
A Igreja neste mundo celebra a liturgia como um povo sacerdotal, no qual cada indivíduo desempenha sua função específica, unindo-se na comunhão do Espírito Santo: os batizados oferecem-se como sacrifício espiritual, os ministros ordenados celebram de acordo com a Ordem recebida para servir a todos os membros da Igreja, e os bispos e presbíteros agem na pessoa de Cristo Cabeça.
A celebração litúrgica é permeada por sinais e símbolos cujo significado, enraizado na criação e nas culturas humanas, adquire clareza nos eventos da Antiga Aliança e se revela plenamente na Pessoa e na obra de Cristo.
Dado que o canto e a música estão intimamente ligados à ação litúrgica, devem observar critérios específicos: conformidade com a doutrina católica nos textos, preferencialmente retirados da Escritura e das fontes litúrgicas; expressividade bela na oração; qualidade musical; participação da assembleia; consideração pela riqueza cultural do Povo de Deus; e preservação do caráter sagrado e solene da celebração.
Como afirmou Santo Agostinho, “Quem canta reza duas vezes.”
A SANTA MISSA
A Santa Missa é o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, instituído por Ele para perpetuar, ao longo dos séculos até Sua volta, o sacrifício da cruz. Assim, confiou à Sua Igreja o memorial de Sua Morte e Ressurreição. É o sinal da unidade, o vínculo da caridade, o banquete pascal no qual recebemos Cristo, cobrimos a alma de graça e recebemos o penhor da vida eterna.
Jesus instituiu a Santa Missa na Quinta-feira Santa, “na noite em que ia ser entregue” (1 Cor 11,23), celebrando a Última Ceia com Seus Apóstolos. Reunidos no Cenáculo, Jesus tomou o pão em Suas mãos, partiu-o e deu aos Apóstolos, dizendo: “Tomai todos e comei: isto é o meu corpo que será entregue por vós”. Em seguida, tomou o cálice com vinho e disse: “Tomai todos e bebei: este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim”.
A insondável riqueza desse sacramento é expressa por diversos nomes que evocam seus aspectos particulares, tais como Eucaristia, Santa Missa, Ceia do Senhor, Fração do Pão, Celebração Eucarística, Memorial da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, Santo Sacrifício, Santa e Divina Liturgia, Santos Mistérios, Santíssimo Sacramento do Altar e Santa Comunhão.
A Eucaristia é fonte e ápice de toda a vida cristã. Nela, atingimos o ápice da ação santificadora de Deus e do nosso culto a Ele. A Eucaristia abrange todo o bem espiritual da Igreja, pois nela recebemos Cristo, nossa Páscoa. A comunhão da vida divina e a unidade do Povo de Deus são expressas e realizadas por meio da Eucaristia. Ao celebrarmos a Eucaristia, nos unimos à liturgia celestial e antecipamos a vida eterna.
(Texto extraído do Catecismo da Igreja Católica)
OBJETOS LITÚRGICOS
![]() | HÓSTIA: Pão Eucarístico. A palavra significa “vítima que será” sacrificada. “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim.” Corpo de Cristo. | ![]() | VINHO: É vinho puro de uva. O vinho se converte no verdadeiro Sangue do Senhor, vivo e ressuscitado. |
![]() | ALTAR: Mesa onde se realiza a ceia Eucarística; ela representa o próprio Jesus na Liturgia. | ![]() | NAVETA: Objeto utilizado para se colocar o incenso, antes de queimá-lo no turíbulo. |
![]() | AMBÃO: Estante onde é proclamada a palavra de Deus. | ![]() | OSTENSÓRIO ou CUSTÓDIA: Objeto utilizado para expor o Santíssimo, ou para levá-lo em procissão. |
![]() | CÁLICE: Taça onde se coloca o vinho que vai ser consagrado. | ![]() | PALA: Cobertura quadrangular para o cálice. |
![]() | CORPORAL: Pano quadrangular de linho com uma cruz no centro; sobre ele é colocado o cálice, a patena e a âmbula para a consagração. | ![]() | PATENA: Prato onde são colocadas as hóstias para a consagração. |
![]() | CRUCIFIXO: Fica sobre o altar ou acima dele, lembra a Ceia do Senhor é inseparável do seu Sacrifício Redentor. | ![]() | SANGUÍNEO: Pequeno pano utilizado para o celebrante enxugar a boca, os dedos e o interior do cálice, após a consagração. |
![]() | GALHETAS: Recipientes onde se coloca a água e o vinho para serem usados na Celebração Eucarística. | ![]() | TECA: Pequeno recipiente onde se leva a comunhão para pessoas impossibilitadas de ir à Missa. |
![]() | INCENSO: Resina de aroma suave. Produz uma fumaça que sobe aos céus, simbolizando as nossas preces e orações à Deus. | ![]() | TURÍBULO: Recipiente de metal usado para queimar o incenso. |
![]() | LECIONÁRIOS: Livros que contém as leituras da Missa. Lecionário ferial (leituras da semana); lecionário santoral (leitura dos santos), lecionário dominical (leituras do Domingo). | ![]() | CÍRIO PASCAL: Uma vela grande onde se pode ler ALFA e ÔMEGA (Cristo: começo e fim) e o ano em curso. tem grãos de incenso que representam as cinco chagas de Cristo. Usado na Vigília Pascal, durante o Tempo Pascal, e durante o ano nos batizados. Simboliza o Cristo, luz do mundo. |
![]() | MANUSTÉRGIO: Toalha usada para purificar as mãos antes, durante e depois do ato litúrgico. | ![]() | CALDEIRA E ASPENSÓRIO: Utilizado para aspergir pessoas e objetos com água-benta. |
![]() | MISSAL: Livro que contém o ritual da missa, menos as leituras. | SINETA: Sininho tocado pelo acólito no momento da consagração. | |
![]() | SACRÁRIO: Caixa onde é guardada a Eucaristia após a celebração. Também é conhecida como Tabernáculo.. | ![]() | JARRA E BACIA: Usada para as purificações litúrgicas. |
![]() | ÂMBULA: É semelhante ao cálice, mas possui uma tampa. Nele se colocam as hóstias. Após a missa, é guardada no sacrário, juntamente com as hóstias que foram consagradas. | ![]() | LAMPARINA: É a lâmpada do Santíssimo. |
AS VESTES LITÚRGICAS
Para lidar com as coisas sagradas, o sacerdote emprega sinais divinos, vestindo trajes que o distinguem das demais pessoas. Essas vestimentas representam o Cristo glorioso e simbolizam a comunidade que crê na ressurreição de Cristo.
