
· “Bem-aventurados os limpos de coração porque eles verão a Deus.” (Mt 5,8).
· “Nem o olho viu e nem o ouvido ouviu segundo a inteligência humana, o que Deus preparou para os que Lhe amam.” (1Cor 2,9).
· A vida eterna consiste na visão de Deus: “Seremos semelhantes a Ele porque O veremos tal qual é…” (Jo 5,13).
Os atos que integram a felicidade celestial são de entendimento, e este por um Dom sobrenatural “lumen gloriae” é capacitado para o ato da visão de Deus (Sl 35,10; Ap 22,5) de amor e gozo.
O INFERNO
por: Dercio Antonio Paganini
As almas dos que morrem em estado de pecado mortal vão ao inferno. Benedito XII (1334-1342), na Constituição “Benedictus Deus”, de 29.01.1336, declara:
· “Segundo a comum ordenação de Deus, as almas dos que morrem em pecado mortal, imediatamente depois da morte, baixam ao inferno, onde são atormentadas com suplícios infernais.” (Dz. 531).
O inferno é um lugar de eterno sofrimento onde se acham as almas dos réprobos. Negam a existência do inferno aqueles que não acreditam na imortalidade pessoal (materialismo).
Sagradas Escrituras:
· Jesus ameaça com o castigo do inferno: “Se teu olho direito é causa de pecado, retira-o e afasta-o de ti; muito mais te convém que percas um de teus membros do que tenhas todo o corpo jogado na geena…” (Mt 5,29).
· “E não temais aos que matam o corpo e não podem atingir a alma; temais bem mais àquele que pode levar a alma e o corpo à perdição, destinando-os à geena…” (Mt 10,28).
· “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que percorreis mar e terra para fazer um prosélito, e quando chegais a fazê-lo, o fazeis filho da condenação ao dobro de vós mesmos!” (Mt 23,15).
· Trata-se de fogo eterno: “Então dirá também aos de sua esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos, ao fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos…’” (Mt 25,41).
· E de suplicio eterno: “E irão estes a um castigo eterno, e os justos a uma vida eterna.” (Mt 25,46).
· São Paulo, em 2Ts 1,9, afirma: “Serão castigados à eterna ruína, longe da face do Senhor e da glória de Seu poder…”
São Justino, funda o castigo do inferno na idéia da Justiça Divina, a qual não pode deixar impune aos transgressores da Lei.
O PURGATÓRIO
por: Dercio Antonio Paganini
As almas dos justos que no instante da morte estão agravadas por pecados veniais ou por penas temporais devidas pelo pecado vão ao purgatório. O purgatório é estado de purificação. O II Concílio de Leão (1274), sob Gregório X (1271-1276), afirma:
· “As almas que partiram deste mundo em caridade com Deus, com verdadeiro arrependimento de seus pecados, antes de ter satisfeito com verdadeiros frutos de penitência por seus pecados de atos e omissão, são purificadas depois da morte com as penas do purgatório…” (Dz. 464).
Sagradas Escrituras:
Ensinam indiretamente a existência do purgatório concedendo a possibilidade da purificação na vida futura.
· Os judeus oraram pelos caídos, aos quais se haviam encontrado objetos consagrados aos ídolos, afim de que o Senhor perdoasse seus pecados: “Por isso mandou fazer este sacrifício expiatório em favor dos mortos para que ficassem liberados do pecado…” (2Mc 12,46).
· “Quem falar contra o Espirito Santo não será perdoado nem neste tempo nem no vindouro…”.
Para São Gregório Magno, esta última frase indica que as culpas podem ser perdoadas neste mundo e também no futuro. A existência do Purgatório se prova especulativamente pela Santidade e Justiça de Deus. Esta exige que apenas as almas completamente purificada sejam exibidas no céu; Sua Justiça reclama que sejam pagos os restos de penas pendentes, e por outro lado, proíbe que as almas unidas em caridade com Deus, sejam atiradas ao inferno. Por isso se admite um estado intermediário que purifique e de duração limitada.
O FIM DO MUNDO E A SEGUNDA VINDA DE CRISTO
por: Dercio Antonio Paganini
No fim do mundo, Cristo, rodeado de majestade, virá de novo para julgar os homens. O Símbolo Niceno-Constantinopolitano, aprovado pelo I Concílio de Constantinopla (381), sob São Dâmaso (366-384), declara:
· “…e outra vez deverá vir com glória para julgar aos vivos e aos mortos… “ (Dz. 86).
Sagradas Escrituras:
· Jesus predisse muitas vezes sua segunda vinda: “porque o Filho do homem há de vir na glória de Seu Pai, com seus anjos, e então cada um pagará segundo sua conduta…” (Mt 16,27).
· “Porque quem se envergonhar de Mim e de Minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem dele se envergonhará quando vier na glória de Seu Pai com os Santos Anjos…” (Mc 8,38; Lc. 9,26).
· “O Filho do homem há de vir na glória de Seu Pai com Seus anjos, e então julgará a cada um segundo suas obras…” (Mt 24,30; cf. Dn 7,13).
· “A finalidade da Segunda vinda será ressuscitar os mortos e dar a cada um o que merece…” (2Ts 1,8).
· “Por isso devemos ser encontrados ‘irrepreensíveis’…” (1Cor 1,8; 1Ts 3,13).
Sinais precursores da segunda vinda:
1. Pregação do Evangelho por todo o mundo: “Esta Boa Nova do Reino deverá ser proclamada no mundo inteiro, para dar testemunho a todas as nações. E então, virá o fim…” (Mt 21,14). “E é preciso que antes seja proclamada a Boa Nova a todas as nações…” (Mc 13,10).
2. A conversão dos judeus: “Então não quero que ignoreis, irmãos, este mistério, que não ocorra que vos presumais de sábios, o amadurecimento parcial que sobreveio a Israel, perdurará até entre a totalidade dos gentios, e assim todo Israel será salvo, como diz a Escritura: Virá de Sion o Libertador, afastará de Jacó as impiedades. E esta será Minha Aliança com eles quando tenham apagado seus pecados… “ (Rm 11,25-27; totalidade moral).
3. A apostasia da fé: “Jesus lhes respondeu: Olhai para que ninguém vos engane, porque virão muitos usurpando Meu nome e dizendo ‘Eu sou o Cristo’, e enganarão a muitos…” (Mt 24,4; falsos profetas). “Que ninguém os engane de nenhuma maneira. Primeiro deverá vir a apostasia e manifestar-se o homem ímpio, o filho de perdição, o adversário que se eleva sobre tudo o que leva o nome de Deus, ou é objeto de culto, até o extremo de sentar-se ele mesmo no Santuário de Deus e proclamar que ele mesmo é Deus…” (2Ts 2,3; apostasia da fé Cristã).
4. Antes da apostasia, manifestar-se-á o Anticristo: “Antes da apostasia, se manifestará o homem com iniquidade…” (2Ts 2,3; pessoa determinada a ser o instrumento de Satã).
5. Grandes calamidades: enchentes, calamidades ou catástrofes naturais serão o prelúdio da vinda do Senhor: “Imediatamente depois da tribulação daqueles dias, o sol se escurecerá, a lua não dará seu resplendor, as estrelas cairão do céu e as forças dos céus serão sacudidas…” (Mt 24,29, cf. Is 13,10: “Quando as estrelas do céu e a constelação de Orion já não iluminarem, e o sol estiver obscurecido, e não brilhe a luz da lua…”).
A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS NO ÚLTIMO DIA
por: Dercio Antonio Paganini
É declarado pelo Símbolo “Quicumque” (chamado também “Atanasiano”). De fato, este símbolo alcançou tanta autoridade na Igreja, ocidental como oriental, que entrou no uso litúrgico e deve ser tida por verdadeira a definição de fé:
· “…É pois, a fé certa que cremos e confessamos que … e à Sua vinda, todos os homens deverão ressuscitar com seus corpos…” (Dz. 40).
Também o Símbolo Apostólico confessa: “creio … na ressurreição da carne…”
Sagradas Escrituras:
· Jesus contesta aos saduceus: “na ressurreição nem se casarão nem se darão em casamento, pois serão como anjos…” (Mt 22,29).
· “E sairão, os que tiveram bons trabalhos, para a ressurreição da vida, e os que trabalharam mal, para a ressurreição do juízo…” (Mt 22,29).
· “Aos que crêem em Jesus e comem de Seu corpo e bebem de Seu sangue, Ele lhes promete a ressurreição…” (Jo 6,39).
· “Eu sou a ressurreição e a vida…” (Jo 11,25).
A razão iluminada pela fé prova a conveniência da ressurreição:
1. Pela perfeição da Redenção obrada por Cristo.
2. Pela semelhança que tem com Cristo os membros de seu Corpo místico.
3. O Corpo humano Santificado pela Graça, especialmente pela Eucaristia.
O JUÍZO UNIVERSAL
por: Dercio Antonio Paganini
Cristo, depois de seu retorno, julgará a todos os homens. É o que expressa o Símbolo “Quicumque”:
· É, pois a fé certa que cremos e confessamos que … dali haverá de vir a julgar os vivos e os mortos…”
Sagradas Escrituras:
· Jesus toma a miúdo como motivo de sua pregação o dia do juízo: “por isso vos digo que no dia do Juízo haverá menos rigor para Tiro e Sidon que para vós…” (Mt 11, 22).
· “O Filho do homem há de vir em toda glória de seu Pai, com seus anjos, e então julgará a cada uno segundo sus obras.” (Mt 16,27).
· “Jesus Cristo foi instituído por Deus como juiz dos vivos e dos mortos.” (At 10,42).
OS ANJOS
Os nove coros dos Anjos
1ª ordem: Três coros: Serafins; Querubins; Tronos.
2ª ordem: Dominações ou Soberanias; Virtudes; Potestades.
