Meus caros amigos, a Alegria Pascal de Jesus Ressuscitado seja a nossa força! A todos, uma santa quarta-feira da Oitava da Páscoa.
O Santo Padre, o Papa Leão XIV, dando continuidade à meditação sobre o documento do Concílio Vaticano II — a Constituição Dogmática Lumen Gentium —, fala-nos, nesta Catequese da Audiência Geral, sobre a santidade.
<<A Constituição do Concílio Vaticano II Lumen Gentium (LG) sobre a Igreja dedica um capítulo inteiro, o quinto, à vocação universal à santidade de todos os fiéis: cada um de nós é chamado a viver na graça de Deus, praticando as virtudes e conformando-se a Cristo. De acordo com a Constituição conciliar, a santidade não é um privilégio para poucos, mas um dom que compromete cada batizado a tender à perfeição da caridade, ou seja, à plenitude do amor a Deus e ao próximo. Com efeito, a caridade é o coração da santidade à qual todos os crentes são chamados…>>
O Papa Leão nos lembra que “…o nível mais elevado da santidade, como na origem da Igreja, é o martírio, «supremo testemunho de fé e caridade» (LG, 50): por este motivo, o texto conciliar ensina que todos os crentes devem estar prontos a confessar Cristo até ao sangue (cf. LG, 42), como sempre aconteceu e acontece ainda hoje. Esta disponibilidade ao testemunho realiza-se cada vez que os cristãos deixam sinais de fé e amor na sociedade, comprometendo-se em prol da justiça…”
O Santo Padre nos grifa que “…todos os Sacramentos, de modo eminente a Eucaristia, são alimento que faz crescer uma vida santa, assimilando cada pessoa a Cristo, modelo e medida da santidade. Ele santifica a Igreja, da qual é Cabeça e Pastor: nesta perspetiva, a santidade é seu dom, que se manifesta na nossa vida quotidiana sempre que o acolhemos com júbilo e lhe correspondemos com dedicação…”.
Diz ainda que “…A Lumen Gentium descreve a santidade da Igreja católica como uma sua caraterística constitutiva, a receber na fé, dado que ela é considerada «indefetivelmente santa» (LG, 39): isto não significa que o seja de maneira plena e perfeita, mas que é chamada a confirmar este dom divino durante a sua peregrinação rumo à meta eterna, caminhando «no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus» (Santo Agostinho, De civ. Dei 51, 2; LG, 8)…>>.
Meus caros amigos, permitam-me acrescentar que desta santidade plena somos chamados a participar de maneira completa e perfeita no Céu, após o fim do mundo, com a “ressurreição da carne”, como professamos na oração do “Credo”. Não podemos esquecer, porém, que a Mãe de Deus — que Jesus nos deu do alto da Cruz como nossa Mãe Celeste, poucos instantes antes de entregar seu Espírito ao Pai e expirar — foi Assunta ao Céu de corpo e alma e já goza desta santidade plena, com seu Corpo Glorioso, semelhante ao de Jesus Ressuscitado. Por isso Ela é a “Mulher revestida de Sol”.
E isso é, para nós, um dom de amor infinito com que Deus nos presenteia, pois, dessa forma, Ela exerce uma maternidade plena para com cada um de seus filhos — que somos todos nós — e pode conduzir-nos de maneira segura e perfeita ao seu Filho, Jesus Cristo, Senhor nosso.
Não nos esqueçamos disso ao ler esta catequese do Papa Leão, que publicamos na íntegra.
LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL

Praça de São Pedro
Quarta-feira, 8 de abril de 2026
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Catequese. Os Documentos do Concílio Vaticano II II. Constituição dogmática Lumen Gentium 7. Santidade e conselhos evangélicos na Igreja



Estimados irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!

A Constituição do Concílio Vaticano II Lumen Gentium (LG) sobre a Igreja dedica um capítulo inteiro, o quinto, à vocação universal à santidade de todos os fiéis: cada um de nós é chamado a viver na graça de Deus, praticando as virtudes e conformando-se a Cristo. De acordo com a Constituição conciliar, a santidade não é um privilégio para poucos, mas um dom que compromete cada batizado a tender à perfeição da caridade, ou seja, à plenitude do amor a Deus e ao próximo. Com efeito, a caridade é o coração da santidade à qual todos os crentes são chamados: infundida pelo Pai, mediante o Filho Jesus, esta virtude «dirige todos os meios de santificação, informa-os e leva-os ao seu fim» (LG, 42). O nível mais elevado da santidade, como na origem da Igreja, é o martírio, «supremo testemunho de fé e caridade» (LG, 50): por este motivo, o texto conciliar ensina que todos os crentes devem estar prontos a confessar Cristo até ao sangue (cf. LG, 42), como sempre aconteceu e acontece ainda hoje. Esta disponibilidade ao testemunho realiza-se cada vez que os cristãos deixam sinais de fé e amor na sociedade, comprometendo-se em prol da justiça.

