Um pouco da vida, obra e espiritualidade de alguns santos.

SÃO MARCOS

ou João Marcos hebreu de origem, da tribo de Levi, foi um dos primeiros discípulos de São Pedro, que na festa de Pentecostes receberam o santo Batismo das mãos do Apóstolo, razão talvez, de Pedro em sua primeira epístola o chamar “seu filho” (1Pe 5, 13). Os atos dos Apóstolos (12, 12) mencionam a mãe de Marcos, Maria, proprietária de uma casa em Jerusalém, onde os cristãos realizavam suas reuniões, alguns críticos têm sugerido que a casa, de que se fala em At 12.12, era aquela mesma casa onde (na vida do pai de Marcos) se celebrou a última Ceia (Mc 14.14) – que o Jardim de Getsêmani lhe pertencia – e que o próprio Marcos era o homem do cântaro a que se refere Mc 14.13. Interpretações tradicionais de seu Evangelho o vêem no jovem que fugiu nu quando da prisão deJesus no Monte das Oliveiras.

Autores há, que em Marcos reconhecem o parente de Barnabé, e quem, bem moço ainda, com este a São Paulo se associou na primeira viagem apostólica e, terminada esta, para Jerusalém voltou. Na segunda viagem paulina não o vemos ao lado do apóstolo (At. 15, 3).

Mais tarde, porém, foi companheiro de São Paulo na primeira prisão do mesmo em Roma (Fm 4); pelo mesmo apóstolo foi mandado aos Colossenses (Cl 4, 10). Prisioneiro pela segunda vez, Paulo escrevia a Timóteo pedindo-lhe que levasse consigo, de Éfeso para Roma, o seu discípulo e colaborador, já que este lhe era muito útil em seu ministério (2Tm 4,11).  Seu apostolado é intimamente ligado também ao de São Paulo, em Roma, onde desenvolveu um zelo e atividade apostólicos tais, que seu Chefe desejou tê-lo sempre em sua companhia.

Em Roma teve Marcos o prazer de ver os belos frutos, que a pregação do príncipe dos Apóstolos produzira, crescendo dia por dia o número dos que pediam o santo Batismo. Durante sua ausência, São Pedro confiou a Marcos a vigilância sobre a jovem Igreja. Atendendo ao insistente pedido dos primeiros cristãos de Roma, de deixar-lhes um documento escrito, que contivesse tudo que da sua e da boca de Pedro ouviram da vida, da doutrina, dos milagres e da morte de Jesus Cristo. Marcos escreveu o Evangelho que lhe traz o nome, dos quatro Evangelhos o mais curto e por assim dizer, o mais incompleto; não contém a história da Infância de Cristo, nem o sermão da montanha. São Pedro leu-o, aprovou-o e recomendou aos cristãos que dele fizessem a leitura.

Depois de ter passado alguns anos em Roma, Marcos pregou o Evangelho na ilha, de Chipre, no Egito e nos países vizinhos. As conversões produzidas por esta pregação contavam-se aos milhares. Milhares de ídolos ruíram por terra, e nos lugares dos templos se ergueram igrejas cristãs. O Egito, antes um país entregue à mais crassa idolatria, tornou-se teatro da mais alta perfeição cristã e refúgio de muitos eremitas. Marcos trabalhou 19 anos em Alexandria, onde a Igreja chegou a um estado de extraordinário esplendor. Não satisfeitos com a observância de tudo aquilo que o Evangelho apresentava como indispensável, inúmeros eram aqueles que viviam em perfeita castidade. O número dos cristãos cresceu de tal maneira, que para todos terem ocasião de assistir ao santo sacrifício da Missa e à pregação, foi necessário destacar um número de casas bem grande onde se pudessem reunir.

Tão grande prosperidade da causa do Senhor não podia deixar de inquietar e irritar os sacerdotes pagãos contra o grande Apóstolo. Marcos, sabendo que os inimigos seus e de Cristo estavam conspirando contra sua vida, e prevendo uma generalização da perseguição, na qual muitos cristãos poderiam não ter a força de perseverar na fé, deu à Igreja de Alexandria um novo bispo, na pessoa de Aniano, e ausentou-se da cidade. Dois anos durou essa ausência. Ao voltar, havia uma grande festa, que os pagãos celebravam em honra do deus Serapis. A maior homenagem que podiam render à divindade, havia de ser — assim opinavam os idólatras — a oferta da vida do Galileu: por este nome era conhecido o grande evangelista .

Imediatamente se puseram a caminho em busca de Marcos. A eles se uniu a multidão. Descobrir-lhe o paradeiro e penetrar na casa que o hospedava, foi obra de minutos. Marcos estava celebrando os santos mistérios, quando a horda sequiosa do seu sangue, entrou. Prenderam-no e, com grande brutalidade, conduziram-no pelas ruas da cidade. O trajeto todo ficou marcado pelo sangue do Mártir. Marcos nenhuma resistência fez; ao contrário, deu louvor a Deus por ter sido achado digno de sofrer pelo nome de Cristo.

Na noite seguinte apareceu-lhe um anjo e disse-lhe: “Marcos, Servo de Deus, teu nome está escrito no livro da vida, e tua memória jamais se apagará. Os Arcanjos receberão em paz teu espírito”.

