Reflexão:

Confiança filial e missão fraterna

No Angelus de 27 de julho de 2025, o Papa Leão XIV nos convida a redescobrir o coração da oração cristã: chamar Deus de “Pai”, com a confiança de filhos, e deixar que essa filiação transforme nossa relação com o próximo. Suas palavras ressoam com clareza e doçura:

Leão XIV: “O Senhor convida a dirigirmo-nos a Deus chamando-lhe ‘Abbá’, ‘paizinho’, como crianças, com simplicidade, confiança filial, ousadia, certeza de ser amado.”

Essa dimensão da oração não é apenas um consolo, mas também um compromisso: reconhecer Deus como Pai nos torna irmãos. O próprio Papa adverte:

Leão XIV: “Não se pode rezar a Deus como ‘Pai’ e depois ser duro e insensível para com os outros… É importante deixarmo-nos transformar pela sua bondade.”

À luz dessas palavras, encontramos, no Livro Azul do Movimento Sacerdotal Mariano, mensagens de Nossa Senhora que desenvolvem e aprofundam esse chamado à oração filial e à missão fraterna.

1. A consagração como escola de filiação

Nossa Senhora nos conduz à confiança plena no amor do Pai por meio da consagração ao seu Coração Imaculado, que se torna escola de filiação e refúgio espiritual:

Mensagem de 13 de maio de 1976:

«Hoje, meus filhos prediletos, recordais a minha vinda à terra… Vim do Céu para vos pedir a consagração ao meu Coração Imaculado… A quem se consagra a Mim volto a prometer a salvação… Sereis protegidos e defendidos por Mim mesma; sereis consolados e fortalecidos por Mim.»

A consagração nos coloca sob a guarda da Mãe, que nos ensina a chamar “Abbá” com confiança e abandono, mesmo nos tempos de provação.

2. Escuta e confiança diante do silêncio de Deus

O Papa nos assegura:

Leão XIV: “O Senhor escuta-nos sempre que rezamos… mesmo que por vezes nos responda em momentos e formas difíceis de compreender.”

Em consonância, Nossa Senhora revela que mesmo os momentos de aridez fazem parte de um itinerário de formação, onde somos conduzidos em silêncio e doçura:

Mensagem de 25 de julho de 1977:

«Meus filhos prediletos, deixai-vos formar por Mim com docilidade… Com a consagração ao meu Coração Imaculado confiastes-Me o vosso Sacerdócio… enquanto Eu vos conduzo doce e fortemente à santidade, a vossa vida será transformada por Mim.»

A formação materna de Maria não exclui a espera, nem o mistério; pelo contrário, educa-nos na confiança serena de que o Pai está agindo, mesmo que não o percebamos de imediato.

3. A oração que se traduz em misericórdia

A oração verdadeira não termina em si mesma. O Papa recorda que a relação com o Pai deve nos moldar no amor fraterno:

Leão XIV: “Não se pode rezar a Deus como ‘Pai’ e depois ser duro e insensível para com os outros…”

Maria, em sua pedagogia materna, insiste na necessidade de uma transformação radical do coração:

Mensagem de 25 de julho de 1977:

«…quero-vos humildes, silenciosos, recolhidos, ardentes de amor a Jesus e às almas… perseverantes na oração… cada vez mais puros… Enquanto Eu vos conduzo doce e fortemente à santidade, a vossa vida será transformada por Mim.»

A docilidade à sua ação nos torna capazes de refletir a ternura do Pai na convivência com os irmãos.

4. O amor discreto e gratuito que reflete Deus

Leão XIV: “A liturgia de hoje convida-nos… a amar como Deus nos ama: com disponibilidade, discrição, solicitude recíproca, sem cálculos.”

Nossa Senhora convida a esse mesmo estilo de amor: silencioso, confiado, escondido no serviço generoso:

Mensagem de 23 de fevereiro de 1974:

«Os Sacerdotes são os meus filhos prediletos… Nunca os abandono. Nunca os deixo sós… Que estes meus filhos não tenham medo de se dar completamente a Mim.»

Ao encorajar os sacerdotes à entrega sem medo, Maria ensina a todos a amar como Deus ama: sem reservas, com total disponibilidade.

5. Maria, reflexo da doçura do Pai

Leão XIV: “Peçamos a Maria que saibamos responder a este chamamento, para manifestar a doçura do rosto do Pai.”

Esse é precisamente o desejo do Coração Imaculado: formar em seus filhos o reflexo da ternura de Deus.

Mensagem de 24 de junho de 1974:

«Até o opúsculo é apenas um meio para difundir o meu movimento… servirá para tornar conhecida a muitos a minha obra de amor entre os meus sacerdotes.»

A obra de amor de Maria visa manifestar, na Igreja, a presença do Pai que é bom, próximo e cheio de compaixão.

Conclusão: viver como reflexo do Pai

O Papa Leão XIV e Nossa Senhora convergem em um mesmo chamado: deixar-se transformar pela oração. A oração nos revela o rosto do Pai e nos dá um coração novo. Nossa Senhora, por sua vez, nos oferece os meios para essa transformação: consagração, abandono filial, formação espiritual, pureza de vida, misericórdia fraterna e serviço humilde, a pequenez.