A Alva, por exemplo, é uma vestimenta bastante semelhante à túnica, completamente branca, simbolizando nova vida, pureza e ressurreição.
O Amito, utilizado por alguns sacerdotes, é um tecido branco que envolve o pescoço e é colocado sob a túnica ou a alva.
A Casula é colocada sobre todas as vestes, cobrindo completamente o corpo, e sua cor varia de acordo com o período litúrgico (branca, verde, roxa, vermelha, etc.). Trata-se de uma vestimenta solene e ampla, usada em ocasiões festivas como o Natal, a Páscoa e o Corpus Christi, simbolizando a paz e a caridade que devem envolver todos os que se aproximam do altar.
O Cíngulo, um cordão que prende a alva ou a túnica à altura da cintura, simboliza a vigilância, evocando as cordas com as quais Jesus foi amarrado.
Já a Estola é uma faixa vertical separada da túnica, descendo do pescoço do sacerdote em duas partes sobre o peito, com sua cor também variando conforme o tempo litúrgico. Essa vestimenta simboliza o poder conferido ao sacerdote, assim como a caridade, o perdão, a misericórdia e o serviço.
A Túnica, por sua vez, é um manto longo, geralmente nas cores branca, bege ou cinza claro, que cobre todo o corpo. Ela lembra a túnica que Jesus usava, “sem costura de alto a baixo”, sobre a qual os soldados romanos tiraram a sorte para decidir quem ficaria com ela.
AS CORES LITÚRGICAS
Quando nos dirigimos à Casa de Deus, é notável a harmonia cromática que envolve o altar, o tabernáculo, o ambão e até mesmo a estola que veste o sacerdote. Observamos, ademais, que a cada semana transcorrida, essa paleta de cores pode oscilar ou manter-se constante. Em situações nas quais, no mesmo dia, frequentamos duas distintas igrejas, corroboramos que ambas adotam exatamente os mesmos elementos. Dessarte, chegamos à conclusão de que as cores possuem significados ímpares para a Igreja. Com efeito, a coloração utilizada em determinado dia é universal para toda a comunidade eclesiástica, a qual subscreve a um calendário litúrgico comum. Em conformidade com a missa do dia, delineada pelo mencionado calendário, é estabelecida uma cor específica. Contudo, qual é a simbologia subjacente a essas tonalidades?
Verde: Simboliza a esperança que todo fiel cristão deve proclamar. É empregado nas celebrações do Tempo Comum.
Branco: Representa a alegria cristã e a vivacidade de Cristo. Utilizado nas missas de Natal, Páscoa, Corpus Christi, Festas de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, bem como nas Festas de Santos, exceto nos casos dos mártires, nos quais se adota o vermelho, entre outras ocasiões. Em grandes solenidades, pode ser substituído pelo amarelo ou, mais especificamente, pelo dourado.
Vermelho: Simboliza o fogo purificador, o sangue e o martírio. Reservado para as celebrações de Pentecostes e para homenagear os santos mártires.
Roxo: Representa a preparação, a penitência ou a conversão. Designado para as missas da Quaresma e do Advento.
Rosa: Intermediando entre o roxo (associado à Quaresma ou ao Advento) e o branco (relacionado à Páscoa ou ao Natal), simboliza a alegria iminente dessas festividades. Utilizado exclusivamente no terceiro domingo do Advento (conhecido como domingo Gaudete) e no quarto domingo da Quaresma (intitulado domingo Laetare).
Azul: Em desuso, era empregado nas missas dedicadas a Nossa Senhora, simbolizando o Manto Azul da Virgem.
Preto: Também em desuso, evoca a ideia da morte. Reservado para cerimônias fúnebres, vem gradativamente sendo substituído pela cor roxa.


