3ª. Ordem: Principados ou Autoridades; Arcanjos; Anjos
Catequeses do Papa João Paulo II
No ano de 1986 o Papa João Paulo II fez uma série e oito catequeses sobre os anjos. Não havendo pronunciamento mais claro do Magistério da Igreja sobre este assunto. Vamos conhecer estas Catequeses que esclarecem a verdade sobre os seres espirituais criados por Deus, pois, como o próprio Papa disse: ´É preciso reconhecer que a confusão às vezes é grande, com conseqüente risco de fazer passar como fé da Igreja a respeito dos anjos aquilo que não pertence à fé, ou, vice versa, de omitir algum aspecto importante da verdade revelada.´ (Catequese 1)
1. CRIADOR DAS ´COISAS VISÍVEIS E INVISÍVEIS´
Audiência do dia 9 de julho de 1986
(Publicada no L´OSSERVATORE ROMANO, ed. port., no dia 13 de julho de 1986)
1. As nossas catequeses sobre DEUS, criador do mundo, não podem terminar sem dedicar adequada atenção a um precioso conteúdo da Revelação divina: a criação dos seres puramente espirituais, que a Sagrada Escritura chama ´anjos´. Esta criação aparece claramente nos símbolos da fé, de modo particular no símbolo niceno´constantinopolitano: ´Creio em um só DEUS, Pai todo´poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas (isto é, entes ou seres) visíveis e invisíveis´. Sabemos que o homem goza, no interior da criação, de uma posição singular: graças ao seu corpo, pertence ao mundo visível, enquanto pela alma espiritual, que vivifica o corpo, se encontra quase no confim entre a criação visível e a invisível. A esta última, segundo o Credo que a Igreja professa a´ luz da Revelação, pertencem outros seres, puramente espirituais, portanto não próprios do mundo visível, embora estejam presentes e operem neles. Estes constituem um mundo específico.
2. Hoje, como nos tempos passados, discute´se com mais ou menos sabedoria sobre estes seres espirituais. É preciso reconhecer que a confusão às vezes é grande, com conseqüente risco de fazer passar como fé da Igreja a respeito dos anjos aquilo que não pertence à fé, ou, vice versa, de omitir algum aspecto importante da verdade revelada. A existência dos seres espirituais, a que de costume a Sagrada Escritura chama ´anjos´, era já negada, nos tempos de Cristo, pelos saduceus (cf. At 23,8). Negam´na também os materialistas e os racionalistas de todos os tempos. Todavia, como perspicazmente observa um teólogo moderno, ´se nos quiséssemos desembaraçar dos anjos, deveríamos rever radicalmente a Sagrada Escritura mesma, e com ela toda a história da salvação´ (A. Winklhofer, Die Welt der Engel, Ettal, 1961, p. 144, nota 2; em Myster?.um Salutís, II, 2, p. 726). Toda a Tradição é unânime sobre esta questão. O Credo da Igreja e, no fundo, um eco que Paulo escreve aos colossenses: ´N´Ele (Cristo) foram criadas todas as coisas nos Céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, os Tronos e as Dominações, os Principados e as Potestades: tudo foi criado por Ele e para Ele´ (Cl 1,16). Ou seja, o Cristo, que como Filho´Verbo eterno e consubstancial ao Pai é ´primogênito de toda a criatura´ (Cl 1,15), está no centro do universo, como razão e fundamento de toda a criação, como já vimos nas catequeses passadas e como veremos ainda quando falarmos mais diretamente Ele.
3. A referência ao ´primado´ de Cristo ajuda´nos a compreender que a verdade acerca da existência e da obra dos anjos (bons e maus) não constitui o conteúdo central da palavra de DEUS. Na revelação, DEUS fala antes de tudo ´aos homens… e conversa com eles, para os convidar e os receber em comunhão com Ele´, como lemos na Constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II (DV 2). ´Assim a verdade profunda, tanto a respeito de DEUS como da salvação do homem´, é o conteúdo central da revelação que ´resplandece´ mais plenamente na pessoa de Cristo (cf. DV 2). A verdade acerca dos anjos é em certo sentido ´colateral´, mas inseparável da revelação central, que é a existência, a majestade e a glória do Criador que refulgem em toda a criação (´visível´ e ´invisível´) e na ação salvífica de DEUS na história do Homem. Os anjos não são, portanto, criaturas de primeiro plano na realidade da Revelação; contudo, pertence´lhe plenamente, tanto que nalguns momentos os vemos realizar tarefas fundamentais em nome de DEUS mesmo.
4. Tudo o que pertence à criação reentra, segundo a Revelação, no mistério da divina Providência. Afirma´o de modo exemplarmente conciso o Vaticano I que já citamos mais de uma vez: ´Tudo o que DEUS criou, conserva´o e dirige´o com Sua providência, que estende seu vigor de uma extremidade à outra e governa todas as coisas com suavidade´ (cf. Sb 8,1). ´Todas as coisas estão a nu e a descoberto aos seus olhos´ (cf. Hb 4,13) ´mesmo o que se realizou por livre iniciativa das criaturas´ (DS 3003). A Providência abrange, por conseguinte, também o mundo dos puros espíritos, que ainda mais plenamente do que os homens são seres racionais e livres. Na Sagrada Escritura encontramos preciosas indicações que lhes dizem respeito. Há também a revelação de um drama misterioso, embora real, que tocou estas criaturas angélicas, sem que nada escapasse à eterna Sabedoria, a qual com força (fortiter) e ao mesmo tempo com suavidade (suaviter) tudo leva a cumprimento no reino do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
5. Reconheçamos antes de tudo que a Providência, como amorosa Sabedoria de DEUS, se manifestou precisamente no criar seres puramente espirituais, para que melhor se exprimisse a semelhança de DEUS neles que superam de multo tudo o que foi criado no mundo visível, juntamente com o homem, também ele incancelável imagem de Deus. Deus, que é Espírito absolutamente perfeito, reflete´se sobretudo nos seres espirituais que por natureza, isto é, devido a sua espiritualidade, Lhe estão muito mais próximos do que as criaturas materiais, e que constituem quase o ´ambiente´ mais próximo ao Criador. A Sagrada Escritura oferece um testemunho bastante explícito desta máxima proximidade a DEUS, dos anjos, dos quais fala, com linguagem figurada, como o ´trono´ de DEUS, das suas ´legiões´ do seu ´céu´. Ela inspirou a poesia e a arte dos séculos cristãos que nos apresentam os anjos, com a ´corte de Deus´.
2. CRIADOR DOS ANJOS, SERES LIVRES
Audiência do dia 23 de julho de 1986 (Publicado no L´OSSERVATORE ROMANO, ed. port., no dia 27 de julho de 1986.)
1. Continuamos hoje a nossa catequese sobre os anjos, cuja existência, querida mediante um ato de amor eterno de Deus, professamos com as palavras do símbolo niceno´constantinopolitano: ´Creio em um só Deus, Pai Todo´poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis´. Na perfeição da sua natureza espiritual, os anjos são chamados desde o princípio, em virtude da sua inteligência, a conhecer a verdade e a amar o bem que conhecem na verdade de modo muito mais perfeito do que é possível ao homem. Este amor é o ato de uma vontade livre, pelo que também para os anjos a liberdade significa possibilidade de efetuar uma escolha favorável ou contra o Bem que eles conhecem, isto é, Deus mesmo. Preciso repetir aqui o que já recordamos a seu tempo a propósito do homem: criando os seres livres, Deus quis que no mundo se realizasse aquele amor verdadeiro que só é possível quando tem por base a liberdade. Ele quis, portanto, que a criatura, formada à imagem e semelhança do seu Criador, pudesse do modo mais pleno possível tornar´se semelhante a Ele, Deus, que ´é amor´ (Jo 4,16). Criando os espíritos puros como seres livres, Deus, na sua Providência, não podia deixar de prever também a possibilidade do pecado dos anjos. Mas, precisamente porque a Providência é eterna sabedoria que ama, Deus saberia tirar da história deste pecado, incomparavelmente mais radical enquanto pecado de um espírito puro, o definitivo bem de todo o cosmos criado.
2. Com efeito, como diz de modo claro a Revelação, o mundo dos espíritos puros apresenta´se dividido em bons e maus. Pois bem, esta divisão não se realizou por obra de Deus, mas em conseqüência da liberdade própria da natureza espiritual de cada um deles. Realizou´se mediante a escolha que para os seres puramente espirituais possui um caráter incomparavelmente mais radical do que a do homem, e é irreversível dado o grau do caráter intuitivo e de penetração do bem de que é dotada a sua inteligência. A este propósito deve dizer´se também que os espíritos puros foram submetidos a uma prova de caráter moral. Foi uma escolha decisiva a respeito, antes de tudo, de Deus mesmo, um Deus conhecido de modo mais essencial e direto do que é possível ao homem, um Deus que a estes seres espirituais tinha feito o dom, primeiro que ao homem, de participar da sua natureza divina.
3. No caso dos puros espíritos a escolha decisiva dizia respeito antes de tudo a Deus mesmo, primeiro e supremo Bem, aceito ou rejeitado de modo mais essencial e direto do que pode acontecer no raio de ação da vontade livre do homem. Os espíritos puros têm um conhecimento de Deus incomparavelmente mais perfeito do que o do homem, porque com o poder do seu intelecto, nem condicionado nem limitado pela mediação do conhecimento sensível, vêem inteiramente a grandeza do Ser infinito, da primeira Verdade, do sumo Bem. A esta sublime capacidade de conhecimento dos espíritos puros Deus ofereceu mistério da sua divindade, tornando´os assim partícipes, mediante a graça, da sua infinita glória. Precisamente porque são seres de natureza espiritual, havia no seu intelecto a capacidade, o desejo desta elevação sobrenatural a que Deus os tinha chamado, para fazer deles, muito antes do homem, ´participantes da natureza divina´ (cf. 2Pd 1,4), partícipes da vida íntima dAquele que é Pai, Filho e Espírito Santo, dAquele que na comunhão das três Pessoas Divinas ´é Amor´ (I Jo 4,16). Deus tinha admitido todos os espíritos puros, primeiro e mais do que o homem, na eterna comunhão do amor.
