Meus caros amigos,
<<…O Vaticano II recorda que «a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras como o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada liturgia, de nutrir-se do pão da vida, tanto da mesa da Palavra de Deus quanto do Corpo de Cristo, e de oferecê-lo aos fiéis». Além disso, «juntamente com a Sagrada Tradição, a Igreja sempre as considerou e as considera como a regra suprema da própria fé» (Dei Verbum, 21). …
…Caríssimos, vivendo na Igreja aprende-se que a Sagrada Escritura é totalmente relativa a Jesus Cristo, e experimenta-se que esta é a razão profunda do seu valor e do seu poder. Cristo é a Palavra viva do Pai, o Verbo de Deus feito carne. Todas as Escrituras anunciam a sua Pessoa e a sua presença salvadora, para cada um de nós e para toda a humanidade. Abramos, portanto, o coração e a mente para acolher este dom, na escola de Maria, Mãe da Igreja.>>
Nisso e muito mais, o Santo Padre, nesta catequese da Audiência Geral da quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, vem nos explicar detalhadamente “o vínculo profundo e vital que existe entre a Palavra de Deus e a Igreja”.
Desfrutemos-na na íntegra:
LEÃO XIV
AUDIÊNCIA GERAL
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
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Catequese. Os Documentos do Concílio Vaticano II. I. Constituição dogmática Dei Verbum. 5. A Palavra de Deus na vida da Igreja

Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Na catequese de hoje, deter-nos-emos sobre o vínculo profundo e vital que existe entre a Palavra de Deus e a Igreja, vínculo expresso pela Constituição conciliar Dei Verbum, no capítulo sexto. A Igreja é o lugar próprio da Sagrada Escritura. Sob a inspiração do Espírito Santo, a Bíblia nasceu do povo de Deus e ao povo de Deus é destinada. Na comunidade cristã ela tem, por assim dizer, o seu habitat: na vida e na fé da Igreja encontra, de fato, o espaço onde revelar o seu significado e manifestar a sua força.
O Vaticano II recorda que «a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras como o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada liturgia, de nutrir-se do pão da vida, tanto da mesa da Palavra de Deus quanto do Corpo de Cristo, e de oferecê-lo aos fiéis». Além disso, «juntamente com a Sagrada Tradição, a Igreja sempre as considerou e as considera como a regra suprema da própria fé» (Dei Verbum, 21).

A Igreja nunca deixa de refletir sobre o valor das Sagradas Escrituras. Depois do Concílio, um momento muito importante a esse respeito foi a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, em outubro de 2008. O Papa Bento XVI recolheu seus frutos na Exortação pós-sinodal Verbum Domini (30 de setembro de 2010), onde afirma: «Precisamente o vínculo intrínseco entre Palavra e fé põe em evidência que a autêntica hermenêutica da Bíblia só pode ser realizada na fé eclesial, que tem no “sim” de Maria o seu paradigma. […] O lugar originário da interpretação da Escritura é a vida da Igreja» (n. 29).
Na comunidade eclesial, a Escritura encontra, portanto, o âmbito onde desempenhar sua tarefa peculiar e alcançar seu fim: fazer conhecer Cristo e abrir ao diálogo com Deus. «A ignorância da Escritura – de fato – é ignorância de Cristo». [1] Esta célebre expressão de São Jerônimo recorda-nos o objetivo último da leitura e da meditação da Escritura: conhecer Cristo e, por meio d’Ele, entrar em relação com Deus, relação que pode ser entendida como uma conversa, um diálogo. E a Constituição Dei Verbum nos apresentou a Revelação precisamente como um diálogo, no qual Deus fala aos homens como a amigos (cf. DV, 2). Isso acontece quando lemos a Bíblia em atitude interior de oração: então Deus vem ao nosso encontro e entra em diálogo conosco.
A Sagrada Escritura, confiada à Igreja e por ela guardada e explicada, desempenha um papel ativo: de fato, com sua eficácia e poder, dá sustentação e vigor à comunidade cristã. Todos os fiéis são chamados a saciar-se nesta fonte, antes de tudo na celebração da Eucaristia e dos outros Sacramentos. O amor pelas Sagradas Escrituras e a familiaridade com elas devem guiar aqueles que exercem o ministério da Palavra: bispos, presbíteros, diáconos, catequistas. Precioso é o trabalho dos exegetas e daqueles que se dedicam às ciências bíblicas; e central é o lugar da Escritura para a teologia, que encontra na Palavra de Deus o seu fundamento e a sua alma.

O que a Igreja ardentemente deseja é que a Palavra de Deus possa alcançar cada um de seus membros e nutrir o seu caminho de fé. Mas a Palavra de Deus impele a Igreja também para além de si mesma, abrindo-a continuamente à missão em direção a todos. De fato, vivemos cercados por tantas palavras, mas quantas delas são vazias! Às vezes ouvimos também palavras sábias, que, porém, não tocam o nosso destino último. A Palavra de Deus, ao contrário, vem ao encontro da nossa sede de sentido, de verdade sobre a nossa vida. Ela é a única Palavra sempre nova: ao revelar-nos o mistério de Deus, é inesgotável, não cessa jamais de oferecer as suas riquezas.
Caríssimos, vivendo na Igreja aprende-se que a Sagrada Escritura é totalmente relativa a Jesus Cristo, e experimenta-se que esta é a razão profunda do seu valor e do seu poder. Cristo é a Palavra viva do Pai, o Verbo de Deus feito carne. Todas as Escrituras anunciam a sua Pessoa e a sua presença salvadora, para cada um de nós e para toda a humanidade. Abramos, portanto, o coração e a mente para acolher este dom, na escola de Maria, Mãe da Igreja.