Além desta teve a aparição de Deus Nosso Senhor, da maneira por que muitas vezes o tinha visto durante a vida mortal e disse-lhe: “Marcos, a paz seja contigo”. Estas, como as palavras do Anjo, encheram a alma do Mártir de grande consolo e ânimo.

O dia seguinte, 25 de abril, foi o dia do martírio. Os pagãos maltrataram-no de um modo tal que morreu no meio das crueldades. As últimas palavras que proferiu foram: “Em vossas mãos entrego o meu espírito”.

Os pagãos quiseram incinerar-lhe o corpo. Uma fortíssima tempestade, que sobreveio, frustrou-lhes os planos e forneceu aos cristãos ocasião de tirar o corpo e dar lhe honesta sepultura, numa rocha em Bucoles.

Em 815 foram as relíquias de São Marcos transportadas para Veneza, onde ainda se acham. O leão é o símbolo deste evangelista, que inicia seu Evangelho com estas palavras: “Voz daquele que clama no deserto: Preparai os caminhos do Senhor”.

DOM BOSCO 

São João Bosco revolucionou o modo de ser padre de seu tempo. Nasceu em 1815, em Turim, Itália, de uma família de agricultores. Aos dois anos de idade, perdeu o pai. Sua mãe, Margarida Occhiena, mulher de grande virtude, educou-o na religião e no trabalho.

Aos nove anos, teve um sonho no qual anteviu sua futura missão de educador da juventude pobre e abandonada. Criança ainda, já se ocupava de dar aulas de catecismo para os coleguinhas e, para atraí-los mais facilmente, aprendeu a fazer mágicas e dar espetáculos de circo. Lutando contra todas as dificuldades inerentes à vida de pobre, ordenou-se sacerdote em 1841.

Dom Bosco, para atender aos jovens que aumentavam sempre em número, foi cercando-se de colaboradores, saídos do meio dos próprios jovens. Com eles, organizou uma Sociedade Religiosa, aprovada em Roma em 1873. Outras obras foram sendo fundadas na Itália e no exterior com o envio de missionários. Ao falecer, em 31 de janeiro de 1888, sua Congregação já se espalhara por diversos países da Europa e da América. Em 1883, os Salesianos chegaram ao Brasil, fundando a primeira obra em Niterói.

SANTA TERESINHA 

Marie-Françoise-Thérèse Martin, nascida em 2 de janeiro de 1873, conhecida simplesmente como Santa Terezinha, nasceu na cidade de Alençon, na França. A filha do ourives Louis Martin e da artesã Zélie Guéri, tinha uma personalidade que, desde cedo, revelava-se marcada pelo senso de amor, pelo semblante de serenidade e pelo contentamento de sua alma com a grandeza de Deus.

Em 1877, quando Teresa tinha apenas 04 anos, sua mãe faleceu. A família da menina resolveu se mudar para a cidade de Lisieux.

Ainda menina, Teresa transbordava humildade e submissão à vontade de Deus. Tinha a obstinação de aprofundar sua ascese através da vida religiosa. Aos 13 anos foi à Itália e pediu ao Papa Leão XIII permissão para ingressar na clausura do Carmeio.

Próximo de completar 15 anos, no final de 1887, Teresa entrou para o convento das carmelitas, situado na cidade de Lisieux. O Carmeio ficou marcado pelo espírito afável com que a menina tratava a todos. Sempre com mansidão, sua presença santificava o convívio entre os membros de sua comunidade. Seu sentimento terno e sua alegria eram demonstrações de seu contentamento com a clausura, altar que lhe possibilitava intercessões e súplicas em prol de um mundo mais digno e mais fraterno.

Sua obediência era a prova de que se fazia a menor entre as menores. Seus escritos autobiográficos estão resumidos na obra “Histórias de uma alma”. Ficou conhecida pelo seu amor ao Menino Jesus, seguramente pelo que escreveu nos seguintes termos: “Eu havia me oferecido a Jesus Menino como um brinquedo, e lhe havia dito que se servisse de mim como uma coisa de luxo, que as crianças se contentam em guardar, mas como uma pequena bola sem valor, que ele pudesse jogar na terra, empurrar com os pés, deixar em um canto, ou também apertar contra o coração, quando isso lhe agradasse. Numa palavra queria divertir o Menino Jesus e abandonar-me aos seus caprichos infantis.”

Após contrair tuberculose, Terezinha veio a falecer em 1897, aos 24 anos de idade. Após ser beatificada, em 1923, recebeu a canonização, em 1925, sendo considerada, pela sua armadura espiritual, a “Padroeira das Missões”.  

Algumas frases desta pequenina alma, Doutora da Igreja:

  • “Para pertencer a Jesus é preciso ser pequenina como a gota de orvalho… Oh! Sejamos sempre a sua gotinha de orvalho, nisto consiste a perfeição”. (carta a Celina, sua irmã, 25.abr.1895)
  • “Oh, não! A santidade não se acha nesta ou naquela prática, consiste numa disposição de alma que nos torna humildes e pequeninos nas mãos de Deus, conscientes de nossa fraqueza e confiantes até a ousadia em sua bondade de Pai”. (Lembranças Inéditas)
  • “Não é necessário para ser atendido recitar belas fórmulas, achadas em algum livro, adequadas às circunstâncias; se assim fosse, pobre de mim! Faço como as criancinhas que não sabem ler; digo com simplicidade a Deus tudo o que lhe quero dizer, e Ele sempre me compreende”. (História de uma alma, cp. X)
  • “Algumas vezes quando leio certos tratados em que a perfeição é indicada através de mil empecilhos, o meu pobre e pequenino espírito fatiga-se bem depressa; fecho o sábio livro que me faz quebrar a cabeça e me seca o coração, e tomo a Sagrada Escritura. Então tudo me parece luminoso, uma só palavra abre à minha alma horizontes infinitos, a perfeição afigura-se-me fácil, vejo que basta reconhecer o próprio nada, abandonar-se como criança nos braços do bom Deus”. (História de uma alma, cp. X)
  • “Não tenhais receio de dizer a Jesus que O amais, mesmo sem sentir; é um meio de O forçar a vos socorrer, a vos ter como uma criancinha muito fraca para andar. (Conselhos e Lembranças)

SANTO AGOSTINHO 

Aurélio Agostinho nasceu em Tagasta, cidade da Numídia, de uma família burguesa, a 13 de novembro do ano 354. Seu pai, Patrício, era pagão, recebido o batismo pouco antes de morrer; sua mãe, Mônica, pelo contrário, era uma cristã fervorosa, e exercia sobre o filho uma notável influência religiosa. Indo para Cartago, a fim de aperfeiçoar seus estudos, começados na pátria, desviou-se moralmente. Caiu em uma profunda sensualidade, que, segundo ele, é uma das maiores conseqüências do pecado original; dominou-o longamente, moral e intelectualmente, fazendo com que aderisse ao maniqueísmo, que atribuía realidade substancial tanto ao bem como ao mal, julgando achar neste dualismo maniqueu a solução do problema do mal e, por conseqüência, uma justificação da sua vida. Tendo terminado os estudos, abriu uma escola em Cartago, donde partiu para Roma e, em seguida, para Milão. Afastou-se definitivamente do ensino em 386, aos trinta e dois anos, por razões de saúde e, mais ainda, por razões de ordem espiritual. 

Entrementes – depois de maduro exame crítico – abandonara o maniqueísmo, abraçando a filosofia neoplatônica que lhe ensinou a espiritualidade de Deus e a negatividade do mal. 

Destarte chegara a uma concepção cristã da vida – no começo do ano 386. Entretanto a conversão moral demorou ainda, por razões de luxúria. Finalmente, como por uma fulguração do céu, sobreveio a conversão moral e absoluta, no mês de setembro do ano 386. Agostinho renuncia inteiramente ao mundo, à carreira, ao matrimônio; retira-se, durante alguns meses, para a solidão e o recolhimento, em companhia da mãe, do filho e dalguns discípulos, perto de Milão. Aí escreveu seus diálogos filosóficos, e, na Páscoa do ano 387, juntamente com o filho Adeodato e o amigo Alipio, recebeu o batismo em Milão das mãos de Santo Ambrósio, cuja doutrina e eloqüência muito contribuíram para a sua conversão. Tinha trinta e três anos de idade. 

Depois da conversão, Agostinho abandona Milão, e, falecida a mãe em Óstia, volta para Tagasta.

Aí vendeu todos os haveres e, distribuído o dinheiro entre os pobres, funda um mosteiro numa das suas propriedades alienadas. Ordenado padre em 391, e consagrado bispo em 395, governou a igreja de Hipona até à morte, que se deu durante o assédio da cidade pelos vândalos, a 28 de agosto do ano 430. Tinha setenta e cinco anos de idade. 

Após a sua conversão, Agostinho dedicou-se inteiramente ao estudo da Sagrada Escritura, da teologia revelada, e à redação de suas obras, entre as quais têm lugar de destaque as filosóficas. 

As obras de Agostinho que apresentam interesse filosófico são, sobretudo, os diálogos filosóficos: Contra os acadêmicos, Da vida beata, Os solilóquios, Sobre a imortalidade da alma, Sobre a quantidade da alma, Sobre o mestre, Sobre a música. Interessam também à filosofia os escritos contra os maniqueus: Sobre os costumes, Do livre arbítrio, Sobre as duas almas, Da natureza do bem

Dada, porém, a mentalidade agostiniana, em que a filosofia e a teologia andam juntas, compreende-se que interessam à filosofia também as obras teológicas e religiosas, especialmente: Da Verdadeira Religião, As Confissões, A Cidade de Deus, Da Trindade, Da Mentira.

SÃO CAETANO THIENE

APOSTÓLO DO SÉCULO XVI

Por Pe. Robson Antonio da Silva, CR

Por que o nome Caetano

São Caetano Thiene nasceu em Vicência, provavelmente em outubro do ano de 1480. Seu pai foi o Conde Gaspar Thiene e sua mãe a Condessa Maria da Porto; os dois pertenciam a duas famílias mais antigas e mais nobres daquela cidade. (1)

O nome Caetano foi uma homenagem feita a um seu tio renomado canônico e ilustre professor na Universidade de Pádua. Na história da Igreja Caetano foi o primeiro a ser canonizado com o esse nome. 