4. A escolha feita com base na verdade acerca de Deus, conhecida de forma superior devido à lucidez da inteligência deles, dividiu também o mundo dos puros espíritos em bons e maus. Os bons escolheram Deus como Bem supremo e definitivo, conhecido à luz do intelecto iluminado pela Revelação. Ter escolhido Deus significa que se dirigiram a Ele com toda a força interior da sua liberdade, força que é amor. Deus tornou´se a total e definitiva finalidade da sua existência espiritual. Os outros, pelo contrário, voltaram as costas a Deus em oposição à verdade do conhecimento que indicava nEle o bem total e definitivo. Escolheram em oposição à revelação do mistério de Deus, em oposição à sua graça que os tornava participantes da Trindade e da eterna amizade com Deus na comunhão com Ele mediante o amor. Tendo como base a sua liberdade criada, fizeram uma escolha radical e irreversível, tal como os anjos bons, mas diametralmente oposta: em vez de uma aceitação de Deus cheia de amor, opuseram´Lhe uma rejeição inspirada por um falso sentido de auto´suficiência, de aversão e até de ódio que se transformou em rebelião.
5. Como se hão de compreender esta oposição e esta rebelião a Deus em seres dotados de tão viva inteligência e enriquecidos com tanta luz? Qual pode ser o motivo desta radical e irreversível escolha contra Deus? De um ódio tão profundo que pode parecer unicamente fruto de loucura? Os Padres da Igreja e os teólogos não hesitam em falar de ´cegueira´ produzida pela super valorização da perfeição do próprio ser, levada até o ponto de velar a supremacia de Deus, que, pelo contrário, exigia um ato dócil e obediente submissão. Tudo isto parece estar expresso de modo conciso nas palavras: ´Não Vos servirei´ (Jr 2,20), que manifestam a radical e irreversível recusa a tomar parte na edificação do reino de Deus no mundo criado. ´Satanás´, o espírito rebelde, quer o próprio reino, não o de Deus, e erige´se em ´primeiro´ adversário do Criador, em opositor da Providência, em antagonista da sabedoria amorosa de Deus. Da rebelião e do pecado do homem, devemos concluir acolhendo a sábia experiência da Escritura que afirma: ´Na soberba está contida muita corrupção´ (Tb 4,13).
3. CRIADOR DAS COISAS ´INVISIVEIS´: OS ANJOS
Audiência do dia 30 de julho de 1986 (Publicada no L´OSSERVATORE ROMANO, ed. port., no dia 3 de agosto de 1986.)
1. Na catequese passada detivemo´nos sobre o artigo do Credo com o qual proclamamos e confessamos Deus criador não só de todo o mundo criado, mas também das ´coisas invisíveis´, e tratamos o argumento da existência dos anjos chamados a declarar´se por Deus ou contra Deus com um ato radical e irreversível de adesão ou de rejeição da sua vontade de salvação. Ainda segundo a Sagrada Escritura, os anjos, enquanto criaturas puramente espirituais, apresentam´se à reflexão da nossa mente como uma especial realização da ´imagem de Deus´, Espírito perfeitíssimo, como Jesus mesmo recorda à samaritana com as palavras: ´Deus é espírito´ (Jo 4,24). Os anjos são, sob este ponto de vista, as criaturas mais próximas do modelo divino. O nome que a Sagrada Escritura lhes atribui indica que aquilo que mais conta na Revelação é a verdade acerca das tarefas dos anjos em relação aos homens: anjo (angelus) quer dizer, com efeito, ´mensageiro´. O hebraico ´malak´, usado no Antigo Testamento, significa mais propriamente ´delegado´ ou ´embaixador´. Os anjos, criaturas espirituais, têm função de mediação e de ministério nas relações mantidas entre Deus e os homens. Sob este aspecto, a Carta aos Hebreus dirá que a Cristo foi dado um ´nome´, e por conseguinte um ministério de mediação, muito mais excelso que o dos anjos (cf. Hb 1,4).
2. O Antigo Testamento salienta sobretudo a especial participação dos anjos na celebração da glória que o Criador recebe como tributo de louvor da parte do mundo criado. São de modo especial os Salmos que se fazem intérpretes desta voz, quando, por exemplo, proclamam: ´Louvai o Senhor, do alto dos céus, louvai´O nas alturas do firmamento, louvai´O, Vós todos os Seus anjos (S1148,1´2). E de modo idêntico o Salmo 102 (103): ´Bendizei o Senhor, Vós todos os Seus anjos, que sois poderosos em força, que cumpris as Suas ordens, sempre dóceis à Sua palavra´ (SI 102/103,20). Este último versículo do Salmo 102 indica que os anjos tomam parte, do modo que lhes é próprio, no governo de Deus sobre a criação, como ´poderosos´… que cumprem as suas ordens segundo o plano estabelecido pela Divina Providência. Em particular estão confiados aos anjos um cuidado especial e solicitude pelos homens, em nome dos quais apresentam a Deus os seus pedidos e as suas orações, como nos recorda, por exemplo, o Livro de Tobias (cf. especialmente Tb 3,17 e 12,12), enquanto o Salmo 90 proclama: ´Mandou os Seus anjos… Eles te levarão nas suas mãos, para que não tropeces em pedra alguma´ (cf. Sl 90/91,11´12). Seguindo o Livro de Daniel pode´se afirmar que as tarefas dos anjos, como embaixadores do Deus vivo, abrangem não só os homens individualmente e aqueles que têm especiais tarefas, mas também nações inteiras (Dn 10,13´21).
3. O Novo Testamento põe em realce as tarefas dos anjos em relação à missão de Cristo como Messias, e primeiro que tudo em relação ao mistério da encarnação do Filho de Deus, como verificamos na descrição do anúncio do nascimento de João, o Batista (cf. Lc 1,11), na do próprio Cristo (cf. Lc 1,26), nas explicações e disposições dadas a Maria e a José (cf. Lc 1,30´37; Mt 1,20´21), nas indicações dadas aos pastores na noite do nascimento do Senhor (cf. Lc 2,9´15), na proteção ao recém´nascido perante o perigo da perseguição de Herodes (cf. Mt 2,13). Mais adiante os Evangelhos falam da presença dos anjos durante os 40 dias de jejum de Jesus no deserto (cf. Mt 4,11) e durante a oração no Getsêmani (I´c 22,43). Depois da ressurreição de Cristo será ainda um anjo, sob a aparência de um jovem, que dirá às mulheres que tinham ido ao sepulcro e ficaram surpreendidas por o encontrar vazio: ´Não vos assusteis. Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado. Ressuscitou, não está aqui… Ide, pois, dizer aos Seus discípulos…´ (Mc 16,5´7). Dois anjos foram vistos também por Maria Madalena, que é privilegiada com uma aparição pessoal de Jesus (Jo 20,12´17; cf. também Lc 24,4). Os anjos ´apresentam´se´ aos apóstolos depois de Cristo desaparecer, para lhes dizer: ´Homens da Galiléia, por que estais assim a olhar para o céu? Esse Jesus, que vos foi arrebatado para o Céu, virá da mesma maneira, como agora O vistes partir para o Céu´ (At 1,10´11). São os anjos da vida, da paixão e da glória de Cristo. Os anjos dAquele que, como escreve São Pedro, ´subiu ao Céu, e está sentado à direita de Deus, depois de ter recebido a submissão dos anjos, dos principados e das potestades´ (l Pd 3,22).
4. Se passamos à nova vinda de Cristo, isto é, à ´Parusia´, encontramos que todos os sinóticos narram que ´o Filho do Homem… virá na glória de Seu Pai, com os santos anjos´ (tanto Mc 8,38; como Mt 16,27; e Mt 25,31 na descrição do juízo final; e Lc 9,26; cf. também São Paulo, 2Ts 1,7). Pode´se portanto dizer que os anjos, como puros espíritos, não só participam, do modo que lhes é próprio, da santidade de Deus mesmo, mas nos momentos chaves rodeiam Cristo e acompanham´nO no cumprimento da Sua missão salvífica em relação aos homens. Igualmente ao longo dos séculos, também toda a Tradição e o magistério ordinário da Igreja atribuíram aos anjos este particular caráter e esta função de ministério messiânico.
4. A PARTICIPAÇÃO DOS ANJOS NA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO
Audiência do dia 6 de agosto de 1986 (Publicada no L´OSSERVATORE ROMANO, ed. port., no dia 10 de agosto de 1986.)
1. Nas recentes catequeses vimos como a Igreja, iluminada pela luz proveniente da Sagrada Escritura, professou ao longo dos séculos a verdade sobre a existência dos anjos como seres puramente espirituais, criados por Deus. Fê´lo desde o principio com o símbolo niceno´constantinopolitano e confirmou´o no Concílio Lateranense IV (1215), cuja formulação é retomada pelo Concílio Vaticano I no contexto da doutrina sobre a criação: Deus ´criou contemporaneamente do nada, desde o início dos tempos, uma criatura e a outra, a espiritual e a corpórea, isto é, a angélica e a terrena, e portanto criou a natureza como comum a ambas, sendo constituída de espírito e de corpo´ (Const. De fide cath. DS 3002). Ou seja: Deus criou desde o princípio ambas as realidades: a espiritual e a corporal, o mundo terreno e o mundo angélico. Tudo isto criou Ele ao mesmo tempo (simul) em ordem à criação do homem, constituído de espírito e de matéria e posto, segundo a narração bíblica, no quadro de um mundo ja estabelecido segundo as Suas leis e já medido pelo tempo (deinde).
2. A fé da Igreja reconhece a existência e ao mesmo tempo os traços distintivos da natureza dos anjos. O seu ser puramente espiritual implica antes de tudo a sua não´materialidade e a sua imortalidade. Os anjos não têm ´corpo´ (embora em determinadas circunstâncias se manifestem sob formas visíveis em virtude da sua missão a favor dos homens, e por conseguinte estão sujeitos à lei da corruptibilidade que é comum a todo o mundo material). O próprio Jesus, ao referir´se à condição angélica, dirá que na vida futura os ressuscitados ´já não podem morrer; são semelhantes aos anjos´ (Lc 20,36).
