Olá, meus amigos, saudações em Cristo e no Coração Imaculado de Maria!
Iniciamos esta série com o Papa Francisco, publicando conteúdos com o intuito de divulgar suas palavras, para que pudéssemos verdadeiramente seguir os ensinamentos daquele que é o Sucessor de Pedro e Sumo Pontífice da nossa Santa Igreja. Afinal, só se ama aquilo que se conhece.
Agora, com o início do pontificado do Papa Leão XIV — eleito há pouco mais de dois meses — queremos intensificar o CONHECENDO PARA AMAR, para que possamos viver com profundidade tudo aquilo que Nosso Senhor deseja nos comunicar, por meio do seu Vigário na terra, especialmente nestes tempos de Grande Tribulação.
Por isso, a partir de hoje, o CONHECENDO PARA AMAR passa a ter uma página exclusiva, dedicada a acolher, escutar e meditar tudo aquilo que nosso Santo Padre tem a nos dizer e ensinar.
São Paulo, 15 de julho de 2025.

CONHECENDO PARA AMAR
Bom dia meus caros amigos.
Hoje, 27 de maio de 2025, pela manhã, o Santo Padre, o Papa Leão XIV recebeu um time de futebol de Napoli e aproveitou para falar sobre o “cuidado com a qualidade moral da experiência esportiva em nível competitivo, porque está em jogo o crescimento humano dos jovens.”E também da importância do trabalho unido, no qual “os talentos individuais são colocados a serviço do todo”.
Leiam a tradução integral do discurso:
SAUDAÇÃO DO SANTO PADRE LEÃO XIV
À SOCIEDADE ESPORTIVA CALCIO NAPOLI
Sala Clementina
Terça-feira, 27 de maio de 2025
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Talvez vocês não quisessem aplaudir porque na imprensa dizem que eu sou torcedor da Roma… Mas sejam bem-vindos! É o que diz a imprensa. Nem tudo o que vocês leem na imprensa é verdade!
Caros amigos,
sejam bem-vindos! E parabéns pela conquista do campeonato! É uma grande festa para a cidade de Nápoles!
E é justamente sobre isso que gostaria de fazer uma reflexão com vocês. Vencer o campeonato é uma meta alcançada ao final de um longo caminho, onde o que mais conta não é o feito isolado, nem a performance extraordinária de um campeão. O campeonato é vencido pela equipe, e quando digo “equipe” refiro-me tanto aos jogadores, quanto ao técnico com toda a comissão, e também à sociedade esportiva.
Por isso, estou realmente feliz em recebê-los agora, para destacar este aspecto do sucesso de vocês, que considero o mais importante. E diria que também o é do ponto de vista social. Sabemos o quanto o futebol é popular na Itália e praticamente no mundo inteiro. E então, também sob esse ponto de vista, parece-me que o valor social de um acontecimento como este, que vai além do aspecto puramente técnico-esportivo, é o exemplo de uma equipe – em sentido amplo – que trabalha unida, na qual os talentos individuais são colocados a serviço do todo.
E há uma última coisa que me é cara dizer aproveitando esta ocasião. Trata-se do aspecto educativo. Infelizmente, quando o esporte se torna negócio, corre o risco de perder os valores que o tornam educativo, e pode até se tornar deseducativo. É preciso estar atento a isso, especialmente quando se trata de adolescentes. Faço um apelo aos pais e aos dirigentes esportivos: é preciso ter muito cuidado com a qualidade moral da experiência esportiva em nível competitivo, porque está em jogo o crescimento humano dos jovens. Acho que nos entendemos, e não é preciso muitas palavras.
Agradeço a visita de vocês. E mais uma vez, parabéns! Parabéns também da parte de uma senhora que nestes dias está cozinhando para mim, que é de Nápoles, e lhes envia: muitos votos de felicidades! Ela gostaria de estar aqui também, a senhora Rosa, grande torcedora!
Que o Senhor abençoe todos vocês e suas famílias. Muitos votos de felicidades!
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CONHECENDO PARA AMAR
O Santo Padre, o Papa LEÃO XIV falou de surpresa aos membros da Peregrinação Jubilar pela Africa.
Convidou-os “a buscarem a esperança, mas também a serem sinais de esperança”.
O Papa aos membros da peregrinação jubilar pela África: sejam sinais de esperança no mundo
Na tarde de hoje, 26 de maio, de surpresa, Leão XIV saudou na Basílica Vaticana os participantes da Peregrinação jubilar pela paz na África, composta por embaixadores africanos credenciados junto à Santa Sé e à Itália. Ao final da Missa presidida pelo cardeal Arinze, o Papa destacou o “grande testemunho que o continente africano oferece ao mundo inteiro”.
Vatican News
Este Ano Santo convida todos os batizados “a buscarem a esperança, mas também a serem sinais de esperança” para a humanidade. E, nesse sentido, “o continente africano oferece ao mundo inteiro” um “grande testemunho”. Assim se dirigiu o Papa Leão XIV aos participantes da peregrinação jubilar pela paz na África, formada por embaixadores africanos credenciados junto à Santa Sé e à Itália, encontrados de surpresa na Basílica Vaticana, ao término da Missa celebrada nesta tarde, no Altar da Cátedra, pelo cardeal Francis Arinze e concelebrada pelo cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson e pelo arcebispo Fortunatus Nwachukwu, secretário do Dicastério para a Evangelização.
Caminhar juntos, unidos, a serviço dos outros
Falando de improviso em inglês, o Papa destacou que “é a nossa fé que nos dá força” e “nos permite ver a luz de Jesus Cristo em nossas vidas e compreender o quanto é importante viver a nossa fé, não apenas aos domingos, não apenas durante uma peregrinação, mas a cada dia”. Para que sejamos “cheios da esperança que só Jesus Cristo pode nos dar”, para que possamos continuar caminhando todos juntos “unidos como irmãos e irmãs para louvar nosso Deus” e “para reconhecer que tudo o que temos e tudo o que somos é um dom de Deus, e colocar esses dons a serviço dos outros”.
Obrigado por viverem sua fé em Cristo
Leão XIV saudou os embaixadores, seus colaboradores e todos os familiares, agradecendo por viverem a fé em Jesus Cristo. A peregrinação jubilar tem como tema “A Esperança da Paz na África”, e foi organizada por ocasião da 62ª Jornada Internacional da África. O evento contou com a participação de cerca de quinhentas pessoas.
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CONHECENDO PARA AMAR
PAPA LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 28 de maio de 2025
Ciclo de Catequese – Jubileu 2025. Jesus Cristo Nossa Esperança. II. A vida de Jesus. As parábolas 7. O samaritano. Passou junto dele e, ao vê-lo, ficou profundamente compadecido. (Lc 10,33)
Estimados irmãos e irmãs!
Continuemos a meditar sobre algumas parábolas do Evangelho que constituem uma ocasião para mudar de perspetiva e para nos abrirmos à esperança. Às vezes, a falta de esperança deve-se ao facto de nos fixarmos num certo modo rígido e fechado de ver as coisas, e as parábolas ajudam-nos a olhar para elas de outro ponto de vista.
Hoje gostaria de vos falar de uma pessoa experiente, preparada, um doutor da Lei que, contudo, deve mudar de perspetiva, porque está concentrado em si mesmo e não se dá conta dos outros (cf. Lc 10, 25-37). Com efeito, ele interroga Jesus sobre o modo como se “herda” a vida eterna, recorrendo a uma expressão que a entende como um direito inequívoco. Mas por detrás desta pergunta talvez se esconda precisamente uma necessidade de atenção: a única palavra sobre a qual pede explicações a Jesus é o termo “próximo”, que literalmente significa aquele que está perto.
Por isso, Jesus narra uma parábola que é um caminho para transformar aquela interrogação, para passar de quem me ama? a quem amou? A primeira é uma pergunta imatura, a segunda é a pergunta do adulto que compreendeu o sentido da sua vida. A primeira pergunta é a que pronunciamos quando nos colocamos num canto e esperamos, a segunda é a que nos impele a pôr-nos a caminho.
Com efeito, a parábola que Jesus narra tem como cenário uma estrada, e é uma estrada difícil e impérvia, como a vida. É a estrada percorrida por um homem que desce de Jerusalém, a cidade na montanha, para Jericó, a cidade abaixo do nível do mar. Trata-se de uma imagem que já prenuncia o que poderia acontecer: efetivamente, acontece que o homem é atacado, espancado, roubado e deixado meio-morto. É a experiência que ocorre quando as situações, as pessoas, às vezes até aqueles em quem confiamos, nos tiram tudo e nos deixam no meio do caminho.
No entanto, a vida é feita de encontros e, nestes encontros, revelamo-nos pelo que somos. Encontramo-nos diante do outro, perante a sua fragilidade e a sua fraqueza, e podemos decidir o que fazer: cuidar dele ou fingir que nada aconteceu. Um sacerdote e um levita descem por aquela mesma estrada. São pessoas que prestam serviço no Templo de Jerusalém, que habitam o espaço sagrado. Todavia, a prática do culto não leva automaticamente a ser compassivo. Com efeito, antes de ser uma questão religiosa, a compaixão é uma questão de humanidade! Antes de sermos crentes, somos chamados a ser humanos!
Podemos imaginar que, depois de terem permanecido muito tempo em Jerusalém, o sacerdote e o levita têm pressa de voltar para casa. É precisamente a pressa, tão presente na nossa vida, que muitas vezes nos impede de sentir compaixão. Quem pensa que o seu percurso deve ter a prioridade, não está disposto a parar por outra pessoa.
Mas eis que chega alguém que efetivamente é capaz de parar: trata-se de um samaritano, portanto de alguém que pertence a um povo desprezado (cf. 2 Rs 17). No seu caso, o texto não especifica a direção, mas diz apenas que se encontrava a caminho. Aqui, a religiosidade não tem nada a ver com isto. Este samaritano detém-se simplesmente porque é um homem diante de outro homem que precisa de ajuda.
A compaixão exprime-se através de gestos concretos. O evangelista Lucas concentra-se nas ações do samaritano, a quem chamamos “bom”, mas que no texto é simplesmente uma pessoa: o samaritano faz-se próximo, pois se quisermos ajudar alguém não podemos pensar em manter-nos à distância, devemos envolver-nos, sujar-nos, talvez contaminar-nos; faz curativos nas suas feridas depois de as ter limpado com azeite e vinho; carrega-o na sua cavalgadura, isto é, responsabiliza-se por ele, pois só ajudamos verdadeiramente se estivermos dispostos a sentir o peso da dor do outro; leva-o para uma hospedaria, onde gasta dinheiro, “dois denários”, mais ou menos dois dias de trabalho; e compromete-se a voltar e eventualmente a pagar mais, porque o outro não é um pacote a entregar, mas alguém de quem devemos cuidar.
Caros irmãos e irmãs, quando também nós seremos capazes de interromper o nosso caminho e ter compaixão? Quando compreendermos que o homem ferido ao longo da estrada representa cada um de nós. E então a recordação de todas as vezes que Jesus parou para cuidar de nós tornar-nos-á mais capazes de compaixão.
Portanto, oremos para poder crescer em humanidade, a fim de que as nossas relações sejam mais verdadeiras, mais ricas de compaixão. Peçamos ao Coração de Cristo a graça de ter cada vez mais os seus próprios sentimentos.
Saudações:
Dirijo uma cordial saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo especial à Camerata Jovem do Rio de Janeiro e aos grupos provenientes do Brasil e de Portugal. Pela intercessão da Mãe do Bom Conselho peçamos a graça de sentir no nosso coração os mesmos sentimentos do seu Filho amado. Deus vos abençoe!
APELO
Nestes dias, dirijo frequentemente o meu pensamento ao povo ucraniano, atingido por novos e graves ataques contra civis e infraestruturas. Asseguro a minha proximidade e a minha oração por todas as vítimas, de modo especial pelas crianças e famílias. Renovo o meu veemente apelo para que se ponha fim à guerra, apoiando todas as iniciativas de diálogo e paz. Peço a todos que se unam em oração pela paz na Ucrânia e onde quer que as pessoas sofram devido à guerra.
Da Faixa de Gaza eleva-se cada vez mais intensamente ao Céu o pranto das mães e dos pais, que abraçam os corpos sem vida dos filhos e são continuamente forçados a deslocar-se em busca de um pouco de alimento e de um abrigo mais seguro contra os bombardeamentos. Aos responsáveis, renovo o meu apelo: pelo cessar-fogo, pela libertação de todos os reféns, pelo respeito integral do direito humanitário!
Maria, Rainha da Paz, rogai por nós!
Resumo da catequese do Santo Padre:
Continuamos a meditar sobre algumas parábolas do Evangelho que nos abrem à esperança. Um doutor da lei, centrado sobre si mesmo, interroga Jesus sobre quem é o “próximo” a quem deve amar. O Senhor, ao contar a parábola do Bom Samaritano, procura mudar a ótica: não se deve perguntar quem é o próximo, mas fazer-se próximo de todos os que necessitam. No caminho da vida, nos encontramos com o outro, com a sua fragilidade, e podemos decidir cuidar das suas feridas ou passar ao largo. Muitas vezes a pressa em tratar das nossas coisas impede-nos de experimentar a compaixão, que deve ser expressa em gestos concretos. O samaritano fez-se próximo daquele que estava ferido. Como Jesus faz conosco, assim devemos fazer com nossos irmãos e irmãs necessitados de auxílio.
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CONHECENDO PARA AMAR
ENCERRAMENTO DO MÊS DE MAIO
PALAVRAS DO PAPA LEÃO XIV
NO FINAL DA RECITAÇÃO DO ROSÁRIO
NOS JARDINS DO VATICANO
Gruta de Lourdes nos Jardins Vaticanos
Sábado, 31 de maio de 2025
Estimados irmãos e irmãs!
É com alegria que me uno a vós nesta Vigília de oração, no final do mês de maio. É um gesto de fé com o qual, de modo simples e devoto, nos reunimos sob o manto materno de Maria. Além disso, este ano ele recorda alguns aspetos importantes do Jubileu que celebramos: o louvor, o caminho, a esperança e, sobretudo, a fé meditada e manifestada em coro.
Recitastes juntos o santo Rosário: uma oração, como realçou São João Paulo II, com fisionomia mariana e coração cristológico, que «concentra em si a profundidade de toda a mensagem evangélica» (Carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, 16 de outubro de 2002, 1).
Efetivamente, na meditação dos Mistérios gozosos, durante o caminho percorrido, entrastes e parastes, como que em peregrinação, em muitos lugares da vida de Jesus: na casa de Nazaré, contemplando a Anunciação; na casa de Zacarias, contemplando a Visitação, que hoje celebramos; na gruta de Belém, contemplando o Natal; no Templo de Jerusalém, contemplando a apresentação e depois o encontro de Jesus. Acompanhavam-vos, na Ave-Maria repetida com fé, as palavras do Anjo à Mãe de Deus: «Alegra-te, ó cheia de graça: o Senhor está contigo!» (Lc 1, 28), e as de Isabel que a saúda com alegria: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!» (Lc 1, 42).
Assim, os vossos passos foram cadenciados pela Palavra de Deus que, com o seu ritmo, assinalou o trajeto, as paragens e as partidas, assim como fez com o povo de Israel no deserto, a caminho da Terra prometida.
Olhemos, pois, para a nossa existência como um caminho no seguimento de Jesus, a percorrer, como fizemos esta tarde, com Maria. E peçamos ao Senhor para saber louvá-lo todos os dias, «com a vida e com a língua, com o coração e com os lábios, com a voz e com a conduta» (Santo Agostinho, Discurso 256, 1), evitando desarmonias: a língua em sintonia com a vida, e os lábios com a consciência (cf. ibid.).
Saúdo os Senhores Cardeais presentes, os Bispos, os sacerdotes, as pessoas consagradas e todos os fiéis. Desejo manifestar, de modo particular, afeto e gratidão às Irmãs Beneditinas do Mosteiro Mater Ecclesiae, que com a sua oração escondida e constante sustentam a nossa comunidade e a nossa obra.
Que a alegria deste momento permaneça e cresça em nós, «na nossa vida pessoal e familiar, em todos os ambientes, especialmente na vida desta família que, aqui no Vaticano, serve a Igreja universal» (Bento XVI, Conclusão do mês mariano, 31 de maio de 2012). Que o Senhor nos abençoe e nos acompanhe sempre, e que Maria interceda por nós. Obrigado!
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CONHECENDO PARA AMAR
LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Praça São Pedro – Quarta-feira, 4 de junho de 2025
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Ciclo de Catequeses – Jubileu 2025. Jesus Cristo, nossa esperança. II. A vida de Jesus. As parábolas. 8. Os operários da vinha.
“E disse-lhes: ‘Ide vós também para a vinha’” (Mt 20,4)
Queridos irmãos e irmãs,
Gostaria de me deter novamente sobre uma parábola de Jesus. Também neste caso, trata-se de um relato que alimenta nossa esperança. Às vezes, de fato, temos a impressão de não conseguir encontrar um sentido para nossa vida: sentimo-nos inúteis, inadequados, como operários que esperam na praça do mercado, aguardando que alguém os contrate para trabalhar. Mas, por vezes, o tempo passa, a vida corre e não nos sentimos reconhecidos ou valorizados. Talvez não tenhamos chegado a tempo, outros se apresentaram antes de nós, ou então as preocupações nos retiveram em outro lugar.
A metáfora da praça do mercado é muito adequada também para os nossos tempos, porque o mercado é o lugar dos negócios, onde infelizmente também se compram e vendem o afeto e a dignidade, tentando tirar algum proveito. E, quando não nos sentimos valorizados, reconhecidos, corremos até o risco de nos vender ao primeiro que aparecer. O Senhor, porém, nos recorda que a nossa vida tem valor, e o seu desejo é nos ajudar a descobrir isso.
Também na parábola que comentamos hoje, há operários esperando que alguém os contrate para o dia. Estamos no capítulo 20 do Evangelho de Mateus e, mais uma vez, encontramos um personagem com um comportamento incomum, que surpreende e provoca reflexão. É o dono de uma vinha, que sai pessoalmente em busca de seus operários. É evidente que deseja estabelecer com eles uma relação pessoal.
Como disse, trata-se de uma parábola que nos dá esperança, porque nos mostra que este patrão sai várias vezes para procurar quem está à espera de dar um sentido à sua vida. Ele sai logo ao amanhecer e depois, a cada três horas, volta a buscar operários para mandar à sua vinha. Seguindo essa sequência, após sair às três da tarde, não haveria mais razão para sair novamente, pois o dia de trabalho terminava às seis.
No entanto, esse patrão incansável, que quer a todo custo dar valor à vida de cada um de nós, sai também às cinco horas da tarde. Os operários que ainda estavam na praça provavelmente já haviam perdido toda a esperança. Aquele dia parecia ter sido em vão. Mas alguém ainda acreditou neles. Que sentido faz contratar trabalhadores apenas para a última hora do dia? Que sentido tem trabalhar por apenas uma hora? E, no entanto, mesmo quando parece que pouco podemos fazer na vida, ainda assim vale a pena. Sempre há possibilidade de encontrar sentido, porque Deus ama a nossa vida.
E eis que a originalidade desse patrão se revela também no fim do dia, na hora do pagamento. Com os primeiros operários, que foram para a vinha ao amanhecer, o patrão havia combinado um denário, que era o pagamento típico por um dia de trabalho. Aos outros, ele diz que lhes dará o que for justo. E é justamente aqui que a parábola volta a nos provocar: o que é justo? Para o dono da vinha — ou seja, para Deus — é justo que cada um receba o que é necessário para viver. Ele chamou os trabalhadores pessoalmente, conhece sua dignidade e, com base nela, deseja recompensá-los. E dá a todos um denário.
O relato diz que os operários da primeira hora ficam decepcionados: não conseguem ver a beleza do gesto do patrão, que não foi injusto, mas simplesmente generoso; não olhou apenas para o mérito, mas também para a necessidade. Deus quer dar a todos o seu Reino, isto é, uma vida plena, eterna e feliz. E assim age Jesus conosco: não faz classificações — a quem lhe abre o coração, Ele dá tudo de Si mesmo.
À luz desta parábola, o cristão de hoje pode ser tentado a pensar: “Por que começar a trabalhar logo? Se a recompensa é a mesma, por que trabalhar mais?”. A essas dúvidas, Santo Agostinho respondia assim:
“Por que então tardas em seguir quem te chama, se és certo da recompensa, mas incerto do dia? Cuida para que, por adiar, não tires de ti mesmo aquilo que Ele quer te dar segundo sua promessa.” [1]
Gostaria de dizer, especialmente aos jovens: não esperem, mas respondam com entusiasmo ao Senhor que nos chama para trabalhar na sua vinha. Não adiem, arregaçem as mangas, pois o Senhor é generoso e vocês não ficarão decepcionados! Trabalhando na sua vinha, encontrarão uma resposta para aquela pergunta profunda que carregam dentro de si: qual é o sentido da minha vida?
Queridos irmãos e irmãs, não desanimemos! Mesmo nos momentos escuros da vida, quando o tempo passa sem nos dar as respostas que buscamos, peçamos ao Senhor que saia mais uma vez e venha ao nosso encontro, lá onde estamos esperando por Ele. O Senhor é generoso — e virá em breve!
vatican.va
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CONHECENDO PARA AMAR
PAPA LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 11 de junho de 2025
Ciclo de Catequese – Jubileu 2025. Jesus Cristo Nossa Esperança. II. A vida de Jesus. As parábolas. 9. Bartimeu. “Tem coragem, levanta-te! Ele chama-te.” (Mc 10,49)
Estimados irmãos e irmãs!
Com esta catequese, gostaria de orientar o nosso olhar para outro aspeto essencial da vida de Jesus: ou seja, as suas curas. Por isso, convido-vos a colocar diante do Coração de Cristo as vossas partes mais dolorosas ou frágeis, aqueles lugares da vossa vida onde vos sentis parados e bloqueados. Peçamos ao Senhor com confiança que ouça o nosso grito e nos cure!
O personagem que nos acompanha nesta reflexão ajuda-nos a compreender que nunca devemos abandonar a esperança, mesmo quando nos sentimos perdidos. Trata-se de Bartimeu, cego e mendigo, que Jesus encontrou em Jericó (cf. Mc 10, 40-52). O lugar é significativo: Jesus está a caminho de Jerusalém, mas inicia a sua viagem, por assim dizer, a partir do “submundo” de Jericó, uma cidade abaixo do nível do mar. Com efeito, com a sua morte, Jesus foi recuperar aquele Adão que caiu em baixo e que representa cada um de nós.
Bartimeu significa “filho de Timeu”: descreve aquele homem através de uma relação, mas está dramaticamente só. No entanto, este nome poderia significar também “filho da honra”, ou “da admiração”, exatamente o oposto da situação em que se encontra (é a interpretação dada também por Agostinho em O consenso dos evangelistas, 2, 65, 125: PL 34, 1138). E dado que o nome é tão importante na cultura judaica, significa que Bartimeu não consegue viver o que é chamado a ser.
Além disso, contrariamente ao grande movimento de pessoas que caminham atrás de Jesus, Bartimeu está parado. O evangelista diz que está sentado ao longo da estrada e, portanto, que precisa de alguém que o ponha de pé e o ajude a retomar o caminho.
O que podemos fazer quando nos encontramos numa situação que parece sem saída? Bartimeu ensina-nos a apelar aos recursos que temos em nós e que fazem parte de nós. Ele é um mendigo, sabe pedir, aliás consegue gritar! Se desejas realmente algo, fazes tudo para o poder alcançar, até quando os outros te censuram, te humilham e te dizem para desistir. Se o desejas realmente, continua a gritar!
O grito de Bartimeu, descrito no Evangelho de Marcos – «Filho de David, Jesus, tende piedade de mim!» (v. 47) – tornou-se uma oração bem conhecida na tradição oriental, que também nós podemos utilizar: «Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador!».
Bartimeu é cego, mas paradoxalmente vê melhor do que os outros e reconhece quem é Jesus! Perante o seu grito, Jesus detém-se e chama-o (cf. v. 49), pois não há grito que Deus não ouça, até quando não estamos conscientes de nos dirigirmos a Ele (cf. Ex 2, 23). Parece estranho que, diante de um cego, Jesus não vá imediatamente ter com ele; contudo, se pensarmos bem, é o modo de reativar a vida de Bartimeu: impele-o a levantar-se, confia na sua possibilidade de caminhar. Aquele homem pode voltar a pôr-se de pé, pode ressurgir das suas situações de morte. Mas para o fazer deve realizar um gesto muito significativo: deve abandonar o seu manto (cf. v. 50)!
Para um mendigo, o manto é tudo: é a segurança, é a casa, é a defesa que o protege. Até a lei tutelava o manto do mendigo e impunha que fosse devolvido à noite, se tivesse sido penhorado (cf. Ex 22, 25). No entanto, muitas vezes o que nos bloqueia são precisamente as nossas aparentes seguranças, aquilo que vestimos para nos defendermos e que, pelo contrário, nos impede de caminhar. Para ir ao encontro de Jesus e para se deixar curar, Bartimeu deve expor-se a Ele em toda a sua vulnerabilidade. Esta é a passagem fundamental para qualquer caminho de cura.
Até a pergunta que Jesus lhe dirige parece estranha: «Que queres que eu te faça?» (v. 51). Mas, na realidade, não é óbvio que queiramos ser curados das nossas doenças, às vezes preferimos ficar parados para não assumir responsabilidades. A resposta de Bartimeu é profunda: utiliza o verbo anablepein, que pode significar “ver de novo”, mas que poderíamos traduzir também como “elevar o olhar”. Com efeito, Bartimeu não só quer voltar a ver, mas também quer recuperar a sua dignidade! Para elevar o olhar, é preciso levantar a cabeça. Às vezes, as pessoas estão bloqueadas porque a vida as humilhou e só desejam reencontrar o seu valor.
O que salva Bartimeu, e cada um de nós, é a fé. Jesus cura-nos para podermos ser livres. Ele não convida Bartimeu a segui-lo, mas diz-lhe que ande, que se ponha novamente a caminho (cf. v. 52). Mas Marcos conclui a narração, referindo que Bartimeu começou a seguir Jesus: escolheu livremente seguir aquele que é o Caminho!
Caros irmãos e irmãs, levemos com confiança a Jesus as nossas enfermidades e também as dos nossos entes queridos; levemos a dor de quantos se sentem perdidos e sem saída. Clamemos também por eles, certos de que o Senhor nos ouvirá e se deterá.
Saudações:
Saúdo cordialmente aos peregrinos de língua portuguesa, de modo especial ao Coro dos antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, aos fiéis do Ordinariado Militar do Brasil e aos vários grupos provenientes de Portugal e do Brasil. Peçamos com fé ao Senhor que nos cure de nossas enfermidades. Deus vos abençoe!
Resumo da catequese do Santo Padre:
Voltamos nosso olhar para uma característica essencial na vida de Jesus: as curas. A personagem que nos acompanha nesta reflexão, um homem cego e mendicante chamado Bartimeu, ajuda-nos a compreender que nunca devemos abandonar a esperança, mesmo quando nos sentimos perdidos. O seu grito «Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!» tornou-se uma oração que também nós podemos usar quando nos encontramos numa situação difícil, aparentemente sem saída. A fé é causa de salvação para Bartimeu e para qualquer um de nós que invocamos a ajuda do Senhor. Jesus cura-nos para que possamos ser verdadeiramente livres; e Bartimeu, após voltar a ver, escolheu livremente seguir Aquele que é o Caminho!
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CONHECENDO PARA AMAR
SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE
JUBILEU DO ESPORTE
HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
Basílica de São Pedro
Domingo, 15 de junho de 2025
Queridos irmãos e irmãs,
Na primeira Leitura, ouvimos as seguintes palavras: «Eis o que diz a Sabedoria de Deus: “O Senhor me criou como primícias da sua atividade, antes das suas obras mais antigas. […] Quando Ele consolidava os céus, eu estava presente; […] eu estava a seu lado como arquiteto, cheia de júbilo, dia após dia, deleitando-me continuamente na sua presença. Deleitava-me sobre a face da terra e as minhas delícias eram estar com os filhos dos homens”» (Pr 8, 22.27.30-31). Para Santo Agostinho, a Trindade e a sabedoria estão intimamente ligadas. A sabedoria divina é revelada na Santíssima Trindade e a sabedoria leva-nos sempre à verdade.
Hoje, enquanto celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade, vivemos os dias do Jubileu do Desporto. O binómio Trindade-desporto não é usado com muita frequência, mas a associação não é descabida. Na verdade, toda boa atividade humana traz em si um reflexo da beleza de Deus, e certamente o desporto está entre elas. Afinal, Deus não é estático, nem está fechado em si mesmo. É comunhão, relação viva entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que se abre à humanidade e ao mundo. A teologia denomina essa realidade de pericoresis, ou seja, “dança”: uma dança de amor recíproco.
A vida brota deste dinamismo divino. Fomos criados por um Deus que se compraz e se alegra em dar a existência às suas criaturas e que “brinca”, como nos recordou a primeira leitura (cf. Pr 8, 30-31). Alguns Padres da Igreja chegam mesmo a falar, com ousadia, de um Deus ludens, de um Deus que se diverte (cf. S. Salônio de Genebra, In Parabolas Salomonis expositio mystica; S. Gregório Nazianzeno, Carmina, I, 2, 589). Eis a razão pela qual o desporto pode ajudar-nos a encontrar o Deus Trino: porque exige um movimento do eu para o outro, que é certamente exterior, mas também e sobretudo interior. Sem isso, ele se reduz a uma estéril competição de egoísmos.
Pensemos na expressão “Dá-lhe!”, que é comumente usada pelos espectadores para encorajar os atletas durante as competições. Talvez não seja evidente, mas é um incentivo muito bonito: é o imperativo do verbo “dar”. E isso nos provoca uma reflexão: não se trata apenas de oferecer uma performance física, mesmo que extraordinária, mas de dar-se, de “jogar-se”. Trata-se de dar-se aos outros – para o próprio crescimento, para os torcedores, para os entes queridos, para os treinadores, para os colaboradores, para o público, até mesmo para os adversários – e, em sendo verdadeiramente um desportista, isso vale além do resultado. São João Paulo II – que era, como sabemos, um desportista – assim falou: «O desporto é alegria de viver, jogo, festa, e como tal deve ser valorizado […] mediante a recuperação da sua gratuitidade, da sua capacidade de estreitar vínculos de amizade, de favorecer o diálogo e a abertura de uns aos outros […] bem acima não só das duras leis da produção e do consumo, mas também de qualquer outra consideração puramente utilitarista e hedonista da vida» (Homilia para o Jubileu Internacional dos Desportistas, 4, 12 de abril de 1984).
Nesta perspectiva, gostaríamos de destacar três aspectos em particular que tornam o desporto, hoje, um meio precioso de formação humana e cristã.
Em primeiro lugar, numa sociedade marcada pela solidão, em que o individualismo exagerado deslocou o centro de gravidade do “nós” para o “eu”, fazendo com que o outro fosse ignorado, o desporto – especialmente quando é praticado em conjunto – ensina o valor da colaboração, do caminhar juntos, daquela partilha que, como já dissemos, está no coração mesmo da vida de Deus (cf. Jo 16, 14-15). Desse modo, pode tornar-se um instrumento importante de recomposição e de encontro: entre os povos, nas comunidades, nos ambientes escolares e profissionais, nas famílias!
Em segundo lugar, numa sociedade cada vez mais digital – em que as tecnologias, embora aproximando pessoas distantes, muitas vezes afastam aqueles que estão próximos – o desporto valoriza a concretude do estar juntos, o sentido do corpo, do espaço, do esforço, do tempo real. Assim, contra a tentação de fugir para mundos virtuais, o desporto ajuda a manter um contato saudável com a natureza e com a vida concreta, único lugar onde é possível exercer o amor (cf. 1 Jo 3, 18).
Em terceiro lugar, numa sociedade competitiva, onde parece que apenas os fortes e os vencedores merecem viver, o desporto também ensina a perder, colocando o homem frente a frente, na arte da derrota, com uma das verdades mais profundas da sua condição: a fragilidade, o limite, a imperfeição. Isto é importante, porque é a partir da experiência dessa fragilidade que nos abrimos à esperança. O atleta que nunca erra, que nunca perde, não existe. Os campeões não são máquinas infalíveis, mas homens e mulheres que, mesmo derrotados, encontram a coragem para se reerguer. A esse respeito, recordemos, mais uma vez, as palavras de São João Paulo II, que dizia que Jesus é “o verdadeiro atleta de Deus” porque venceu o mundo não com a força, mas com a fidelidade do amor (cf. Homilia na Missa pelo Jubileu dos Desportistas, 4, 29 de outubro de 2000).
Não é por acaso que o desporto teve um papel significativo na vida de muitos santos do nosso tempo, tanto como prática pessoal quanto como meio de evangelização. Pensemos no Beato Pier Giorgio Frassati, padroeiro dos desportistas, que será proclamado santo no próximo dia 7 de setembro. A sua vida, simples e luminosa, recorda-nos que assim como ninguém nasce campeão, ninguém nasce santo. É o treinamento diário do amor que nos aproxima da vitória definitiva (cf. Rm 5, 3-5) e nos torna capazes de trabalhar pela construção de um mundo novo. Afirmou-o também São Paulo VI, que vinte anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, recordava aos membros de uma associação desportiva católica o quanto o desporto tinha contribuído para trazer de volta a paz e a esperança a uma sociedade devastada pelas consequências da guerra (cf. Discurso aos membros do Centro Desportivo Italiano, 20 de março de 1965). Dizia ele: «Os vossos esforços visam a formação de uma nova sociedade: […] conscientes de que o desporto, nos sãos elementos formativos que valoriza, pode ser um instrumento muito útil para a elevação espiritual da pessoa humana, condição primeira e indispensável para uma sociedade ordenada, serena e construtiva» (Ibid.).
Caros desportistas, a Igreja confia-vos uma missão maravilhosa: ser reflexo do amor de Deus Trino nas vossas atividades, pelo vosso próprio bem e pelo bem dos vossos irmãos. Deixai-vos envolver com entusiasmo por esta missão: como atletas, como formadores, como sociedade, como grupos, como famílias. O Papa Francisco adorava sublinhar que, no Evangelho, Maria aparece ativa, em movimento, até mesmo “a correr” (cf. Lc 1, 39), pronta a partir para socorrer os seus filhos – como sabem fazer as mães – ao menor sinal de Deus (cf. Discurso aos voluntários da JMJ, 6 de agosto de 2023). Peçamos a Ela que acompanhe as nossas iniciativas e os nossos esforços, orientando-os sempre para o melhor, até à vitória definitiva: a da eternidade, o “campo infinito” onde o jogo não terá fim e a alegria será plena (cf. 1 Cor 9, 24-25; 2 Tm 4, 7-8).