São Caetano apenas tinha nascido foi consagrado por sua a mãe à Maria Santíssima, para ela ele sempre foi Caetano de Maria. Essa consagração foi feita na Igreja da Santa Coroa atendida pelos padres Dominicanos, onde Maria da Porto frequentava. Depois da benção que recém-nascido tinha recebido, se dirigiram ela com alguns parentes até a capela de Nossa Senhora da Misericórdia, também conhecida como Nossa Senhora das Estrelas e ofereceu o seu filho a materna proteção da Virgem Maria.  Todos a partir de então passaram a chamá-lo de Caetano de Santa Maria.

Jovem estudante
O estudo Caetano os realizou na Universidade de Pádua. Ali se laureou em Direito (canônico e civil). Também em Pádua fez os cursos de filosofia e teologia. Logo após ter se formado voltou para Vicência para administrar os bens de sua família. Na cidade de Pádua ao mesmo tempo em que frequentava a Universidade, foi reforçando o costume religioso com orações. Foi neste período que o santo, intensificou as obras de caridade, como visita aos hospitais e aos doentes mais pobres e abandonados, a ponto de substituir os enfermeiros em suas funções. 

Caetano se mostrou reto nos costumes, modesto no olhar, moderado no falar, sério no comportamento e amante das virtudes, o que o fez por todos estimado. Com seu exemplo de vida moderado – características que deixará como herança espiritual aos seus filhos Teatinos – lembrava um Anjo do Céu. 

Caetano Protonotário do Papa
No ano de 1507 Caetano se tranfere para a cidade eterna, Roma, onde viveu com Dom G. Pallavicini, que depois foi cardeal da Santa Igreja Romana. Acredita-se que tenha sido o próprio Cardeal Pallavicini a facilitar o seu ingresso no Vaticano. Na época o ambiente em Roma não era dos melhores. Porém Caetano na realidade sempre desejou ardentemente viver escondido aos olhos de todos, dedicando-se a obras de caridade piedosamente cristã e misericordiosa. 

Em pouco tempo seu dom de inteligência, seu caráter amável, sua discrição e espírito gentil para com todos chegou ao conhecimento do Papa Júlio II, que o chamou para trabalhar na Cúria Romana, no ano de 1508, na função de Protonotário Apostólico (escritor das cartas do Papa). A função de um Protonotário Apostólico naquela época e, portanto, a de Caetano era de escrever as Bulas, documentos de concessões pontifícias, como por exemplo, nomeações de bispos, e outros documentos. (4)

Vivendo diretamente na Corte Pontifícia, Caetano teve a oportunidade de tomar conhecimento dos grandes males que infligiam a Cristandade, de modo muito particular, os males que diretamente afetavam o clero. Esta realidade negativa por muito tempo foi o seu ambiente, o que lhe ajudou a dar-se conta de que a causa principal dos males vivido pelo clero, mesmo que de forma maquiada, estava na corrida pelos bens materiais da terra. Todos procuravam acumular, não se confiava na Divina Providência, até mesmo as coisas mais santas eram sempre feitas, no fundo com interesse. 

Constatando essa realidade Caetano escreve em uma de suas cartas – grande tesouro espiritual – com grande pesar: recomendo-vos a minha alma ferida e oprimida pelo inimigo (…), vós recomendo também esta cidade, antes cidade santa, agora Babilônia, (se referindo à confusão espiritual da cidade Roma) na qual repousam tantas santas relíquias.
Reformar Reformando-se

Ele e tantos outros sentiam a exigência de uma reforma, a ponto de mudar a situação do Clero. Isto fica evidente na fala do Superior Geral dos Agostinianos na abertura do Concílio Lateranense V – Egidio Canisio da Viterbo – os homens devem ser reformados por meio da religião, e não a religião por meio dos homens!

Caetano nutriu rápido em seu coração o conselho de Canisio. O Thiene foi considerado por muitos do seu tempo o reformador silencioso. Desejava reformar o mundo, sem que o mundo se desse conta dele. Assim diz em uma de suas cartas: Gostaria de transformar o mundo escondendo a minha mão. (7) Viveu na Corte de Júlio II como espectador e não como participante.

Viveu uma vida irrepreensível e piedosa, trabalhando com empenho, consciência e caridade exemplar dando assim, naquele ambiente, o testemunho que tanto se fazia necessário. O jovem Caetano, para todos os necessitados que dele se aproximavam tinha sempre um pão e uma palavra para aliviar a desolação animando à esperança. 

Ao santo do pão e do trabalho se via caminhar pelas ruas de Roma, com uma roupa simples e pobre: humilde, composto, devoto, com admiração de todos os que conheciam a nobreza de sua família. 

Em suas meditações São Caetano percebia que embora os tempos e as dificuldades para uma sólida reforma seria uma tarefa nada fácil, intui que para realizar um renovamento religioso necessitava-se re-fundar o império do espírito e abater o da carne. Como ele mesmo escreve em uma carta a religiosa Laura Mignani em 16 de junho de 1518: deixar as coisas terrenas, não dar tanto valor as coisas daqui de baixo, mas re-conquistar as lá de cima (se referia a busca do Reino de Deus). (8)
Campeão do Divino Amor

De fato, Caetano se torna membro de um movimento que muito contribui no inicio da reforma católica, participando do Oratório do Divino Amor, na Igreja de santa Dorotéia. Muitos funcionários da Cúria Romana também participavam deste grupo, incluindo cardeais, bispos, ilustres do Clero e também leigos. O grupo chegou ao número de 60 como era idealizado. Sua proposta fundamental era de irradiar o Divino Amor. (9)

Os membros do Oratório do Divino Amor procuravam atuar na santificação pessoal através de uma piedade intensa que a alimentavam com exercício do culto, com a oração em comum, frequentando os sacramentos e com o estudo da sagrada escritura; se dedicaram desde o inicio às obras de caridade a serviço dos peregrinos que vinham a Roma de modo especial os mais pobres, e visitas e serviços aos doentes do hospital São Tiago, que ainda hoje existe em Roma. (em destaque estão alguns traços característicos da futura Ordem fundada pelo Thiene).