3. Enquanto criaturas de natureza espiritual, os anjos são dotados de intelecto e de vontade livre, como o homem, mas em grau superior ao dele, embora sempre finito, pelo limite que é inerente a todas as criaturas. Os anjos são pois seres pessoais e, como tais, também eles criados à ´imagem e semelhança´ de Deus. A Sagrada Escritura refere´se aos anjos usando também apelativos não só pessoais (como os nomes próprios de Rafael, Gabriel, Miguel), mas também ´coletivos´ (como as classificações de: Serafins, Querubins, Tronos, Potestades, Dominações, Principados), assim como faz uma distinção entre Anjos e Arcanjos. Embora tendo em conta a linguagem analógica e representativa do texto sagrado, podemos deduzir que estes seres´pessoas, quase agrupados em sociedade, se subdividem em ordens e graus, correspondentes à medida da sua perfeição e às tarefas que lhes estão confiadas. Os autores antigos e a própria liturgia falam também dos coros angélicos (nove, segundo Dionisio, o Areopagita). A teologia, especialmente a patrística e medieval, não rejeitou estas representações, procurando, pelo contrario, dar uma explicação doutrinal e mística das mesmas, mas sem lhes atribuir um valor absoluto. São Tomas preferiu aprofundar as pesquisas sobre a condição ontológica, sobre a atividade cognoscitiva e volitiva e sobre a elevação espiritual destas criaturas puramente espirituais, pela sua dignidade na escala dos seres, porque nelas poderia aprofundar melhor as capacidades e as atividades próprias ao espírito no estado puro, haurindo não pouca luz para iluminar os problemas de fundo que desde sempre agitam e estimulam o pensamento humano: o conhecimento, o amor, a liberdade, a docilidade de Deus, a obtenção do Seu reino.
4. O tema a que nos referimos poderá parecer ´distante´ ou ´menos vital´ à mentalidade do homem moderno. Todavia a Igreja, propondo com franqueza a totalidade da verdade acerca de Deus Criador também dos anjos, crê que presta um grande serviço ao homem. O homem nutre a convicção de que em Cristo, Homem´Deus, é ele (e não os anjos) a encontrar´se no centro da Divina Revelação. Pois bem, o encontro religioso com o mundo dos seres puramente espirituais torna´se revelação preciosa do seu ser não só corpo mas também espírito, e da sua pertença a um projeto de salvação verdadeiramente grande e eficaz, dentro de uma comunidade de seres pessoais que para o homem e com o homem servem o desígnio providencial de Deus.
5. Notemos que a Sagrada Escritura e a Tradição chamam propriamente anjos àqueles espíritos puros que na prova fundamental de liberdade escolheram Deus, a Sua glória e o Seu reino. Eles estão unidos a Deus mediante o amor consumado que nasce da beatificante visão, face a face, da Santíssima Trindade. Di´lo Jesus mesmo: ´Os anjos nos céus vêem constantemente a face de Meu Pai que está nos céus´ (Mt 18,10). Aquele ´ver constantemente a face do Pai´ é a manifestação mais excelsa da adoração de Deus. Pode´se dizer que ela constitui aquela ´liturgia celeste´, realizada em nome de todo o universo, à qual se associa incessantemente a liturgia terrena da Igreja, de modo especial nos seus momentos culminantes. Basta recordar aqui o ato com o qual a Igreja, todos os dias e a todas as horas, no mundo inteiro, antes de dar inicio à Oração Eucarística no ponto central da Santa Missa, se refere aos ´Anjos e aos Arcanjos´ para cantar a glória de Deus três vezes Santo, unindo´se assim àqueles primeiros adoradores de Deus, no culto e no amoroso conhecimento do inefavel mistério da Sua santidade.
6. Ainda segundo a Revelação, os anjos, que participam da vida da Trindade na luz da glória, são também chamados a ter a sua parte na história da salvação dos homens, nos momentos estabelecidos pelo desígnio da Divina Providência. ´Não são eles todos espíritos ao serviço de Deus, enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão de herdar a salvação?´, pergunta o autor da Carta aos Hebreus (1,14). E nisto crê e isto ensina a Igreja, com base na Sagrada Escritura da qual sabemos que é tarefa dos anjos bons a proteção dos homens e a solicitude pela sua salvação. Encontramos certas expressões em diversas passagens da Sagrada Escritura como por exemplo no Salmo 90/91, já citado mais de uma vez: ´Mandou aos Seus anjos que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te levarão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra´ (Sl 90/91,11´12). O próprio Jesus, falando das crianças e recomendando que não se lhes desse escândalo faz referência aos ´seus anjos´ (Mt 18,10). Ele atribui também aos anjos a função de testemunhas no supremo juízo divino sobre a sorte de quem reconheceu ou negou Cristo: ´Todo aquele que se declarar por Mim diante dos homens, também o Filho do Homem se declarara por ele diante dos anjos de Deus. Aquele, porém, que Me tiver negado diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus´ (Lc 12,8´9; cf. Ap 3,5). Estas palavras são significativas porque, se os anjos tomam parte no juízo de Deus, estão interessados pela vida do homem. Interesse e participação que parecem receber uma acentuação no discurso escatológico, em que Jesus faz intervir os anjos na Parusia, ou seja, na vinda definitiva de Cristo no fim da história (cf. Mt 24,31; 25,31´41).
7. Entre os livros do Novo Testamento, são especialmente os Atos dos Apóstolos que nos dão a conhecer alguns fatos que atestam a solicitude dos anjos pelo homem e pela sua salvação. Assim é quando o Anjo de Deus liberta os Apóstolos da prisão (cf. At 5,18´20) e antes de tudo Pedro, que estava ameaçado de morte por parte de Herodes (cf. At 12, 15´10). Ou quando guia a atividade de Pedro a respeito do centurião Cornélio, o primeiro pagão convertido (At 10,3´8. 12´13), e de modo análogo a atividade do diácono Filipe no caminho de Jerusalém para Gaza (At 8,26´29). Destes poucos fatos citados a título de exemplo, compreende´se como na consciência da Igreja se tenha podido formar a persuasão acerca do ministério confiado aos anjos a favor dos homens. Portanto, a Igreja, confessa a sua fé nos anjos da guarda, venerando´os na liturgia com uma festa própria e recomendando o recurso à sua proteção com uma oração freqüente, como na invocação do ´Anjo de Deus´. Esta oração parece fazer tesouro das lindas palavras de São Basilio: ´Cada fiel tem ao seu lado um anjo como tutor e pastor, para o levar à vida´ (cf. 5. Basilius, Adv. Funonium, III, 1; veja´se também Sto. Tomas, Summa Theol. 1, q. II, a.3).
8. É por fim oportuno notar que a Igreja honra com culto litúrgico três figuras de anjos, que na Sagrada Escritura são chamados por nome. O primeiro é Miguel Arcanjo (cl. Dn 10,13´20; Ap 12,7; Jd 9). O seu nome exprime sinteticamente a atitude essencial dos espíritos bons. ´Mica´El´ significa, de fato: ´Quem como Deus?´. Neste nome encontra´se, pois, expressa a escolha salvífica graças à qual os anjos vêem a face do Pai´ que está nos céus. O segundo é Gabriel: figura ligada sobretudo ao mistério da encarnação do Filho de Deus (cf. Lc 1,19´26). O seu nome significa: ´O meu poder é Deus´ ou ´poder de Deus´, quase como que a dizer que, no auge da criação, a encarnação é o sinal supremo do Pai onipotente. Finalmente o terceiro arcanjo chama´se Rafael. ´Rafa´El´ significa: ´Deus cura´. Ele nos é dado a conhecer pela história de Tobias no Antigo Testamento (cf. Tb 12,15´20), etc., tão significativa quanto ao fato de serem confiados aos anjos os pequeninos filhos de Deus, sempre necessitados de guarda, de cuidados e de proteção. Se pensarmos bem, vê´se que cada uma destas três figuras: Mica´El, Gabri´EI e Rafa´El reflete de modo particular a verdade contida na pergunta formulada pelo autor da Carta aos Hebreus: ´Não são eles todos espíritos ao serviço de Deus enviados a fim de exercerem um ministério a favor daqueles que hão de herdar a salvação?´ (Hb 1,14).
5. A QUEDA DOS ANJOS REBELDES
Audiência do dia 13 de agosto de 1986
(Publicada no L´OSSERVATORE ROMANO, ed. port., no dia 17 de agosto de 1986.)
1. Continuando o argumento das catequeses passadas dedicadas aos Anjos, criaturas de DEUS, concentramo´nos hoje a explorar o mistério da liberdade que alguns deles orientaram contra DEUS, e o seu plano de salvação em relação aos homens. Como testemunha o evangelista Lucas, no momento em que os discípulos voltavam ao Mestre cheios de alegria, pelos frutos recolhidos no seu tirocínio missionário, Jesus pronuncia uma palavra que faz pensar: ´Eu via satanás cair do céu como um raio´ (cf. Lc 10,18). Com estas palavras o Senhor afirma que o anúncio do reino de DEUS é sempre uma vitória sobre o diabo, mas ao mesmo tempo revela também que a edificação do reino está continuamente exposta às insídias do espírito mau. Interessar´se por isso, como pretendemos fazer com a catequese de hoje, quer dizer preparar´se para a condição de luta que é própria da vida da Igreja neste tempo derradeiro da história, da salvação (como afirma o livro do Apocalipse, cf. 12,7). Por outro lado, isto permite esclarecer a reta fé da Igreja perante quem a altera exagerando a importância do diabo, ou quem nega ou minimiza o seu poder maléfico. As catequeses passadas, acerca dos anjos, preparam´nos para compreender a verdade que a Sagrada Escritura revelou e que a tradição da Igreja transmitiu sobre satanás, isto é, sobre o anjo caído, o espírito maligno, chamado também diabo ou demônio.