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CONHECENDO PARA AMAR
SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO
SANTA MISSA, PROCISSÃO E BÊNÇÃO EUCARÍSTICA
HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
Praça de São João de Latrão
Domingo, 22 de junho de 2025
Queridos irmãos e irmãs, é bom estar com Jesus. Confirma-o o Evangelho que acabou de ser proclamado o confirma, contando que as multidões ficavam horas e horas com Ele, que falava do Reino de Deus e curava os doentes (cf. Lc 9, 11). A compaixão de Jesus pelos sofredores manifesta a amorosa proximidade de Deus, que vem ao mundo para nos salvar. Quando Deus reina, o homem é liberto de todo o mal. No entanto, a hora da prova chega também para aqueles que recebem de Jesus a boa nova. Naquele lugar deserto, onde as multidões ouviram o Mestre, cai a noite e não há nada para comer (cf. v. 12). A fome do povo e o pôr do sol são sinais de um limite que paira sobre o mundo e sobre cada criatura: o dia termina, assim como a vida dos homens. É nesta hora, no tempo da indigência e das sombras, que Jesus permanece entre nós.
Justamente quando o Sol se põe e a fome aumenta, enquanto os próprios apóstolos pedem para despedir a multidão, Cristo surpreende-nos com a sua misericórdia. Ele tem compaixão do povo faminto e convida os seus discípulos a cuidar dele: a fome não é uma necessidade alheia ao anúncio do Reino e ao testemunho da salvação. Pelo contrário, esta fome diz respeito à nossa relação com Deus. Cinco pães e dois peixes, no entanto, não parecem suficientes para alimentar o povo: aparentemente razoáveis, os cálculos dos discípulos evidenciam, em vez disso, a sua falta de fé. Porque, na realidade, com Jesus há tudo o que é necessário para dar força e sentido à nossa vida.
Perante o brado da fome, Ele responde com o sinal da partilha: levanta os olhos, pronuncia a bênção, parte o pão e dá de comer a todos os presentes (cf. v. 16). Os gestos do Senhor não inauguram um complexo ritual mágico, mas testemunham com simplicidade a gratidão para com o Pai, a oração filial de Cristo e a comunhão fraterna que o Espírito Santo sustenta. Para multiplicar os pães e os peixes, Jesus divide os poucos que há, e assim mesmo são suficientes para todos, e ainda sobram. Depois de terem comido – e terem comido até ficarem saciados –, recolheram doze cestos (cf. v. 17).
Esta é a lógica que salva o povo faminto: Jesus age segundo o estilo de Deus, ensinando a fazer o mesmo. Hoje, no lugar das multidões recordadas no Evangelho estão povos inteiros, humilhados pela ganância alheia mais ainda do que pela própria fome. Diante da miséria de muitos, a acumulação de poucos é sinal de uma soberba indiferente, que produz dor e injustiça. Em vez de partilhar, a opulência desperdiça os frutos da terra e do trabalho do homem. Especialmente neste ano jubilar, o exemplo do Senhor continua a ser para nós um critério urgente de ação e serviço: partilhar o pão, para multiplicar a esperança, proclama o advento do Reino de Deus.
Ao salvar as multidões da fome, Jesus anuncia que salvará todos da morte. Este é o mistério da fé, que celebramos no sacramento da Eucaristia. Assim como a fome é sinal da nossa radical indigência de vida, assim também partir o pão é sinal do dom divino de salvação.
Caríssimos, Cristo é a resposta de Deus à fome do homem, porque o seu corpo é o pão da vida eterna: tomai todos e comei! O convite de Jesus abrange a nossa experiência quotidiana: para viver, precisamos nos alimentar da vida, tirando-a das plantas e dos animais. No entanto, comer algo morto lembra-nos que, por mais que comamos, também nós morreremos. Porém, quando nos alimentamos de Jesus, pão vivo e verdadeiro, vivemos por Ele. Oferecendo-se totalmente, o Crucificado Ressuscitado entrega-se a nós, que assim descobrimos que fomos feitos para nos alimentarmos de Deus. A nossa natureza faminta traz o sinal de uma indigência que é saciada pela graça da Eucaristia. Como escreve Santo Agostinho, Cristo é verdadeiramente «panis qui reficit, et non deficit; panis qui sumi potest, consumi non potest» (Sermo 130, 2): um pão que alimenta e não falta; um pão que se pode comer, mas não se esgota. Com efeito, a Eucaristia é a presença verdadeira, real e substancial do Salvador (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1413), que transforma o pão em si mesmo, para nos transformar n’Ele. O Corpus Domini, vivo e vivificante, torna-nos a nós, isto é, a própria Igreja, corpo do Senhor.
Portanto, segundo as palavras do apóstolo Paulo (cf. 1 Cor 10, 17), o Concílio Vaticano II ensina que «pelo sacramento do pão eucarístico, ao mesmo tempo é representada e se realiza a unidade dos fiéis, que constituem um só corpo em Cristo. Todos os homens são chamados a esta união com Cristo, luz do mundo, do qual vimos, por quem vivemos, e para o qual caminhamos» (Const. dogm. Lumen Gentium, 3). A procissão, que em breve começaremos, é sinal deste caminho. Juntos, pastores e rebanho, alimentamo-nos do Santíssimo Sacramento, adoramo-lo e levamo-lo pelas ruas. Ao fazê-lo, apresentamo-lo ao olhar, à consciência e ao coração das pessoas: ao coração de quem acredita, para que acredite mais firmemente; ao coração de quem não acredita, para que se interrogue sobre a fome que temos na alma e sobre o pão que a pode saciar.
Restaurados pelo alimento que Deus nos dá, levemos Jesus ao coração de todos, porque Jesus a todos envolve na obra da salvação, convidando cada um a participar da sua mesa. Felizes os convidados, que se tornam testemunhas deste amor!
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CONHECENDO PARA AMAR
Mensagem do Papa, hoje, para Ordem de Malta, muito profunda.
À primeira vista, pode parecer muito específica e particular, mas contém ensinamentos utílíssimos, para todos nós, no dia a dia.
MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV
AOS MEMBROS DA SOBERANA ORDEM MILITAR DE MALTA
POR OCASIÃO DA CELEBRAÇÃO
DA SOLENIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA
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Tenho grande alegria em lhes dirigir esta mensagem por ocasião da celebração da solenidade de São João Batista, Padroeiro do vosso Ordem religiosa, que leva seu nome.
A Igreja lhes agradece por todo o bem que realizam onde há necessidade de amor, em situações por vezes muito difíceis. Agradece também pelo esforço de renovação que vocês vêm promovendo há alguns anos, buscando maior fidelidade ao Evangelho, em estreita e cordial colaboração com o Cardeal Patrono, que reconfirmei em sua missão. Continuem nessa direção!
Podemos dizer que São João Batista, ainda antes de nascer, já cumpria a missão recebida de Deus de ser o anunciador de Jesus. Ele o fará com radical austeridade durante toda sua vida. Sua ideia inicial do Messias ainda estava muito ligada à de um juiz severo (cf. Mt 3,7-12). Jesus o ajuda a mudar de perspectiva, a se converter, especialmente ao apresentar-se para ser batizado por ele, humildemente misturado entre muitos penitentes (cf. Mt 3,13-17). Depois dessa manifestação, João indica Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cf. Jo 1,29.36). Ao seguirem seu convite, dois de seus discípulos tornam-se discípulos de Jesus (cf. Jo 1,37). E o Batista, dando sua vida pela afirmação da verdade, torna-se testemunha de Jesus, que é a Verdade.
São João Batista, vosso padroeiro celeste, deve iluminar a vossa vida e a missão que, na Igreja, vocês são chamados a cumprir pela ação do Espírito Santo.
A vossa Ordem tem como finalidade a tuitio fidei e o obsequium pauperum. Dois aspectos de um mesmo carisma: a fé que é propagada e protegida na dedicação amorosa aos pobres, aos marginalizados, a todos os que precisam de apoio e ajuda. Não basta socorrer as necessidades dos pobres: é preciso anunciar-lhes o amor de Deus com palavras e testemunho. Sem isso, a Ordem perderia seu caráter religioso e se tornaria apenas uma organização filantrópica.
O amor que cada um de nós deve oferecer ao outro é aquele que se coloca no mesmo nível de quem o recebe, como fez Jesus, que se colocou ao nosso nível, solidário com os desprezados, com os que são privados da vida por serem considerados sem valor (cf. Lc 10,29-37). Por isso, Jesus pode receber de nós uma resposta de amor, porque, ao se abaixar, nos comunica seu amor, que podemos retribuir a Ele com gratidão. Assim também acontece com o pobre. Se o amamos colocando-nos ao seu nível, o amor que lhe transmitimos nos retorna em gratidão, não de humilhação, mas de alegria.
Essa é a tuitio fidei, pois, agindo assim, vocês transmitem concretamente a fé em Deus amor, oferecendo a experiência da sua proximidade.
Para proteger e conservar a fé, o apóstolo Paulo nos indica como nos equipar: vestir a armadura de Deus para resistir às ciladas do diabo; cingir os rins com a verdade; revestir-se da couraça da justiça; empunhar o escudo da fé, com o qual se apagam os dardos inflamados do Maligno; tomar o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus (cf. Ef 6,11-18).
É certo que, para tantas obras louváveis realizadas pela vossa Ordem em várias partes do mundo, são necessários muitos recursos, inclusive econômicos, e diversas mediações. Mas é sempre necessário considerar esses meios apenas como instrumentos, funcionais à realização do fim.
Contudo, para alcançar um bom objetivo, os meios também devem ser bons; mas, neste campo, a tentação pode facilmente apresentar-se sob aparência de bem, como ilusão de que se pode atingir bons objetivos com meios que, depois, podem se revelar contrários à vontade de Deus. Jesus também foi tentado nesse sentido, quando o maligno “lhe mostrou todos os reinos do mundo e sua glória” (Mt 4,8) e prometeu dá-los a Ele, se o adorasse. Mas então Jesus não seria mais o Servo sofredor de Deus, que, na humildade, renuncia a todo poder mundano para conquistar, com o amor, o amor do ser humano. Jesus reafirma, inclusive nessa tentação particularmente sutil, a supremacia de Deus e não se vende ao poder deste mundo. Se tivesse cedido, teria adotado meios ilícitos e não teria cumprido a missão confiada pelo Pai. A Ordem de Malta, ao longo da história, adotou, conforme as circunstâncias, diferentes meios, que, porém, precisam ser constantemente avaliados quanto à sua validade atual para atingir os fins da tuitio fidei e do obsequium pauperum.
Ao longo dos séculos, a Ordem adquiriu uma relevância crescente no cenário internacional, um tipo muito particular de soberania, com prerrogativas que devem necessariamente servir à finalidade da tuitio fidei e do obsequium pauperum. Se essas prerrogativas forem usadas deixando-se atrair pela mundanidade — talvez até sem perceber, devido à ilusão que a mundanidade comporta — há o risco de se agir perdendo de vista o fim. Devemos fazer continuamente nosso o ensinamento de Jesus, que não pediu ao Pai que nos tirasse do mundo, porque nos envia ao mundo, mas lembrou que não somos do mundo, assim como Ele não é do mundo; e pediu ao Pai que nos protegesse do maligno (cf. Jo 17,14-16.18).
O Espírito revela os enganos do maligno, por isso somos chamados a discernir continuamente se é Ele que nos conduz, ou se é o maligno — ou ainda o nosso próprio interesse.
Vocês estão engajados em um caminho de renovação. A renovação não pode ser apenas institucional, normativa: deve ser, antes de tudo, interior, espiritual, pois é isso que dá sentido às mudanças nas normas. Vocês renovaram o seu direito próprio, a Carta Constitucional e o Código Melitense. Isso era necessário, pois várias questões precisavam de esclarecimento, especialmente a natureza de Ordem religiosa, garantida pelos membros do Primeiro Ceto, mas cujo carisma é compartilhado também pelo Segundo e Terceiro Ceto, com diferentes graus de participação.
Vocês também concluíram o trabalho de “Comentário” a esses dois textos normativos. Um trabalho muito útil para facilitar, além da compreensão literal das normas, também o entendimento de seu fundamento espiritual e teológico, o que é essencial para uma interpretação e aplicação corretas no Espírito. Certamente o caminho de renovação não está concluído, aliás, está sempre em início, pois requer a conversão do coração — tarefa para toda a vida de cada um de nós. Sabemos como é difícil a conversão do coração. Especialmente os membros do Primeiro Ceto são chamados a se empenhar nesse sentido, vencendo toda tentação de secularização, ou seja, de uma vida não animada pela radicalidade evangélica própria de uma Ordem religiosa. Se o Primeiro Ceto não realiza tal caminho de conversão — ainda que difícil e exigente, mas sustentado pela graça do Espírito do Ressuscitado — não se pode esperar que o façam, de acordo com sua condição, o Segundo e o Terceiro Ceto.
A conversão, porém, é sempre incentivada por uma experiência significativa que toca o nosso coração. A ação de vocês em favor dos Senhores Doentes — como gostam de dizer — e dos pobres de qualquer tipo, é meritória diante de Deus e dos homens, e é o que sustenta sua conversão. A ação caritativa e apostólica é fruto e manifestação de uma espiritualidade, aquela que, desde as origens, lhes foi transmitida pelo Beato Gerardo e que vocês são chamados a encarnar no mundo de hoje com uma autenticidade evangélica sempre maior, fruto de constante purificação.
Recebi com grande alegria a notícia de que há aspirantes pedindo para iniciar a experiência do noviciado, inclusive com um noviciado residencial, o que representa uma novidade após tanto tempo de dissolução da vida comunitária. Isso é motivo de grande esperança, mas também um desafio para toda a Ordem e, sobretudo, para os formadores. A formação é um aspecto fundamental para todos os institutos de vida consagrada e é particularmente exigente diante da complexidade da vivência dos candidatos hoje. Isso exige, mais do que nunca, uma formação específica dos formadores, sem a qual o trabalho formativo seria impreciso e ineficaz, como ocorreria se seu itinerário e conteúdo não fossem bem definidos. A formação não diz respeito apenas ao Primeiro Ceto, mas, com modalidades diferentes, também ao Segundo e ao Terceiro Ceto. Ela deve ter como fundamento essencial a oração: litúrgica e pessoal, alimentada por momentos de solidão e silêncio, dimensões necessárias, sobretudo quando se está envolvido em atividades de serviço ao próximo, para que estas sejam testemunho do amor de Deus que se faz presente.
É também motivo de grande esperança que alguns membros professos queiram iniciar uma experiência de vida comunitária. Encorajo de coração esse desejo, pois a vida comunitária forja concretamente na caridade recíproca e na autêntica observância dos três conselhos evangélicos. Mesmo que esse propósito encontre dificuldades de realização, elas poderão ser superadas com a ajuda do Espírito, pelo qual a esperança não decepciona (cf. Rm 5,5).
Que a Virgem do Fileremo, São João Batista e o Beato Gerardo intercedam pelo cumprimento de todos os vossos mais nobres sentimentos e desejos, enquanto de coração lhes envio a Bênção Apostólica, que estendo aos seus entes queridos e a todos os que encontrarem em seu serviço.
Do Vaticano, 24 de junho de 2025
LEÃO PP. XIV
Tradução Portal Duc in Altum
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CONHECENDO PARA AMAR
MEDITAÇÃO DO SANTO PADRE LEÃO XIV
AOS SEMINARISTAS POR OCASIÃO DO SEU JUBILEU
Basílica de São Pedro, Altar da Confissão
Terça-feira, 24 de junho de 2025
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Obrigado, obrigado a todos!
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A paz esteja convosco!
Eminências, excelências, formadores e, especialmente, a todos vocês, seminaristas: bom dia a todos!
Estou muito feliz em encontrá-los e agradeço a todos — seminaristas e formadores — pela calorosa presença. Obrigado, antes de tudo, pela alegria e entusiasmo de vocês. Obrigado porque, com a sua energia, vocês alimentam a chama da esperança na vida da Igreja!
Hoje, vocês não são apenas peregrinos, mas também testemunhas da esperança: vocês a testemunham a mim e a todos, pois se deixaram envolver pela fascinante aventura da vocação sacerdotal em um tempo nada fácil. Vocês acolheram o chamado para se tornarem anunciadores mansos e fortes da Palavra que salva, servos de uma Igreja aberta e em saída missionária.
E digo também uma palavra em espanhol:
Gracias por haber aceptado con valentía la invitación del Señor a seguirlo, a ser discípulo, a entrar en el seminario. Hay que ser valientes y no tengan miedo!
[Obrigado por terem aceitado com coragem o convite do Senhor para segui-lo, ser discípulos, entrar no seminário. É preciso coragem, e não tenham medo!]
A Cristo que os chama, vocês estão dizendo “sim”, com humildade e coragem; e esse “eis-me aqui” que dirigem a Ele brota na vida da Igreja e se deixa acompanhar pelo necessário caminho de discernimento e formação.
Jesus, como vocês sabem, os chama antes de tudo a viver uma experiência de amizade com Ele e com os companheiros de caminhada (cf. Mc 3,13); uma experiência destinada a crescer continuamente, inclusive após a ordenação, envolvendo todos os aspectos da vida. Nada em vocês deve ser descartado, mas tudo deve ser assumido e transfigurado na lógica do grão de trigo, a fim de se tornarem pessoas e sacerdotes felizes, “pontes” — e não obstáculos — ao encontro com Cristo para todos aqueles que se aproximam de vocês. Sim, Ele deve crescer e nós diminuir, para sermos pastores segundo o Seu Coração.[¹]
A propósito do Coração de Jesus Cristo, como não recordar a Encíclica Dilexit nos, do amado Papa Francisco?[²]
Justamente neste tempo que vocês estão vivendo — o tempo da formação e do discernimento — é importante voltar-se ao centro, ao “motor” de todo o caminho: o coração! O seminário, seja qual for sua forma, deveria ser uma escola dos afetos. Hoje, especialmente em um contexto social e cultural marcado por conflitos e narcisismo, precisamos aprender a amar, e a fazê-lo como Jesus.[³]
Assim como Cristo amou com coração humano,[⁴] vocês são chamados a amar com o Coração de Cristo. Amar com o coração de Jesus.
Mas para aprender essa arte, é preciso trabalhar a interioridade, onde Deus faz ressoar sua voz e de onde partem as decisões mais profundas — mas que também é lugar de tensões e lutas (cf. Mc 7,14-23), a ser convertido para que toda a vossa humanidade exale o perfume do Evangelho.
O primeiro trabalho, portanto, é o do coração. Lembrem-se bem do convite de Santo Agostinho a retornar ao coração, pois ali reencontramos os rastros de Deus. Descer ao coração pode, às vezes, causar medo, porque lá também há feridas. Não tenham medo de cuidar delas, deixem-se ajudar, pois justamente dessas feridas nascerá a capacidade de estar junto aos que sofrem. Sem vida interior não é possível sequer a vida espiritual, pois é ali, no coração, que Deus nos fala. Dios nos habla en el corazón, tenemos que saber escucharlo.
[Deus nos fala no coração, precisamos saber escutá-lo.]
Esse trabalho interior inclui também o exercício de reconhecer os movimentos do coração: não apenas as emoções rápidas e superficiais, mas sobretudo os sentimentos mais profundos, que ajudam a descobrir a direção da vida. Se aprenderem a conhecer o coração de vocês, serão cada vez mais autênticos e não precisarão usar máscaras.
O caminho privilegiado para entrar na interioridade é a oração. Em uma época de hiperconectividade, torna-se cada vez mais difícil fazer a experiência do silêncio e da solidão. Sem o encontro com Ele, não conseguimos sequer nos conhecer verdadeiramente.
Convido vocês a invocarem frequentemente o Espírito Santo, para que forme em vocês um coração dócil, capaz de perceber a presença de Deus até nas vozes da natureza, da arte, da poesia, da literatura,[⁵] da música e das ciências humanas.[⁶] No rigor do estudo teológico, saibam também escutar as vozes da cultura atual — como os desafios da inteligência artificial e das redes sociais.[⁷]
Sobretudo, como fazia Jesus, saibam ouvir o grito — muitas vezes silencioso — dos pequenos, dos pobres, dos oprimidos e de tantos, especialmente jovens, que buscam um sentido para a vida.
Se cuidarem do coração de vocês com momentos cotidianos de silêncio, meditação e oração, poderão aprender a arte do discernimento. Também isso é fundamental: aprender a discernir. Quando se é jovem, o coração é repleto de desejos, sonhos e ambições. Muitas vezes, está agitado e confuso. No entanto, como Maria, nossa interioridade deve ser capaz de guardar e meditar, capaz de synballein, como escreve Lucas (2,19.51): reunir os fragmentos.[⁸]
Fujam da superficialidade e unam os fragmentos da vida na oração e na meditação, perguntando-se: o que estou vivendo me ensina o quê? O que isso diz ao meu caminho? Para onde o Senhor está me guiando?
Queridos filhos, tenham um coração manso e humilde como o de Jesus (cf. Mt 11,29). À semelhança do apóstolo Paulo (cf. Fl 2,5ss), cultivem os sentimentos de Cristo, para crescer na maturidade humana — sobretudo afetiva e relacional. Isso é importante, aliás, necessário, desde o tempo do seminário: investir seriamente na maturação humana, rejeitando disfarces e hipocrisia.
Com os olhos fixos em Jesus, é preciso aprender a dar nome e voz à tristeza, ao medo, à angústia, à indignação — levando tudo isso ao relacionamento com Deus. As crises, os limites, as fragilidades não devem ser escondidos, mas acolhidos como ocasiões de graça e de experiência pascal.
Num mundo em que tantas vezes prevalecem a ingratidão e a sede de poder, onde parece imperar a lógica do descarte, vocês são chamados a testemunhar a gratidão e a gratuidade de Cristo, a exultação e a alegria, a ternura e a misericórdia do seu Coração. A viver o estilo da acolhida e da proximidade, do serviço generoso e desinteressado, deixando que o Espírito Santo “ungue” a humanidade de vocês antes mesmo da ordenação.
O Coração de Cristo é movido por imensa compaixão: é o Bom Samaritano da humanidade, e nos diz: “Vai e faze o mesmo” (Lc 10,37). Essa compaixão o leva a repartir o pão da Palavra e da partilha (cf. Mc 6,30-44), antecipando o gesto do Cenáculo e da Cruz, quando daria a si mesmo em alimento, e nos diz: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6,37) — ou seja, façam da vida de vocês um dom de amor.
Queridos seminaristas, a sabedoria da Mãe Igreja, assistida pelo Espírito Santo, busca sempre, ao longo do tempo, os modos mais apropriados para a formação dos ministros ordenados, segundo as necessidades de cada lugar. E qual é a tarefa de vocês? Não jogar para baixo, não se contentar com pouco, não ser apenas receptores passivos, mas se apaixonar pela vida sacerdotal, vivendo o presente e olhando para o futuro com coração profético.
Espero que este nosso encontro ajude cada um de vocês a aprofundar o diálogo pessoal com o Senhor, pedindo-Lhe que infunda em vocês os sentimentos do seu Coração. Esse Coração que palpita de amor por vocês e por toda a humanidade. Bom caminho! Acompanho vocês com minha bênção.
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Queridos seminaristas,
Tenho alegria de estar com vocês nesta manhã, por ocasião do seu Jubileu, junto aos sacerdotes que os acompanham na caminhada formativa. Vocês vêm de diversas Igrejas no mundo e têm experiências de vida muito diferentes, mas no Senhor todos formamos um só corpo.
Uma só é a esperança à qual foram chamados: a da sua vocação (cf. Ef 4,4). Hoje, sobre o túmulo do apóstolo Pedro, e comigo, seu Sucessor, renovem solenemente a fé do seu Batismo. Esse Credo é a raiz da qual brotará o “eis-me aqui” que vocês dirão com alegria no dia da ordenação sacerdotal.
Deus, que começou em vocês a sua obra, há de levá-la à plenitude.
[Recitação do Credo em latim]
Oremos.
Pai, que neste Ano Jubilar abres à tua Igreja o caminho da salvação, acolhe nossos propósitos de bem e atende ao nosso desejo de converter nossas vidas a Ti, para nos tornarmos autênticas testemunhas do Evangelho.
Com a graça do Espírito Santo, guia nossos passos rumo à bem-aventurada esperança de encontrar teu rosto na Jerusalém celeste, onde teu Reino será plenamente realizado em Cristo, teu Filho. Ele vive e reina contigo, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Amém.
[Bênção]
Felicidades a todos e boa peregrinação da esperança!
[1] Cfr S. Giovanni Paolo II, Esort. Ap. Pastores dabo vobis (25 marzo 1992), 43.
[2] Lett. Enc. Dilexit nos, sull’amore umano e divino del Cuore di Gesù Cristo (24 ottobre 2024).
[3] Cfr ivi, 17.
[4] Conc. Ecum. Vat. II, Cost. past. Gaudium et spes, 22.
[5] Cfr Francesco, Lettera sul ruolo della letteratura nella formazione, 17 luglio 2024.
[6] Conc. Ecum. Vat. II, Cost. past. Gaudium et spes, 62.
[7] Congregazione per il Clero, Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis, Il dono della vocazione presbiterale (8 dicembre 2016), 97.
[8] Cfr Francesco, Lettera Enc. Dilexit nos, sull’amore umano e divino del Cuore di Gesù Cristo (24 ottobre 2024), 19.
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CONHECENDO PARA AMAR
SANTA MISSA E ORDENAÇÕES SACERDOTAIS
NA SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS,
JUBILEU DOS SACERDOTES
HOMILIA DO SANTO PADRE LEÃO XIV
Basilica Vaticana, Altar da Confissão
Sexta-feira, 27 de junho de 2025
Hoje, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, Dia mundial de oração pela santificação sacerdotal, celebramos com alegria esta Eucaristia no Jubileu dos Sacerdotes.
Dirijo-me, portanto, em primeiro lugar a todos vós, queridos irmãos sacerdotes, que viestes ao túmulo do apóstolo Pedro para atravessar a Porta Santa e para mergulhar de novo as vossas vestes batismais e sacerdotais no Coração do Salvador. Para alguns dos presentes, este gesto realiza-se num dia único da sua vida: o da Ordenação.
Falar do Coração de Cristo neste contexto é falar de todo o mistério da encarnação, morte e ressurreição do Senhor, confiado a nós de modo especial para que o tornemos presente no mundo. Por isso, à luz das leituras que escutámos, meditemos juntos sobre o modo como podemos contribuir para esta obra de salvação.
Na primeira, o profeta Ezequiel fala-nos de Deus como um pastor que passa pelo meio do seu rebanho, contando as suas ovelhas uma a uma: vai à procura das perdidas, cura as feridas, ampara as fracas e doentes (cf. Ez 34, 11-16). Assim nos recorda, num tempo de grandes e terríveis conflitos, que o amor do Senhor, pelo qual somos chamados a deixar-nos abraçar e plasmar, é universal, e que, aos seus olhos – e consequentemente também aos nossos –, não há lugar para divisões e ódios de qualquer género.
Depois, na segunda leitura (cf. Rm 5, 5-11), recordando-nos que Deus nos reconciliou «quando ainda éramos fracos» (v. 6) e «pecadores» (v. 8), São Paulo convida a abandonar-nos à ação transformadora do Espírito que habita em nós, num caminho quotidiano de conversão. A nossa esperança baseia-se na certeza de que o Senhor não nos abandona, mas acompanha-nos sempre. Somos chamados, porém, a colaborar com Ele, primeiramente colocando a Eucaristia no centro da nossa existência, «fonte e centro de toda a vida cristã» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 11); depois, «pela frutuosa recepção dos sacramentos, especialmente pela frequente recepção do sacramento da penitência» (Id, Decr. Presbiterorum ordinis, 18); e, finalmente, através da oração, da meditação da Palavra e do exercício da caridade, conformando cada vez mais o nosso coração com o do «Pai das misericórdias» (ibid.).
E isto leva-nos ao Evangelho que ouvimos (cf. Lc 15, 3-7), que fala da alegria de Deus – e de todo o pastor que ama segundo o seu Coração – pelo regresso ao redil de uma só das suas ovelhas. É um convite a viver a caridade pastoral com a mesma magnanimidade do Pai, cultivando em nós o Seu desejo: que ninguém se perca (cf. Jo 6, 39), mas que todos, também através de nós, cheguem ao conhecimento de Cristo e n’Ele tenham a vida eterna (cf. Jo 6, 40). É um convite a tornar-nos intimamente unidos a Jesus (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Presbiterorum Ordinis, 14), semente de concórdia no meio dos irmãos, carregando sobre os nossos ombros quem se perdeu, perdoando quem errou, indo à procura de quem se afastou ou ficou excluído, cuidando de quem sofre no corpo e no espírito, numa grande troca de amor que, brotando do lado trespassado do Crucificado, envolve todos os homens e preenche o mundo. O Papa Francisco escreveu a este propósito: «Da ferida do lado de Cristo continua a correr aquele rio que nunca se esgota, que não passa, que se oferece sempre de novo a quem quer amar. Só o seu amor tornará possível uma nova humanidade» (Carta Enc. Dilexit nos, 219).
O ministério sacerdotal é um ministério de santificação e de reconciliação para a unidade do Corpo de Cristo (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 7). Por isso, o Concílio Vaticano II pede aos presbíteros que se esforcem por «levar todos à unidade […] com caridade» (Id, Decr. Presbiterorum Ordinis, 9), harmonizando as diferenças para «que ninguém se sinta estranho» (ibid.). E recomenda-lhes a união com o bispo e no presbitério (cf. ibid., 7-8). Com efeito, quanto mais houver unidade entre nós, tanto mais saberemos também conduzir os outros ao redil do Bom Pastor, para viver como irmãos na única casa do Pai.
Santo Agostinho, a este respeito, num sermão proferido por ocasião do aniversário da sua ordenação, falou de um feliz fruto de comunhão que une os fiéis, os presbíteros e os bispos, e que tem a sua raiz no sentirmo-nos todos redimidos e salvos pela mesma graça e misericórdia. Foi precisamente neste contexto que pronunciou a célebre frase: «Para vós sou bispo, convosco sou cristão» (Sermão 340, 1).
Na Missa solene do início do meu pontificado, expressei diante do Povo de Deus um grande desejo: «Uma Igreja unida, sinal de unidade e comunhão, que se torne fermento para um mundo reconciliado» (Homilia, 18 de maio de 2025). Volto, hoje, a partilhá-lo com todos vós: reconciliados, unidos e transformados pelo amor que jorra copiosamente do Coração de Cristo, caminhemos juntos nas suas pegadas, humildes e decididos, firmes na fé e abertos a todos na caridade, levemos ao mundo a paz do Ressuscitado, com aquela liberdade que nasce da consciência de nos sabermos amados, escolhidos e enviados pelo Pai.
E agora, antes de terminar, dirijo-me a vós, queridos Ordinandos, que em breve, pela imposição das mãos do Bispo e com uma renovada efusão do Espírito Santo, vos tornareis sacerdotes. Digo-vos algumas coisas simples, mas que considero importantes para o vosso futuro e o das almas que vos serão confiadas. Amai a Deus e aos vossos irmãos, sede generosos, fervorosos na celebração dos Sacramentos, na oração, especialmente na Adoração, e no ministério; sede próximos do vosso rebanho, doai o vosso tempo e as vossas energias por todos, sem vos poupardes, sem fazer distinções, como nos ensinam o lado trespassado do Crucificado e o exemplo dos santos. E, a este propósito, lembrai-vos que a Igreja, na sua história milenar, teve – e as tem ainda hoje – figuras maravilhosas de santidade sacerdotal: a partir das comunidades das origens, ela gerou e conheceu, entre os seus sacerdotes, mártires, apóstolos incansáveis, missionários e campeões da caridade. Fazei desta riqueza um tesouro: interessai-vos pelas suas histórias, estudai as suas vidas e as suas obras, imitai as suas virtudes, deixai-vos inflamar pelo seu zelo, invocai a sua intercessão muitas vezes, com insistência! O nosso mundo frequentemente propõe modelos de sucesso e de prestígio duvidosos e inconsistentes. Não vos deixeis fascinar por eles! Em vez disso, olhai para o exemplo sólido e os frutos do apostolado, muitas vezes escondido e humilde, daqueles que na sua vida serviram ao Senhor e aos irmãos com fé e dedicação, e continuai a sua memória com a vossa fidelidade.
Por fim, confiemo-nos todos à proteção materna da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe dos sacerdotes e Mãe da esperança: que Ela acompanhe e sustente os nossos passos, para que cada dia configuremos mais o nosso coração com o de Cristo, supremo e eterno Pastor.
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CONHECENDO PARA AMAR
SOLENIDADE DOS SANTOS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO
PAPA LEÃO XIV
ANGELUS
Praça de Sāo Pedro
Domingo, 29 de junho de 2025
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje é a grande festa da Igreja de Roma, gerada pelo testemunho dos Apóstolos Pedro e Paulo e fecundada pelo seu sangue e pelo de muitos outros mártires. Também nos nossos dias, em todo o mundo, há cristãos que o Evangelho torna generosos e audazes, também à risco da própria vida. Existe, portanto, um ecumenismo de sangue, uma unidade invisível e profunda entre as Igrejas cristãs, mesmo que não vivam ainda uma comunhão plena e visível entre si. Por isso, nesta solene festa, quero confirmar que o meu serviço episcopal é um serviço à unidade e que a Igreja de Roma está empenhada, pelo sangue dos Santos Pedro e Paulo, em servir com amor a comunhão entre todas as Igrejas.
A pedra, da qual Pedro recebe até mesmo o próprio nome, é Cristo. Uma pedra rejeitada pelos homens e que Deus transformou em pedra angular. Esta praça e as basílicas papais de São Pedro e São Paulo dizem-nos como este paradoxo continua sempre. Encontram-se no limite da antiga cidade, “fora dos muros”, como dizemos ainda hoje. O que hoje nos parece grande e glorioso foi primeiro descartado e expulso porque estava em contradição com a mentalidade mundana. Quem segue Jesus encontra-se a percorrer o caminho das bem-aventuranças, onde a pobreza de espírito, a mansidão, a misericórdia, a fome e sede de justiça, e o trabalho pela paz encontram oposição e até perseguição. No entanto, a glória de Deus brilha nos seus amigos e os vai moldando, ao longo do caminho, de conversão em conversão.