Sua participação no Oratório do Divino Amor de Roma foi tão intensa e profunda que mereceu ser chamado pelo Papa Pio XII de: apostolo do Divino Amor e campeão insigne da misericórdia cristã.

Caetano compreende que já era chegado o momento oportuno para concretizar a sua vocação ao sacerdócio, que há muito tempo manteve guardado em coração. 

Caetano liga sua vida à cruz de Cristo
Ele após três meses de intensa preparação e sete dias de jejum, da outro passo decisivo em sua vida. Em 27 de setembro de 1516, um sábado dia de devoção a Nossa Senhora, Caetano recebe as quatro ordens menores; no outro dia domingo 28 de setembro foi lhe conferido o subdiaconato; 29 de setembro, dia de são Miguel recebeu a ordem do diaconato; enfim no dia de são Jerônimo 30 de setembro, contando com a idade de 36 anos Caetano foi ordenado sacerdote, e como ele mesmo afirma em uma carta sua, naquele dia ligou sua vida à cruz de Cristo. As celebrações ocorreram na capela residencial do bispo que o ordenou, Dom Francisco Berthelay.

Caetano Fundador
Tanto ainda teríamos de escrever sobre o nosso querido são Caetano, algumas boas páginas deveriam ser acrescentadas, mas pelo momento ficaremos com essas, e passaremos a falar da família religiosa fundada por ele, a Ordem dos Clérigos Regulares, popularmente conhecidos como Padres Teatinos. Querendo Deus em outra oportunidade daremos algumas páginas a mais sobre a vida tão cristã e profunda do santo de providência

Convencido que a instituição, boa por sinal, do Oratório do Divino Amor era inadequada para a tarefa da reforma da Igreja; entendia que uma simples confraria não podia oferecer garantia em longo prazo, devido ao vai e vem dos membros, as obras boas pelas quais se reuniam. Todos os decretos do Papa de reforma permaneciam quase sem efeito, pensou então, sobretudo junto ao clero secular, uma urgentíssima mudança mediante a força do exemplo. Reformar reformando-se. Foi ai que amadureceu a ideia de fundar ao invés de um Oratório, uma especial sociedade de Clérigos Regulares. Esta seria fundamenta por uma regra fixa, sob o princípio da vida comum, tendo, por exemplo, o modo de viver dos apóstolos e como não poderia ser diferente submissa a Santa Sé (ao Papa). No lugar das Ordens antigas, as quais pela suas organizações não correspondiam mais as necessidades daquela época, deveria surgir um instituto novo, com vida nova, no qual os membros, como simples padres, deveriam com a própria vida reta e com fiel adesão à vocação recebida, resplandecer como proposta diante da grande massa do clero secular, em parte profundamente corrompido. 

Caetano estava convencido de que, como é o Sacerdote assim é o povo cristão. É por isso que deseja criar uma sociedade de padres para o cuidado das almas, que se interessasse em administrar os sacramentos, de pregar e de celebrar de forma exemplar.
    
Nosso Santo, portanto, chegado o tempo designado pela Providencia, lança as bases da nova Ordem Religiosa. Encontrou colaboradores para realizar o seu projeto, entre os seus velhos amigos. Almas que tinham passado pela mesma crise de reforma que ele viveu. 
    
A ideia de reformar o Clero foi por ele cultivada por muito tempo, e a expôs sob todos os aspectos possíveis. Por isso uma vez deixou escapar quase que por um sonho está luminosa proposta. “Se Deus me concedesse a graça de poder apresentar aos olhos do Clero Secular uma família religiosa de Clérigos Regulares, espero que com sua inocência, pobreza, modéstia e santidade poderão fazer sim que os padres deixem o vício e se empenhem em conquistar as virtudes”.

(1) F. ANDREU, S. Gaetano Thiene: itinerario di una vocazione,, in S. Gaetano Thiene e Vicenza nel V centenario della nascita 1480-1980, Vicenza 1981, p. 43.
(2) Igreja que segunda a Tradição guarda uma relíquia da Coroa de Cristo.
(3) P. CHIMINELLI, op. cit., p. 48.    
(4) P.CHIMINELLI, op. cit., p. 69.
(5) Carta a Irmã Laura Mignani Roma em 31 de julho de 1517.
(6) P. CHIMINELLI, op. cit., p. 114.
(7) Carta a Bartolomeo Stella em 02 de março de 1517.
(8) P.CHIMINELLI, op. cit., pp. 125-126.
(9) CHIMINELLI, op.cit., pp 182 e 165.
(10) Regnum Dei, Collectanea Teatina III 1947, p. 72.
(11) CHIMINELLI, op. cit., p. 143.
(12) CHIMINELLI, op. cit., p. 131 e 457.