2. Esta queda, que apresenta o caráter da rejeição de Deus, com o conseqüente estado de danação, consiste na livre escolha daqueles espíritos criados, que radical e irrevogavelmente rejeitaram Deus e o seu reino, usurpando os seus direitos soberanos e tentando subverter a economia da salvação e a própria ordem da criação inteira. Um reflexo desta atitude encontra´se nas palavras do tentador aos progenitores: ´sereis como Deus´ ou ´como deuses´ (cf. Gn 3,5). Assim o espírito maligno tenta insuflar no homem a atitude de rivalidade, de insubordinação e de oposição a Deus, que se tornou quase a motivação de toda a sua existência.
3. No Antigo Testamento, a narração da queda do homem, apresentada no livro do Gênesis, contém uma referência à atitude de antagonismo que satanás quer comunicar ao homem para o levar à transgressão (Gn 3,5). Também no livro de Jó (of. Jó 1,11; 2,24), satanás é apresentado como o artífice da morte que entrou na história do homem juntamente com o pecado.
4. A Igreja, no Concílio Lateranense IV (1215), ensina que o diabo, ou (satanás) e os outros demônios ´foram criados bons por DEUS mas tornaram´se maus por sua própria vontade´. De fato, lemos na carta de São Judas: ´Os anjos que não souberam conservar a sua dignidade, mas abandonaram a própria morada, Ele os guardou para o julgamento do grande dia, em prisões eternas e no fundo das trevas´ (Jd 6). De modo idêntico na Segunda Carta de São Pedro fala´se de ´anjos que pecaram e que Deus ´não poupou… e os precipitou nos abismos tenebrosos do inferno, para serem reservados para o Juízo´ (2Pd 2,4). É claro que se Deus ´não perdoa´ o pecado dos anjos fá´lo porque eles permanecem no seu pecado, porque estão eternamente ´nas prisões´ daquela escolha que fizeram no início, rejeitando Deus, sendo contra a verdade do Bem supremo e definitivo que é Deus mesmo. Neste sentido São João escreve que ´o demônio peca desde o principio´ (I Jo 3,8). E foi assassino ´desde o principio´ (I Jo 8,44), e ´não se manteve na verdade, porque nele não há verdade´ (Jo 8,44).
5. Estes textos ajudam´nos a compreender a natureza e a dimensão do pecado de satanás, consciente na rejeição da verdade acerca de Deus, conhecido à luz da inteligência e da revelação como Bem infinito, Amor e Santidade subsistente. O pecado foi tanto maior quanto maior era a perfeição espiritual e a perspicácia cognoscitiva do intelecto angélico, quanto maior era a sua liberdade e a proximidade de Deus. Rejeitando a verdade conhecida acerca de Deus com um ato da própria vontade livre, satanás torna´se ´mentiroso´, cósmico e ´pai da mentira´ (Jo 8,44). Por isso ele vive na radical e irreversível negação de Deus e procura impor a criação aos outros seres criados à imagem de Deus, que satanás (sob forma de serpente) tenta transmitir aos primeiros representantes do gênero humano: Deus seria cioso das suas prerrogativas e imporia, portanto, limitações ao homem (cf. Gn 3,5). Satanás convida o homem a libertar´se da imposição deste jugo, tornando´se como ´Deus´.
6. Nesta condição de mentira existencial, satanás torna´se ´ segundo São João ´ também ´assassino´, isto é, destruidor da vida sobrenatural que Deus desde o princípio tinha introduzido nele e nas criaturas, feitas ´à imagem de Deus´: os outros puros espíritos e os homens; satanás quer destruir a vida segundo a verdade, a vida na plenitude do bem, a sobrenatural vida de graça e de amor. O autor do Livro da Sabedoria escreve: ´Por inveja do demônio é que a morte entrou no mundo, e prová´la´ão os que pertencem ao demônio´ (Sb 2,24). E no evangelho Jesus Cristo adverte: ´Temei antes aquele que pode fazer perecer na Geena o corpo e a alma´ (Mt 10,28).
7. Como efeito do pecado dos progenitores, este anjo caído conquistou em certa medida o domínio sobre o homem. Esta é a doutrina constantemente confessada e anunciada pela Igreja, e que o Concílio de Trento confirmou no tratado sobre o pecado original (cf. DS 1511): ela encontra dramática expressão na liturgia do batismo, quando ao catecúmeno se pede para renunciar ao demônio e a suas tentações. Deste influxo sobre o homem e sobre as disposições do seu espírito (e do corpo), encontramos várias indicações na Sagrada Escritura, na qual satanás é chamado ´o príncipe deste mundo´ (2Cor 4,4). Encontramos muitos outros nomes que descrevem as suas nefastas relações como o homem: ´Belzebu´ou ´Belial´, ´espírito malígno´, e por fim ´anticristo´ (1 Jo 4, 3). É comparado com um ´leão´ (1 Pe 5, 9), com um ´dragão´ (Apocalípse) e com uma serpente (Gen 3). Com muita freqüência, para o designar, é usado o nome ´diabo´, do grego ´diabellein´ (daqui diábolos), que significa: causar a destruição, dividir, caluniar, enganar. E, para dizer a verdade, tudo isto acontece desde o princípio, por obra do espírito malígno, que é apresentado pela Sagrada Escritura, como uma pessoa, embora tenha afirmado que não está só: ´somos muitos´, respondem os diabos a Jesus, na região dos Geracenos (Mc 5, 9); ´o diabo e seus anjos´, diz Jesus, na descrição do juízo final (cf. Mt 25, 41).
8. Segundo a Sagrada Escritura, e de modo especial, no Novo Testamento, o domínio e o influxo de satanás e dos outros espíritos malignos abrange todo o mundo. Pensemos na parábola de Cristo sobre o campo (que é o mundo), sobre a boa semente e sobre a que não é boa, que o diabo semeia no meio do trigo procurando arrancar dos corações aquele bem que neles foi ´semeado´ (cf. Mc 13, 38´39). Pensemos nas numerosas exortações à vigilância (cf. Mt 26, 41; 1 Pe 5, 8), à oração e ao jejum (cf. Mt 17, 21). Pensemos naquela forte afirmação do Senhor: ´Esta casta de demônios só pode ser expulsa com oração´ (Mc 9, 29). A ação de Satanás consiste, antes de tudo, em tentar os homens ao mal influindo na sua imaginação e nas suas faculdades superiores para as orientar em direção contrária à lei de Deus. Satanás põe à prova até Jesus (cf. Lc 4, 3´13), na tentativa extrema de contrariar as exigências da economia da salvação como Deus a estabeleceu. Não é para excluir que em certos casos o espírito maligno chegue até o ponto de exercer o seu influxo não só nas coisas materiais, mas também sobre o corpo do homem, pelo que se fala de ´possessos de espíritos impuros´ (Mc 5, 2´9). Nem sempre é fácil discernir o que de preternatural acontece nesses casos, nem a Igreja condescende ou secunda facilmente a atribuir muitos fatos a intervenções diretas do demônio, mas em linha de princípio não se pode negar que, na sua vontade de prejudicar e de levar para o mal, satanás possa chegar a esta extrema manifestação da sua superioridade.
9. Devemos por fim acrescentar que as impressionantes palavras do Apóstolo João: ´O mundo inteiro está sob o jugo do maligno´ (I Jo 5,19), aludem também à presença de satanás na história da humanidade, uma presença que se acentua à medida que o homem e a sociedade se afastam de Deus. O influxo do espírito maligno pode ocultar´se de modo mais profundo e eficaz: fazer´se ignorar corresponde aos seus ´´interesses´´. A habilidade de satanás no mundo está em induzir os homens a negarem a sua existência, em nome do racionalismo e de cada um dos outros sistemas de pensamento que procuram todas as escapatórias para não admitir a obra dele. Isto não significa, porém, a eliminação da vontade livre e da responsabilidade do homem e nem se quer a frustração da ação salvífica de Cristo. Trata´se antes de um conflito entre as forças obscuras, do mal e as forças da redenção. São eloqüentes a este propósito as palavras que Jesus dirigiu a Pedro no início da Paixão: ´Simão, olha que satanás vos reclamou para vos joeirar como o trigo. Mas Eu roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça´ (Lc 22,31). Por isso compreendemos o motivo por que Jesus, na oração que nos ensinou, o ´Pai´nosso´, que é a oração do reino de Deus, termina bruscamente, ao contrário de multas outras orações do seu tempo, recordando´nos a nossa condição de expostos às insídias do Mal´Maligno. O cristão, fazendo apelo ao Pai com o espírito de Jesus e invocando o seu Reino, brada com a força da fé: não nos deixeis cair em tentação, mas livrai´nos do mal, do Maligno. Não nos deixeis, ó Senhor, cair, na infidelidade a que nos tenta aquele que foi infiel desde o princípio.
6. A VITÓRIA DE CRISTO SOBRE O ESPÍRITO DO MAL
Audiência do dia 20 de agosto de 1986 (Publicada no L´OSSERVATORE ROMANO, ed. port., no dia 24 de agosto de 1986.)
1. As nossas catequeses sobre Deus, Criador das coisas ´invisíveis´, levaram´nos a iluminar e a retemperar a nossa fé no que se refere à verdade acerca do maligno ou satanás, não certamente querido por Deus, sumo Amor e Santidade, cuja Providência sapiente e forte sabe conduzir a nossa existência à vitória sobre o príncipe das trevas. A fé da Igreja, de fato, ensina´nos que o poder de satanás não é infinito. Ele é só uma criatura poderosa enquanto espírito puro, sendo sempre uma criatura, com os limites da criatura, subordinada ao querer e ao domínio de Deus. Se satanás opera no mundo mediante o seu ódio contra Deus e o seu Reino, isto é permitido pela Divina Providência que, com poder e bondade (fortiter et suaviter), dirige a história do homem e do mundo. Se a ação de satanás sem dúvida causa muitos danos de natureza espiritual e indiretamente também de natureza física ´ aos indivíduos e à sociedade, ele não está, contudo, em condições de anular a definitiva finalidade para que tendem o homem e toda a criação, o Bem. Ele não pode impedir a edificação do Reino de Deus, no qual se terá, no fim, a plena realização da justiça e do amor do Pai para com as criaturas eternamente ´predestinadas´ no Filho´Verbo, Jesus Cristo. Podemos mesmo dizer com São Paulo que a obra do maligno concorre para o bem (cf. Rm 8,28) e que serve para edificar a glória dos ´eleitos´ (cf. 2Tm 2,10).
