Papa: no coração, a memória dos falecidos; em Jesus, a esperança que não é ilusão

Em missa pelos fiéis falecidos no Cemitério Verano, de Roma, o Papa disse que, enquanto temos no coração a dor da ausência de quem já morreu, devemos olhar para o Ressuscitado e deixar “ressoar em nós a promessa da vida eterna”. Leão XIV reforçou: “não se trata de uma ilusão que serve para aplacar a dor da separação das pessoas amadas, nem de um simples otimismo humano. É a esperança fundada na ressurreição de Jesus, que venceu a morte e abriu, também a nós, a passagem para a plenitude da vida”.
Andressa Collet – Vatican News
O Papa Leão XIV foi até o Cemitério Monumental Verano, em Roma, um local histórico de sepultamento na capital, na tarde deste domingo (02/11), Dia de Finados. Depois de depositar rosas brancas num túmulo, um ato simbólico em homenagem a todos os fiéis falecidos, o Pontífice presidiu uma celebração eucarística com cerca de 2 mil pessoas no local, uma área de mais de 80 hectares, em meio a túmulos que abrigam um patrimônio de obras de arte, constituindo um museu a céu aberto. O próprio Papa Francisco chegou a ir três vezes ao Cemitério Verano, porque tradicionalmente escolhia um lugar simbólico de recordação para a data de hoje.
Na homilia, Leão XIV reforçou a importância de se reunir para celebrar todos os fiéis defuntos, “em particular aqueles que estão aqui sepultados e, com carinho especial, os nossos entes queridos”. Aqueles falecidos, continuou o Papa, que nos deixaram ao morrer, mas que devemos levar sempre conosco, “na memória do coração”, que “permanece viva, todos os dias, em tudo o que vivemos. Frequentemente, encontramos algo que nos faz lembrar deles, imagens que nos remetem para o que com eles vivemos. Tantos lugares, e até mesmo os aromas das nossas casas, nos falam daqueles que amamos e que nos deixaram, mantendo viva em nós a sua memória”.
A esperança futura com Jesus não é ilusão

Mas, como o Papa já havia recordado durante a alocução que precedeu a oração do mariana do Angelus, o Dia de Finados deve servir como uma oportunidade não somente de “lembrar aqueles que já partiram deste mundo”, olhando para trás, no passado, mas “sobretudo como uma esperança futura” através da “fé cristã, fundada na Páscoa de Cristo”, nos direcionando “para o porto seguro que Deus nos prometeu”: “lá, em torno do Senhor Ressuscitado e dos nossos, saborearemos a alegria do banquete eterno”, recordou o Pontífice segundo a leitura do profeta Isaías (Is25, 6.8).
“Não se trata de uma ilusão que serve para aplacar a dor da separação das pessoas amadas, nem de um simples otimismo humano. É a esperança fundada na ressurreição de Jesus, que venceu a morte e abriu, também a nós, a passagem para a plenitude da vida. Ele – como recordava numa catequese recente – é «o ponto de chegada do nosso caminho. Sem o seu amor, a viagem da vida se tornaria um perambular sem meta, um erro trágico com um destino fracassado. […] O Ressuscitado garante a meta, conduz-nos para casa, onde somos esperados, amados, salvos».”
Com Jesus, será encontro de amor e caridade