Queridos irmãos e irmãs, nos túmulos dos Apóstolos, destino de peregrinação desde há milhares de anos, descobrimos que também nós podemos viver de conversão em conversão. O Novo Testamento não esconde os erros, as contradições, os pecados daqueles que veneramos como os maiores entre os Apóstolos. Na verdade, a sua grandeza foi moldada pelo perdão. O Ressuscitado foi buscá-los, mais do que uma vez, para os colocar de novo no seu caminho. Jesus nunca chama apenas uma vez. É por isso que todos nós podemos sempre ter esperança, como também nos recorda o Jubileu.
Irmãs e irmãos, a unidade na Igreja e entre as Igrejas alimenta-se do perdão e da confiança mútua. A começar pelas nossas famílias e comunidades. Porque se Jesus confia em nós, também nós podemos confiar uns nos outros, em seu Nome. Que os Apóstolos Pedro e Paulo, junto à Virgem Maria, intercedam por nós, para que neste mundo dilacerado a Igreja seja casa e escola de comunhão.
Depois do Angelus
Queridos irmãos e irmãs,
Asseguro as minhas orações pela comunidade da Escola “Barthélémy Boganda” de Bangui, na República Centro-Africana, em luto pelo trágico acidente que causou numerosos mortos e feridos entre os estudantes. Que o Senhor conforte as famílias e toda a comunidade!
Dirijo a minha saudação a todos vós, e hoje, de modo especial, aos fiéis de Roma, na festa dos Santos Padroeiros! Quero dirigir um pensamento cheio de afeto aos párocos e a todos os sacerdotes que trabalham nas paróquias de Roma, com gratidão e encorajamento pelo seu serviço.
Nesta festa, celebramos também o dia do Óbolo de São Pedro, sinal de comunhão com o Papa e de participação no seu ministério apostólico. Agradeço vivamente a todos aqueles que, com a sua oferta, apoiam os meus primeiros passos como Sucessor de Pedro.
Abençoo todos aqueles que, a partir dos locais romanos das memórias dos Santos Pedro e Paulo, participam no evento Quo Vadis? Agradeço a quantos organizaram com empenho esta iniciativa que ajuda a conhecer e a honrar os Santos Padroeiros de Roma.
Saúdo os fiéis de vários países que vieram acompanhar os seus Arcebispos Metropolitanos que hoje receberam o Pálio. Saúdo os peregrinos da Ucrânia – rezo sempre pelo vosso povo –, do México, da Croácia, da Polónia, dos Estados Unidos da América, da Venezuela, do Brasil, o Coro Santos Pedro e Paulo da Indonésia, assim como muitos fiéis da Eritreia que vivem na Europa; os grupos de Martina Franca, Pontedera, San Vendemiano e Corbetta; os acólitos de Santa Giustina in Colle e os jovens de Sommariva del Bosco.
Agradeço à Pro Loco di Roma Capitale e aos artistas que realizaram os tapetes florais na Via della Conciliazione e na Piazza Pio XII. Obrigado!
Saúdo os Cooperadores Guanelianos do Centro-Sul da Itália, a Associação de voluntariado de Chiari, os ciclistas de Fermo e de Varese, o grupo desportivo Aniene 80 e os peregrinos do “Spiritual Connection”.
Irmãs e irmãos, continuemos a rezar para que, em toda a parte, sejam silenciadas as armas e se trabalhe pela paz através do diálogo.
Bom domingo para todos!
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CONHECENDO PARA AMAR
DISCURSO DO SANTO PADRE LEÃO XIV
ÀS REPRESENTANTES DE ALGUNS INSTITUTOS RELIGIOSOS FEMININOS
Sala Clementina
Segunda-feira, 30 de junho de 2025
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Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
A paz esteja convosco!
Queridas irmãs, bom dia e sejam bem-vindas!
É uma alegria encontrar-me com vocês — algumas por ocasião do Capítulo Geral, outras em peregrinação jubilar. Em ambos os casos, vocês vêm ao túmulo de Pedro para renovar seu amor ao Senhor e sua fidelidade à Igreja.
Vocês pertencem a Congregações nascidas em momentos e circunstâncias diversas: Irmãs da Ordem de São Basílio Magno, Filhas da Divina Caridade, Irmãs Agostinianas “del Amparo”, Irmãs Franciscanas dos Sagrados Corações. No entanto, suas histórias revelam uma dinâmica comum, na qual a luz de grandes modelos de vida espiritual do passado — como Agostinho, Basílio, Francisco —, por meio da ascese, da coragem e da santidade de vida de fundadores e fundadoras, fez nascer e crescer novos caminhos de serviço, especialmente em favor dos mais frágeis: crianças, meninas e meninos pobres, órfãos, migrantes, aos quais, com o tempo, se somaram os idosos e os doentes, além de muitos outros ministérios de caridade.
Os altos e baixos do seu passado e a vitalidade do presente mostram concretamente que a fidelidade à sabedoria antiga do Evangelho é o melhor impulso para quem, movido pelo Espírito Santo, empreende novos caminhos de doação, voltados ao amor a Deus e ao próximo, numa escuta atenta dos sinais dos tempos (cf. Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, 4; 11).
Pensando nisso, o Concílio Vaticano II, ao falar dos Institutos religiosos dedicados aos serviços de caridade, sublinhou quão importante é que, neles, «toda a vida […] dos membros esteja impregnada de espírito apostólico, e toda a ação apostólica seja animada por espírito religioso» (Decreto Perfectae caritatis, 8), para que os religiosos «respondam antes de tudo à sua vocação, que os chama a seguir Cristo, e sirvam a Cristo em seus membros […] em íntima união com Ele» (ibid.).
Sobre isso, Santo Agostinho, ao falar da primazia de Deus na vida cristã, afirma:
«Deus é o teu tudo. Se tens fome, Deus é o teu pão; se tens sede, Deus é a tua água; se estás nas trevas, Deus é a tua luz que não se apaga; se estás nu, Deus é a tua veste imortal» (Comentário ao Evangelho de João, 13,5).
São palavras que nos fazem bem e que devem nos interpelar: em que medida isso é verdadeiro para mim?
Até que ponto o Senhor sacia minha sede de vida, de amor, de luz?
São perguntas importantes. Pois é esse enraizamento em Cristo que levou quem nos precedeu — homens e mulheres como nós, com qualidades e limitações como as nossas — a realizar obras que talvez jamais imaginassem ser capazes de realizar, permitindo-lhes lançar sementes de bem que, atravessando séculos e continentes, hoje chegaram praticamente ao mundo inteiro, como demonstra a presença de vocês.
Algumas de vocês, como mencionado, estão envolvidas no Capítulo Geral; outras estão aqui por ocasião do Jubileu. Em todo caso, trata-se de tomar decisões importantes, das quais depende o futuro próprio, das irmãs e da Igreja. Por isso, parece-me muito apropriado concluir repetindo a todos nós o belíssimo desejo que São Paulo dirigia aos cristãos de Éfeso:
«Que Cristo habite pela fé em vossos corações, e que, enraizados e fundamentados na caridade, possais compreender com todos os santos qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que supera todo conhecimento, para que sejais plenamente repletos de toda a plenitude de Deus» (Ef 3,17-19).
Obrigado pelo vosso trabalho e pela vossa fidelidade.
Que a Virgem Maria vos acompanhe, juntamente com a minha bênção.
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(Tradução para o português – Portal Duc in Altum)
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CONHECENDO PARA AMAR
SAUDAÇÃO DO SANTO PADRE LEÃO XIV
AOS PEREGRINOS DA IGREJA GRECO-CATÓLICA UCRANIANA
Basílica de São Pedro
Sábado, 28 de junho de 2025
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A paz esteja convosco!
Amados irmãos no Episcopado
Prezados sacerdotes, religiosas e religiosos
Queridas irmãs e irmãos!
Saúdo cordialmente todos vós, estimados fiéis da Igreja Greco-Católica Ucraniana, que viestes ao túmulo do Apóstolo Pedro por ocasião do Ano jubilar. Saúdo Sua Beatitude Shevchuk, Arcebispo-Mor de Kyiv-Halyč, os Bispos, os sacerdotes, as consagradas, os consagrados e todos os fiéis leigos.
A vossa peregrinação constitui um sinal do desejo de renovar a fé, de fortalecer o vínculo e a comunhão com o Bispo de Roma e de dar testemunho da esperança que não desilude, porque brota do amor de Cristo que foi derramado no nosso coração pelo Espírito Santo (cf. Rm 5, 5). O Jubileu chama-nos a ser peregrinos desta esperança durante toda a nossa vida, não obstante as adversidades do momento presente. A viagem a Roma, com a passagem pelas Portas Santas e a visita aos túmulos dos Apóstolos e dos Mártires, é o símbolo deste caminho quotidiano, que se prolonga rumo à eternidade, onde o Senhor enxugará todas as lágrimas e não haverá mais morte, nem luto, nem lamentação, nem dor (cf. Ap 21, 4).
Para chegar aqui, muitos de vós partistes da vossa bela terra, rica de fé cristã, fecundada pelo testemunho evangélico de tantos santos e santas, e irrigada com o sangue de numerosos mártires que, ao longo dos séculos e com a oferta da própria vida, selaram a fidelidade ao Apóstolo Pedro e aos seus Sucessores.
Caríssimos, a fé é um tesouro a partilhar. Cada época traz consigo dificuldades, provações e desafios, mas também oportunidades para crescer na confiança e no abandono a Deus.
Hoje a fé do vosso Povo é duramente provada. Muitos de vós, desde o início da guerra, certamente se interrogaram: Senhor, porquê tudo isto? Onde estás? O que devemos fazer para salvar as nossas famílias, as nossas casas e a nossa Pátria? Acreditar não significa ter já todas as respostas, mas confiar que Deus está ao nosso lado e nos concede a sua graça, que Ele pronunciará a última palavra e que a vida vencerá a morte!
A Virgem Maria, tão amada pelo Povo ucraniano, que com o seu humilde e corajoso “sim” abriu a porta à redenção do mundo, garante-nos que também o nosso simples e sincero “sim” pode tornar-se um instrumento nas mãos de Deus para realizar algo de grande. Confirmados na fé pelo Sucessor de Pedro, exorto-vos a partilhá-la com os vossos entes queridos, com os vossos compatriotas e com todos aqueles que o Senhor vos levar a encontrar. Dizer “sim” hoje pode permitir abrir novos horizontes de fé, esperança e paz, sobretudo a quantos sofrem.
Irmãs e irmãos, recebendo-vos aqui, desejo manifestar a minha proximidade à martirizada Ucrânia, às crianças, aos jovens, aos idosos e, de maneira especial, às famílias que choram os seus entes queridos. Compartilho a vossa dor pelos prisioneiros e pelas vítimas desta guerra insensata. Confio ao Senhor as vossas intenções, as vossas dificuldades e tragédias quotidianas e, acima de tudo, os vossos desejos de paz e serenidade.
Encorajo-vos a caminhar juntos, pastores e fiéis, mantendo o olhar fixo em Jesus, nossa salvação! A Virgem Maria, que precisamente em virtude da sua união à paixão do Filho é Mãe da Esperança, vos guie e ampare! Abençoo de coração todos vós, as vossas famílias, a vossa Igreja e o vosso Povo. Obrigado!
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CONHECENDO PARA AMAR
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
PAPA LEÃO XIV
PARA O X DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO
PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO 2025
[1º de setembro de 2025]
Sementes de paz e esperança
Queridos irmãos e irmãs!
O tema para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação deste ano, escolhido pelo nosso amado Papa Francisco, é “Sementes de Paz e Esperança”. No décimo aniversário da instituição deste Dia de oração, que coincidiu com a publicação da Encíclica Laudato si’, encontramo-nos em pleno Jubileu, “peregrinos de Esperança”. E é precisamente neste contexto que o tema adquire todo o seu significado.
Na sua pregação, Jesus usa com frequência a imagem da semente para falar do Reino de Deus e, na véspera da Paixão, aplica-a a Si mesmo, comparando-Se ao grão de trigo, que deve morrer para dar fruto (cf. Jo 12, 24). A semente entrega-se inteiramente à terra e aí, com a força impetuosa do seu dom, a vida germina, mesmo nos lugares mais inesperados, numa surpreendente capacidade de gerar um futuro. Pensemos, por exemplo, nas flores que crescem à beira da estrada: ninguém as plantou, mas elas crescem graças a sementes que foram parar ali quase por acaso e conseguem decorar o cinzento do asfalto e até mesmo penetrar na sua dura superfície.
Assim, em Cristo, somos sementes. Não só isso, mas “sementes de Paz e Esperança”. Como diz o profeta Isaías, o Espírito de Deus é capaz de transformar o deserto árido e ressequido num jardim, num lugar de repouso e serenidade: «Uma vez mais virá sobre nós o espírito do alto. Então o deserto se converterá em pomar, e o pomar será como uma floresta. Na terra, agora deserta, habitará o direito, e a justiça no pomar. A paz será obra da justiça, e o fruto da justiça será a tranquilidade e a segurança para sempre. O povo de Deus repousará numa mansão serena, em moradas seguras e em lugares tranquilos» (Is 32, 15-18).
Estas palavras proféticas que, de 1º de setembro a 4 de outubro, acompanharão a iniciativa ecuménica do “Tempo da Criação”, afirmam com força que, junto à oração, são necessárias vontades e ações concretas que tornem perceptível esta “carícia de Deus” sobre o mundo (cf. Carta enc. Laudato si’, 84). Com efeito, a justiça e o direito parecem remediar a inospitalidade do deserto. Trata-se de um anúncio extraordinariamente atual. Em várias partes do mundo, já é evidente que a nossa terra está a cair na ruína. Por todo o lado, a injustiça, a violação do direito internacional e dos direitos dos povos, a desigualdade e a ganância provocam o desflorestamento, a poluição, a perda de biodiversidade. Os fenómenos naturais extremos, causados pelas alterações climáticas provocadas pelo homem, estão a aumentar de intensidade e frequência (cf. Exort. ap. Laudate Deum, 5), sem ter em conta os efeitos, a médio e longo prazo, de devastação humana e ecológica provocada pelos conflitos armados.
Parece ainda haver uma falta de consciência de que a destruição da natureza não afeta todos da mesma forma: espezinhar a justiça e a paz significa atingir principalmente os mais pobres, os marginalizados, os excluídos. A este respeito, o sofrimento das comunidades indígenas é emblemático.
E não basta: a própria natureza torna-se, por vezes, um instrumento de troca, uma mercadoria a negociar para obter ganhos económicos ou políticos. Nestas dinâmicas, a criação transforma-se num campo de batalha pelo controlo dos recursos vitais, como testemunham as zonas agrícolas e as florestas que se tornaram perigosas por causa das minas, a política da “terra queimada” [1] , os conflitos que eclodem em torno das fontes de água, a distribuição desigual das matérias-primas, penalizando as populações mais fracas e minando a própria estabilidade social.
Estas várias feridas devem-se ao pecado. Não era certamente isso que Deus tinha em mente quando confiou a Terra ao homem criado à sua imagem (cf. Gn 1, 24-29). A Bíblia não promove «o domínio despótico do ser humano sobre a criação» (Carta enc. Laudato si’, 200). Pelo contrário, «é importante ler os textos bíblicos no seu contexto, com uma justa hermenêutica, e lembrar que nos convidam a “cultivar e guardar” o jardim do mundo (cf. Gn 2, 15). Enquanto “cultivar” quer dizer lavrar ou trabalhar um terreno, “guardar” significa proteger, cuidar, preservar, velar. Isto implica uma relação de reciprocidade responsável entre o ser humano e a natureza» (ibid., 67).
A justiça ambiental – implicitamente anunciada pelos profetas – já não pode ser considerada um conceito abstrato ou um objetivo distante. Ela representa uma necessidade urgente que ultrapassa a mera proteção do ambiente. Trata-se verdadeiramente de uma questão de justiça social, económica e antropológica. Para os que creem em Deus, além disso, é uma exigência teológica, que para os cristãos tem o rosto de Jesus Cristo, em quem tudo foi criado e redimido. Num mundo onde os mais frágeis são os primeiros a sofrer os efeitos devastadores das alterações climáticas, do desflorestamento e da poluição, cuidar da criação torna-se uma questão de fé e de humanidade.
Chegou verdadeiramente o tempo de dar seguimento às palavras com obras concretas. «Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã» (ibid., 217). Trabalhando com dedicação e ternura, muitas sementes de justiça podem germinar, contribuindo para a paz e a esperança. Por vezes, são precisos anos para que a árvore dê os primeiros frutos, anos que envolvem todo um ecossistema na continuidade, na fidelidade, na colaboração e no amor, sobretudo se este amor se tornar um espelho do Amor oblativo de Deus.
Entre as iniciativas da Igreja, que são como sementes lançadas neste campo, gostaria de recordar o projeto “Borgo Laudato si’”, que o Papa Francisco nos deixou como herança em Castel Gandolfo, uma semente que pode dar frutos de justiça e paz. Trata-se de um projeto de educação para a ecologia integral que visa ser um exemplo de como se pode viver, trabalhar e fazer comunidade aplicando os princípios da Encíclica Laudato si’.
Peço ao Todo-Poderoso que nos envie em abundância o seu «espírito do alto» (Is 32, 15), para que estas sementes e outras semelhantes possam dar frutos abundantes de paz e esperança.
A Encíclica Laudato si’ acompanha a Igreja Católica e muitas pessoas de boa vontade desde há dez anos: que ela continue a inspirar-nos, e que a ecologia integral seja cada vez mais escolhida e partilhada como caminho a seguir. Assim se multiplicarão as sementes de esperança, a serem “guardadas e cultivadas” com a graça da nossa grande e indefectível Esperança, Cristo Ressuscitado. Em seu nome, envio a todos vós a minha bênção.
Vaticano, 30 de junho de 2025, Memória dos Santos Protomártires da Igreja Romana.
LEÃO PP. XIV
[1] Cf. Pontifício Conselho Justiça e Paz, Terra e Cibo, LEV 2015, 51-53.
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CONHECENDO PARA AMAR
MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV
PARA O IX DIA MUNDIAL DOS POBRES
XXXIII Domingo do Tempo Comum
16 de novembro de 2025
Tu és a minha esperança (cf. Sl 71,5)
1. «Tu és a minha esperança, ó Senhor Deus» (Sl 71,5). Essas palavras emanam de um coração oprimido por graves dificuldades: «Fizeste-me sofrer grandes males e aflições mortais» (v. 20), diz o Salmista. Apesar disso, o seu espírito está aberto e confiante, porque firme na fé reconhece o amparo de Deus e o professa: «És o meu rochedo e a minha fortaleza» (v. 3). Daí deriva a confiança inabalável de que a esperança n’Ele não decepciona: «Em ti, Senhor, me refugio, jamais serei confundido» (v. 1).
No meio das provações da vida, a esperança é animada pela firme e encorajadora certeza do amor de Deus, derramado nos corações pelo Espírito Santo. Por isso, ela não decepciona (cf. Rm 5, 5) e São Paulo pode escrever a Timóteo: «Pois se nós trabalhamos e lutamos, é porque pomos a nossa esperança no Deus vivo» (1 Tm 4, 10). O Deus vivo é, verdadeiramente, o «Deus da esperança» (Rm 15, 13), que em Cristo, pela sua morte e ressurreição, se tornou a «nossa esperança» (1 Tm 1, 1). Não podemos esquecer que fomos salvos nesta esperança, na qual precisamos permanecer enraizados.
2. O pobre pode tornar-se testemunha de uma esperança forte e confiável, precisamente porque professada numa condição de vida precária, feita de privações, fragilidade e marginalização. Ele não conta com as seguranças do poder e do ter; pelo contrário, sofre-as e, muitas vezes, é vítima delas. A sua esperança só pode repousar noutro lugar. Reconhecendo que Deus é a nossa primeira e única esperança, também nós fazemos a passagem entre as esperanças que passam e a esperança que permanece. As riquezas são relativizadas perante o desejo de ter Deus como companheiro de caminho porque se descobre o verdadeiro tesouro de que realmente precisamos. Ressoam claras e fortes as palavras com que o Senhor Jesus exortou os seus discípulos: «Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam» (Mt 6, 19-20).
3. A pobreza mais grave é não conhecer a Deus. Recordou-nos isso o Papa Francisco quando escreveu na Evangelii gaudium: «A pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual. A imensa maioria dos pobres possui uma especial abertura à fé; tem necessidade de Deus e não podemos deixar de lhe oferecer a sua amizade, a sua bênção, a sua Palavra, a celebração dos Sacramentos e a proposta dum caminho de crescimento e amadurecimento na fé» (n. 200). Há aqui uma consciência fundamental e totalmente original sobre como encontrar em Deus o próprio tesouro. Realmente, insiste o apóstolo João: «Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê» (1 Jo 4, 20).
É uma regra da fé e um segredo da esperança: embora importantes, todos os bens desta terra, as realidades materiais, os prazeres do mundo ou o bem-estar económico não são suficientes para fazer o coração feliz. Frequentemente, as riquezas iludem e conduzem a situações dramáticas de pobreza, sendo a primeira dessas ilusões pensar que não precisamos de Deus e conduzir a nossa vida independentemente d’Ele. Vêm-me à mente as palavras de Santo Agostinho: «Seja Deus todo motivo de presumires. Sente necessidade d’Ele para que Ele te cumule. Tudo o que possuíres fora d’Ele é imensamente vazio» (Enarr. in Ps. 85,3).
4. A esperança cristã, à qual a Palavra de Deus remete, é certeza no caminho da vida, porque não depende da força humana, mas da promessa de Deus, que é sempre fiel. Por isso, desde os primórdios, os cristãos quiseram identificar a esperança com o símbolo da âncora, que oferece estabilidade e segurança. A esperança cristã é como uma âncora, que fixa o nosso coração na promessa do Senhor Jesus, que nos salvou com a sua morte e ressurreição e que retornará novamente no meio de nós. Esta esperança continua a indicar como verdadeiro horizonte da vida os «novos céus» e a «nova terra» (2 Pe 3, 13), onde a existência de todas as criaturas encontrará o seu sentido autêntico, visto que a nossa verdadeira pátria está nos céus (cf. Fl 3, 20).
Consequentemente, a cidade de Deus compromete-nos com as cidades dos homens, que, desde agora, devem começar a assemelhar-se àquela. A esperança, sustentada pelo amor de Deus derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5, 5), transforma o coração humano em terra fértil, onde pode germinar a caridade para a vida do mundo. A Tradição da Igreja reafirma constantemente esta circularidade entre as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. A esperança nasce da fé, que a alimenta e sustenta, sobre o fundamento da caridade, que é a mãe de todas as virtudes. E precisamos de caridade hoje, agora. Não é uma promessa, mas uma realidade para a qual olhamos com alegria e responsabilidade: envolve-nos, orientando as nossas decisões para o bem comum. Em vez disso, quem carece de caridade não só carece de fé e esperança, mas tira a esperança ao seu próximo.
5. O convite bíblico à esperança traz consigo o dever de assumir, sem demora, responsabilidades coerentes na história. Com efeito, a caridade é «o maior mandamento social» (Catecismo da Igreja Católica, 1889). A pobreza tem causas estruturais que devem ser enfrentadas e eliminadas. À medida que isso acontece, todos somos chamados a criar novos sinais de esperança que testemunhem a caridade cristã, como fizeram, em todas as épocas, muitos santos e santas. Os hospitais e as escolas, por exemplo, são instituições criadas para expressar o acolhimento aos mais fracos e marginalizados. Eles deveriam fazer parte das políticas públicas de todos os países, mas as guerras e as desigualdades frequentemente ainda o impedem. Hoje, cada vez mais, as casas-família, as comunidades para menores, os centros de acolhimento e escuta, as refeições para os pobres, os dormitórios e as escolas populares tornam-se sinais de esperança: são tantos sinais, muitas vezes ocultos, aos quais talvez não prestemos atenção, mas que são muito importantes para se desvencilhar da indiferença e provocar o empenho nas diversas formas de voluntariado!
Os pobres não são um passatempo para a Igreja, mas sim os irmãos e irmãs mais amados, porque cada um deles, com a sua existência e também com as palavras e a sabedoria que trazem consigo, levam-nos a tocar com as mãos a verdade do Evangelho. Por isso, o Dia Mundial dos Pobres pretende recordar às nossas comunidades que os pobres estão no centro de toda a ação pastoral. Não só na sua dimensão caritativa, mas igualmente naquilo que a Igreja celebra e anuncia. Através das suas vozes, das suas histórias, dos seus rostos, Deus assumiu a sua pobreza para nos tornar ricos. Todas as formas de pobreza, sem excluir nenhuma, são um apelo a viver concretamente o Evangelho e a oferecer sinais eficazes de esperança.
6. Este é o convite que emerge da celebração do Jubileu. Não é por acaso que o Dia Mundial dos Pobres seja celebrado no final deste ano de graça. Quando a Porta Santa for fechada, deveremos conservar e transmitir os dons divinos que foram derramados nas nossas mãos ao longo de um ano inteiro de oração, conversão e testemunho. Os pobres não são objetos da nossa pastoral, mas sujeitos criativos que nos estimulam a encontrar sempre novas formas de viver o Evangelho hoje. Diante da sucessão de novas ondas de empobrecimento, corre-se o risco de se habituar e resignar-se. Todos os dias, encontramos pessoas pobres ou empobrecidas e, às vezes, pode acontecer que sejamos nós mesmos a possuir menos, a perder o que antes nos parecia seguro: uma casa, comida suficiente para o dia, acesso a cuidados de saúde, um bom nível de educação e informação, liberdade religiosa e de expressão.
Promovendo o bem comum, a nossa responsabilidade social tem o seu fundamento no gesto criador de Deus, que dá a todos os bens da terra: assim como estes, também os frutos do trabalho do homem devem ser igualmente acessíveis. Com efeito, ajudar os pobres é uma questão de justiça, muito antes de ser uma questão de caridade. Como observa Santo Agostinho: «Damos pão a quem tem fome, mas seria muito melhor que ninguém passasse fome e não precisássemos ser generosos para com ninguém. Damos roupas a quem está nu, mas Deus queira que todos estejam vestidos e que ninguém passe necessidades sobre isto» (Comentário à 1 Jo, VIII, 5).
Desejo, portanto, que este Ano Jubilar possa incentivar o desenvolvimento de políticas de combate às antigas e novas formas de pobreza, além de novas iniciativas de apoio e ajuda aos mais pobres entre os pobres. Trabalho, educação, habitação e saúde são condições para uma segurança que jamais se alcançará com armas. Congratulo-me com as iniciativas já existentes e com o empenho que é manifestado diariamente a nível internacional por um grande número de homens e mulheres de boa vontade.
Confiemos em Maria Santíssima, Consoladora dos aflitos, e com Ela entoemos um canto de esperança, fazendo nossas as palavras do Te Deum: «In Te, Domine, speravi, non confundar in aeternum – Em Vós espero, Meu Deus, não serei confundido eternamente».
Vaticano, 13 de junho de 2025, memória de Santo António de Lisboa, Patrono dos pobres
LEÃO PP. XIV
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CONHECENDO PARA AMAR
SAUDAÇÃO DO PAPA LEÃO XIV
AOS MEMBROS DO SÍNODO DA IGREJA GRECO-CATÓLICA UCRANIANA
Sala do Consistório
Quarta-feira, 2 de julho de 2025
Beatitude
Eminência
Queridos Irmãos no episcopado!
Depois de ter saudado no sábado passado os numerosos peregrinos da Igreja greco-católica ucraniana reunidos na Basílica de São Pedro, hoje tenho a alegria de me encontrar convosco, que celebrais a vossa assembleia sinodal.
Este momento importante para vós tem lugar no contexto do Ano jubilar, que convida todo o Povo de Deus a renovar-se na esperança. Como gostava de repetir o Papa Francisco, a esperança não desilude, porque se funda no amor de Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Certamente, no atual contexto histórico, não é fácil falar de esperança a vós e ao povo confiado ao vosso cuidado pastoral. Não é fácil encontrar palavras de consolação para as famílias que perderam entes queridos nesta guerra insensata. Imagino que o seja também para vós, que estais em contacto diário com as pessoas feridas no coração e na carne. Apesar disso, recebo tantos testemunhos de fé e de esperança por parte de homens e mulheres do vosso povo. Este é um sinal da força de Deus que se manifesta no meio dos escombros da destruição.
Estou consciente de que tendes muitas necessidades a enfrentar, tanto no plano eclesial como no humanitário. Sois chamados a servir Cristo em cada pessoa ferida e angustiada que se dirige às vossas comunidades pedindo uma ajuda concreta.
Estou próximo de vós e, através de vós, estou próximo de todos os fiéis da vossa Igreja. Permaneçamos unidos na única fé e na única esperança. A nossa comunhão é um grande mistério: é também uma comunhão real com todos os irmãos e as irmãs cuja vida foi arrancada desta terra, mas é acolhida em Deus. Nele tudo vive e encontra plenitude de sentido.
Caríssimos, consola-nos sempre a certeza de que a Santa Mãe de Deus está connosco, assiste-nos, guia-nos para o seu Filho, que é a nossa paz. Pela sua intercessão materna, rezo para que a paz possa voltar o mais depressa possível à vossa pátria.
Agradeço-vos e abençoo-vos de coração.
L’Oosservatore Romano
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CONHECENDO PARA AMAR
MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV
POR OCASIÃO DO DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO
PELA SANTIFICAÇÃO DOS SACERDOTES
[27 de junho de 2025 – Solenidade do Sagrado Coração de Jesus]
Queridos irmãos no sacerdócio!
Neste dia mundial de oração pela santificação dos sacerdotes, que se celebra na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, dirijo-me a cada um de vós com sentimentos de gratidão e de grande confiança.
O Coração de Cristo, trespassado por amor, é a carne viva e vivificante que acolhe cada um de nós, transformando-nos à imagem do Bom Pastor. É ali que se compreende a verdadeira identidade do nosso ministério: ardentes da misericórdia de Deus, somos testemunhas alegres do seu amor que cura, acompanha e redime.
Por isso, a festa de hoje renova nos nossos corações o chamamento ao dom total de nós mesmos no serviço do povo santo de Deus. Esta missão começa com a oração e continua na união com o Senhor, que continuamente reaviva em nós o seu dom: a santa vocação ao sacerdócio.
Fazer memória desta graça, como afirma Santo Agostinho, significa entrar num «santuário amplo e sem limites» (Confissões, X, 8.15), que não se limita a conservar algo do passado, mas torna sempre novo e atual o que aí está guardado. Só fazendo memória é que vivemos e fazemos reviver o que o Senhor nos entregou, pedindo-nos que, por nossa vez, o transmitíssemos em seu nome. A memória unifica o nosso coração no Coração de Cristo e a nossa vida na vida de Cristo, para que nos tornemos capazes de levar a Palavra e os Sacramentos da salvação ao povo santo de Deus, a fim de termos um mundo reconciliado no amor. Só no Coração de Jesus encontramos a nossa verdadeira humanidade de filhos de Deus e de irmãos entre nós. Por estas razões, gostaria de vos dirigir hoje um convite urgente: sede construtores de unidade e de paz!
Num mundo marcado por crescentes tensões, mesmo no seio das famílias e das comunidades eclesiais, o sacerdote é chamado a promover a reconciliação e a gerar comunhão. Ser construtores de unidade e de paz significa ser pastores capazes de discernimento, hábeis na arte de compor os fragmentos de vida que nos são confiados, para ajudar as pessoas a encontrar a luz do Evangelho no meio das tribulações da existência; significa ser leitores sábios da realidade, indo para além das emoções do momento, dos medos e das modas; significa oferecer propostas pastorais que geram e regeneram a fé, construindo boas relações, laços de solidariedade, comunidades onde brilha o estilo da fraternidade. Ser construtores de unidade e de paz não significa impor-se, mas servir. Em particular, a fraternidade sacerdotal torna-se um sinal crível da presença do Senhor Ressuscitado entre nós quando caracteriza o caminho comum dos nossos presbitérios.
Convido-vos, por isso, a renovar hoje, diante do Coração de Cristo, o vosso “sim” a Deus e ao seu povo santo. Deixai-vos plasmar pela graça, acalentai o fogo do Espírito recebido na Ordenação, para que, unidos a Ele, sejais sacramento do amor de Jesus no mundo. Não tenhais medo da vossa fragilidade: o Senhor não procura sacerdotes perfeitos, mas corações humildes, abertos à conversão e prontos a amar como Ele mesmo nos amou.
Queridos irmãos sacerdotes, o Papa Francisco propôs-nos de novo a devoção ao Sagrado Coração como espaço de encontro pessoal com o Senhor (cf. Carta Encíclica Dilexit nos, 103), ou seja, como lugar onde podemos levar e resolver os nossos conflitos interiores e os que dilaceram o mundo contemporâneo, pois «n’Ele tornamo-nos capazes de nos relacionarmos uns com os outros de forma saudável e feliz, e de construir neste mundo o Reino de amor e de justiça. O nosso coração unido ao de Cristo é capaz deste milagre social» (ibid., 28).
Ao longo deste Ano Santo, que nos convida a ser peregrinos de esperança, o nosso ministério será tanto mais fecundo quanto mais enraizado estiver na oração, no perdão, na proximidade aos pobres, às famílias e aos jovens em busca da verdade. Não esqueçais: um sacerdote santo faz florescer, à sua volta, a santidade.
Confio-vos a Maria, Rainha dos Apóstolos e Mãe dos Sacerdotes, e a todos abençoo de coração.
Vaticano, 27 de junho de 2025
LEÃO PP. XIV
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CONHECENDO PARA AMAR
O Papa em diálogo com as crianças: “Construam pontes desde pequenos, nunca promovam o ódio”
As perguntas e respostas entre Leão XIV e as crianças do Centro de Férias do Vaticano, que ele encontrou ontem na Sala Paulo VI. Com elas, também um grupo de cerca de 300 estudantes vindos da Ucrânia, acolhidos na Itália pela Cáritas durante o verão.
“Desde pequenos podemos aprender a ser construtores de pontes e buscar oportunidades para ajudar o outro.” É o que acredita Leão XIV, que, ao responder às perguntas de algumas crianças que encontrou ontem no Vaticano, as incentivou a buscar a amizade com Jesus participando da Missa, acolher quem é diferente e se empenhar na construção da paz.
A ocasião foi a visita realizada ontem, 3 de julho, ao meio-dia, à Sala Paulo VI, onde estavam reunidos mais de 300 participantes do programa “Férias para Crianças no Vaticano”, aos quais se juntaram pouco antes outros 300 jovens vindos da Ucrânia e acolhidos pela Cáritas Italiana.