2. Assim toda a história da humanidade se pode considerar em função da salvação total, na qual está inscrita a vitória de Cristo sobre o ´príncipe deste mundo´ (Jo 12,13; 14,30; 16,11). ´Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele prestaras culto´ (Lc 4,8), diz peremptoriamente Cristo a satanás. Num momento dramático do seu ministério a quem o acusava de modo imprudente de expulsar os demônios por serem aliados de Belzebu, chefe dos demônios, Jesus responde com aquelas palavras severas e confortantes ao mesmo tempo: ´Todo o reino dividido contra si mesmo ficara devastado; e toda a cidade ou casa dividida contra si mesma não poderá subsistir. Ora, se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo. Como há de subsistir o seu reino?… Mas se é pelo Espírito de Deus que Eu expulso os demônios, quer dizer, então, que chegou até vós o reino de Deus´ (Mt 12, 25.26.28). ´Quando um homem forte e bem armado guarda o seu palácio, os seus bens estão em segurança; mas se aparece um mais forte e o vence, tira´lhe as armas em que confiava e distribui os seus despojos´ (Lc 11,21´22). As palavras pronunciadas por Cristo a propósito do tentador encontram o seu cumprimento histórico na cruz e na ressurreição do Redentor. Como lemos na Carta aos Hebreus, Cristo tornou´se participante da humanidade até a cruz ´a fim de destruir, pela Sua morte, aquele que tinha o império da morte, isto é, o Demônio, e libertar aqueles que… estavam toda a vida sujeitos à escravidão´ (Hb 2,14´15). Esta é a grande certeza da fé cristã: ´O príncipe deste mundo está condenado´ (Jo 16,11); ´Para Isto é que o Filho de Deus se manifestou: Para destruir as obras do Demônio´ (I Jo 3,8), como nos afirma São João. Por conseguinte, o Cristo crucificado e ressuscitado revelou´se como o ´mais forte´ que venceu ´o homem forte´, o diabo, e o destronou. Na vitória de Cristo sobre o diabo participa a Igreja: Cristo, com efeito, deu aos seus discípulos o poder de expulsar os demônios (cf. Mt 10,1; Mc 16,17). A Igreja exerce este poder vitorioso mediante a fé em Cristo e a oração (cf. Mc 9,29; Mt 19s.), que em casos específicos pode assumir a forma do exorcismo.
3. Nesta fase histórica da vitória de Cristo inscreve´se o anúncio e o início da vitória final, a Parusia, a segunda e definitiva vinda de Cristo no termo da história, em direção do qual está projetada a vida do cristão. Embora seja verdade que a história terrena continua a desenrolar´se sob o influxo daquele ´espírito que ´ como diz São Paulo ´ atua nos rebeldes´ (Ef 2,2), os crentes sabem que são chamados a lutar pelo definitivo triunfo do Bem: ´Porque nós não temos de lutar contra a carne e o sangue, mas contra os Principados e Potestades, contra os Dominadores deste mundo tenebroso, contra os Espíritos malignos espalhados pelos ares´ (Ef 6,12). A luta, à medida que se aproxima do seu termo, torna´se, em certo sentido, cada vez mais violenta, como põe em relevo de modo especial o Apocalipse, o último livro do Novo Testamento (cf. Ap. 12,7´9). Mas precisamente este livro acentua a certeza que nos é dada por toda a Revelação divina: isto é, que a luta se concluíra com a definitiva vitória do bem. Naquela vitória, pré´contida no mistério pascal de Cristo, cumprir´se´á definitivamente o primeiro anúncio do Livro do Gênesis, que é chamado, com termo significativo, proto´evangelho, quando Deus adverte a serpente: ´Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher´ (Gn 3,15). Naquela fase definitiva, Deus, completando o mistério da sua paterna Providência, ´livrara do poder das trevas´ aqueles que eternamente ´predestinou em Cristo´ e ´transferi´los´á para o Reino de Seu Filho muito amado´ (cf. Cl 1,13´14). Então o Filho sujeitara ao Pai também o universo inteiro, a fim de que ´Deus seja tudo em todos´ (I Cor 15,28).
4. Aqui concluem´se as catequeses sobre Deus Criador das ´coisas visíveis e invisíveis´, unidas na nossa exposição com a verdade acerca da Divina Providência. Torna´se evidente aos olhos do crente que o mistério do principio do mundo e da história se liga indissoluvelmente ao mistério do termo, no qual a finalidade de toda a criação chega ao seu cumprimento. O Credo, que une tão organicamente tantas verdades, é deveras a catedral harmoniosa da fé. De maneira progressiva e orgânica podemos admirar estupefatos o grande mistério do intelecto e do amor de Deus, na sua ação criadora, para com o cosmos, para com o homem, para com o mundo dos espíritos puros. Desta ação consideramos a matriz trinitária, a sapiente finalização para a vida do homem, verdadeira ´imagem de Deus´, por sua vez chamado a reencontrar plenamente a sua dignidade na contemplação da glória de Deus. Fomos iluminados acerca de um dos maiores problemas que inquietam o homem e penetram a sua busca de verdade: o problema do sofrimento e do mal. Na raiz não está uma decisão de Deus errada ou má, mas a sua escolha e, de certo modo, o seu risco, de nos criar livres para nos ter como amigos. Da liberdade nasceu também o mal. Mas Deus não se rende, e com a sua sabedoria transcendente, predestinando´nos para sermos filhos em Cristo, tudo dirige com fortaleza e suavidade, para que o bem não seja vencido pelo mal. Devemos agora deixar´nos guiar pela Divina Revelação na exploração de outros mistérios da nossa salvação. Entretanto recebemos uma verdade que deve estar a peito a todo o cristão: a de que existem espíritos puros, criaturas de Deus, inicialmente todas boas, e depois, por uma escolha de pecado, separadas irredutivelmente em anjos de luz e anjos de trevas. E enquanto a existência dos anjos maus requer de nós o sentido da vigilância para não cair nas suas tentações, estamos certos de que o vitorioso poder de Cristo Redentor circunda a nossa vida, a fim de que nós próprios sejamos vencedores. Nisto somos validamente ajudados pelos anjos bons, mensageiros do amor de Deus, aos quais nós, ensinados pela tradição da Igreja, dirigimos a nossa oração: ´Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, pois a ti me confiou a piedade divina, hoje, sempre, governa´me, rege´me, guarda´me, e ilumina´me. Amém´
7. SÃO MIGUEL NOS PROTEJA CONTRA AS INSIDIAS DO MALIGNO Alocução do dia 24 de maio de 1987 no Santuário de São Miguel Arcanjo (Publicada no L´OSSERVATORE ROMANO, ed. port., no dia 31 de maio de 1987.)
Caríssimos irmãos e irmãs:
1. Estou feliz de me encontrar no meio de vós à sombra deste santuário de São Miguel Arcanjo, que há quinze séculos é meta de peregrinações e ponto de referência para quantos procuram a Deus e desejam pôr´se no seguimento de Cristo, por meio de Quem ´foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, os Tronos, as Dominações, os Principados e as Potestades´ (Cl 1,16). Saúdo cordialmente todos vós, peregrinos, aqui vindos das cidades que circundam este magnífico promontório do Gargano, que oferece ao olhar do visitante enlevos deliciosos com a sua paisagem suave, florida, e com característicos grupos de oliveiras que se debruçam sobre a rocha. Saúdo em particular as Autoridades civis e religiosas, que contribuíram para tornar possível este encontro pastoral; saúdo o Arcebispo de Manfredônia, Mons. Valentino Vailati, a quem se dirige o meu agradecimento, pelas palavras com que se dignou introduzir esta manifestação de fé. Saúdo também e sobretudo os Padres Beneditinos da Abadia de Montevergine, que têm o cuidado espiritual deste Santuário. A eles, e de modo especial ao seu Abade, Dom Tommaso Agostino Gubitosa, exprimo a minha gratidão pela animação cristã e pelo clima espiritual que por eles são assegurados a quantos aqui vêm para retemperar o seu espírito nas fontes da fé.
2. A este lugar, como já fizeram no passado tantos Predecessores meus na Cátedra de São Pedro, vim também eu gozar um instante da atmosfera própria deste Santuário, feita de silêncio, de oração e de penitência; vim para venerar e invocar o Arcanjo São Miguel, para que proteja e defenda a Santa Igreja, num autêntico testemunho cristão, sem compromissos e sem acomodamentos. Desde quando o Papa Gelásio I concedeu, em 493, o seu assentimento à dedicação da gruta das aparições do Arcanjo são Miguel a lugar de culto e aqui realizou a sua primeira visita, concedendo a indulgência do ´Perdão angélico´, uma série de Romanos Pontífices seguiu os seus passos para venerar este lugar sagrado. Entre eles recordam´se Agapito I, Leão IX, Urbano II, Inocêncio II, Celestino III, Urbano VI, Gregório IX, São Pedro Celestino e Bento XV. Também numerosos Santos aqui vieram para haurir força e conforto. Recordo São Bernardo, São Guilherme de Vercelli, fundador da Abadia de Montevergine, São Tomás de Aquino, Santa Catarina de Sena; entre estas visitas, permaneceu justamente célebre e ainda hoje continua viva a que foi realizada por São Francisco de Assis, que veio aqui para preparar a Quaresma de 1221. A tradição diz que ele, considerando´se indigno de entrar na gruta sagrada, se teria detido na entrada, gravando um sinal da cruz numa pedra. Esta viva e jamais interrompida freqüência de peregrinos ilustres e humildes, que desde a alta Idade Média até os nossos dias fez deste Santuário um lugar de encontro, de oração e de reafirmação da fé cristã, diz quanto a figura do Arcanjo Miguel, que é protagonista em tantas páginas do Antigo e do Novo Testamento, é sentida e invocada pelo povo, e quanto a Igreja tem necessidade da sua proteção celeste: dele, que é apresentado na Bíblia como o grande lutador contra o Dragão, o chefe dos demônios. Lemos no Apocalipse: ´Travou´se, então, uma batalha no Céu: Miguel e os seus Anjos pelejavam contra o Dragão e este pelejava também juntamente com seus anjos. Mas não prevaleceram e não houve mais lugar no Céu para eles. O grande Dragão foi precipitado, a antiga serpente, o Diabo, ou Satanás, como lhe chamou, sedutor do mundo inteiro, foi precipitado na terra, juntamente com os seus anjos´ (Ap 12,7´9). O autor sagrado apresenta´nos nesta dramática descrição o fato da queda do primeiro Anjo, que foi seduzido pela ambição de se tornar ´como Deus´. Daqui a reação do Arcanjo Miguel, cujo nome hebraico ´Quem como Deus?´ reivindica a unicidade de Deus e a sua inviolabilidade.