E aquele com o Senhor, continuou Leão XIV, será um “encontro de amor” a exemplo do amor de Deus que nos criou e do amor de Jesus que nos salvou. Por isso mesmo, “só quando vivemos no amor e praticamos o amor uns para com os outros, em particular para com os mais fracos e os mais pobres, caminhamos em direção à meta”. E além do amor, devemos “caminhar na caridade” para nos unirmos aos já falecidos no final desta vida terra, “esperando reencontrá-los na alegria da eternidade”. Segundo o Papa Leão, essa promessa pode nos sustentar e enxugar as nossas lágrimas para conseguirmos direcionar o nosso olhar para frente, “para aquela esperança futura que não morre”:
“Queridos irmãos e irmãs, enquanto a dor da ausência de quem já não está entre nós permanece gravada nos nossos corações, confiemo-nos à esperança que não engana; olhemos para Cristo Ressuscitado e pensemos nos nossos falecidos revestidos já da sua luz; deixemos ressoar em nós a promessa da vida eterna que o Senhor nos faz. Ele aniquilará a morte para sempre. Ele a venceu para sempre, abrindo uma passagem de vida eterna – isto é, fazendo Páscoa – no túnel da morte, para que, unidos a Ele, também nós possamos entrar nele e atravessá-lo.”
HOMILIA DO PAPA, NA ÍNTEGRA:
COMEMORAÇÃO DE TODOS OD FIÉIS DEFUNTOS
SANTA MISSA
HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
Cemitério do Verano, Roma
Domingo, 2 de novembro de 2025
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Queridos irmãos e irmãs,
reunimo-nos neste lugar para celebrar a comemoração de todos os fiéis defuntos, em particular aqueles que estão aqui sepultados e, com carinho especial, os nossos entes queridos. Eles deixaram-nos no dia da sua morte, mas trazemo-los sempre conosco na memória do coração. E esta memória permanece viva, todos os dias, em tudo o que vivemos. Frequentemente, encontramos algo que nos faz lembrar deles, imagens que nos remetem para o que com eles vivemos. Tantos lugares, e até mesmo os aromas das nossas casas, nos falam daqueles que amámos e que nos deixaram, mantendo viva em nós a sua memória.
Porém, hoje não estamos aqui simplesmente para lembrar aqueles que já partiram deste mundo. A fé cristã, fundada na Páscoa de Cristo, ajuda-nos a viver a memória não apenas como uma lembrança do passado, mas sobretudo como uma esperança futura. Não se trata tanto de olhar para trás, trata-se antes de olhar para a frente, para a meta do nosso caminho, para o porto seguro que Deus nos prometeu, para a festa sem fim que nos espera. Lá, em torno do Senhor Ressuscitado e dos nossos, saborearemos a alegria do banquete eterno. Naquele dia – ouvimos na leitura do profeta Isaías – «no monte Sião, o Senhor do universo preparará para todos os povos um banquete de carnes gordas. […] Aniquilará a morte para sempre» (Is 25, 6.8).
Esta “esperança futura” anima a nossa memória e a nossa oração no dia de hoje. Não se trata de uma ilusão que serve para aplacar a dor da separação das pessoas amadas, nem de um simples otimismo humano. É a esperança fundada na ressurreição de Jesus, que venceu a morte e abriu, também a nós, a passagem para a plenitude da vida. Ele – como recordava numa catequese recente – é «o ponto de chegada do nosso caminho. Sem o seu amor, a viagem da vida tornar-se-ia um perambular sem meta, um erro trágico com um destino fracassado. […] O Ressuscitado garante a meta, conduz-nos para casa, onde somos esperados, amados, salvos» (Audiência Geral, 15 de outubro de 2025).
E esta meta final, o banquete em torno do qual o Senhor nos reunirá, será um encontro de amor. Por amor, Deus nos criou; no amor do seu Filho, Ele nos salva da morte; na alegria do amor com Ele e com os nossos, Ele deseja que vivamos para sempre. Por isso mesmo, só quando vivemos no amor e praticamos o amor uns para com os outros, em particular para com os mais fracos e os mais pobres, caminhamos em direção à meta e antecipamo-la, num vínculo inquebrantável com aqueles que nos precederam. Com efeito, Jesus convida-nos com estas palavras: «Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt 25, 35-36).
A caridade vence a morte. Na caridade, Deus reunir-nos-á com os nossos entes queridos. Se caminhamos na caridade, a nossa vida torna-se uma oração que se eleva ao Céu e nos une aos defuntos, aproxima-nos deles, esperando reencontrá-los na alegria da eternidade.
Queridos irmãos e irmãs, enquanto a dor da ausência de quem já não está entre nós permanece gravada nos nossos corações, confiemo-nos à esperança que não engana (cf. Rm 5, 5); olhemos para Cristo Ressuscitado e pensemos nos nossos falecidos revestidos já da sua luz; deixemos ressoar em nós a promessa da vida eterna que o Senhor nos faz. Ele aniquilará a morte para sempre. Ele a venceu para sempre, abrindo uma passagem de vida eterna – isto é, fazendo Páscoa – no túnel da morte, para que, unidos a Ele, também nós possamos entrar nele e atravessá-lo.
Ele espera por nós e, quando O encontrarmos, no final desta vida terrena, alegrar-nos-emos com Ele e com os nossos queridos que nos precederam. Que esta promessa nos sustente, enxugue as nossas lágrimas e volte o nosso olhar para a frente, para aquela esperança futura que não morre.
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