SANTA FAUSTINA KOWALSKA

1905-1938

MARIA FAUSTINA KOWALSKA escrevia em 1937 no seu Diário:  “A glorificação da Tua misericórdia, ó Jesus, é a missão exclusiva da minha vida”. Nasceu em Glogowiec, na Polônia central, no dia 25 de Agosto de 1905, de uma família camponesa de sólida formação cristã. Desde a infância sentiu a aspiração à vida consagrada, mas teve de esperar diversos anos antes de poder seguir a sua vocação. Em todo o caso, desde aquela época começou a percorrer a via da santidade. Mais tarde, recordava:  “Desde a minha mais tenra idade desejei tornar-me uma grande santa”.

Com a idade de 16 anos deixou a casa paterna e começou a trabalhar como doméstica. Na oração tomou depois a decisão de ingressar num convento. assim, em 1925, entrou na Congregação das Irmãs da Bem-aventurada Virgem Maria da Misericórdia, que se dedica à educação das jovens e à assistência das mulheres necessitadas de renovação espiritual. Ao concluir o noviciado, emitiu os votos religiosos que foram observados durante toda a sua vida, com prontidão e lealdade. Em diversas casas do Instituto, desempenhou de modo exemplar as funções de cozinheira, jardineira e porteira. Teve uma vida espiritual extraordinariamente rica de generosidade, de amor e de carismas  que  escondeu  na  humildade  dos  empenhos quotidianos.

O Senhor escolheu esta Religiosa para se tornar apóstola da Sua misericórdia, a fim de aproximar mais de Deus os homens, segundo o expresso mandato de Jesus:  “Os homens têm necessidade da minha misericórdia”.

Em 1934, Irmã Maria Faustina ofereceu-se a Deus pelos pecadores, sobretudo por aqueles que tinham perdido a esperança na misericórdia divina. Nutriu uma fervorosa devoção à Eucaristia e à Mãe do Redentor, e amou intensamente a Igreja participando, no escondimento, na sua missão de salvação. Enriqueceu a sua vida consagrada e o seu apostolado, com o sofrimento do espírito e do coração. Consumada pela tuberculose, morreu santamente em Cracóvia  no  dia  5  de  Outubro  de  1938,  com  a  idade de 33 anos.

João Paulo II proclamou-a Beata no dia 18 de Abril de 1993; sucessivamente, a Congregação para as Causas dos Santos examinou com êxito positivo uma cura milagrosa atribuída à intercessão da Beata Maria Faustina, e no dia 20 de Dezembro de 1999 foi promulgado o Decreto sobre esse milagre.

RITO DE CANONIZAÇÃO DE MARIA FAUSTINA KOWALSKA

HOMILIA DO PAPA SÃO JOÃO PAULO II
 NA CONCELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

30 de Abril de 2000

1. “Confitemini Domino quoniam bonus, quoniam in aeternum misericordia eius”.

“Louvai  o  Senhor,  porque  Ele  é bom,  porque  é  eterno  o  Seu  amor” (Sl 118, 1).

Assim canta a Igreja na Oitava de Páscoa, como que recolhendo dos lábios de Cristo estas palavras do Salmo, dos lábios de Cristo ressuscitado, que no Cenáculo traz o grande anúncio da misericórdia divina e confia aos apóstolos o seu ministério:  “A paz esteja convosco! assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós… Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 21-23).

Antes de pronunciar estas palavras, Jesus mostra as mãos e o lado. Isto é, indica as feridas da Paixão, sobretudo a chaga do coração, fonte onde nasce a grande onda de misericórdia que inunda a humanidade. Daquele Coração a Irmã Faustina Kowalska, a Beata a quem de agora em diante chamaremos Santa, verá partir dois fachos de luz que iluminam o mundo:  “Os dois raios, explicou-lhe certa vez o próprio Jesus representam o sangue e a água” (Diário, Libreria Editrice Vaticana, pág. 132).

2. Sangue e água! O pensamento corre rumo ao testemunho do evangelista João que, quando um soldado no Calvário atingiu com a lança o lado de Cristo, vê jorrar dali “sangue e água” (cf. Jo 19, 34). E se o sangue evoca o sacrifício da cruz e o dom eucarístico, a água, na simbologia joanina, recorda não só o batismo, mas também o dom do Espírito Santo (cf. Jo 3, 5; 4, 14; 7, 37-39).

A misericórdia divina atinge os homens através do Coração de Cristo crucificado:  “Minha filha, dize que sou o Amor e a Misericórdia em pessoa”, pedirá Jesus à Irmã Faustina (Diário, pág. 374). Cristo derrama esta misericórdia sobre a humanidade mediante o envio do Espírito que, na Trindade, é a Pessoa-Amor. E porventura não é a misericórdia  o  “segundo  nome”  do  amor (cf. Dives in misericordia, 7), cultuado no seu aspecto mais profundo e terno, na sua atitude de cuidar de toda a necessidade, sobretudo na sua imensa capacidade de perdão?

É deveras grande a minha alegria, ao propor hoje à Igreja inteira, como dom de Deus para o nosso tempo, a vida e o testemunho da Irmã Faustina Kowalska. Pela divina Providência a vida desta humilde filha da Polônia esteve completamente ligada à história do século XX, que há pouco deixamos atrás. De fato, foi entre a primeira e a segunda guerra mundial que Cristo lhe confiou a sua mensagem de misericórdia. Aqueles que recordam, que foram testemunhas e participantes nos eventos daqueles anos e nos horríveis sofrimentos que daí derivaram para milhões de homens, bem sabem que a mensagem da misericórdia é necessária.