3. Por mais fragmentarias que sejam, as notícias da Revolução sobre a personalidade e o papel de São Miguel são muito eloqüentes. Ele é o Arcanjo (cf. Jd 1,9) que reivindica os direitos inalienáveis de Deus. É um dos príncipes do Céu posto como guarda do Povo Eleito (cf. Dn 12,1), de onde virá o Salvador. Ora, o novo Povo de Deus é a Igreja. Eis a razão pela qual ela o considera como próprio protetor e defensor em todas as suas lutas pela defesa e a difusão do reino de Deus na terra. É verdade que ´as portas do inferno nada poderão contra ela´, segundo a afirmação do Senhor (Mt 16,18), mas isto não significa que estamos isentos das provas e das batalhas contra as insídias do maligno. Nesta luta o Arcanjo Miguel está ao lado da Igreja para a defender contra as iniqüidade do século, para ajudar os crentes a resistir ao Demônio que ´anda ao redor, como um leão que ruge, buscando a quem devorar´ (l Pd 5,8). Esta luta contra o Demônio, a qual caracteriza a figura do Arcanjo Miguel, é atual também hoje, porque o demônio está vivo e operante no mundo. Com efeito, o mal que nele existe, a desordem que se verifica na sociedade, a incoerência do homem, a ruptura interior da qual é vítima não são apenas conseqüências do pecado original, mas também efeito da ação nefanda e obscura de Satanás, deste insidiador do equilíbrio moral do homem, ao qual São Paulo não hesita em chamar ´o deus deste mundo´ (2Cor 4,4), enquanto se manifesta como encantador astuto, que sabe insinuar´se no jogo do nosso agir, para aí introduzir desvios tão nocivos, quanto às aparências conformes às nossas aspirações instintivas. Por isto o Apóstolo das Gentes põe os cristãos de sobreaviso, quanto às insídias do Demônio e dos seus inúmeros sectários, quando exorta os habitantes de Éfeso a revestirem´se ´da armadura de DEUS para que possam resistir às ciladas do Demônio. Porque nós não temos de lutar contra a carne e o sangue, mas contra os Principados e Potestades, contra os Dominadores deste mundo tenebroso, contra os Espíritos malignos espalhados pelos ares´ (Ef 6,11´12). A esta luta nos chama a figura do Arcanjo são Miguel, a quem a Igreja, tanto no Oriente como no Ocidente, jamais cessou de tributar um culto especial. Como se sabe, o primeiro Santuário a ele dedicado surgiu em Constantinopla por obra de Constantino: é o célebre Michaelion, ao qual se seguiram naquela nova Capital do Império outras numerosas igrejas dedicadas ao Arcanjo. No Ocidente o culto de São Miguel, desde o século V, difundiu´se em muitas cidades como Roma, Milão, Piacença, Gênova, Veneza; e entre tantos lugares de culto, certamente o mais famoso é este do monte Gargano. O Arcanjo está representado sobre a porta de bronze, fundada em Constantinopla em 1076, no ato de abater o Dragão infernal. É este o símbolo, com o qual a arte no´lo representa e a liturgia faz que o invoquemos. Todos recordam a oração que há anos se recitava no final da Santa Missa: ´Sancte Michael Archangele, defende nos in proelio´; dentro em pouco, repeti´la´ei em nome da Igreja toda. E antes de elevar tal oração, a todos vós aqui presentes, aos vossos familiares e a todas as pessoas que vos são queridas concedo a minha Bênção, que faço extensiva também a quantos sofrem no corpo e no espírito.
8. A Existência do Diabo
Audiência do Papa Paulo VI do dia 15 de novembro de 1972 ´ Alocução ´Livrai´nos do mal´ Publicado no L´Osservatore Romano, ed. port. em 24/11/1972. ´Atualmente, quais são as maiores necessidades da Igreja? Não deveis considerar a nossa resposta simplista, ou até supersticiosa e irreal: uma das maiores necessidades é a defesa daquele mal, a que chamamos Demônio. Antes de esclarecermos o nosso pensamento, convidamos o vosso a abrir´se à luz da fé sobre a visão da vida humana, visão que, deste observatório, se alarga imensamente e penetra em singulares profundidades. E, para dizer a verdade, o quadro que somos convidados a contemplar com realismo global é muito lindo. É o quadro da criação, a obra de Deus, que o próprio Deus, como espelho exterior da sua sabedoria e do Seu poder, admirou na sua beleza substancial (cf. Gn 1,10 ss.). Além disso, é muito interessante o quadro da história dramática da humanidade, da qual emerge a da redenção, a de Cristo, da nossa salvação, com os seus magníficos tesouros de revelação, de profecia, de santidade, de vida elevada a nível sobrenatural, de promessas eternas (cf. Ef 1,10). Se soubermos contemplar este quadro, não poderemos deixar de ficar encantados; tudo tem um sentido, tudo tem um fim, tudo tem uma ordem e tudo deixa entrever uma Presença´Transcendência, um Pensamento, uma Vida e, finalmente, um Amor, de tal modo que o universo, por aquilo que é e por aquilo que não é, se apresenta como uma preparação entusiasmante e inebriante para alguma coisa ainda mais bela e mais perfeita (cf. ICor 2,9; Rm 8,19´23). A visão cristã do cosmo e da vida é, portanto, triunfalmente otimista; e esta visão justifica a nossa alegria e o nosso reconhecimento pela vida, motivo por que, celebrando a glória de Deus, cantamos a nossa felicidade.
O Ensinamento Bíblico
Esta visão, porém, é completa, é exata? Não nos importamos, porventura com as deficiências que se encontram no mundo, com o comportamento anormal das coisas em relação à nossa existência, com a dor, com a morte, com a maldade, com a crueldade, com o pecado, numa palavra, com o mal? E não vemos quanto mal existe no mundo especialmente quanto à moral, ou seja, contra o homem e, simultaneamente, embora de modo diverso, contra Deus? Não constitui isto um triste espetáculo, um mistério inexplicável? E não somos nós, exatamente nós, cultores do Verbo, os cantores do Bem, nós crentes, os mais sensíveis, os mais perturbados, perante a observação e a prática do mal? Encontramo´lo no reino da natureza, onde muitas das suas manifestações, segundo nos parece, denunciam a desordem. Depois, encontramo´lo no âmbito humano, onde se manifestam a fraqueza, a fragilidade, a dor, a morte, e ainda coisas piores; observa´´se uma dupla lei contrastante, que, por um lado, quereria o bem, e, por outro, se inclina para o mal, tormento este que São Paulo põe em humilde evidência para demonstrar a necessidade e a felicidade de uma graça salvadora, ou seja, da salvação trazida por Cristo (Rm 7); já o poeta pagão Ovidio tinha denunciado este conflito interior no próprio coração do homem: ´Video meliora proboque, deteriora sequor´. Encontramos o pecado, perversão da liberdade humana e causa profunda da morte, porque é um afastamento de Deus, fonte da vida (cf. Rm 5,12) e, também, a ocasião e o efeito de uma intervenção, em nós e no nosso mundo, de um agente obscuro e inimigo, o Demônio. O mal já não é apenas uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Trata´se de uma realidade terrível, misteriosa e medonha. Sai do âmbito dos ensinamentos bíblicos e eclesiásticos quem se recusa a reconhecer a existência desta realidade; ou melhor, quem faz dela um princípio em si mesmo, como se não tivesse, como todas as criaturas, origem em Deus, ou a explica como uma pseudo´realidade, como uma personificação conceitual e fantástica das causas desconhecidas das nossas desgraças. O problema do mal, visto na sua complexidade em relação à nossa racionalidade, torna´se obsessionante. Constituí a maior dificuldade para a nossa compreensão religiosa do cosmo. Foi por isso que Santo Agostinho penou durante vários anos: ´Quaerebam unde malum, et non erat exitus´, procurava de onde vinha o mal e não encontrava a explicação. (Confissões, VII,5 ss) Vejamos, então, a importância que adquire a advertência do mal para a nossa justa concepção; é o próprio Cristo quem nos faz sentir esta importância. Primeiro, no desenvolvimento da história, haverá quem não recorde a página, tão densa de significado, da tríplice tentação? E ainda, em muitos episódios evangélicos, nos quais o Demônio se encontra com o Senhor e aparece nos seus ensinamentos (cf. Mt 1,43)? E como não haveríamos de recordar que Jesus Cristo, referindo´se três vezes ao Demônio como seu adversário, o qualifica como ´príncipe deste mundo´ (Jo 12,31; 14,30; 16,11)? E a ameaça desta nociva presença é indicada em muitas passagens do Novo Testamento. São Paulo chama´lhe ´deus deste mundo´ (2Cor 4,4) e previne´nos contra as lutas ocultas, que nós cristãos devemos travar não só com o Demônio, mas com a sua tremenda pluralidade: ´Revesti´vos da armadura de Deus para que possais resistir às ciladas do Demônio. Porque nós não temos de lutar (só) contra a carne e o sangue, mas contra os Principados, contra os Dominadores deste mundo tenebroso, contra os Espíritos malignos espalhados pelos ares´ (Ef 6,11´12). Diversas passagens do Evangelho dizem´nos que não se trata de um só demônio, mas de muitos (cf. Lc 11,21; Mc 5,9), um dos quais é o principal: Satanás, que significa o adversário, o inimigo; e, ao lado dele, estão muitos outros, todos criaturas de Deus, mas decaídas, porque rebeldes e condenadas; constituem um mundo misterioso transformado por um drama muito infeliz, do qual conhecemos pouco.