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[1] S. Jerônimo, Comm. in Is., Prol.: PL 24, 17 B.
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Saudações
Saúdo cordialmente as pessoas de língua francesa, em particular os peregrinos provenientes do Burundi e da França, especialmente os estudantes de vários colégios e institutos. Irmãos e irmãs, na escola de Maria, Mãe da Igreja, acolhamos Cristo, Palavra viva de Deus, que realiza a nossa conversão interior, renovando o nosso espírito e o nosso coração para viver segundo o Evangelho. Deus vos abençoe!
Saúdo os peregrinos e visitantes de língua inglesa que participam da audiência de hoje, em particular os grupos provenientes da Inglaterra, dos Países Baixos, da Suécia, de Israel e dos Estados Unidos da América. Na próxima quarta-feira começa o tempo da Quaresma. É um tempo para aprofundar o nosso conhecimento e o nosso amor ao Senhor, para examinar o nosso coração e a nossa vida, bem como para voltar o nosso olhar para Jesus e para o seu amor por nós. Que estes próximos dias de oração, jejum e esmola sejam fonte de força enquanto nos esforçamos diariamente para tomar a nossa cruz e seguir Cristo. Sobre vós e vossas famílias invoco a alegria e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Deus vos abençoe!
Queridos irmãos e irmãs de língua alemã, à Igreja foi confiada a missão de guardar e anunciar a Palavra de Deus para que ela alcance todos os homens e nutra a vida dos fiéis. Portanto, convido-vos a ler frequentemente a Bíblia para crescer no conhecimento de Jesus Cristo e testemunhar com a vossa vida a Palavra viva de Deus.

Saúdo cordialmente os peregrinos de língua espanhola. Uno-me espiritualmente a quantos hoje se reúnem em Chiclayo, Peru, para celebrar solenemente o Dia Mundial do Enfermo e confio todos, especialmente os doentes e seus familiares, à proteção materna da Santíssima Virgem Maria. Sob o seu amparo também confio as vítimas e todos os afetados pelas graves inundações na Colômbia, enquanto exorto toda a comunidade a sustentar com a caridade e a oração as famílias atingidas. Que Deus os abençoe. Muito obrigado.
Dirijo a minha cordial saudação às pessoas de língua chinesa. Queridos irmãos e irmãs, o Senhor vos conceda uma vida serena e harmoniosa na família e na sociedade. Abençoo-vos de coração!
Queridos peregrinos de língua portuguesa, bem-vindos! A leitura orante da Palavra de Deus, que é sempre um alimento extraordinário, torna-se nos momentos de fraqueza também um remédio que revigora. A partir da liturgia diária, proposta pela Igreja, convido-vos a intensificar o diálogo amigo com o Pai, haurindo dele luz e conforto. O Senhor abençoe a vós e às vossas famílias!

Saúdo os fiéis de língua árabe, em particular os provenientes da Terra Santa, da escola das Irmãs de Nazaré, em Haifa. O cristão é chamado a ouvir a Palavra de Deus, a guardá-la no coração e a colocá-la em prática na vida cotidiana, porque ela é viva, eficaz e luz para o seu caminho. O Senhor vos abençoe a todos e vos proteja sempre de todo mal!
Saúdo cordialmente os poloneses, especialmente os da Arquidiocese de Łódź. Nestes dias recordamos os Santos Cirilo e Metódio – Apóstolos dos Eslavos e padroeiros da Europa, pais do cristianismo, da língua e da cultura dos povos eslavos. Retornemos à sua obra apostólica – como exortava São João Paulo II – na construção de uma nova unidade do continente europeu, para superar tensões, divisões e antagonismos – religiosos e políticos (cf. Slavorum Apostoli). A todos concedo a minha bênção!
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Dirijo a minha cordial saudação aos peregrinos de língua italiana; em particular, saúdo os participantes do curso de formação sacerdotal promovido pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz, a paróquia Sagrado Coração de Andria e a Comunidade da Ressurreição de Roma.
Por fim, o meu pensamento dirige-se aos jovens, aos doentes e aos recém-casados. A Virgem de Lourdes, que hoje celebramos, vos acompanhe maternalmente, interceda por vós junto de Deus e vos obtenha as graças que vos sustentem no vosso caminho.

Ao término da Audiência, dirigir-me-ei à gruta de Lourdes nos Jardins Vaticanos e acenderei uma vela, sinal da minha oração por todos os doentes, que hoje, Dia Mundial do Enfermo, recordamos com particular afeto.
A todos a minha bênção!

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Copyright © Dicastério para a Comunicação – Libreria Editrice Vaticana
Tradução PORTAL DUC IN ALTUM, com revisão por AI






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