Leão XIV encontra as crianças do Centro de Férias do Vaticano e outras 300 crianças ucranianas
O Papa foi nesta manhã até a Sala Paulo VI para saudar o grupo que participa do projeto “Férias para Crianças”, ao qual se somaram os jovens vindos da Ucrânia.
Respondendo a três perguntas feitas por três crianças representando diferentes faixas etárias, o Pontífice conversou espontaneamente com os presentes, depois que um dos animadores apresentou a iniciativa, que está em sua sexta edição. Coordenada pelo padre salesiano Dom Franco Fontana, inspirada nos oratórios de São João Bosco, o lema deste ano é “Tudo o que é outro, quando o outro é tudo” — um tema escolhido para que os pequenos aprendam a superar os preconceitos, num tempo em que parece cada vez mais difícil conversar, se relacionar, compartilhar palavras, pensamentos e até momentos de brincadeira e diversão juntos.
A Missa na infância em Chicago
A primeira a se dirigir a Leão XIV foi Giulia, que perguntou se ele ia à Missa quando era criança. “Certamente!”, respondeu prontamente. “Sempre, todos os domingos, com mamãe e papai.” Depois, ele retomou memórias da infância em Chicago: “A partir dos 6 anos, mais ou menos, eu também era coroinha na paróquia e, antes das aulas — que eram numa escola paroquial — tinha missa às seis e meia da manhã, e a mamãe sempre nos acordava dizendo: ‘Vamos à Missa’.”
“Servir à Missa era algo que eu gostava muito, porque desde pequeno me ensinaram que Jesus está sempre perto, que Ele é o melhor amigo. E que a Missa era uma forma de encontrar esse amigo, de estar com Jesus, mesmo antes da Primeira Comunhão.” O Papa Prevost lembrou que, na época, a celebração era “em latim”; “tínhamos que aprender o latim para a Missa e, depois, como nasci e vivi nos Estados Unidos, passou a ser em inglês”, comentou. Mas o mais importante, acrescentou, “não era em qual idioma se celebrava, mas viver essa experiência com outros meninos que também serviam à Missa”. Era “sempre sobre a amizade e essa proximidade com Jesus na Igreja. Era algo muito bonito”.
Acolher quem é diferente, construir pontes
Em seguida, pegou o microfone Edoardo, que, referindo-se ao tema das Férias para Crianças no Vaticano, perguntou ao Papa como as crianças podem acolher quem é diferente. Leão XIV começou saudando em inglês o grupo vindo da Ucrânia:
“Experiências como esta — de se encontrar com pessoas de países diferentes, terras diferentes, línguas diferentes, com tantas diferenças entre nós — são muito importantes”, explicou. Ele incentivou a viver “a experiência do encontro, de se encontrar com o outro, de se respeitar mutuamente e de aprender a ser amigos uns dos outros.”
Voltando ao italiano para incluir todos os presentes, explicou como a Ucrânia é “uma terra que está sofrendo muito por causa da guerra”. Apontando as diferenças entre os dois grupos — como o idioma e as dificuldades para se comunicar — reconheceu que “quando encontramos a oportunidade de um encontro, de nos encontrarmos com o outro, é muito importante aprender a nos respeitar mutuamente, não focar nas diferenças, mas buscar viver o encontro com respeito, para construir pontes, para construir amizade, reconhecendo que todos podemos ser amigos, irmãos, irmãs — e assim podemos caminhar juntos e seguir adiante”.
O Papa não escondeu que há dificuldades. “Às vezes exige um esforço especial”, destacou. “Porque: ‘Ah, ele não é como eu… Ela é diferente… Não fala como eu… É diferente…’” Mas, deixou claro, é preciso “aprender a nos respeitar mutuamente, saber que é possível viver o encontro e viver como amigos, todos nós”.
“Não entrar em guerra”
Por fim, Damiano voltou ao tema do conflito na Ucrânia, perguntando o que as novas gerações podem fazer para construir a paz. O bispo de Roma respondeu que “mesmo pequenos, todos podemos aprender a ser construtores de paz e amizade”.
Ele também deu sugestões práticas: “Não entrar em guerra, em conflito, nunca promover o ódio. São muitas pequenas coisas, mesmo para vocês, que às vezes dizem: ‘Ah, eu gosto mais daquele tênis e eu não tenho…’ Aí começa a ver o outro com maus olhos… ou vem aquela inveja, algo que machuca um pouco o coração.”
Mas, esclareceu o Papa, “Jesus nos chama a aprender a sermos todos amigos, todos irmãos e irmãs. E vivendo essa experiência, sendo italianos, americanos, ucranianos, ou de qualquer outro país, todos somos filhos e filhas de Deus”.
Daí veio o convite para aprender desde cedo “a ter esse respeito mútuo”, a “ver no outro alguém como eu”, que “não é tão diferente assim. ‘Ah, ele fala outra língua, não consigo falar com ele’: isso não é verdade. Existem os gestos! Há uma maneira de se aproximar do outro — é possível compartilhar um pedaço de pão, é possível tentar ajudar o outro”, porque, concluiu Leão XIV, “mesmo os pequenos já podem começar a buscar ocasiões e oportunidades para serem promotores de paz, promotores de amizade, de amor entre todos.”
L’Osservatore Romano
Vatican News
(Tradução da edição em Italiano por Portal Duc in Altum)
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CONHECENDO PARA AMAR
SAUDAÇÃO DE SUA SANTIDADE O PAPA LEÃO XIV
AOS PEREGRINOS DA DINAMARCA, IRLANDA, INGLATERRA, PAÍS DE GALES E ESCÓCIA
Sala Clementina
Sábado, 5 de julho de 2025
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
A paz esteja convosco!
Bom dia e bem-vindos ao Vaticano.
Suas Excelências,
Queridos sacerdotes e jovens amigos,
É com alegria que saúdo a todos vocês por ocasião de sua peregrinação a Roma durante este Ano Jubilar, que, como sabem, tem como foco a virtude teologal da esperança. Em particular, dou as boas-vindas aos jovens da Diocese de Copenhague, que fazem parte deste grupo, juntamente com os professores da Irlanda, Inglaterra, País de Gales e Escócia.
Vocês estão seguindo os passos de incontáveis peregrinos de seus países, que há séculos fazem esta mesma peregrinação a Roma, a “Cidade Eterna”. De fato, Roma sempre foi um lar especial para os cristãos, pois é o lugar onde os Apóstolos Pedro e Paulo deram o supremo testemunho de seu amor por Jesus, oferecendo suas vidas como mártires. Como Sucessor de Pedro, desejo expressar minha gratidão pela presença de vocês aqui e rezo para que, ao visitarem os diversos locais sagrados, possam encontrar inspiração e esperança no profundo exemplo de como os santos e mártires imitaram Cristo.
A peregrinação tem um papel essencial em nossa vida de fé, pois nos afasta de nossas casas e rotinas diárias e nos oferece tempo e espaço para um encontro mais profundo com Deus. Momentos assim sempre nos ajudam a crescer, pois, por meio deles, o Espírito Santo nos molda suavemente para que sejamos cada vez mais conformes à mente e ao coração de Jesus Cristo.
De modo especial, queridos irmãos e irmãs, jovens reunidos conosco nesta manhã, lembrem-se de que Deus criou cada um de vocês com um propósito e uma missão nesta vida. Aproveitem esta oportunidade para escutar, para rezar, a fim de que possam ouvir com mais clareza a voz de Deus chamando cada um no mais íntimo do coração. Eu acrescentaria que, hoje em dia, tantas vezes perdemos a capacidade de escutar — de escutar de verdade. Escutamos música, temos nossos ouvidos constantemente inundados com todo tipo de informação digital, mas às vezes esquecemos de escutar o nosso próprio coração — e é no coração que Deus nos fala, que Deus nos chama e nos convida a conhecê-lo melhor e a viver em seu amor. E é por meio dessa escuta que vocês poderão se abrir para permitir que a graça de Deus fortaleça sua fé em Jesus (cf. Cl 2,7), para que possam compartilhar esse dom com mais prontidão com os outros.
E a vocês, queridos professores: o que acabo de dizer aos jovens aplica-se igualmente a vocês, especialmente considerando o importante papel que têm na formação da juventude de hoje — crianças, adolescentes, jovens adultos. Eles olharão para vocês como modelos: modelos de vida, modelos de fé. Observarão, sobretudo, como vocês ensinam e como vivem. Espero que, a cada dia, cultivem sua relação com Cristo, que nos dá o exemplo de todo ensinamento autêntico (cf. Mt 7,28), para que, por sua vez, possam guiar e encorajar aqueles que lhes foram confiados a seguir Cristo em suas próprias vidas.
E, por fim, quando todos vocês voltarem para casa, lembrem-se de que uma peregrinação não termina — ela muda o foco para a “peregrinação do discipulado” do dia a dia. Todos somos peregrinos e estamos sempre a caminho, caminhando na busca de seguir o Senhor e de encontrar o caminho que realmente nos pertence na vida. Isso certamente não é fácil, mas com a ajuda do Senhor, a intercessão dos santos e o encorajamento mútuo, podem estar certos de que, enquanto permanecerem fiéis e confiarem sempre na misericórdia de Deus, a experiência desta peregrinação continuará a dar frutos por toda a vida (cf. Jo 15,16).
Queridos amigos, com estas breves palavras, e confiando vocês à intercessão de Maria, Mãe da Igreja, concedo de bom grado a cada um a minha bênção de coração.
Que Deus os abençoe e muito obrigado.
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CONHECENDO PARA AMAR
PAPA LEÃO XIV
ANGELUS
Praça de São Pedro
Domingo, 6 de julho de 2025
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho de hoje (Lc 10, 1-12.17-20) recorda-nos a importância da missão, à qual todos somos chamados, cada um segundo a própria vocação, nas situações concretas em que o Senhor o colocou.
Jesus envia setenta e dois discípulos (v. 1). Esse número simbólico indica que a esperança do Evangelho é destinada a todos os povos: é precisamente essa a grandeza do coração de Deus, a sua messe abundante, ou seja, a obra que Ele realiza no mundo para que todos os seus filhos sejam alcançados pelo seu amor e sejam salvos.
Ao mesmo tempo, Jesus diz: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara» (v. 2).
Por um lado, como um semeador, Deus saiu pelo mundo para semear com generosidade e colocou no coração do homem e da história o desejo do infinito, de uma vida plena, de uma salvação que o liberte. Por isso, a seara é grande: o Reino de Deus, como uma semente, germina no solo e as mulheres e os homens de hoje, mesmo quando parecem dominados por tantas outras coisas, esperam uma verdade maior, procuram um sentido mais pleno para as suas vidas, desejam a justiça, levam dentro de si um anseio de vida eterna.
Por outro lado, são poucos os operários que vão trabalhar no campo semeado pelo Senhor e que, além disso, são capazes de reconhecer, com os olhos de Jesus, o trigo bom que está pronto para a colheita (cf. Jo 4, 35-38). Há algo grande que o Senhor quer fazer na nossa vida e na história da humanidade, mas poucos são aqueles que se apercebem disso, que param para acolher o dom, que o anunciam e o levam aos outros.
Queridos irmãos e irmãs, a Igreja e o mundo não precisam de pessoas que cumprem os seus deveres religiosos mostrando a sua fé como um rótulo exterior; precisam, pelo contrário, de operários desejosos de trabalhar no campo da missão, de discípulos apaixonados que testemunhem o Reino de Deus onde quer que estejam. Talvez não faltem os “cristãos de ocasião”, que de vez em quando dão lugar a algum sentimento religioso ou participam em algum evento; mas poucos são aqueles que estão prontos a trabalhar todos os dias no campo de Deus, cultivando no seu coração a semente do Evangelho para depois levá-la à vida quotidiana, à família, aos locais de trabalho e de estudo, aos vários ambientes sociais e àqueles que se encontram em necessidade.
Para fazer isso, não são necessárias muitas ideias teóricas sobre conceitos pastorais: é preciso, acima de tudo, rezar ao Dono da messe. Com efeito, em primeiro lugar está a relação com o Senhor, cultivando o diálogo com Ele. Então, será Ele que nos tornará seus operários e nos enviará ao campo do mundo, como testemunhas do seu Reino.
Peçamos à Virgem Maria – Ela que participou na obra da salvação oferecendo generosamente o seu “Eis-me aqui” – que interceda por nós e nos acompanhe no caminho do seguimento do Senhor, para que também nós possamos tornar-nos operários alegres do Reino de Deus.
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CONHECENDO PARA AMAR
MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV,
ASSINADA PELO CARDEAL SECRETÁRIO DE ESTADO PIETRO PAROLIN,
POR OCASIÃO DA CIMEIRA AI FOR GOOD 2025
[Genebra, Suíça, 10 de julho de 2025]
Em nome de Sua Santidade, o Papa Leão XIV, gostaria de expressar as minhas cordiais saudações a todos os participantes da AI for Good Summit 2025, organizada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), em parceria com outras agências da ONU e coorganizada pelo Governo suíço. Como esta cimeira coincide com o 160º aniversário da fundação da UIT, gostaria de felicitar todos os Membros e funcionários pelo seu trabalho e esforços constantes para promover a cooperação global, a fim de levar os benefícios das tecnologias da comunicação a todas as pessoas no mundo inteiro. Conectar a família humana através do telégrafo, da rádio, do telefone, das comunicações digitais e espaciais apresenta desafios, especialmente em áreas rurais e de baixa renda, onde aproximadamente 2,6 mil milhões de pessoas ainda não têm acesso às tecnologias da comunicação.
A humanidade está numa encruzilhada, enfrentando o imenso potencial gerado pela revolução digital impulsionada pela Inteligência Artificial. O impacto desta revolução é de longo alcance, transformando áreas como a educação, o trabalho, a arte, a saúde, a governação, as forças armadas e a comunicação. Esta transformação histórica exige responsabilidade e discernimento para garantir que a IA seja desenvolvida e utilizada para o bem comum, construindo pontes de diálogo e promovendo a fraternidade, e assegurando que ela sirva os interesses da humanidade como um todo.
À medida que a IA se torna capaz de se adaptar autonomamente a muitas situações, fazendo escolhas algorítmicas puramente técnicas, é crucial considerar as suas implicações antropológicas e éticas, os valores em jogo e os deveres e quadros regulamentares necessários para defender esses valores. De facto, embora a IA possa simular aspetos do raciocínio humano e realizar tarefas específicas com incrível velocidade e eficiência, não pode replicar o discernimento moral ou a capacidade de formar relações genuínas. Portanto, o desenvolvimento de tais avanços tecnológicos deve andar de mãos dadas com o respeito pelos valores humanos e sociais, a capacidade de julgar com consciência limpa e o crescimento da responsabilidade humana. Não é por acaso que esta era de profunda inovação levou muitos a refletir sobre o que significa ser humano e sobre o papel da humanidade no mundo.
Embora a responsabilidade pelo uso ético dos sistemas de IA comece com quem os desenvolve, gere e supervisiona, quem os utiliza também partilha essa responsabilidade. A IA requer, portanto, uma gestão ética adequada e quadros regulamentares centrados na pessoa humana, que vão além dos meros critérios de utilidade ou eficiência. Em última análise, nunca devemos perder de vista o objetivo comum de contribuir para essa «tranquillitas ordinis – a tranquilidade da ordem», como lhe chamou Santo Agostinho (De Civitate Dei), e promover uma ordem mais humana das relações sociais e sociedades pacíficas e justas ao serviço do desenvolvimento humano integral e do bem da família humana.
Em nome do Papa Leão XIV, gostaria de aproveitar esta oportunidade para vos encorajar a procurar clareza ética e estabelecer uma governação local e global coordenada da IA, baseada no reconhecimento comum da dignidade inerente e das liberdades fundamentais da pessoa humana. O Santo Padre assegura-vos de bom grado as suas orações pelos vossos esforços em benefício do bem comum.
Card. Pietro Parolin
Secretário de Estado de Sua Santidade
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CONHECENDO PARA AMAR
Homilia do Santo Padre, o Papa Leão XIV, na Santa Missa de hoje, Domingo dia 13.JUL.2025.
SANTA MISSA
HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
Paróquia São Tomás de Villanova, em Castel Gandolfo
XV domingo do tempo comum, 13 de julho de 2025
Irmãos e irmãs,
Compartilho convosco a alegria de celebrar esta Eucaristia e desejo saudar todos os presentes, a comunidade paroquial, os sacerdotes, o Bispo da Diocese, Sua Eminência, as autoridades civis e militares.
O Evangelho deste domingo, que acabámos de ouvir, é uma das mais belas e inspiradoras parábolas contadas por Jesus. Todos conhecemos a parábola do bom samaritano (Lc 10, 25-37).
Esta história continua a desafiar-nos hoje. Ela interpela a nossa vida, abala a tranquilidade das nossas consciências adormecidas ou distraídas e alerta-nos para o risco de uma fé acomodada, conformada com a observância exterior da lei, mas incapaz de sentir e agir com as mesmas entranhas de compaixão de Deus.
A compaixão, com efeito, está no centro da parábola. E se é verdade que no relato evangélico ela é descrita por meio das ações do samaritano, a primeira coisa que o trecho destaca é o olhar. Na verdade, diante de um homem ferido que se encontra à beira da estrada, depois de ter sido atacado por salteadores, tanto do sacerdote como do levita, diz: «ao vê-lo, passou adiante» (v. 32); ao contrário, do samaritano, o Evangelho diz: «vendo-o, encheu-se de compaixão» (v. 33).
Queridos irmãos e irmãs, o olhar faz a diferença, porque expressa aquilo que trazemos no coração: ver e passar adiante ou ver e encher-se de compaixão. Existe um modo de ver exterior, distraído e apressado, um olhar que finge não ver, isto é, sem nos deixarmos sensibilizar e interpelar pela situação; por outro lado, há um modo de ver com os olhos do coração, com um olhar mais profundo, com uma empatia que nos põe no lugar do outro, nos faz participar interiormente, nos toca, comove, questiona a nossa vida e a nossa responsabilidade.
O primeiro olhar do qual a parábola quer falar-nos é aquele que Deus dirigiu para nós, a fim de que também nós aprendamos a ter os mesmos olhos que Ele, cheios de amor e compaixão uns pelos outros. Realmente, o bom samaritano é, antes de mais nada, a imagem de Jesus, o Filho eterno que o Pai enviou à história precisamente porque olhou para a humanidade sem passar adiante, com olhos, com coração e com entranhas movidos por emoção e compaixão. Como aquele homem do Evangelho que descia de Jerusalém para Jericó, a humanidade descia aos abismos da morte e, ainda hoje, muitas vezes tem de lidar com a escuridão do mal, com o sofrimento, com a pobreza, com o absurdo da morte; Deus, porém, olhou para nós com compaixão, quis fazer Ele mesmo o nosso caminho, desceu no meio de nós e, em Jesus, bom samaritano, veio curar as nossas feridas, derramando sobre nós o óleo do seu amor e da sua misericórdia.
O Papa Francisco lembrou-nos tantas vezes que Deus é misericórdia e compaixão, e afirmou que Jesus «é a compaixão do Pai por nós» (Angelus, 14 de julho de 2019). Ele é o bom samaritano que veio ao nosso encontro; Ele, diz Santo Agostinho, «quis ser chamado nosso próximo. Pois o Senhor Jesus Cristo representa-se a si próprio sob os traços daquele homem que socorreu o pobre caído no caminho, ferido, semimorto e abandonado pelos ladrões» (A doutrina cristã, I, 30.33).
Compreendemos, assim, por que a parábola instiga também cada um de nós: uma vez que Cristo é a manifestação de um Deus compassivo, acreditar n’Ele e segui-lo como seus discípulos significa deixar-se transformar para que também nós possamos ter os mesmos sentimentos d’Ele, ou seja, um coração que se comove, um olhar que vê e não passa adiante, duas mãos que socorrem e aliviam feridas, ombros fortes que carregam o fardo daqueles que estão em necessidade.
A primeira leitura de hoje, fazendo-nos ouvir as palavras de Moisés, diz-nos que obedecer aos mandamentos do Senhor e converter-se a Ele, não significa multiplicar atos exteriores, mas, pelo contrário, trata-se de voltar ao próprio coração, para descobrir que é precisamente ali que Deus escreveu a lei do amor. Se no íntimo da nossa vida descobrimos que Cristo, como bom samaritano, nos ama e cuida de nós, também nós somos impelidos a amar da mesma forma e nos tornaremos compassivos como Ele. Curados e amados por Cristo, também nós nos tornamos sinais do seu amor e da sua compaixão no mundo.
Irmãos e irmãs, hoje precisamos desta revolução do amor. Hoje, aquele caminho que desce de Jerusalém até Jericó, uma cidade que se encontra abaixo do nível do mar, é o caminho percorrido por todos aqueles que se aprofundam no mal, no sofrimento e na pobreza; é o caminho de tantas pessoas oprimidas pelas dificuldades ou feridas pelas circunstâncias da vida; é o caminho de todos aqueles que “estão embaixo” até se perderem e tocarem o fundo; e é a estrada de tantos povos espoliados, roubados e saqueados, vítimas de sistemas políticos opressivos, de uma economia que os condena à pobreza, da guerra que mata os seus sonhos e as suas vidas.
E o que fazemos nós? Vemos e passamos adiante, ou deixamos que o nosso coração seja traspassado como o do samaritano? Às vezes, contentamo-nos em fazer apenas o nosso dever ou consideramos nosso próximo somente quem está no nosso círculo, quem pensa como nós, quem tem a mesma nacionalidade ou religião. Porém, Jesus inverte a perspectiva, apresentando-nos um samaritano, um estrangeiro e herege que se torna próximo daquele homem ferido. E pede-nos que façamos o mesmo.
O samaritano, escreveu Bento XVI, «não se pergunta até onde chegam os seus deveres de solidariedade nem sequer quais sejam os merecimentos necessários para a vida eterna. Acontece outra coisa: sente o coração despedaçar-se-lhe […]. Se a pergunta tivesse sido: “O samaritano é também meu próximo?”, então, na referida situação, a resposta teria sido um “não” decididamente claro. Mas Jesus inverte a questão: o samaritano, o estrangeiro, faz-se a si mesmo próximo e mostra-me que é, a partir do meu íntimo, que devo aprender o ser-próximo e que trago a resposta já dentro de mim. Devo tornar-me uma pessoa que ama, uma pessoa cujo coração está aberto para deixar-se impressionar perante a necessidade do outro» (Jesus de Nazaré, 253).
Ver sem passar adiante, parar a nossa corrida apressada, deixar que a vida do outro, seja ele quem for, com as suas necessidades e sofrimentos, me parta o coração. Isso aproxima-nos uns dos outros, gera uma verdadeira fraternidade, derruba muros e barreiras. E, finalmente, o amor abre caminho, tornando-se mais forte do que o mal e a morte.
Caríssimos, olhemos para Cristo, o bom Samaritano, e ouçamos ainda hoje a Sua voz que diz a cada um de nós: «Vai e faz tu também o mesmo» (v. 37).
Palavras do Santo Padre ao final da missa:
Neste momento, gostaria de entregar um pequeno presente ao Pároco desta Paróquia Pontifícia, como recordação da nossa celebração de hoje [aplausos]. A patena e o cálice com os quais celebrámos a Eucaristia são instrumentos de comunhão, e podem ser um convite a nós todos para vivermos em comunhão, para promovermos verdadeiramente esta fraternidade, esta comunhão que vivemos em Jesus Cristo.
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CONHECENDO PARA AMAR
PAPA LEÃO XIV
ANGELUS
Praça da Liberdade (Castel Gandolfo)
Domingo, 13 de julho de 2025
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho de hoje começa com uma lindíssima pergunta feita a Jesus: «Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?» (cf. Lc 10, 25). Estas palavras exprimem um desejo constante na nossa vida: o desejo de salvação, ou seja, de uma existência livre do fracasso, do mal e da morte.
O que o coração do homem espera é descrito como um bem “herdado”: nem se conquista através da força, nem se implora como se fôssemos servos, nem se obtém por contrato. A vida eterna, que só Deus pode dar, é transmitida ao homem como herança, de pai para filho.
Eis por que, à nossa pergunta, Jesus responde que, para receber o dom de Deus, é preciso acolher a sua vontade. Está escrito na Lei: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração» e «o teu próximo como a ti mesmo» (Lc 10, 27; cf. Dt 6, 5; Lv 19, 18). Fazendo assim, correspondemos ao amor do Pai: a vontade de Deus é, na verdade, aquela lei de vida que Deus, em primeiro lugar, pratica a nosso respeito, amando-nos por inteiro no seu Filho Jesus.
Irmãos e irmãs, olhemos para Ele! Jesus é a revelação do verdadeiro amor para com Deus e para com o homem: amor que se dá e não possui, amor que perdoa e não demanda, amor que socorre e nunca abandona. Em Cristo, Deus fez-se próximo de todos os homens e mulheres; por isso, cada um de nós pode e deve tornar-se próximo daqueles que encontra pelo caminho. Seguindo o exemplo de Jesus, Salvador do mundo, também nós somos chamados a levar consolação e esperança, especialmente àqueles que estão desanimados e desiludidos.
Para viver eternamente, portanto, não há que enganar a morte, mas servir a vida, ou seja, cuidar da existência dos outros no tempo que aqui partilharmos. Esta é a lei suprema, que não só está antes de qualquer regra social como lhe dá sentido.
Peçamos à Virgem Maria, Mãe da Misericórdia, que nos ajude a acolher no nosso coração a vontade de Deus, que é sempre a vontade de amor e salvação, para sermos todos os dias construtores da paz.
Depois do Angelus
Queridos irmãos e irmãs
Estou feliz por estar aqui entre vós, em Castel Gandolfo, para alguns dias de descanso. Saúdo as autoridades civis e militares presentes e a todos agradeço pelo caloroso acolhimento.
Ontem, em Barcelona, foi beatificado Lycarion May (nascido François Benjamin), Irmão do Instituto dos Irmãos Maristas das Escolas, assassinado em 1909 por ódio à fé. Em circunstâncias hostis, viveu com dedicação e coragem sua missão educativa e pastoral. Que o testemunho heroico deste mártir seja um incentivo para todos, especialmente para aqueles que trabalham na educação dos jovens.
Dirijo as minhas saudações aos participantes do Curso de verão da Academia Litúrgica vindos da Polónia; o meu pensamento vai também para os peregrinos polacos, que hoje participam na Peregrinação Anual ao Santuário de Częstochowa.
Termina hoje a Peregrinação Jubilar da Diocese de Bérgamo. Saúdo os peregrinos que, juntamente com o Bispo, foram a Roma para atravessar a Porta Santa.
Saúdo a Comunidade Pastoral Beato Agostinho de Tarano, do Colegio San Agustín, de Chiclayo, no Peru, que também foi a Roma para celebrar o Jubileu; os peregrinos da Paróquia de San Pedro Apóstol da Diocese de Alcalá de Henares, que celebram o 400º aniversário da fundação da Paróquia; as Legionárias de Maria de Uribia-La Guajira, Colômbia; os membros da Família do Amor Misericordioso; o Grupo de Escuteiros Agesci Alcamo 1; e, finalmente, as monjas agostinianas em formação aqui presentes.
Acolhemos com prazer o Coro Masculino da Académie Musicale de Liesse, da França. Obrigado pela vossa presença e pelo vosso empenho no canto e na música.
Estão aqui entre nós 100 alunos do Curso de Carabineiros da Escola de Velletri, que recebeu o nome do Venerável Salvo D’Acquisto. Saúdo o Comandante, juntamente com os Oficiais e Suboficiais, e encorajo-vos a continuar a vossa formação ao serviço da Pátria e da sociedade civil. Obrigado! Um forte aplauso aqueles que servem!
Durante os meses de verão, são muitas as iniciativas com as crianças e os jovens, e gostaria de agradecer aos educadores e animadores que se dedicam a este serviço. Neste contexto, gostaria de mencionar a importante iniciativa do Giffoni Film Festival, que reúne jovens de todo o mundo e que este ano será dedicado ao tema “Tornar-se humano”.
Irmãos e irmãs, não nos esqueçamos de rezar pela paz e por todos aqueles que, por causa da violência e da guerra, se encontram numa situação de sofrimento e de necessidade.
Desejo a todos um bom domingo!
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CONHECENDO PARA AMAR
MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV
POR OCASIÃO DOS 3 ANOS DO MENSAL “L’OSSERVATORE DI STRADA”
Queridos amigos do L’Osservatore di Strada, que hoje celebram os três anos de nascimento deste mensal, cuja primeira edição foi publicada em 29 de junho de 2022: parabéns!
Quero me unir à festa de vocês com algumas palavras que se resumem em uma só: obrigado!
Obrigado a todos vocês que, há três anos, levam adiante esta experiência tão pequena, mas tão significativa. Obrigado por este jornal de vocês, no qual — como disse meu amado predecessor, o Papa Francisco, no Angelus de 29 de junho de três anos atrás — “os últimos tornam-se protagonistas”.
São vocês que, com seus talentos, contribuem para a realização deste jornal tão único, e são sempre vocês que, a cada domingo, o distribuem gratuitamente entre os peregrinos presentes na praça, acompanhando assim com sua presença discreta o Papa, antes e depois da oração do Angelus.
O trabalho de vocês é importante, porque nos ajuda a lembrar que o mundo também deve ser visto a partir da rua, tendo a coragem de mudar de perspectiva, rompendo os esquemas e convenções que muitas vezes nos impedem de enxergar de verdade, com mais profundidade, e de ouvir a voz dos que não têm voz.
Parabéns, portanto, e coragem! Vamos em frente, juntos, com confiança, continuando a levar, à cidade dos homens, também alguns momentos da cidade de Deus. Obrigado!
Que o Senhor esteja sempre com vocês, irmãos e irmãs mais queridos.
E que possamos sempre reconhecer Ele em vocês — a mão de Deus em suas histórias, testemunho vivo de que tudo é redimido e de que nenhuma história está sem esperança se acreditamos no amor de Deus.
Santo Agostinho nos recorda:
“Felizes os que têm compaixão dos outros, porque alcançarão compaixão”
(Santo Agostinho, Discurso 53/A, As oito máximas das Bem-aventuranças do Evangelho).
A compaixão e a humildade de vocês são um dom precioso para todos nós.
A esperança de vocês, mesmo nas dificuldades, é um exemplo para a Igreja e para o mundo. Obrigado.
LEÃO PP. XIV
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(Tradução Portal Duc in Altum)
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CONHECENDO PARA AMAR
DISCURSO DO SANTO PADRE LEÃO XIV
AOS PARTICIPANTES DOS CAPÍTULOS GERAIS DE OITO INSTITUTOS RELIGIOSOS
Vilas Pontifícias de Castel Gandolfo, Pátio do Palácio Apostólico
Sábado, 12 de julho de 2025
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Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
A paz esteja com vocês.
Sejam todos bem-vindos! Vamos nos sentar e refletir um pouco juntos.
Queridos irmãos e irmãs,
com alegria dou as boas-vindas a vocês, por ocasião de seus Capítulos e Assembleias. Saúdo os Superiores e Superioras Gerais, os membros dos Conselhos, todos vocês.
Vocês se reuniram para rezar, dialogar e refletir juntos sobre o que o Senhor lhes pede para o futuro. Seus Fundadores e Fundadoras, dóceis à ação do Espírito Santo, lhes deixaram como herança diferentes carismas para a edificação do Corpo de Cristo (cf. Ef 4,11-12); e é justamente para que esse Corpo cresça segundo os desígnios de Deus que a Igreja lhes pede o serviço que vocês realizam (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decreto Perfectae caritatis, 4).
Seus respectivos Institutos encarnam aspectos complementares da vida e da ação de todo o Povo de Deus: a oferta de si mesmo em união com o Sacrifício de Cristo, a missão ad gentes, o amor pela Igreja conservado e transmitido, a educação e formação dos jovens. Trata-se de caminhos diversos pelos quais se expressa, de forma carismática, a única e eterna realidade que a todos anima: o amor de Deus pela humanidade.
Como é costume, cada uma de suas Congregações identificou ângulos específicos a partir dos quais reler a herança recebida, para atualizar seus conteúdos. Também essas direções de trabalho, que vocês escolheram durante o tempo de preparação, na oração e na escuta mútua, são um dom precioso, por serem fruto do Espírito. É Ele quem, com a contribuição de muitos e sob a orientação dos Pastores, “ajuda a comunidade cristã a caminhar na caridade rumo à plena verdade” (cf. Jo 16,13) (Bento XVI, Homilia na Missa de abertura da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 13 de maio de 2007).
Assim, vocês formularam diretrizes que contêm apelos fundamentais: renovar um autêntico espírito missionário, assumir os sentimentos “que havia em Cristo Jesus” (cf. Fl 2,5), enraizar a esperança em Deus (cf. Is 40,31), manter viva no coração a chama do Espírito (cf. 1Ts 5,16-19), promover a paz, cultivar a corresponsabilidade pastoral nas igrejas locais e muito mais. Recordá-las e associá-las neste momento nos ajuda a perceber a riqueza de nosso ser comunidade — especialmente como religiosos e religiosas — engajados na mesma maravilhosa aventura de “seguir mais de perto a Cristo” (Catecismo da Igreja Católica, 916).
Que isso possa renovar e confirmar em todos nós a consciência e a alegria de sermos Igreja, e em particular, animar vocês, no discernimento capitular, a pensar grande, como peças únicas de um plano que os supera e os envolve além das suas próprias expectativas: o projeto de salvação com o qual Deus quer conduzir a si toda a humanidade, como uma só grande família (cf. Francisco, Audiência geral, 29 de maio de 2013).
Esse é o espírito no qual nasceram os seus Institutos e esse é o horizonte no qual deve se inserir cada esforço, para que contribua — por meio de pequenas luzes — a difundir em toda a terra a luz de Cristo, que nunca se apaga (cf. Missal Romano, Precônio Pascal).
Caríssimos, peçamos juntos ao Senhor que sejamos dóceis à voz do seu Espírito, que “ensina todas as coisas” (cf. Jo 14,26) e sem cuja ajuda, em nossa fraqueza, nem sequer sabemos o que convém pedir (cf. Rm 8,26).
Obrigado a vocês pelo trabalho e pela presença fiel em tantas partes do mundo. Abençoo-os de coração e rezo por vocês.
Obrigado!
Rezemos juntos:
[Pai Nosso]
[Bênção]
Muito obrigado a todos vocês!
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©️ Direitos Autorais: Dicastério para a Comunicação – Livraria Editora Vaticana
(Tradução Portal Duc in Altum)
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CONHECENDO PARA AMAR
SANTA MISSA NA CAPELA DA ESTAÇÃO DOS CARABINIERI DE CASTEL GANDOLFO

