
Esta série, como vocês sabem, foi criada para tornar conhecida a palavra do Santo Padre, o Papa, para que, conhecendo-a, seja possível amá-lo. Mas isso não cessa com a morte de um Papa; ao contrário, devemos continuar fazendo crescer o nosso amor por ele, perseverando no esforço de conhecer melhor tudo o que disse. Isso, aliás, nos ajuda também a aprender como compreender e amar o Papa atual.
Vamos, então, conhecer melhor o falecido Papa Francisco, através desta entrevista do tempo em que ainda era Cardeal em Buenos Aires.
Na edição de 20 de março de 2013 da revista Veja há uma interessante matéria de reflexões do Santo Padre sobre assuntos atuais do cotidiano, da época que era arcebispo de Buenos Aires. Mostram o perfil de nosso querido Sumo Pontífice.
O MUNDO E A FÉ SEGUNDO BERGOGLIO
• ABORTO – “o problema moral do aborto é de natureza pré-religiosa. No momento da concepção está o código genético da pessoa. Ali já existe um ser humano. Separo o tema do aborto de qualquer concepção religiosa. É um problema científico. Não permitir o desenvolvimento de um ser que jea dispõe do código genético de um ser humano não é ético. Abortar é matar alguém que não pode se defender.”
• ATEÍSMO – “Quando me encontro com pessoas ateias, compartilho com elas as questões humanas., mas não coloco de cara em discussão a questão de Deus, exceto se elas me incitam a isso. Quando isso ocorre, eu explico a elas porque creio… Não pretendo fazer proselitismo – eu as respeito e me mostro como sou… Não tenho nenhum tipo de reticências. Não diria que um ateu está condenado, porque estou convencido de que não tenho o direito de julgar sua honestidade – sobretudo se ele tiver virtudes, aquelas que engrandecem as pessoas. De toda a forma, conheço mais gente agnóstica do que ateia. O agnóstico duvida, o ateu está convencido. Temos que ser coerentes com a mensagem que recebemos da Bíblia: todo homem é a imagem de Deus, seja ele crente ou não. Por essa única razão, tem uma série de virtudes, qualidades, grandezas. Caso tenha baixezas, como eu também as tenho, podemos compartilhá-las para nos ajudarmos mutuamente a superá-las.”
• CIÊNCIA – “A ciência tem sua autonomia, que deve ser respeitada e encorajada. Não se deve interferir na autonomia dos cientistas. Exceto se extrapolarem seu campo de atuação e se envolverem com o transcendente. A ciência é fundamentalmente instrumento do mandato de Deus, que disse: Tenham muitos e muitos filhos, espalhem-se por toda a terra e a dominem. Dentro de sua autonomia, a ciência transforma a incultura em cultura. Mas cuidado: quando a autonomia da ciência não põe limites a si mesma e vai além, ela pode sair das mãos de sua própria criação. É o mito de Frankenstein.”
• CRENÇA – “A Igreja defende a autonomia das questões humanas. Uma autonomia saudável é uma laicidade saudável, em que se respeitam as diferentes competências. A Igreja não vai dizer aos médicos como devem realizar uma operação. O que não é bom é o laicismo militante, aquele que toma uma posição antitranscendental ou exige que o religioso não saia da sacristia. A Igreja dá os valores, e os outros que façam o resto.”
• DEUS – “Ao homem de hoje lhe diria que faça a experiência de entrar na intimidade para conhecer a experiência, o rosto de Deus. Por isso me agrada tanto o que disse Jó depois de sua dura experiência e de diálogos que não lhe esclareceram nada: Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com meus próprios olhos. Ao homem, digo que não conheça a Deus de ouvidos. O Deus vivo é aquele que se vê com seus olhos, dentro de seu coração.”
• DIVÓRCIO – “A discussão em tomo do divórcio é diferente daquela do matrimônio de pessoas do mesmo sexo. A Igreja sempre repudiou a lei do divórcio, mas há antecedentes antropológicos distintos neste caso. (…) É um valor muito fone no catolicismo o casamento até que a morte os separe. Hoje, contudo, na doutrina católica, lembra-se a seus fiéis divorciados e recasados que eles não estão excomungados — ainda que vivam em uma situação à margem do que exigem a indissolubilidade matrimonial e o sacramento do matrimônio — e é pedido a eles que participem da vida paroquial.”
• IGREJA – “Uma coisa boa que aconteceu com a Igreja foi a perda dos Estados Pontifícios, porque deixa claro que a única posse do papa é meio quilômetro quadrado. Mas. quando o papa era rei temporal e rei espiritual, aí se misturavam as intrigas de corte e tudo isso. Agora não se misturam? Sim, ainda existe isso, porque existe ambição em homens da Igreja, existe — lamentavelmente — pecado de carreirismo. Somos humanos e nos tentamos, temos de estar muito atentos para cuidar da unção que recebemos, porque ela é um presente de Deus. As disputas pelo poder, que existiram e existem na Igreja, se devem a nossa condição humana. Mas, nesse momento, a pessoa deixa de ser eleita para o serviço e se converte em uma pessoa que escolhe viver como quer e se mistura com o lixo interior.”
“Um líder religioso pode ser muito forte, muito firme, mas isso sem exercer a agressão. Jesus disse que aquele que manda deve ser como aquele que serve. Para mim, essa ideia é válida para a pessoa religiosa de qualquer credo. O verdadeiro poder de uma liderança religiosa vem de seu serviço. Quando deixa de servir, o religioso se transforma em um mero gestor, em um agente de ONG. O líder religioso compartilha, sofre, serve a seus irmãos.”
• PEDOFILIA – “Que o celibato traga como conseqüência a pedofilia está descartado. Mais de 70% dos casos de pedofilia se dão no entorno familiar e na vizinhança: avôs, tios, padrastos e vizinhos. O problema não está vinculado ao celibato. Se um padre é pedófilo, ele o é antes de ser padre. Agora, quando isso ocorre, jamais se deve fazer vista grossa. Não se pode estar em uma posição de poder e destruir a vida de outra pessoa. (…) Não creio em posições que pleiteiam sustentar certo espírito corporativo para evitar danos à imagem da instituição. Esta solução creio que foi proposta certa vez nos Estados Unidos: mudar os padres de paróquia. Isso é uma estupidez porque, dessa forma, o padre leva o problema na bagagem. A reação corporativa leva a tal conseqüência, por isso não concordo com essas medidas. Recentemente, na Irlanda, foram revelados casos após vinte anos, e o papa disse claramente: Tolerância zero com este crime. Admiro a valentia e a retidão de Bento XVI sobre esse assunto.”
• TENTAÇÃO – “A vida cristã também é uma espécie de atletismo, de disputa, de corrida, em que é preciso se desvencilhar das coisas que nos separam de Deus. Além disso, quero salientar que uma questão é o demônio e outra é demonizar as coisas ou as pessoas. O homem está sob tentação constante, mas não é por isso que temos de demonizá-lo.”
• UNIÃO HOMOSSEXUAL – “Não sejamos ingênuos: não se trata de uma simples luta política. Pretende-se a destruição do plano de Deus. É uma jogada do pai da mentira para confundir e enganar os filhos de Deus.”






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