Jesus disse à Irmã Faustina:  “A humanidade não encontrará paz, enquanto não se voltar com confiança para a misericórdia divina” (Diário, pág. 132). Através da obra da religiosa polaca, esta mensagem esteve sempre unida ao século XX, último do segundo milênio e ponte para o terceiro. Não é uma mensagem nova, mas pode-se considerar um dom de especial iluminação, que nos ajuda a reviver de maneira mais intensa o Evangelho da Páscoa, para o oferecer como um raio de luz aos homens e às mulheres do nosso tempo.

3. O que nos trarão os anos que estão diante de nós? Como será o futuro do homem sobre a terra? A nós não é dado sabê-lo. Contudo, é certo que ao lado de novos progressos não faltarão, infelizmente, experiências dolorosas. Mas a luz da misericórdia divina, que o Senhor quis como que entregar de novo ao mundo através do carisma da Irmã Faustina, iluminará o caminho dos homens do terceiro milênio.

Assim como os Apóstolos outrora, é necessário porém que também a humanidade de hoje acolha no cenáculo da história Cristo ressuscitado, que mostra as feridas da sua crucifixão e repete:  A paz esteja convosco! É preciso que a humanidade se deixe atingir e penetrar pelo Espírito que Cristo ressuscitado lhe dá. É o Espírito que cura as feridas do coração, abate as barreiras que nos separam de Deus e nos dividem entre nós, restitui ao mesmo tempo a alegria do amor do Pai e a da unidade fraterna.

4. É importante, então, que acolhamos inteiramente a mensagem que nos vem da palavra de Deus neste segundo Domingo de Páscoa, que de agora em diante na Igreja inteira tomará o nome de “Domingo da Divina Misericórdia“. Nas diversas leituras, a liturgia parece traçar o caminho da misericórdia que, enquanto reconstrói a relação de cada um com Deus, suscita também entre os homens novas relações de solidariedade fraterna. Cristo ensinou-nos que “o homem não só recebe e experimenta a misericórdia de Deus, mas é também chamado a “ter misericórdia” para com os demais. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5, 7)” (Dives in misericordia, 14). Depois, Ele indicou-nos as múltiplas vias da misericórdia, que não só perdoa os pecados, mas vai também ao encontro de todas as necessidades dos homens. Jesus inclinou-se sobre toda a miséria humana, material e espiritual.

A sua mensagem de misericórdia continua a alcançar-nos através do gesto das suas mãos estendidas rumo ao homem que sofre. Foi assim que O viu e testemunhou aos homens de todos os continentes a Irmã Faustina que, escondida no convento de Lagiewniki em Cracóvia, fez da sua existência um cântico à misericórdia:  Misericordias Domini in aeternum cantabo.

5. A canonização da Irmã Faustina tem uma eloqüência particular:  mediante este ato quero hoje transmitir esta mensagem ao novo milênio. Transmito-a a todos os homens para que aprendam a  conhecer  sempre  melhor  o  verdadeiro rosto de Deus e o genuíno rosto dos irmãos.

Amor a Deus e amor aos irmãos são de fato inseparáveis, como nos recordou a primeira Carta de João:  “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus:  quando amamos a Deus e guardamos os Seus mandamentos” (5, 2). O Apóstolo  recorda-nos  nisto  a  verdade do  amor,  indicando-nos  na  observância  dos  mandamentos  a  medida  e  o critério.

Com efeito, não é fácil amar com um amor profundo, feito de autêntico dom de si. Aprende-se este amor na escola de Deus, no calor da sua caridade. Ao fixarmos o olhar n’Ele, ao sintonizarmo-nos com o seu coração de Pai, tornamo-nos capazes de olhar os irmãos com olhos novos, em atitude de gratuidade e partilha, de generosidade e perdão. Tudo isto é misericórdia!
Na medida em que a humanidade souber aprender o segredo deste olhar misericordioso, manifesta-se como perspectiva realizável o quadro ideal, proposto na primeira leitura:  “A multidão dos que haviam abraçado a fé tinha um só coração e uma só alma. Ninguém chamava seu ao que lhe pertencia mas, entre eles, tudo era comum” (Act 4, 32). Aqui a misericórdia do coração tornou-se também estilo de relações, projeto de comunidade, partilha de bens. Aqui floresceram as “obras da misericórdia”, espirituais e corporais. Aqui a misericórdia tornou-se um concreto fazer-se “próximo” dos irmãos mais indigentes.

6. A Irmã Faustina Kowalska deixou escrito no seu Diário:  “Sinto uma tristeza profunda, quando observo os sofrimentos do próximo. Todas as dores do próximo se repercutem no meu coração; trago no meu coração as suas angústias, de tal modo que me abatem também fisicamente.

Desejaria que todos os sofrimentos caíssem sobre mim, para dar Alivio ao próximo” (pág. 365). Eis a que ponto de partilha conduz o amor, quando é medido segundo o amor de Deus!