HOMILIA DO SANTO PADRE LEÃO XIV
Terça-feira, 15 de julho de 2025
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Caros irmãos e irmãs,
o Evangelho que acabamos de ouvir nos transmite o verdadeiro significado cristão de duas palavras fundamentais: irmão e irmã. São nomes que expressam relação, que repetimos frequentemente na liturgia como saudação, como sinais de proximidade e de afeto. Jesus, o Filho unigênito de Deus, explica o sentido desses termos em relação a si mesmo e a seu Pai, revelando um vínculo mais forte que o do sangue, pois nos envolve a todos, unindo cada homem e cada mulher.
De fato, todos somos verdadeiramente irmãos e irmãs de Jesus quando fazemos a vontade de Deus, isto é, quando vivemos amando-nos uns aos outros, como Deus nos amou.
Toda relação que Deus vive — em si e conosco — torna-se, assim, um dom: quando seu Filho único se torna nosso irmão, o Pai dele se torna nosso Pai, e o Espírito Santo, que une o Pai e o Filho, vem habitar em nossos corações. O amor de Deus é tão grande que Jesus não guarda nem mesmo sua Mãe para si, mas nos entrega Maria como nossa Mãe na hora da cruz (cf. Jo 19,27).
Somente quem vive com tal entrega pode afirmar:
“Todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12,50).
Essas palavras nos ajudam a compreender que Maria se torna mãe de Jesus porque escuta a Palavra de Deus com amor, acolhe-a em seu coração e a vive com fidelidade. Comentando este trecho do Evangelho, Santo Agostinho escreveu:
“Mais vale para Maria ter sido discípula de Cristo do que mãe de Cristo”.
De fato, “Maria foi bem-aventurada porque ouviu a Palavra de Deus e a colocou em prática” (Sermo 72/A, 7). O sentido da vida de Maria está guardado na sua fidelidade à Palavra que recebeu de Deus: o Verbo da Vida, que ela acolheu, carregou no ventre e ofereceu ao mundo.
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Caríssimos,
recentemente foi celebrado o 75º aniversário da proclamação da Virgem fiel — Virgo Fidelis — como Padroeira da Arma dos Carabinieri. Foi justamente de Castel Gandolfo que, em 1949, o meu venerado predecessor, Papa Pio XII, acolheu essa bela proposta do Comando Geral da Arma.
Após a tragédia da guerra, em um tempo de reconstrução moral e material, a fidelidade de Maria a Deus tornou-se modelo da fidelidade de cada Carabiniere à Pátria e ao povo italiano. Essa virtude expressa a dedicação, a pureza e a constância no compromisso com o bem comum, que os Carabinieri protegem ao garantir a segurança pública e defender os direitos de todos, especialmente dos que se encontram em situações de perigo.
Quero, por isso, expressar minha profunda gratidão pelo nobre e exigente serviço que a Arma presta à Itália e aos seus cidadãos, bem como à Santa Sé e aos fiéis que visitam Roma — especialmente neste ano jubilar, com tantos peregrinos.
A devoção à Virgem fiel reflete também o lema dos Carabinieri: “Fiel ao longo dos séculos”, traduzindo o senso de dever e a abnegação de cada membro da Arma, até o sacrifício da própria vida.
Agradeço, portanto, às autoridades civis e militares aqui presentes, pelo que fazem no exercício de suas responsabilidades:
diante das injustiças que ferem a ordem social, não cedam à tentação de pensar que o mal sairá vencedor.
Especialmente neste tempo de guerras e violência, permaneçam fiéis ao seu juramento: como servidores do Estado, respondam ao crime com a força da lei e da honestidade.
É assim que a Arma dos Carabinieri, a “Benemérita”, sempre merecerá o respeito e a estima do povo italiano.
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Nesta Eucaristia, ao celebrarmos a paixão, morte e ressurreição do Senhor, é justo e necessário recordar os Carabinieri que deram a vida no cumprimento do dever: confio a vocês como exemplo o venerável Salvo D’Acquisto, condecorado com a medalha de ouro ao valor militar, cuja causa de beatificação está em andamento.
Em cada missão, a Virgo Fidelis os acompanhe, velando com amor por cada um de vocês, por suas famílias e por seu trabalho.
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Copyright ©️ Dicastério para a Comunicação – Livraria Editora Vaticana
(Tradução PORTAL DUC IN ALTUM)
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CONHECENDO PARA AMAR
VIDEOMENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV
PARA A PARTIDA DO CORAÇÃO 2025
15 de julho de 2025
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Caros amigos que jogam ou assistem à Partida do Coração,
este encontro de vocês me leva a compartilhar algumas reflexões — a começar pelo significado das palavras que o definem: “partida” e “coração”.
“Partida”, neste caso, significa encontro. Um encontro em que até mesmo os adversários se unem por uma causa comum: neste ano, especialmente, em favor das crianças que pedem ajuda, crianças que chegam à Itália vindas de zonas de guerra, e que são acolhidas por um projeto do Hospital e da Fundação Bambino Gesù, em parceria com a Caritas Italiana.
Parece cada vez mais difícil — quase impossível — encontrar espaços de escuta para essas realidades.
Mas me vem à mente outra partida, narrada em um filme, Joyeux Noël, e em uma canção de Paul McCartney. Foi jogada em 25 de dezembro de 1914 por soldados (alemães, franceses e ingleses) durante a chamada trégua de Natal, próxima à cidade de Ypres, na Bélgica.
É ainda possível — é sempre possível — encontrar-se, mesmo em tempos de divisão, bombas e guerras. É necessário construir oportunidades para isso. Enfrentar as divisões e reconhecer que este é o maior desafio: encontrar-se. Contribuir juntos para uma boa causa. Reunir os corações partidos — os nossos e os dos outros. Reconhecer que, no coração de Deus, somos um só. E que o coração é o lugar do encontro com Deus e com os outros.
“Partida” e “coração” tornam-se assim duas palavras a serem conjugadas juntas. E é belo que isso aconteça em um evento beneficente que une esporte e televisão, e que arrecada fundos para a vida, para o cuidado — e não para a destruição e a morte.
O esporte, quando é vivido com autenticidade, tanto por quem o pratica quanto por quem torce, tem essa grandeza: transforma o confronto em encontro, a divisão em inclusão, a solidão em comunidade.
E a televisão, quando não é apenas conexão, mas comunhão de olhares, pode nos ensinar novamente a olhar uns para os outros com amor — e não com ódio.
É também significativo que hoje joguem duas equipes: uma de políticos e outra de cantores. Isso nos mostra que a política pode unir em vez de dividir, se não se contenta com a propaganda que se alimenta da criação de inimigos, mas se dedica à difícil e necessária arte do diálogo, que busca o bem comum.
E nos recorda também como a música enriquece nossas palavras e nossas memórias — desde quando, crianças, começamos a falar e a recordar.
As crianças — a quem este encontro de vocês é dedicado — sabem disso.
Têm a pureza de coração que lhes permite ver Deus.
Desejo a cada um de vocês, e a todos os que estarão unidos neste evento e apoiarão o projeto que ele sustenta, que olhem nos olhos das crianças e aprendam com elas. Que reencontrem a coragem da acolhida, e sejam homens e mulheres do encontro.
E que tenham a força de acreditar e pedir por uma trégua, um tempo que detenha a corrida do ódio.
Está em jogo a nossa humanidade.
Que esta partida que fala de paz marque um ponto a seu favor.
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(Tradução PORTAL DUC IN ALTUM)
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CONHECENDO PARA AMAR