Todos os Sacramentos, de modo eminente a Eucaristia, são alimento que faz crescer uma vida santa, assimilando cada pessoa a Cristo, modelo e medida da santidade. Ele santifica a Igreja, da qual é Cabeça e Pastor: nesta perspetiva, a santidade é seu dom, que se manifesta na nossa vida quotidiana sempre que o acolhemos com júbilo e lhe correspondemos com dedicação. A este propósito, na Audiência geral de 20 de outubro de 1965 São Paulo VI recordava que, para ser autêntica, a Igreja quer que todos os batizados «sejam santos, isto é, verdadeiramente seus filhos dignos, fortes e fiéis». Isto realiza-se como transformação interior, pela qual a vida de cada pessoa se conforma a Cristo em virtude do Espírito Santo (cf. Rm 8, 29; LG, 40).

A Lumen gentium descreve a santidade da Igreja católica como uma sua caraterística constitutiva, a receber na fé, dado que ela é considerada «indefetivelmente santa» (LG, 39): isto não significa que o seja de maneira plena e perfeita, mas que é chamada a confirmar este dom divino durante a sua peregrinação rumo à meta eterna, caminhando «no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus» (Santo Agostinho, De civ. Dei 51, 2; LG, 8). A triste realidade do pecado na Igreja, isto é, em todos nós, convida cada um a efetuar uma séria mudança de vida, confiando-nos ao Senhor, que nos renova na caridade. É precisamente esta graça infinita, que santifica a Igreja, que nos confia uma missão a cumprir dia após dia: a da nossa conversão. Por isso, a santidade não tem apenas uma natureza prática, como se fosse redutível a um compromisso ético, por maior que seja, mas diz respeito à própria essência da vida cristã, pessoal e comunitária.

Nesta ótica, adquire um papel decisivo a vida consagrada, abordada pela Constituição conciliar no capítulo sexto (cf. nn. 43-47). No santo povo de Deus, ela constitui um sinal profético do mundo novo, experimentado no aqui e agora da história. Efetivamente, sinais do Reino de Deus, já presente no mistério da Igreja, são os conselhos evangélicos que dão forma a cada experiência de vida consagrada: a pobreza, a castidade e a obediência. Estas três virtudes não são prescrições que acorrentam a liberdade, mas dons libertadores do Espírito Santo, mediante os quais alguns fiéis se consagram totalmente a Deus. A pobreza expressa a plena confiança na Providência, libertando do cálculo e do próprio interesse; a obediência tem como modelo o dom de si que Cristo fez ao Pai, libertando da suspeita e do predomínio; a castidade é a doação de um coração íntegro e puro no amor, ao serviço de Deus e da Igreja.

Conformando-se a este estilo de vida, as pessoas consagradas dão testemunho da vocação universal à santidade de toda a Igreja, sob a forma de um seguimento radical. Os conselhos evangélicos manifestam a plena participação na vida de Cristo, até à cruz: é precisamente pelo sacrifício do Crucificado que todos somos redimidos e santificados! Contemplando este acontecimento, sabemos que não existe experiência humana que Deus não redima: até o sofrimento, vivido em união com a paixão do Senhor, se torna caminho de santidade. Assim, a graça que converte e transforma a vida fortalece-nos em todas as provações, indicando-nos como meta não um ideal distante, mas o encontro com Deus, que se fez homem por amor. A Virgem Maria, santíssima Mãe do Verbo encarnado, apoie e ampare sempre o nosso caminho!
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Saudações:
Queridos irmãos e irmãs de língua portuguesa, bem-vindos! Saúdo especialmente os jovens escoteiros de Vila Flor, em Portugal. São Carlos Acutis dizia: «Diante do sol, ficamos bronzeados. Diante da Eucaristia, tornamo-nos santos!». Ide, pois, ter com Jesus Ressuscitado e estreitai amizade com Ele: procurai-O todos os domingos, passai na igreja para O cumprimentar, acolhei o dom do seu Espírito e conservai sempre a sua Paz. O Senhor vos abençoe, a vós e às vossas famílias!

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APELO

Na sequência destas últimas horas de grande tensão pelo Médio Oriente e por todo o mundo, acolho com satisfação e como sinal de profunda esperança o anúncio de uma trégua imediata de duas semanas. Só através do regresso às negociações se poderá chegar ao fim da guerra.
Exorto a acompanhar este momento de delicado trabalho diplomático com a oração, desejando que a disponibilidade para o diálogo possa tornar-se o instrumento para resolver as outras situações de conflito no mundo.
Renovo a todos o convite a unir-se a mim na Vigília de oração pela paz que celebraremos aqui na Basílica de São Pedro no sábado, 11 de abril.
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Resumo da catequese do Santo Padre:
A Constituição Lumen Gentium do Concílio Vaticano II dedica um capítulo à vocação de todos à santidade, da qual o modelo é Cristo. Ela não é um privilégio de poucos, mas um dom que compromete cada batizado com a caridade perfeita. Por meio dos Sacramentos, em especial a Eucaristia, o Ressuscitado torna a Igreja «indefectivelmente santa» (LG, 39). Não o sendo agora de modo pleno, a triste realidade do pecado exige-lhe conversão: esta faz parte da essência da vida cristã e não se reduz a um mero empenho ético. É, pois, decisiva a união com Jesus, e os consagrados, no povo santo de Deus, realizam-na de modo radical: pela pobreza, castidade e obediência fazem da vida caminho de santidade e são sinal profético dum mundo novo.

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