É neste amor que a humanidade de hoje se deve inspirar, para enfrentar a crise de sentido, os desafios das mais diversas necessidades, sobretudo a exigência de salvaguardar a dignidade de cada pessoa humana. A mensagem de misericórdia divina é assim, implicitamente, também uma mensagem sobre o valor de todo o homem. Toda a pessoa é preciosa aos olhos de Deus; Cristo deu a vida por cada um; o Pai dá o seu Espírito a todos, oferecendo-lhes o acesso à Sua intimidade.

7. Esta mensagem consoladora dirige-se sobretudo a quem, afligido por uma provação particularmente dura ou esmagado pelo peso dos pecados cometidos, perdeu toda a confiança na vida e se sente tentado a ceder ao desespero. Apresenta-se-lhe o rosto suave de Cristo, chegando-lhe aqueles raios que partem do seu Coração e iluminam, aquecem e indicam o caminho, e infundem esperança. Quantas almas já foram consoladas pela invocação “Jesus, confio em Ti“, que a Providência sugeriu através da Irmã Faustina! Este simples ato de abandono a Jesus dissipa as nuvens mais densas e faz chegar um raio de luz à vida de cada um.

“Jezu ufam tobie!”

8. Misericordias Domini in aeternum cantabo (Sl 88 [89], 2). À voz de Maria Santíssima, “Mãe da misericórdia”, à voz desta nova Santa, que na Jerusalém celeste canta a misericórdia juntamente com todos os amigos de Deus, unamos também  nós,  Igreja  peregrinante,  a nossa voz.E tu, Faustina, dom de Deus ao nosso tempo, dádiva da terra da Polônia à Igreja inteira, obtém-nos a graça de perceber a profundidade da misericórdia divina, ajuda-nos a torná-la experiência viva e a testemunhá-la aos irmãos! A tua mensagem de luz e de esperança se difunda no mundo inteiro, leve à conversão os pecadores, amenize as rivalidades e os ódios, abra os homens e as nações à prática da fraternidade. Hoje, ao fixarmos contigo o olhar no rosto de Cristo ressuscitado, fazemos nossa a tua súplica de confiante abandono e dizemos com  firme  esperança:  

Jesus, confio em Ti!

“Jezu, ufam tobie!”.

SANTA HELENA

Flávia Júlia Helena, esse era o seu nome completo. Nasceu em meados do século III, na Bitínia, Ásia Menor. Era descendente de uma família plebeia e tornou-se uma bela jovem, inteligente e bondosa. Trabalhava numa importante hospedaria na sua cidade natal quando conheceu o tribuno Constâncio Cloro. Apaixonados, casaram-se. Mas quando o imperador Maximiano nomeou-o corregente, portanto seu sucessor, exigiu que ele abandonasse Helena e se casasse com sua enteada Teodora. Isso era possível porque a lei romana não reconhecia o casamento entre nobres e plebeus.

O ambicioso Constâncio obedeceu. Entretanto, levou consigo para Roma o filho Constantino, que nascera em 274 da união com Helena, que ficou separada do filho por 14 anos. Com a morte do pai em 306, Constantino mandou buscar a mãe para junto de si na Corte. Ela já se havia convertido e tornado uma cristã fervorosa e piedosa.

O jovem Constantino, auxiliado pela sabedoria de Helena, conseguiu assumir o trono como o legítimo sucessor do pai. Primeiro, tornou-se governador; depois, o supremo e incontestável imperador de Roma, recebendo o nome de Constantino, o Grande. Para tanto, teve de vencer seu pior adversário, Maxêncio, na histórica batalha travada, em 312, às portas de Roma.

Conta a história que, durante a batalha contra Maxêncio, seu exército estava em desvantagem. Influenciado por Helena, que tentava convertê-lo, Constantino teve uma visão. Apareceu-lhe uma cruz luminosa no céu com os seguintes dizeres: “Com este sinal, vencerás”. Imediatamente, mandou pintar a cruz em todas as bandeiras e, milagrosamente, venceu a batalha. Nesse mesmo dia, o imperador mandou cessar, imediatamente, toda e qualquer perseguição contra os cristãos e editou o famoso decreto de Milão, em 313, pelo qual concedeu liberdade de culto aos cristãos e deu a Helena o honroso título de “Augusta”.

Helena passou a dedicar-se à expansão da evangelização e crescimento do cristianismo em todos os domínios romanos. Às custas do Império, patrocinou a construção de igrejas católicas nos lugares dos templos pagãos, de mosteiros de monges e monjas e ajudou a organizar as obras de assistência aos pobres e doentes. Depois, apesar de idosa e cansada, foi em peregrinação para a Palestina, visitar os lugares da Paixão de Cristo. Lá supervisionou a construção das importantes basílicas erguidas nos lugares santos, dentre elas a da Natividade e a do Santo Sepulcro, que existem até hoje. Conta a tradição que Helena ajudou, em Jerusalém, o bispo Macário a identificar a verdadeira cruz de Jesus, quando as três foram encontradas. Para isso, levaram ao local uma mulher agonizante, que se curou milagrosamente ao tocar aquela que era a verdadeira.

Pressentindo que o fim estava próximo, voltou para junto de seu filho, Constantino, morrendo em seus braços, aos 80 anos de idade, entre 328 e 330. O culto a santa Helena, celebrado no dia 18 de agosto, é um dos mais antigos da Igreja Católica. Algumas de suas relíquias são veneradas na basílica dedicada a ela em Roma.
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