O Papa às clarissas: é belo que a Igreja conheça a vida de vocês
Leão XIV, depois de celebrar a Missa na capela da Estação dos Carabinieri de Castel Gandolfo, visitou as religiosas do Mosteiro de Albano, rezando com elas: o testemunho de vocês é um “ testemunho precioso”
Uma visita para rezar juntos. Assim foi a visita de Leão XIV ao Mosteiro das Clarissas em Albano – um dos municípios mais importantes dos Castelos Romanos -, dedicado à Imaculada Conceição.

No final, antes de recitarem juntos o Pai-Nosso e se despedir delas, Leão XIV presenteou o Mosteiro com um cálice e uma patena para a Missa e recebeu de presente um ícone da Face de Cristo.
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CONHECENDO PARA AMAR
UT UNUM SINT

Caros amigos, a oração de Jesus pela unidade dos cristãos, registrada no Evangelho de João — “Pai, que todos sejam um, como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que também eles estejam em Nós, a fim de que o mundo creia que Tu Me enviaste” (Jo 17,21) — expressa o desejo profundo do coração de Cristo às vésperas da sua Paixão: que seus discípulos permaneçam unidos, na mesma comunhão que Ele vive com o Pai. Esta unidade não é apenas estratégica, funcional ou sociológica; é teológica, sacramental, trinitária. É o próprio testemunho da missão do Filho que está em jogo: “para que o mundo creia.”
Entretanto, a história da Igreja testemunhou dolorosas fraturas. A mais emblemática foi o cisma de 1054, quando as Igrejas do Ocidente (latinas) e do Oriente (bizantinas) romperam formalmente sua comunhão, marcando o nascimento das Igrejas Ortodoxas autocéfalas e da Igreja Católica Romana como realidades institucionalmente separadas. O rompimento culminou com excomunhões mútuas entre o Patriarca de Constantinopla, Miguel I Cerulário, e o legado papal enviado por Leão IX. Embora as causas fossem complexas — litúrgicas, culturais, políticas e doutrinais — o efeito foi devastador: a oração de Jesus parecia falhar diante da divisão visível entre os cristãos.
Por séculos, essas excomunhões foram mantidas como símbolo do distanciamento entre Roma e Constantinopla. Porém, após a terrível experiência das guerras mundiais e com o impulso renovador do Concílio Vaticano II, um sopro do Espírito reacendeu o desejo da unidade. Em 7 de dezembro de 1965, São Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I assinaram uma declaração conjunta, removendo oficialmente da memória e da vida da Igreja as excomunhões de 1054. Ainda que a unidade plena não tenha sido restabelecida naquele momento, foi um gesto profético de reconciliação, marcado pela oração, o diálogo e a caridade.
Essa reaproximação fraterna continua rendendo frutos. O discurso do Papa Leão XIV, nesta quinta-feira, 17 de julho de 2025, diante de um grupo de peregrinos ecumênicos vindos dos Estados Unidos, liderados pelo Cardeal Joseph Tobin e pelo Metropolita Elpidophoros, é mais um elo dessa corrente de reconciliação. Reunidos em Castel Gandolfo, o Papa recordou o valor da peregrinação como retorno às raízes apostólicas — Pedro e Paulo em Roma, André em Constantinopla — e como gesto de comunhão espiritual em torno da fé dos primeiros cristãos, especialmente em um ano tão simbólico como o de 2025, quando celebramos os 1700 anos do Concílio de Niceia, o marco da profissão de fé comum entre Oriente e Ocidente.
Com espírito fraterno e esperançoso, o Papa Leão XIV pediu aos peregrinos que levassem sua saudação ao Patriarca Bartolomeu, relembrando sua presença na missa inaugural do atual pontificado. A mensagem do Papa ressoa como eco da oração de Jesus: reconhece os progressos já conquistados, mas insiste na necessidade de continuar implorando ao Espírito Santo a graça da unidade visível e da caridade fraterna.
A insistência de Leão XIV na esperança, tema do Jubileu em curso — Peregrinantes in spe — resgata a dimensão espiritual da busca ecumênica: não se trata apenas de resolver impasses teológicos ou superar feridas históricas, mas de testemunhar ao mundo, em tempos de sofrimento e fragmentação, que a reconciliação é possível, que o Evangelho é fonte de consolação e que a unidade dos cristãos é sinal profético de um Reino que já está presente.
Assim, os eventos de 1054 não são esquecidos, mas superados à luz da oração de Jesus e do perdão mútuo. A carta de 1965 removeu um obstáculo histórico; o discurso de 2025 amplia a ponte espiritual. Ambos são respostas concretas à prece do Senhor: “Ut unum sint” — “Para que todos sejam um.”
O Editor (PORTAL DUC IN ALTUM)
Agora, acolhamos o discurso do Papa Leão XIV, proferido na manhã desta quinta-feira, 17 de julho de 2025, em Castel Gandolfo:
SAUDAÇÃO DO SANTO PADRE LEÃO XIV
AOS MEMBROS DE UMA PEREGRINAÇÃO ECUMÊNICA
PROVENIENTES DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
Castel Gandolfo
Quinta-feira, 17 de julho de 2025

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Meus queridos irmãos e irmãs,
Dirijo uma saudação cordial a todos vocês, especialmente ao Metropolita Elpidophoros e ao Cardeal Tobin, a quem agradeço por terem querido organizar este encontro no contexto da sua peregrinação. Sejam todos bem-vindos.
Lamento estar um pouco atrasado. Esta manhã houve diversos encontros na agenda. No entanto, estou muito feliz por poder passar este momento com vocês neste lugar maravilhoso, Castel Gandolfo.
Vocês partiram dos Estados Unidos — que, como sabem, é o meu país natal — para esta viagem, que deseja ser um retorno às raízes, às fontes, aos lugares e às memórias dos Apóstolos Pedro e Paulo, em Roma, e do Apóstolo André, em Constantinopla. Esta é também uma forma de experimentar, de maneira nova e concreta, a fé que nasce da escuta do Evangelho, de ouvir o Evangelho que nos foi transmitido pelos Apóstolos (cf. Rm 10,16).
É significativo que sua peregrinação aconteça justamente neste ano, em que celebramos os mil e setecentos anos do Concílio de Niceia. O Símbolo da Fé adotado pelos Padres reunidos permanece — juntamente com os acréscimos feitos pelo Concílio de Constantinopla de 381 — patrimônio comum de todos os cristãos, para muitos dos quais o Credo é parte integrante das celebrações litúrgicas. Além disso, por uma coincidência providencial, neste ano os dois calendários em uso em nossas Igrejas coincidem, de modo que pudemos cantar em uníssono o Aleluia pascal: “Cristo ressuscitou! Verdadeiramente ressuscitou!”.
Essas palavras proclamam que as trevas do pecado e da morte foram vencidas pelo Cordeiro imolado, Jesus Cristo nosso Senhor. Isso nos inspira grande esperança, pois sabemos que nenhum clamor das vítimas inocentes da violência, nenhum lamento das mães enlutadas por seus filhos, ficará sem resposta. Nossa esperança está em Deus, e é precisamente porque bebemos constantemente da fonte inesgotável da sua graça que somos chamados a ser suas testemunhas e portadores.
A Igreja Católica está celebrando o nosso Ano Jubilar, cujo lema, escolhido por meu predecessor Papa Francisco, é Peregrinantes in spe, ou seja, peregrinos na esperança. Eminência, Metropolita Elpidophoros, o próprio nome de Vossa Excelência indica que é portador de esperança! Espero que esta peregrinação os confirme a todos na esperança que nasce da fé no Senhor ressuscitado!
Aqui em Roma, vocês passaram um tempo em oração junto aos túmulos de Pedro e Paulo. Agora que visitam a Sé de Constantinopla, peço-lhes que levem minha saudação e meu abraço — um abraço de paz — ao meu venerado irmão, o Patriarca Bartolomeu, que com tanta gentileza participou da Santa Missa de início do meu pontificado. Espero poder encontrá-los novamente, dentro de alguns meses, para participar da Comemoração Ecumênica do aniversário do Concílio de Niceia.
Sua peregrinação é um dos frutos abundantes do movimento ecumênico voltado à restauração da plena unidade entre todos os discípulos de Cristo, conforme a oração do Senhor na Última Ceia, quando Jesus disse: «para que todos sejam um» (Jo 17,21). Às vezes damos por garantidos esses sinais de partilha e comunhão que, ainda que não representem a plena unidade, já manifestam o progresso teológico e o diálogo na caridade que marcaram as últimas décadas.
Em 7 de dezembro de 1965, na véspera da conclusão do Concílio Vaticano II, meu predecessor São Paulo VI e o Patriarca Atenágoras assinaram uma Declaração Conjunta, apagando da memória e da vida da Igreja as sentenças de excomunhão resultantes dos eventos de 1054. Antes disso, uma peregrinação como a de vocês provavelmente nem seria possível. A ação do Espírito Santo criou nos corações a disposição para dar esses passos, como presságio profético de uma unidade plena e visível. Também nós, da nossa parte, devemos continuar a implorar ao Paráclito, ao Consolador, a graça de trilhar o caminho da unidade e da caridade fraterna.
A unidade entre os crentes em Cristo é um dos sinais do dom divino da consolação; a Escritura promete: «em Jerusalém sereis consolados» (Is 66,13). Roma, Constantinopla e todas as demais Sés não são chamadas a disputar a primazia, para não corrermos o risco de nos encontrarmos como os discípulos que, no caminho — justamente quando Jesus anunciava sua iminente paixão — discutiam entre si quem seria o maior (cf. Mc 9,33-37).
Na Bula de proclamação do Ano Jubilar, o Papa Francisco observou que «este Ano Santo orientará o caminho rumo a outra data fundamental para todos os cristãos: em 2033, de fato, celebrar-se-ão os dois mil anos da Redenção realizada por meio da paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus» (Spes non confundit, 6). Espiritualmente, todos nós precisamos voltar a Jerusalém, a Cidade da Paz, onde Pedro, André e todos os Apóstolos, após os dias da paixão e ressurreição do Senhor, receberam o Espírito Santo no Pentecostes, e de lá deram testemunho de Cristo até os confins da terra.
Que o retorno às raízes da nossa fé nos faça a todos experimentar o dom da consolação de Deus e nos torne capazes, como o bom samaritano, de derramar sobre a humanidade de hoje o óleo da consolação e o vinho da alegria.
Obrigado.