O Inimigo Oculto
Conhecemos, todavia, muitas coisas deste mundo diabólico, que dizem respeito à nossa vida e a toda a história humana. O Demônio é a origem da primeira desgraça da humanidade; foi o tentador pérfido e fatal do primeiro pecado, o pecado original (cf. Gn 3; Sb 1,24). Com aquela falta de Adão, o Demônio adquiriu um certo poder sobre o homem, do qual só a redenção de Cristo nos pode libertar. Trata´se de uma história que ainda hoje existe: recordemos os exorcismo do batismo e as freqüentes referências da Sagrada Escritura e da Liturgia ao agressivo e opressivo ´domínio das trevas´ (Lc 22,53). Ele é o inimigo número um, o tentador por excelência. Sabemos, portanto, que este ser mesquinho, perturbador, existe realmente e que ainda atua com astúcia traiçoeira; é o inimigo oculto que semeia erros e desgraças na história humana. Deve´se recordar a significativa párabola evangélica do trigo e da cizânia, síntese e explicação do ilogismo que parece presidir às nossas contrastantes vicissitudes: ´Inimicus homo hoc fecit´ (Mt 13,2). É o assassino desde o princípio… e ´pai da mentira´, como o define Cristo (cf. Jo,44´45); é o insidiador sofista do equilíbrio moral do homem. Ele é o pérfido e astuto encantador, que sabe insinuar´se em nós através dos sentidos, da fantasia, da concupiscência, da lógica utópica, ou de desordenados contatos sociais na realização de nossa obra, para introduzir neles desvios, tão nocivos quanto, na aparência, conformes às nossas estruturas físicas ou psíquicas, ou às nossas profundas aspirações instintivas. Este capítulo, relativo ao Demônio e ao influxo que ele pode exercer sobre cada pessoa, assim como sobre comunidades, sobre inteiras sociedades, ou sobre acontecimentos, é um capitulo muito importante da doutrina católica, que deve ser estudado novamente, dado que hoje o é pouco. Algumas pessoas julgam encontrar nos estudos da psicanálise ou da psiquiatria, ou em práticas evangélicas, no principio da sua vida pública, de espiritismo, hoje tão difundidas em alguns países, uma compensação suficiente. Receia´se cair em velhas teorias maniqueístas, ou em divagações fantásticas e supersticiosas. Hoje, algumas pessoas preferem mostrar´se fortes, livres de preconceitos, assumir ares de positivistas, mas depois dão crédito a muitas superstições de magia ou populares, ou pior, abrem a própria alma ´ a própria alma batizada, visitada tantas vezes pela presença eucarística e habitada pelo Espírito Santo ´ às experiências licenciosas dos sentidos, às experiências deletérias dos estupefacientes, assim como às seduções ideológicas dos erros na moda, fendas estas por onde o maligno pode facilmente penetrar e alterar a mentalidade humana. Não quer dizer que todo o pecado seja devido diretamente à ação diabólica; mas também é verdade que aquele que não vigia, com certo rigor moral, a si mesmo (cf. Mt 12,45; Ef 6,11), se expõe ao influxo do ´mysterium iniquitatis´, ao qual São Paulo se refere (2Ts 2,3´12) e que torna problemática a alternativa da nossa salvação. A nossa doutrina torna´se incerta, obscurecida como está pelas próprias trevas que circundam o Demônio. Mas a nossa curiosidade, excitada pela certeza da sua doutrina múltipla, torna´se legitima com duas perguntas: Há sinais da presença da ação diabólica e quais são eles? Quais são os meios de defesa contra um perigo tão traiçoeiro?
A Ação do Demônio
A resposta à primeira pergunta, requer muito cuidado embora os sinais do Maligno às vezes pareçam tornar´se evidentes. Podemos admitir a sua atuação sinistra onde a negação de Deus se torna radical, sutil ou absurda; onde o engano se revela hipócrita, contra a evidência da verdade; onde o amor é anulado por um egoísmo frio e cruel; onde o nome de Cristo é empregado com ódio consciente e rebelde (cf. ICor 16,22; 12,3); onde o espírito do Evangelho é falsificado e desmentido; onde o desespero se manifesta como a última palavra, etc. Mas é um diagnóstico demasiado amplo e difícil, que agora não ousamos aprofundar nem autenticar; que não é desprovido de dramático interesse para todos, e ao qual até a literatura moderna dedicou páginas famosas. O problema do mal continua a ser um dos maiores e permanentes problemas para o espírito humano, até depois da resposta vitoriosa que Jesus Cristo dá a respeito dele.
´Sabemos ´ escreve o evangelista São João ´ que todo aquele que foi gerado por Deus guarda´o, e o Maligno não o toca´ (IJo 5,19).
A Defesa do Cristão
A outra pergunta, que defesa, que remédio, há para combater a ação do Demônio, a resposta é mais fácil de ser formulada, embora seja difícil pô´la em prática. Poderemos dizer que tudo aquilo que nos defende do pecado nos protege, por isso mesmo, contra o inimigo invisível. A graça é a defesa decisiva. A inocência assume um aspecto de fortaleza. E, depois, todos devem recordar o que a pedagogia apostólica simbolizou na armadura de um soldado, ou seja, as virtudes que podem tornar o cristão invulnerável (cf. Rm 13,13; Ef 6,11´14´17; lTs 5,8). O cristão deve ser militante; deve ser vigilante e forte (lPd 5,8); e algumas vezes, deve recorrer a algum exército ascético especial, para afastar determinadas invasões diabólicas; Jesus ensina´o, indicando o remédio ´na oração e no jejum´ (Mc 9,29). E o apóstolo indica a linha mestra que se deve seguir: ´Não te deixes vencer pelo mal; vence o mal com o bem´ (Rm 12,21; Mt 13,29).
Conscientes, portanto, das presentes adversidade em que hoje se encontram as almas, a Igreja e o mundo, procuraremos dar sentido e eficácia à usual invocação da nossa oração principal: ´Pai nosso… livrai´nos do mal´.
Contribua para isso a nossa Bênção apostólica.
DO LIVRO ´OS ANJOS´ do Prof. Felipe de Aquino
ORAÇÕES DO CRISTÃO
PAI NOSSO
Pai Nosso que estais no Céu, santificado seja o Vosso Nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa Vontade, assim na Terra como no Céu.
O Pão Nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim, como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação mas livrai-nos do mal. Amém.
AVE MARIA
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.
GLÓRIA
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio, agora e sempre. Amém.
CREDO
Creio em Deus Pai todo poderoso, criador do Céu e da Terra e em Jesus Cristo seu único filho nosso senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Poncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao Céu, está sentado à direita de Deus Pai, todo poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressureição da carne e na vida eterna. Amém.
SALVE, RAINHA
Salve, Rainha, mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas! Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre! Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.
ANGELUS
Oração recitada às 6h00, Meio-Dia e 18h00, exceto no Tempo Pascal, quando é substituída pelo Regina Caeli.
V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
R. E Ela concebeu do Espírito Santo.
Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.
V. Eis aqui a serva do Senhor.
R. Faça-se em mim segundo a vossa palavra.
Ave Maria…
V. E o Verbo se fez carne.
R. E habitou entre nós.
Ave Maria…
V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos: Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas para que, conhecendo pela anunciação do Anjo a encarnação de vosso Filho bem-amado, cheguemos por sua paixão e morte na cruz, à glória da ressurreição.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém. (3x)
Em Latim
V. Angelus Domini nuntiavit Mariæ.
R. Et concepit de Spiritu Sancto.
Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum. Benedicta tu in mulieribus, et benedictus fructus ventris tui, Iesus.
Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amen.
V. Ecce Ancilla Domini.
R. Fiat mihi secundum Verbum tuum.
Ave Maria…
V. Et Verbum caro factum est.
R. Et habitavit in nobis.
Ave Maria…
V. Ora pro nobis, Sancta Dei Genetrix.
R. Ut digni efficiamur promissionibus Christi.
Oremus: Gratiam tuam quæsumus, Domine, mentibus nostris infunde; ut qui, angelo nuntiante, Christi Filii tui Incarnationem cognovimus, per passionem eius et crucem, ad resurrectionis gloriam perducamur.
Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio, et nunc et semper, et in saecula saeculorum. Amen. (3x)
REGINA CAELI
Oração recitada em substituição ao Angelus no Tempo Pascal
V.: Rainha do céu, alegrai-vos! Aleluia!
R.: Porque quem merecestes trazer em vosso seio. Aleluia!
V. :Ressuscitou como disse! Aleluia!
R.: Rogai a Deus por nós! Aleluia!
V.: Exultai e alegrai-Vos, ó Virgem Maria! Aleluia!
R.: Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente! Aleluia.
Conclui-se com a seguinte oração:
V.: Oremos:
Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do Vosso Filho Jesus Cristo, Senhor Nosso,
concedei-nos, Vos suplicamos, que por sua Mãe, a Virgem Maria,
alcancemos as alegrias da vida eterna.
Por Cristo, Senhor Nosso.
R.: Amém!
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém. (3x)
Em Latim
V.: Regina caeli, laetare! Alleluia!
R.: Quia quem meruisti portare! Alleluia!
V.: Resurrexit, sicut dixit! Alleluia!
R.: Ora pro nobis Deum! Alleluia!
Em algumas formas, acrescenta-se:
V.: Gaude et laetare, Virgo Maria! Alleluia!
R.: Quia surrexit Dominus vere! Alleluia!
Conclui-se com a seguinte oração:
V.: Oremus:
Deus, qui per resurrectionem Filii tui, Domini nostri Iesu Christi,
mundum laetificare dignatus es:
praesta, quaesumus; ut per eius Genetricem Virginem Mariam,
perpetuae capiamus gaudia vitae.
Per eundem Christum Dominum nostrum.
R.: Amen!