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Copyright © Dicastério para a Comunicação – Livraria Editora Vaticana
(Tradução PORTAL DUC ALTUM)
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CONHECENDO PARA AMAR

Com alegria filial e reverência amorosa, apresentamos a Mensagem do Papa Leão XIV para o V Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, um convite vigoroso à redescoberta da beleza da família cristã — alicerçada na fé, no amor e na transmissão viva da esperança entre as gerações. Em meio a uma sociedade cada vez mais marcada pelo paganismo prático, pelo hedonismo superficial, pelo egoísmo indiferente e pela soberba de quem idolatra a juventude e a autonomia absoluta, os idosos são frequentemente relegados ao esquecimento, como se sua vida e sabedoria já não tivessem mais lugar no presente.
O Santo Padre, com a ternura de um pai e a autoridade do Sucessor de Pedro, nos chama a resistir a essa lógica mundana. Ele nos recorda que os avós e os idosos são “memória viva” do povo de Deus, elos indispensáveis da comunhão entre pais e filhos, guardiões da fé e mestres silenciosos da perseverança.
Que esta mensagem, inspirada pelo Espírito Santo, reacenda em nossas famílias o sentido cristão da vida partilhada, da escuta mútua e da gratidão filial, num tempo em que muitos já não sabem mais honrar os que os precederam. Leão XIV ergue sua voz em defesa dos que tantas vezes são silenciados — os avós, que continuam a amar, a rezar, a ensinar, mesmo quando já não são ouvidos.
Recebamos, pois, estas palavras do Papa com coração aberto e atitude de conversão, comprometidos em devolver aos idosos o lugar que lhes cabe na família, na Igreja e na sociedade: o lugar da dignidade, da escuta e do amor.
O Editor (PORTAL DUC IN ALTUM!)
MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV
PARA O V DIA MUNDIAL DOS AVÓS E DOS IDOSOS
[27 de julho de 2025]
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“Bem-aventurado aquele que não perdeu a esperança” (cf. Sir 14, 2)
Queridos irmãos e irmãs,
O Jubileu que estamos a viver ajuda-nos a descobrir que a esperança é, em todas as idades, perene fonte de alegria. Além disso, quando é provada pelo fogo de uma longa existência, torna-se fonte de uma bem-aventurança plena.
A Sagrada Escritura apresenta vários casos de homens e mulheres já avançados em idade que o Senhor inclui nos seus desígnios de salvação. Pensemos em Abraão e Sara: já idosos, permanecem incrédulos diante da palavra de Deus, que lhes promete um filho. A impossibilidade de gerar parecia ter fechado o seu olhar de esperança para o futuro.
A reação de Zacarias ao anúncio do nascimento de João Batista não é diferente: «Como hei-de verificar isso, se estou velho e a minha esposa é de idade avançada?» (Lc 1, 18). A velhice, a esterilidade e a diminuição das forças parecem extinguir as esperanças de vida e fecundidade de todos esses homens e mulheres. E parece também puramente retórica a pergunta que Nicodemos faz a Jesus, quando o Mestre lhe fala de um “novo nascimento”: «Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura poderá entrar no ventre de sua mãe outra vez, e nascer?» (Jo 3, 4). Pois bem, em todas as ocasiões em que aparece uma resposta aparentemente óbvia, o Senhor surpreende os seus interlocutores com uma intervenção salvífica.
Os idosos, sinais de esperança
Na Bíblia, Deus mostra várias vezes a sua providência dirigindo-se a pessoas idosas. Foi o que aconteceu a Abraão, Sara, Zacarias, Isabel e também com Moisés, chamado a libertar o seu povo quando tinha oitenta anos (cf. Ex 7, 7). Com estas escolhas, Ele ensina-nos que, aos seus olhos, a velhice é um tempo de bênção e graça e que, para Ele, os idosos são as primeiras testemunhas da esperança. «O que é este tempo da velhice? – pergunta-se Santo Agostinho a este respeito, e continua – Deus responde-te assim: “Oh, que a tua força desapareça de verdade, para que em ti permaneça a minha força e possas dizer com o Apóstolo: quando sou fraco, então é que sou forte”» (Enarr. In Ps. 70, 11). Assim, a constatação de que hoje o número daqueles que estão avançados em idade aumenta cada vez mais torna-se, para nós, um sinal dos tempos que somos chamados a discernir, para ler bem a história que vivemos.
Com efeito, só se compreende a vida da Igreja e do mundo na sucessão das gerações. Por isso, abraçar um idoso ajuda-nos a entender que a história não se esgota no presente, nem em encontros rápidos e relações fragmentárias, mas se desenrola rumo ao futuro. No livro do Génesis, encontramos o comovente episódio da bênção dada por Jacó, já idoso, aos filhos de José, seus netos: as suas palavras os exortam a olhar com esperança para o futuro, como o tempo das promessas de Deus (cf. Gn 48, 8-20). Portanto, se é verdade que a fragilidade dos idosos precisa do vigor dos jovens, é igualmente verdade que a inexperiência dos jovens precisa do testemunho dos idosos para projetar o futuro com sabedoria. Quantas vezes os nossos avós foram para nós um exemplo de fé e devoção, de virtudes cívicas e compromisso social, de memória e perseverança nas provações! A nossa gratidão e coerência nunca serão suficientes para agradecer este bonito legado que nos foi deixado com tanta esperança e amor.
Sinais de esperança para os idosos
Desde as suas origens bíblicas, o Jubileu representou um tempo de libertação: os escravos eram libertados, as dívidas perdoadas, as terras devolvidas aos seus proprietários originais. Era um momento de restauração da ordem social desejada por Deus, em que se sanavam as desigualdades e as opressões acumuladas ao longo dos anos. Na sinagoga de Nazaré, Jesus renova estes eventos de libertação quando proclama a boa nova aos pobres, a visão aos cegos, a soltura dos prisioneiros e o retorno à liberdade para os oprimidos (cf. Lc 4, 16-21).
Olhando para os idosos nesta perspectiva jubilar, também nós somos chamados a viver com eles uma libertação, sobretudo da solidão e do abandono. Este ano é o momento propício para realizá-la: a fidelidade de Deus às suas promessas ensina-nos que há uma bem-aventurança na velhice, uma alegria autenticamente evangélica que nos convida a derrubar os muros da indiferença na qual os idosos estão frequentemente encerrados. Em todas as partes do mundo, as nossas sociedades estão a habituar-se, com demasiada frequência, a deixar que uma parte tão importante e rica do seu tecido social seja marginalizada e esquecida.
Perante esta situação, é necessária uma mudança de atitude, que testemunhe uma assunção de responsabilidade por parte de toda a Igreja. Cada paróquia, associação ou grupo eclesial é chamado a tornar-se protagonista da “revolução” da gratidão e do cuidado, a realizar-se através de visitas frequentes aos idosos, criando para eles e com eles redes de apoio e oração, tecendo relações que possam dar esperança e dignidade àqueles que se sentem esquecidos. A esperança cristã impele-nos continuamente a ousar mais, a pensar em grande, a não nos contentarmos com o status quo. Neste caso específico, a trabalhar por uma mudança que devolva aos idosos a estima e o afeto.
Por isso, o Papa Francisco quis que o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos fosse celebrado, em primeiro lugar, encontrando aqueles que estão sozinhos. E decidiu-se, pela mesma razão, que aqueles que não puderem vir a Roma neste ano em peregrinação podem «obter a Indulgência jubilar se se deslocarem para visitar por um côngruo período […] idosos em solidão […] quase fazendo uma peregrinação em direção a Cristo presente neles (cf. Mt 25, 34-36)» (Penitenciaria Apostólica, Normas sobre a Concessão da Indulgência Jubilar, III). Visitar um idoso é um modo de encontrar Jesus, que nos liberta da indiferença e da solidão.
Na velhice, pode-se ter esperança
O livro de Ben Sirá afirma que a bem-aventurança é daqueles que não perderam a esperança (cf. 14, 2), dando a entender que na nossa vida – especialmente se for longa – podem existir muitos motivos para sempre lançar o olhar para o passado, em vez de olhar para o futuro. No entanto, como escreveu o Papa Francisco durante a sua última internação no hospital, «o nosso físico é débil mas, mesmo assim, nada nos pode impedir de amar, de rezar, de nos doarmos, de sermos uns pelos outros, na fé, sinais luminosos de esperança» (Angelus, 16 de março de 2025). Possuímos uma liberdade que nenhuma dificuldade pode tirar-nos: a de amar e rezar. Todos, sempre, podemos amar e rezar.
O bem que desejamos às pessoas que nos são caras – ao cônjuge com quem compartilhamos grande parte da vida, aos filhos, aos netos que alegram os nossos dias – não desaparece quando as forças se esvaem. Pelo contrário, muitas vezes é justamente o carinho deles que desperta as nossas energias, trazendo-nos esperança e conforto.
Estes sinais de vitalidade do amor, que têm a sua raiz em Deus mesmo, dão-nos coragem e recordam-nos que «mesmo se, em nós, o homem exterior vai caminhando para a ruína, o homem interior renova-se, dia após dia» (2 Cor 4, 16). Por isso, sobretudo na velhice, perseveremos confiantes no Senhor. Deixemo-nos renovar todos os dias, na oração e na Santa Missa, pelo encontro com Ele. Transmitamos com amor a fé que vivemos na família e nos encontros quotidianos durante tantos anos: louvemos sempre a Deus pela sua benevolência, cultivemos a unidade com as pessoas que nos são caras, abramos o nosso coração aos que estão mais longe e, em particular, aos necessitados. Assim, seremos sinais de esperança, em todas as idades.
Vaticano, 26 de junho de 2025
LEÃO PP. XIV
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CONHECENDO PARA AMAR

Meus caros amigos, bom dia.
A partir da homilia do Papa Leão XIV na Santa Missa deste domingo e da mensagem de Nossa Senhora do Livro Azul do Movimento Sacerdotal Mariano — lida hoje no Cenáculo das 7h, transmitido pelo nosso canal no YouTube Movimento Sacerdotal Mariano – Brasil — traçamos uma relação entre a palavra do Papa e a de Nossa Senhora.
Nosso intuito é conhecer melhor o Sumo Pontífice, para assim amá-lo mais profundamente, e também mergulhar com maior fervor nas mensagens que Nossa Mãe Celeste nos entrega com tanto amor.
(A homilia do Santo Padre e a Mensagem de Nossa Senhora do Livro do MSM: “Aos Sacerdotes, filhos prediletos de Nossa Senhora”, estão na íntegra no final do texto)
O VIGÁRIO DE CRISTO EM SINTONIA COM A MÃE DO SALVADOR

1. Hospitalidade e disponibilidade interior
Na homilia, o Papa destaca a hospitalidade de Abraão como abertura à presença de Deus — mesmo sem saber exatamente quem eram os visitantes, ele os acolhe com generosidade. Nossa Senhora, em sua mensagem, fala de sua ação materna como presença forte e evidente, especialmente junto aos seus filhos prediletos. Tal como Abraão, que corre ao encontro dos enviados divinos, Maria, Mãe Celeste, corre ao encontro de cada Sacerdote, seu filho predileto e a cada fiel consagrado ao seu Coração Imaculado, para que sejam seu Exército de pequeninos com o qual Ela possibilita chegar “a hora em que o deserto do mundo será renovado pelo Amor Misericordioso do Pai que, no Espírito Santo, quer atrair todos ao Coração divino do Filho, para que possa resplandecer finalmente no mundo o seu Reino de verdade e de graça, de amor, de justiça e de paz.”
2. Serviço e cansaço fecundo
O Papa recorda Marta e sua dedicação, afirmando que o serviço é também expressão concreta de amor. Maria Santíssima, Mãe de Deus e da Igreja, fala do seu agir no silêncio e no escorrimento, que transforma as almas daqueles que se fazem pequenos e vivem a sua consagração ao seu Coração Imaculado, preparando-os para serem instrumentos de salvação. Ela mesma serve, forma, purifica, guia e reconduz — em silêncio, como uma mãe trabalha na intimidade do lar.
“A vossa Mãe Celeste está agora realizando, no silêncio e no escondimento, o seu grande desígnio de amor.”
3. Escuta e contemplação
Maria de Betânia, que se coloca aos pés de Jesus, é o ícone da escuta. O Papa insiste: não há serviço sem escuta, e não há frutos sem vida interior. Na mensagem do Livro Azul, Maria exorta os Sacerdotes seus filhos prediletos e a todos seus filhos consagrados ao seu Coração Imaculado à oração constante, escuta interior, abandono confiante, para que Ela mesma possa agir através de nós. Ela forma em nós o espírito de Maria de Betânia: entrega e acolhimento da Palavra.
“Através de vós, apóstolos de Luz do meu Coração Imaculado, posso abreviar os tempos da grande purificação.”
4. Silêncio e recolhimento: tempo de verão como tempo de graça
O Papa vê o verão, que acontece no hemisfério norte, como oportunidade para reencontrar o silêncio e a comunhão. Nossa Senhora, em 1978, já falava:
“A vossa Mãe Celeste está agora realizando, no silêncio e no escondimento, o seu grande desígnio de amor.
Esta é a hora da minha batalha. Convosco já comecei a atacar o meu adversário precisamente onde ele parece ter alcançado, momentaneamente, a vitória.
Onde satanás destruiu, Eu construo. Onde satanás feriu, Eu curo. Onde satanás venceu, Eu obtenho agora o maior triunfo.
Nisto se torna visível para todos a minha ação materna.”
5. Ação materna na fadiga cotidiana
O Papa, citando Santo Agostinho, lembra que o repouso virá, mas pelo caminho do cansaço fecundo, da caridade diária. A Santíssima Virgem não promete ausência de fadiga, mas sim exerce sobre cada um de nós, sobretudo, a sua ação materna. Esta tornar-se-á cada vez mais forte e evidente, até ao momento em que estaremos todos preparados para a missão que nos aguarda.
“Esta é a hora da minha batalha. Convosco já comecei a atacar o meu adversário precisamente onde ele parece ter alcançado, momentaneamente, a vitória.”
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Considerações finais:
A homilia do Papa Leão XIV e a mensagem de Nossa Senhora formam, juntas, uma suplica complementar à Igreja: abrir-se à ação de Deus por meio da escuta, do serviço humilde, da oração silenciosa e da presença de Maria, que é Mãe e a sua ação parte do profundo do seu Coração Imaculado para ajudar todos os filhos que se encontram agora em grandes dificuldades.
A pedagogia peculiar da Mãe educa para deixar-nos conduzir por Ela em todo o momento e correspondermos sempre aos desejos do seu Coração Imaculado. Ela nos prepara para servir como Marta e escutar como Maria, à sombra da árvore de Mambré ou aos pés de Jesus em Betânia.
“Coracão Imaculado de Maria confiança, saúde e vitória minha”.
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A seguir, na íntegra, a homilia de Leão XIV e a Mensagem de Nossa Senhora lida no Cenáculo das 7h, dia 20.JUL.2025:
SANTA MISSA
HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
Catedral de Albano
XVI Domingo do Tempo Comum, 20 de julho de 2025
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Queridos irmãos e irmãs,
Estou muito feliz por hoje me encontrar, aqui, a celebrar a Eucaristia dominical nesta linda Catedral. Como sabeis, a minha chegada estava prevista para o dia 12 de maio, porém o Espírito Santo fez de modo diverso. Mas estou verdadeiramente feliz e, com esta fraternidade e alegria cristã, saúdo todos os presentes, Sua Eminência, o Bispo da Diocese, as Autoridades presentes e todos vós.
Na liturgia hodierna, a Primeira Leitura e o Evangelho falam-nos de hospitalidade, de serviço e de escuta (cf. Gn 18, 1-10; Lc 10, 38-42).
No primeiro caso, Deus visita Abraão na pessoa de “três homens” que se dirigem à sua tenda «na hora mais quente do dia» (cf. Gn18, 1-2). Podemos imaginar a cena: o sol escaldante, a calma do deserto, o calor intenso e os três desconhecidos que procuram abrigo. Abraão, sentado «à porta da sua tenda», está no lugar de anfitrião, e é muito bonito ver como exerce a sua função: reconhecendo nos visitantes a presença de Deus, levanta-se, corre ao seu encontro, prostra-se por terra, pede-lhes que se detenham. E assim, toda a cena ganha vida. A tranquilidade da tarde é preenchida com gestos de amor que envolvem não só o Patriarca, mas também Sara, sua mulher, e os servos. Abraão não está já sentado, mas «de pé junto dos estranhos, debaixo da árvore» (Gn 18, 8), e aí Deus dá-lhe a notícia mais bonita que poderia esperar: «Sara, tua mulher, terá já um filho» (Gn 18, 10).
A dinâmica deste encontro pode fazer-nos refletir: Deus escolhe o caminho da hospitalidade para encontrar Sara e Abraão e para lhes anunciar o dom da sua fecundidade, que eles tanto desejavam e já nem sequer esperavam. Depois de tantos momentos de graça em que anteriormente os tinha visitado, volta a bater-lhes à porta, pedindo acolhimento e confiança. E aqueles dois idosos respondem positivamente, sem saber ainda o que está para acontecer. Reconhecem nos misteriosos visitantes a Sua bênção, a Sua própria presença. Oferecem-Lhe o que têm – comida, companhia, serviço e a sombra de uma árvore –, e recebem a promessa de uma vida nova e de uma descendência.
Embora em circunstâncias diferentes, o Evangelho fala do mesmo modo de agir de Deus. Também aqui, Jesus se apresenta como hóspede em casa de Marta e Maria. Não é um desconhecido: está em casa de amigos e o ambiente é de festa. Uma das irmãs acolhe-o com mil atenções, enquanto a outra o escuta sentada a seus pés, com a atitude típica do discípulo perante o mestre. Como sabemos, às queixas da primeira, que gostaria de receber alguma ajuda em questões práticas, Jesus responde convidando-a a apreciar o valor da escuta (cf. Lc 10, 41-42).
No entanto, seria errado ver estas duas atitudes como contrapostas entre si, bem como fazer comparações em termos de méritos entre as duas mulheres. Com efeito, o serviço e a escuta são duas dimensões gémeas do acolhimento.
Em primeiro lugar, na nossa relação com Deus. Na verdade, se é importante que vivamos a nossa fé com ações concretas e com a fidelidade aos nossos deveres, segundo o estado e a vocação de cada um, é também fundamental que o façamos a partir da meditação da Palavra de Deus e da atenção ao que o Espírito Santo sugere ao nosso coração, reservando, para isso, momentos de silêncio, momentos de oração, tempos em que, silenciando ruídos e distrações, nos reunimos diante d’Ele e construímos a unidade em nós mesmos. Esta é uma dimensão da vida cristã que hoje temos particular necessidade de recuperar, seja como valor pessoal e comunitário seja como sinal profético para o nosso tempo: dar lugar ao silêncio, à escuta do Pai que fala e «vê o oculto» (Mt 6, 6). Neste sentido, os dias de verão podem ser um tempo providencial para experimentar como é bela e importante a intimidade com Deus, e como ela pode também ajudar-nos a ser mais abertos e acolhedores uns para com os outros.
São dias em que dispomos de mais tempo livre, tanto para nos recolhermos e meditarmos, como para nos encontrarmos, deslocando-nos e visitando-nos reciprocamente. Saindo do turbilhão dos compromissos e das preocupações, aproveitemo-los para saborear alguns momentos de sossego e recolhimento, bem como para, indo a algum lado, partilhar a alegria de nos vermos – como acontece comigo, hoje e aqui. Façamos disto uma oportunidade para cuidarmos uns dos outros, para trocarmos experiências, ideias, para nos compreendermos mutuamente e darmos bons conselhos: isto faz-nos sentir amados, e todos precisamos de tal. Façamo-lo com coragem. Deste modo, na solidariedade, na partilha da fé e da vida, promoveremos uma cultura de paz, ajudando também aqueles que nos rodeiam a superar divisões e hostilidades e a construir a comunhão entre pessoas, povos e religiões.
O Papa Francisco disse que «se quisermos saborear a vida com alegria, devemos associar estas duas atitudes: por um lado, “estar aos pés” de Jesus, para o ouvir enquanto Ele nos revela o segredo de tudo; por outro, estar atentos e prontos na hospitalidade, quando Ele passa e bate à nossa porta, com o rosto do amigo que tem necessidade de um momento de conforto e fraternidade» (Angelus, 21 de julho de 2019). Disse estas palavras, de resto, poucos meses antes que a pandemia começasse. E, neste sentido, quanto nos ensinou aquela longa e dura experiência, que ainda hoje recordamos.
Naturalmente, tudo isto implica fadiga. O serviço e a escuta não são sempre fáceis: exigem empenho, capacidade de renúncia. Por exemplo, na escuta e no serviço, a fidelidade e o amor com que um pai e uma mãe orientam a sua família implicam fadiga, o mesmo acontece com o empenho dos filhos, em casa e na escola, para corresponder aos seus esforços; é exigente o compreendermo-nos uns aos outros quando temos opiniões diferentes, o perdoarmo-nos quando se erra, o assistirmo-nos quando se está doente, o apoiarmo-nos quando se está triste. Mas só assim, com estes esforços, se constrói algo de bom na vida; só assim nascem e crescem relações autênticas e fortes entre as pessoas, e a partir de baixo, da quotidianidade, o Reino de Deus cresce, se difunde e se experimenta já presente (cf. Lc 7, 18-22).
Santo Agostinho, ao refletir sobre o episódio de Marta e Maria, comentou num dos seus discursos: «Nestas duas mulheres estão simbolizadas duas vidas: a presente e a futura; uma vivida na fadiga e a outra no repouso; uma atribulada, a outra bem-aventurada; uma temporária, a outra eterna» (Sermão 104, 4). E pensando no trabalho de Marta, Agostinho disse: «Quem na terra está isento deste serviço de cuidar dos outros? Quem na terra consegue descansar destas tarefas? Procuremos desempenhá-las de forma irrepreensível e com caridade […]. O cansaço passará e o repouso chegará; mas o repouso só chegará por meio do cansaço. A barca passará e a pátria chegará; mas não se chegará à pátria senão por meio da barca» (ibid., 6-7).
Abraão, Marta e Maria recordam-nos hoje precisamente isto: que a escuta e o serviço são duas atitudes complementares para, na vida, nos abrirmos à presença abençoadora do Senhor. O seu exemplo convida-nos a conciliar com sabedoria e equilíbrio, ao longo de cada dia, contemplação e ação, repouso e fadiga, silêncio e trabalho, tendo sempre como medida a caridade de Jesus, como luz a sua Palavra e como manancial de força a sua graça, que nos sustenta para além das nossas próprias capacidades (cf. Fl 4, 13).
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Mensagem de Nossa Senhora do Livro do MSM: “Aos Sacerdotes, filhos prediletos de Nossa Senhora”
Fátima, 25 de novembro de 1978
Vigília da Festa de Cristo-Rei
A minha ação materna.
“Filhos prediletos, deixai-vos conduzir por Mim em todo o momento e correspondei sempre aos desejos do meu Coração Imaculado.
A vossa Mãe Celeste está agora realizando, no silêncio e no escondimento, o seu grande desígnio de amor.
Esta é a hora da minha batalha. Convosco já comecei a atacar o meu adversário precisamente onde ele parece ter alcançado, momentaneamente, a vitória.
Onde satanás destruiu, Eu construo.
Onde satanás feriu, Eu curo.
Onde satanás venceu, Eu obtenho agora o maior triunfo.
Nisto se torna visível para todos a minha ação materna.
Sou Mãe e a minha ação parte do profundo do meu Coração Imaculado para ajudar todos os filhos que se encontram agora em grandes dificuldades.
O meu amor quer, sobretudo, manifestar-se de modo extraordinário àqueles que se extraviaram e correm o grave perigo de se perderem eternamente.
É nesta minha ação materna que resplandece todo o amor de Deus, que quer derramar sobre o mundo os rios do seu Amor Misericordioso.
Chegou a hora em que o deserto do mundo será renovado pelo Amor Misericordioso do Pai que, no Espírito Santo, quer atrair todos ao Coração divino do Filho, para que possa resplandecer finalmente no mundo o seu Reino de verdade e de graça, de amor, de justiça e de paz.
Assim a Igreja e o mundo poderão atingir um esplendor como jamais conheceram.
Deus confiou a preparação desta renovação à minha ação materna, para que a sua Misericórdia possa resplandecer ainda mais.
Quero que os tempos sejam abreviados, porque muitas almas se perdem eternamente, todos os dias. Quantas almas vão para o inferno porque já não se reza mais, porque o pecado se difunde e já não é mais reparado, porque o erro é seguido facilmente.
Através de vós, apóstolos de Luz do meu Coração Imaculado, posso abreviar os tempos da grande purificação.
Tenho pressa de vos reunir de toda a parte do mundo, a fim de que o número que o Pai estabeleceu fique completo.
Por isso exerço sobre cada um de vós, sobretudo, a minha ação materna. Esta tornar-se-á cada vez mais forte e evidente, até ao momento em que estareis todos preparados para a missão que vos aguarda.
Desta terra, onde Me manifestei como a Mulher vestida de sol, abençoo-vos, filhos prediletos espalhados por toda a parte do mundo, para que possais refletir sempre o esplendor da vossa Mãe Imaculada.”
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CONHECENDO PARA AMAR
Meus caros amigos,
Deus caritas est — quanto nos ama a Santíssima Trindade!
Quantos Tesouros nos concede Jesus Misericordioso! Que Dom de Amor é a figura do Sumo Pontífice: o Sucessor de Pedro, o Vigário de Cristo, o Doce Jesus na terra. Deus nos fala por meio da palavra do Santo Padre.
Outro Tesouro, Dom da Divina Misericórdia, é a Virgem Santíssima e Imaculada, Maria, Mãe de Deus e nossa Mãezinha Celeste, que nos foi dada por Jesus do alto da Cruz. Ela nos abre o Refúgio Seguro do seu Coração Imaculado e, nestes Últimos Tempos, manifesta-se a nós de maneira extraordinária por meio da sua grande Obra: o Movimento Sacerdotal Mariano.
Por isso, desejamos continuar mostrando o profundo sinergismo que existe entre a Doce Palavra da Mãezinha Celeste — comunicada nas Mensagens do Livro do seu Movimento Sacerdotal Mariano — e a palavra do Santo Padre.
“Acolher e ser acolhido”

Reflexão sobre o Angelus do Papa Leão XIV à luz da Mensagem de Nossa Senhora do Livro Azul (21.janeiro.1984 – “O Meu Livro”)
(Os textos integrais do Angelus e da Mensagem de Nossa Senhora estão no final da reflexão)
No Angelus deste domingo, o Papa Leão XIV nos convida a contemplar o Dom da hospitalidade, tomando como exemplo a tenda de Abraão e a casa de Marta e Maria. Acolher é mais do que um gesto de cortesia: é um caminho espiritual de encontro com Deus. E esse caminho é também o traçado por Nossa Senhora no seu Livro Azul.
1. Acolhimento: uma ação que transforma
O Papa nos recorda que Deus é Aquele que “soube, em primeiro lugar, ser hóspede” e que “ainda hoje está à nossa porta e bate” (cf. Ap 3,20). A hospitalidade, nesse sentido, é uma via de transformação mútua: ao acolhermos, somos visitados pelo próprio Deus.
Nossa Senhora, no Livro Azul, reconhece com gratidão:
“Acolho a homenagem que vós Me destes… Foi o instrumento (o Livro) que levou a voz da Mãe Celeste à alma e ao coração de tantos filhos prediletos.”
Mais do que receber, Ela nos acolhe. E nos transforma:
“Se vos consagrardes a Mim, Eu aceito-vos como sois, com as vossas limitações… mas depois, vou vos transformando cada dia.”
2. Humildade: condição para acolher e ser acolhido

O Papa destaca que “é preciso humildade tanto para hospedar como para ser hospedado.” A humildade é o solo fértil onde o encontro floresce.
Nossa Senhora nos forma justamente nesse espírito de pequenez:
“Como é que se deve ler este Livro? Com a simplicidade de uma criança que escuta a Mãe.”
“A Mim só Me interessa que vivais aquilo que Eu vos disse.”
Essa humildade nos leva à escuta, à obediência e à docilidade. Acolher é também reconhecer que precisamos ser acolhidos.
3. Escuta atenta: abrir espaço para o essencial
Maria, irmã de Marta, é exaltada por Jesus porque soube “escolher a melhor parte”. Enquanto Marta se inquieta com o fazer, Maria se deixa conquistar pela presença.
Nossa Senhora nos educa na mesma direção:
“A criança ama-a e escuta-a, simplesmente. Faz tudo o que Ela diz (a mãe)… Assim deve acontecer convosco.”
É uma escola de escuta amorosa e silenciosa, A Escola de Maria. Maria de Betânia) e Maria Santíssima (no Livro Azul) nos ensinam que acolher Deus começa por dar-Lhe tempo.
4. Vida interior e contemplação: abrandar para receber
O Papa sugere que o tempo do verão pode nos ajudar a “abrandar”, a ser mais contemplativos, mais parecidos com Maria do que com Marta. É um chamado a resgatar a vida interior.
Nossa Senhora revela que esse recolhimento transforma:
“O vosso coração será aquecido pelo amor, a vossa alma será iluminada pela Minha Luz.”
Quem vive essa escuta materna encontra a paz que não vem da agitação exterior, mas da presença de Deus que se comunica no íntimo da alma, por isso é preciso não ter medo de ir até às nossas profundezas interior, não iremos sós, nossa Mãezinha Celeste quer nos acompanhar.
5. Evangelho vivido à letra: uma vida concreta de entrega

O Papa aponta que a generosidade de Marta, embora louvável, precisa ir além: “Deus chama-a a algo mais bonito do que a própria generosidade: sair de si mesma”.
Nossa Senhora nos convida a viver o Evangelho com radicalidade:
“O Evangelho… deve ser hoje vivido com a simplicidade dos pequeninos, com o ardor dos mártires, com a fidelidade de corajosas testemunhas; deve ser vivido à letra.”
Não se trata apenas de ouvir, mas de encarnar o Evangelho. A hospitalidade, então, se torna forma concreta de caridade, de penitência vivida, de entrega real.
6. Caridade e gratuidade: o dom do encontro
O Papa denuncia a lógica do consumo até mesmo nas férias: “A indústria das férias quer vender-nos todo o tipo de experiências, mas talvez não o que procuramos”. Ele lembra que “todo encontro verdadeiro é gratuito”.
Nossa Senhora também nos ensina a lógica do dom:
“Chamo-vos à oração… ao exercício de uma caridade cada vez mais perfeita.”
Receber e dar não como troca, mas como oferta. A verdadeira hospitalidade é gratuita, porque nasce da confiança no amor de Deus.
7. Ver Deus no próximo: um olhar fecundo
O Papa afirma que “Abraão e Sara descobriram-se fecundos quando acolheram tranquilamente o próprio Senhor”. A fecundidade espiritual nasce do reconhecimento da presença de Deus nos outros.
Na mensagem do Livro Azul, esse reconhecimento é transformador:
“O Desígnio da Justiça de Deus pode ser sempre mudado, a qualquer momento pela força da vossa oração e da vossa penitência reparadora.”
Quando nos abrimos ao outro com fé, tornamo-nos canais de graça. Enxergar Deus no irmão é participar da misericórdia que muda destinos.
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Conclusão: A graça da hospitalidade
O Papa nos convida a viver o verão como escola da hospitalidade: dar espaço, escutar, acolher, receber.
Nossa Senhora, no Livro Azul, oferece esse mesmo caminho, mas desde o coração: consagrar-se, escutar, viver com simplicidade, abrir-se à transformação interior.
Em ambos os textos, ressoa o mesmo convite:
“Abrir a porta do coração para Deus, que nos visita no outro.”
E é nesse encontro — silencioso, humilde, fecundo — que encontramos “a melhor parte”, aquela que nunca nos será tirada.
O Editor (PORTAL DUC IN ALTUM!)
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LEÃO XIV
ANGELUS
Praça da Liberdade (Castel Gandolfo)
Domingo, 20 de julho de 2025
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Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje, a Liturgia chama a nossa atenção para a hospitalidade de Abraão e da sua esposa Sara e, em seguida, das irmãs Marta e Maria, amigas de Jesus (cf. Gn 18, 1-10; Lc 10, 38-42). Sempre que aceitamos o convite para a Ceia do Senhor e participamos na mesa eucarística, é o próprio Deus que «nos vem servir» (cf. Lc 12, 37). Mas o nosso Deus soube, em primeiro lugar, ser hóspede e, ainda hoje, está à nossa porta e bate (cf. Ap 3, 20). É sugestivo que, na língua italiana, hóspede seja tanto aquele que hospeda como aquele que é hospedado. Assim, neste domingo de verão, podemos contemplar este jogo de acolhimento recíproco, sem o qual a nossa vida empobrece.
É preciso humildade tanto para hospedar como para ser hospedado. É necessário delicadeza, atenção, abertura. No Evangelho, Marta arrisca-se a não entrar plenamente na alegria desta permuta. Está tão preocupada com o que tem de fazer para acolher Jesus, que se arrisca a estragar um momento inesquecível de encontro. Marta é uma pessoa generosa, mas Deus chama-a a algo mais bonito do que a própria generosidade: Ele chama-a a sair de si mesma.
Caríssimos irmãos e irmãs, só isto faz florescer a nossa vida: abrirmo-nos a algo que nos tira de nós mesmos e ao mesmo tempo nos preenche. No momento em que Marta se queixa porque a irmã a deixou sozinha a servir (cf. v. 40), Maria, conquistada pela palavra de Jesus, como que perdeu a noção do tempo. Não é menos concreta do que a sua irmã, nem menos generosa. Mas aproveitou a oportunidade. Por isso Jesus repreende Marta: porque ela ficou fora de uma intimidade que lhe daria também muita alegria (cf. vv. 41-42).
O tempo de verão pode ajudar-nos a “abrandar” e a tornarmo-nos mais parecidos com Maria do que com Marta. Por vezes, não nos damos a nós mesmos a melhor parte. Precisamos de repousar um pouco, com o desejo de aprender mais sobre a arte da hospitalidade. A indústria das férias quer vender-nos todo o tipo de experiências, mas talvez não o que procuramos. Com efeito, todo o encontro verdadeiro é gratuito e não se compra: seja o encontro com Deus, seja o encontro com os outros, seja o encontro com a natureza. É preciso simplesmente fazer-se hóspede: dar espaço e também pedi-lo; acolher e deixar-se acolher. Temos muito para receber e não apenas para dar. Embora idosos, Abraão e Sara descobriram-se fecundos quando acolheram tranquilamente o próprio Senhor em três viandantes. Também para nós, há ainda muita vida a acolher.
Oremos a Maria Santíssima, a Mãe do acolhimento, que hospedou o Senhor no seu seio e, juntamente com José, lhe deu uma casa. Nela brilha a nossa vocação, a vocação da Igreja a permanecer uma casa aberta a todos, para continuar a acolher o seu Senhor, que pede licença para entrar.
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Depois do Angelus
Queridos irmãos e irmãs
Esta manhã celebrei a Eucaristia na Catedral de Albano. Foi um momento significativo de comunhão eclesial e de encontro com a comunidade diocesana. Agradeço a Sua Excelência, Dom Viva, aqui presente, e a todos os que trabalharam na organização desta linda celebração. Parabéns a toda a comunidade diocesana!
Continuam a chegar, nestes dias, notícias dramáticas do Médio Oriente, em particular de Gaza.
Expresso a minha profunda tristeza pelo ataque do exército israelita contra a paróquia católica da Sagrada Família na cidade de Gaza; como sabeis, quinta-feira passada, causou a morte de três cristãos e graves ferimentos noutros. Rezo pelas vítimas, Saad Issa Kostandi Salameh, Foumia Issa Latif Ayyad, Najwa Ibrahim Latif Abu Daoud, e sinto-me particularmente próximo dos seus familiares e de todos os paroquianos. Este ato, infelizmente, vem somar-se aos contínuos ataques militares contra a população civil e os lugares de culto em Gaza.
Mais uma vez, peço que se ponha imediatamente termo à barbárie da guerra e que se encontre uma solução pacífica para o conflito.
À comunidade internacional, dirijo o apelo para que se observe o direito humanitário e se respeite a obrigação de proteger os civis, bem como a proibição da punição coletiva, do uso indiscriminado da força e das deslocações forçadas da população.
Aos nossos amados cristãos do Médio Oriente, digo: compreendo bem a vossa sensação de pouco poder fazer diante desta situação tão dramática. Estais no coração do Papa e de toda a Igreja. Obrigado pelo vosso testemunho de fé. Que a Virgem Maria, mulher do Levante, aurora do novo Sol que nasceu na história, sempre vos proteja e guie o mundo para os alvores da paz.
Saúdo a todos vós, fiéis de Castel Gandolfo e peregrinos aqui presentes.
Dirijo a minha saudação aos jovens participantes na peregrinação organizada pela Catholic Worldview Fellowship, que estão de visita a Roma depois de algumas semanas de oração e formação.
Agradeço ao Fórum Internacional da Ação Católica por ter promovido a “Maratona de Oração pelos Governantes”. Desde as 10h da manhã até às 22h desta noite, o convite, dirigido a cada um de nós, consiste em parar apenas por um minuto para rezar, pedindo ao Senhor que ilumine os nossos Governantes e inspire neles projetos de paz.
Nestas semanas, algumas famílias do Movimento dos Focolares encontram-se em Loppiano para a “Escola Internacional de Famílias Novas”. Rezo para que esta experiência de espiritualidade e fraternidade vos torne firmes na fé e alegres no acompanhamento espiritual de outras famílias.
Saúdo os estudantes, professores e demais pessoas que trabalham no Catholic Institute of Technology, que tem a sua sede aqui mesmo em Castel Gandolfo; saúdo o grupo de escuteiros Agesci Gela 3, empenhado na peregrinação jubilar que terminará diante do túmulo do Beato Carlo Acutis; saúdo também os jovens de Castello di Godego, que fazem uma experiência de serviço com a Cáritas de Roma; saúdo os fiéis de Palermo e de Sarsina.
Estão ainda aqui presentes os membros do Grupo Folclórico «‘O Stazzo», bem como a Banda Filarmónica de Alba de Tormes.
Dentro de poucos dias, depois destas duas semanas passadas aqui em Castel Gandolfo, regressarei ao Vaticano. Quero agradecer o acolhimento e desejar a todos um bom domingo!
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Santuário de Castelmonte – Udine | Itália, 21 de janeiro de 2023
(Durante a concelebração, após o Evangelho) Festa de Santa Inês
O Meu Livro
“Acolho a homenagem que vós Me destes ao subirdes aqui no Meu Santuário para agradecer a vossa Mãe Celeste pelo Livro.
Quantas dificuldades encontrou o “Meu Livro”, mas quanto bem já realizou em toda a parte do mundo, agora que está traduzido em tantas línguas! Foi o instrumento que levou a voz da Mãe Celeste à alma e ao coração de tantos filhos prediletos, a manifestação do Meu Desígnio Materno, o convite a abrigar-vos todos no Refúgio do Meu Coração Imaculado.
Como se deve ler este Livro?
Com a simplicidade de uma criança que escuta a Mãe. Ela não pergunta porque fala, como fala, ou aonde a conduz com as suas palavras.
Ama-a e escuta-a, simplesmente.
Faz tudo o que Ela diz. Então a criança é feliz, porque se sente guiada e iluminada pela mãe e vai crescendo assim cada dia na vida, conduzida por Ela e Formada pelas Suas Palavras.
Assim deve acontecer convosco.
Lede-o com simplicidade, sem levantar tantos problemas sobre como falo, porque falo, onde falo.
A Mim só Me interessa que vivais aquilo que Eu vos disse. Então o vosso coração será aquecido pelo amor, a vossa alma será iluminada pela Minha Luz e Eu transformar-vos-ei interiormente para vos levar, cada dia, a fazer o que agrada ao Coração de Jesus.”
Se vos Consagrardes a Mim, Eu aceito-vos como sois, com as vossas limitações, com os vossos defeitos e pecados, com a vossa fragilidade, mas depois, vou vos transformando cada dia, para vos levar a ser conforme o desígnio confiado por Deus ao Meu Coração Imaculado.
O que é que Eu digo no Livro Azul?
Traço um Caminho simples e belo, mas difícil – oh, como é difícil! – que é preciso percorrer, se quereis viver a Consagração. Ensino-vos a vive‑la formo-vos concretamente ensinando‑vos a viver comigo.
Digo-vos as coisas que trago no Meu Coração, por serem as mesmas que Jesus vos disse no Evangelho, o qual deve ser hoje vivido com a simplicidade dos pequeninos, com o ardor dos mártires e com a fidelidade de corajosas testemunhas; deve ser vivido a letra.
Assim, chamo-vos à oração, à penitência, à mortificação, à prática das Virtudes, à confiança, à esperança, ao exercício de uma caridade cada vez mais perfeita.
É isto que vos quero dizer. Não vos detenhais, portanto, perante as predições que vos dou, procurando fazer-vos compreender os tempos em que viveis.
Como Mãe, digo-vos os perigos que correis, as ameaças que pairam sobre vós, tudo o que vos poderia acontecer de mal, só porque este mal ainda pode ser evitado por vós, os perigos podem ainda ser afugentados, o desígnio da Justiça de Deus pode ser sempre mudado pela força do seu Amor Misericordioso. Mesmo quando vos preanuncio os castigos, lembrai-vos de que tudo pode ser mudado, a qualquer momento pela força da vossa oração e da vossa penitência reparadora.
Portanto, não digais: “Aquilo que nos predissestes não se verificou”, mas agradecei comigo ao Pai Celeste, porque pela resposta de oração e de consagração, pelo vosso sofrimento, pelo imenso sofrimento de muitos dos neus pobres filhos, Ele adia o espaço da Justiça para que floresça o da grande Misericórdia (…)”.
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CONHECENDO PARA AMAR

Reflexão:
“Formar discípulos missionários: com o Coração Imaculado de Maria e os sentimentos de Cristo”
No discurso de hoje, 25 de julho de 2025, o Papa Leão XIV dirige palavras luminosas a formadores e missionários, lembrando que a formação autêntica não se reduz a competências ou técnicas, mas tem como finalidade configurar o coração ao de Cristo. Essa formação integral exige uma amizade profunda com Jesus, uma fraternidade verdadeira e uma missão compartilhada entre todos os batizados. As palavras do Papa ressoam em plena harmonia com a voz materna de Nossa Senhora, como transmitida nas mensagens do Livro Azul, que há mais de meio século prepara os “filhos prediletos” e também nós: consagrados ao Coração Imaculado de Maria para sermos evangelizadores segundo o Coração de Jesus.
1. A amizade com Jesus: fundamento da missão e da formação
“É necessário viver pessoalmente a experiência da intimidade com o Mestre, de ser visto, amado e escolhido por Ele sem mérito e por pura graça […].”
— Papa Leão XIV
Nossa Senhora sempre insistiu que o primeiro passo do apostolado é o encontro pessoal com Jesus. Ela deseja formar apóstolos não apenas ativos, mas intimamente unidos ao seu Filho, irradiando d’Ele.
“Far-lhes-ei compreender como se deverão desapegar de todas as coisas e viver só para o meu Jesus.”
– Mensagem de 29 de julho de 1973
“…quero-os apaixonados pelo meu Filho Jesus, quero-os sempre fiéis ao Evangelho.”
— Mensagem de 24 de agosto de 1973
A Mãe ensina que a missão só frutifica quando nasce do coração unido ao de Cristo. A amizade com Ele é o “alicerce sobre a rocha” (cf. Mt 7,24), do qual falava o Papa.
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2. Formação permanente: conversão interior contínua e transformação evangélica
“É um trabalho constante sobre si mesmos, o compromisso de descer ao próprio coração […] deixando cair as nossas máscaras.”
— Papa Leão XIV
O Papa destaca a necessidade de uma formação contínua, que implica conversão e trabalho interior. Nossa Senhora já nos alertava para isso, exortando-nos a sermos dóceis à sua ação formativa:
“Só Eu vos poderei formar numa união de mente e de coração cada vez maior com o meu Filho Jesus; hei de fazê-los agir só por Ele, quase levados por Mim pela mão e sob o doce influxo da minha inspiração de Mãe.”a vós mesmos para o verdadeiro amor. […] Jesus quer agora agir, mas por meio do Coração de sua Mãe.”
— Mensagem de 27 de novembro de 1973
“ – Convertei-vos e arrependei-vos dos vossos pecados.
– Convertei-vos e voltai a Deus que vos salva.
– Convertei-vos e caminhai pelo caminho do bem, do amor e da santidade.
…se fizerdes o que vos peço, caminhareis comigo cada dia para a vossa conversão.”
— Mensagem de 13 de maio de 1984
Maria não nos quer superficiais ou formais, mas verdadeiramente transformados no coração, para que sejamos instrumentos vivos do Evangelho.
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3. Fraternidade afetiva e espiritual: vencer o individualismo.
“É preciso trabalhar muito sobre nós mesmos para vencer o individualismo […]; construir relações humanas e espirituais boas e fraternas.”
— Papa Leão XIV
A fraternidade não é mera convivência cordial, mas expressão visível do Corpo de Cristo unido. A Mãe da Igreja suplica que seus filhos estejam unidos no amor e na oração, vencendo o isolamento e a competição.
“Estou aqui para ajudar-vos a amar-vos cada vez mais. É a Mãe que acende em vós o desejo de vos conhecerdes, que vos impele a amar-vos, que vos convida a unir-vos; é a Mãe que constrói cada dia uma maior unidade entre vós.”
— Mensagem de 14 de julho de 1977
A comunhão fraterna é também o espaço onde a formação floresce e a missão se torna credível.
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4. Missionariedade compartilhada: todos chamados a evangelizar
“Devemos voltar à participação de todos os batizados no testemunho e no anúncio do Evangelho.”
— Papa Leão XIV
Esse ponto central do discurso encontra eco profundo nas mensagens de Nossa Senhora no Livro Azul. Maria clama por um novo Pentecostes, onde todos os filhos da Igreja se tornem apóstolos, ungidos pelo Espírito.
“Dizei o vosso “sim” para que se cumpra a Vontade do Pai. Por isso sois chamados a penetrar cada vez mais nos seus próprios segredos. Vós o fazeis com a vossa oração, que vos leva a comunicar-vos com Deus.”
— Mensagem de 25 de março de 1980
“Farei refulgir nas almas a Luz da Graça. O Espírito Santo comunicar-Se-á a elas com uma superabundância, para as levar à perfeição do amor.
Estes são os tempos da minha grande batalha.
A Mulher vestida de sol combate contra o dragão vermelho. Predisse-vos isto em Fátima, para vos preparar para a luta que também vós sois agora chamados a combater.
Continuai em frente, sempre, com coragem e com confiança, às ordens da vossa Celeste Comandante.”
— Mensagem de 13 de maio de 1980
A Mãe quer envolver todos os seus filhos, cada um com seu carisma, num movimento evangelizador que brota do amor e da unidade.
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Evangelizadores formados no Coração Imaculado da Mãe
“A Virgem Maria vos acompanhe e interceda por vós!”
— Papa Leão XIV
Sim, é a Virgem Maria quem forma os novos evangelizadores. No seu Coração Imaculado, Ela forma “sacerdotes felizes”, “discípulos felizes”, e “missionários felizes”, como disse o Santo Padre — porque são transformados pelo Evangelho que anunciam, vivendo a doce alegria de serem de Cristo crucificado e ressuscitado.
“As estrelas em torno da minha cabeça indicam então aqueles que se consagram ao meu Coração Imaculado, que fazem parte do meu exército vitorioso e se deixam guiar por Mim, para combater esta batalha e obter, no final, a nossa maior vitória. Assim, todos os meus prediletos e filhos consagrados ao meu Coração Imaculado, chamados a serem hoje os Apóstolos dos últimos tempos, são as estrelas mais luminosas da minha coroa real.”
— Mensagem de 8 de dezembro de 1989
O Editor (PORTAL DUC IN ALTUM)
Discurso do Papa Leão XIV na íntegra:
DISCURSO DO PAPA LEÃO XIV
A UM GRUPO DE FORMADORES E
AOS PARTICIPANTES DO CAPÍTULO GERAL DOS IRMÃOS XAVERIANOS

Sala Clementina
Sexta-feira, 25 de julho de 2025
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Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A paz esteja convosco!
Estimados formadores, caríssimos irmãos Xaverianos!
É com alegria que me encontro convosco no final de dois momentos importantes que vivestes aqui em Roma: o Curso para formadores nos Seminários, promovido desde há tantos anos pelo Pontifício Ateneu Regina Apostolorum, e o Capítulo geral, no qual alguns de vós participastes como delegados.
São certamente duas ocasiões diferentes, mas podemos ver um fio condutor que as une, pois de maneira diferente somos chamados a entrar no dinamismo da missão e a enfrentar os desafios da evangelização. Esta chamada exige de todos, ministros ordenados e fiéis leigos, uma formação sólida e integral, que não se reduz somente a algumas competências cognitivas, mas que deve ter como finalidade transformar a nossa humanidade e a nossa espiritualidade, a fim de que assumam a forma do Evangelho e em nós haja «os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus» (Fl 2, 5).
A vós, formadores, a quantos se ocupam da formação dos formadores e a vós, irmãos Xaverianos, que estais particularmente comprometidos na missão ad gentes, gostaria de oferecer algumas pistas de reflexão. Recentemente, o Dicastério para o Clero promoveu um encontro internacional dedicado aos presbíteros sobre o tema: “Sacerdotes felizes”. Mas podemos dizer também que todos nós devemos ser contagiados pela alegria do Evangelho e, por isso, é possível falar de cristãos felizes, discípulos felizes e missionários felizes.
Para que este desejo não permaneça apenas um slogan, a formação é fundamental. É necessário que a “casa” da nossa vida e do nosso caminho, presbiteral ou laical que seja, esteja fundada sobre a “rocha” (cf. Mt 7, 24-25), isto é, sobre alicerces sólidos para enfrentar as tempestades humanas e espirituais de que não está isenta sequer a vida do cristão, do sacerdote e do missionário. Como construir uma casa sobre a rocha? Desejo apresentar-vos brevemente três pequenas sugestões.
A primeira é esta: cultivar a amizade com Jesus. Este é o fundamento da casa, que deve ser colocado no centro de cada vocação e missão apostólica. É necessário viver pessoalmente a experiência da intimidade com o Mestre, de ser visto, amado e escolhido por Ele sem mérito e por pura graça, pois é antes de mais nada esta nossa experiência que depois transmitimos no ministério: quando formamos outros para a vida sacerdotal e quando, na nossa vocação específica, anunciamos o Evangelho em terras de missão, transmitimos primeiro a nossa experiência pessoal de amizade com Cristo, que transparece do nosso modo de ser, do nosso estilo, da nossa humanidade, do modo como somos capazes de viver boas relações.
Recordando a Evangelii nuntiandi durante uma Audiência geral, o Papa Franciscoafirmou: «A evangelização é mais do que uma simples transmissão doutrinal e moral. É em primeiro lugar testemunho[…], testemunho do encontro pessoal com Jesus Cristo, Verbo encarnado no qual a salvação se completou […]. Não significa transmitir uma ideologia, nem uma “doutrina” sobre Deus, não! Significa transmitir Deus, que se torna vida em mim» (Audiência geral, 22 de março de 2023).
Isto implica um contínuo caminho de conversão. Os formadores e aqueles que se ocupam deles não devem esquecer que eles próprios percorrem um caminho de permanente conversão evangélica; ao mesmo tempo, os missionários não podem esquecer que são sempre os primeiros destinatários do Evangelho, os primeiros que devem ser evangelizados. E isto significa um trabalho constante sobre si mesmos, o compromisso de descer ao próprio coração e de olhar também para as áreas sombrias e as feridas que nos marcam, a coragem de deixar cair as nossas máscaras, cultivando a amizade íntima com Cristo. Assim, deixar-nos-emos transformar pela vida do Evangelho e poderemos tornar-nos autênticos discípulos missionários.
Um segundo aspeto: viver uma fraternidade efetiva e afetiva entre nós. Quando o Papa Francisco falava da vida sacerdotal e das crises a prevenir, gostava de realçar quatro proximidades: com Deus, com o Bispo, entre os presbíteros e com o Povo (cf. Discurso aos participantes no Simpósio “Para uma teologia fundamental do sacerdócio”, 17 de fevereiro de 2022). Neste sentido, é necessário aprender a viver como irmãos entre os sacerdotes, bem como nas Comunidades religiosas e com os próprios Bispos e Superiores; é preciso trabalhar muito sobre nós mesmos para vencer o individualismo e o anseio de superar os outros, que nos torna concorrentes, para aprender gradualmente a construir relações humanas e espirituais boas e fraternas. Em princípio, penso que todos concordam com isto, mas na realidade ainda há um longo caminho a percorrer.
Terceiro e último aspeto: partilhar a missão com todos os batizados. Nos primeiros séculos da Igreja, era natural que todos os fiéis se sentissem discípulos missionários e se comprometessem pessoalmente como evangelizadores. E o ministério ordenado estava ao serviço desta missão compartilhada por todos. Hoje sentimos fortemente que devemos voltar a esta participação de todos os batizados no testemunho e no anúncio do Evangelho. Nas terras onde vós, irmãos Xaverianos, promoveis a missão, certamente tereis sentido diretamente como é importante trabalhar em conjunto com as irmãs e os irmãos daquelas Comunidades cristãs; ao mesmo tempo, aos formadores gostaria de dizer que devemos formar os presbíteros para isto, a fim de que não se considerem líderes solitários, nem assumam o sacerdócio ordenado na perspetiva de se sentir superiores. Precisamos de sacerdotes capazes de discernir e reconhecer em todos a graça do Batismo e os carismas que dele derivam, talvez também ajudando as pessoas a abrir-se a estes dons, a encontrar a coragem e o entusiasmo para se comprometer na vida da Igreja e na sociedade. Em termos concretos, isto significa que a preparação dos futuros sacerdotes deverá estar cada vez mais mergulhada na realidade do Povo de Deus e realizar-se com a contribuição de todos os seus componentes: sacerdotes, leigos, consagrados e consagradas.
Caríssimos, obrigado por esta ocasião, mas sobretudo pelo vosso serviço, pelo cuidado com a formação sacerdotal, pela missão evangelizadora em terras muitas vezes feridas e necessitadas da esperança do Evangelho. Encorajo-vos a ir em frente pelo vosso caminho.
A Virgem Maria vos acompanhe e interceda por vós!
Obrigado!
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