Pela consagração ao Coração Imaculado Maria, tornamo-nos instrumentos vivos da doçura do Pai no mundo: reflexo de sua ternura, presença de seu amor, ação silenciosa e eficaz do Espírito Santo na Igreja.

O Editor (PORTAL DUC IN ALTUM)

————————————————————

Segue na íntegra, o texto do Angelus do Papa Leão XIV de 27.julho.2025:

LEÃO XIV

ANGELUS

Praça de São Pedro
Domingo 27 de julho de 2025

_____________________________________

Queridos irmãos e irmãs: Bom Domingo!

Hoje, o Evangelho apresenta-nos Jesus a ensinar aos seus discípulos o Pai-Nosso (cf. Lc 11, 1-13): a oração que une todos os cristãos. Nela, o Senhor convida a dirigirmo-nos a Deus chamando-lhe “Abbá”, “paizinho”, como crianças, com «simplicidade […], confiança filial, […] ousadia […], certeza de ser amado» (Catecismo da Igreja Católica, 2778).

A este propósito, o Catecismo da Igreja Católica diz, com uma expressão muito bela, que «pela oração do Senhor, nós somos revelados a nós próprios, ao mesmo tempo que nos é revelado o Pai» (ibid., 2783). E é verdade: quanto mais confiantes rezamos ao Pai do Céu, tanto mais nos descobrimos filhos amados e tanto mais conhecemos a grandeza do seu amor (cf. Rm 8, 14-17).

O Evangelho de hoje descreve os traços da paternidade de Deus por meio de algumas imagens sugestivas: a de um homem que se levanta no meio da noite para ajudar um amigo a acolher uma visita inesperada; ou a de um pai que tem o cuidado de dar coisas boas aos seus filhos.

Estas imagens recordam-nos que Deus nunca nos vira as costas quando nos dirigimos a Ele, nem mesmo se chegamos tarde para bater à sua porta, talvez depois de erros, de oportunidades perdidas, de fracassos, nem mesmo se, para nos acolher, Ele tiver de “acordar” os seus filhos que dormem em casa (cf. Lc 11, 7). Pelo contrário, na grande família da Igreja, o Pai não hesita em tornar-nos todos participantes de cada um dos seus gestos de amor. O Senhor escuta-nos sempre que rezamos, e, se por vezes nos responde em momentos e formas difíceis de compreender, é porque age com uma sabedoria e uma providência maiores, que estão para além da nossa compreensão. Por isso, mesmo nestes momentos, não deixemos de rezar; e rezar com confiança: n’Ele encontraremos sempre luz e força.

No entanto, ao recitarmos o Pai-Nosso, além de celebrarmos a graça da filiação divina, exprimimos também o nosso compromisso de corresponder a esse dom, amando-nos uns aos outros como irmãos em Cristo. Um dos Padres da Igreja, meditando sobre isto, escreve: «Devemos saber e lembrar que, se dizemos que Deus é Pai, precisamos agir como filhos» (S. Cipriano de Cartago, A oração do Senhor, 11), e outro acrescenta: «Não pode chamar de Pai ao Deus de toda a bondade quem conserva um coração cruel e indócil; pois assim já não possui em si a marca daquela bondade do Pai celeste» (S. João Crisóstomo, Homilia sobre a porta estreita e a oração do Senhor, 3). Não se pode rezar a Deus como “Pai” e depois ser duro e insensível para com os outros. Pelo contrário, é importante deixarmo-nos transformar pela sua bondade, pela sua paciência, pela sua misericórdia, para refletir o seu rosto no nosso como em um espelho.

Queridos irmãos e irmãs, a liturgia de hoje convida-nos, na oração e na caridade, a sentirmo-nos amados e a amar como Deus nos ama: com disponibilidade, discrição, solicitude recíproca, sem cálculos. Peçamos a Maria que saibamos responder este chamamento, para manifestar a doçura do rosto do Pai.

____________________________

Após o Angelus

Queridos irmãos e irmãs!

Hoje é celebrado o V Dia Mundial dos Avós e dos Idosos com o tema: “Bem-aventurado aquele que não perdeu a esperança”. Olhemos para os avós e os idosos como testemunhas da esperança, capazes de iluminar o caminho das novas gerações. Não os deixemos sozinhos, mas forjemos com eles uma aliança de amor e de oração.

O meu coração está próximo de todos aqueles que sofrem devido aos conflitos e à violência no mundo. Em particular, rezo pelas pessoas envolvidas nos confrontos na fronteira entre a Tailândia e o Camboja, especialmente pelas crianças e pelas famílias deslocadas. Que o Príncipe da Paz inspire todos a procurar o diálogo e a reconciliação.

Rezo pelas vítimas da violência no sul da Síria.

Acompanho com grande preocupação a gravíssima situação humanitária em Gaza, onde a população civil é esmagada pela fome e continua exposta à violência e à morte. Renovo o meu apelo sincero ao cessar-fogo, à libertação dos reféns e ao respeito integral dos direitos humanos.

Cada pessoa humana tem uma dignidade intrínseca que lhe foi conferida pelo próprio Deus: exorto as partes em todos os conflitos a reconhecê-la e a cessar qualquer ação contrária a ela. Exorto a negociar um futuro de paz para todos os povos e a rejeitar tudo o que possa prejudicá-lo.

Confio a Maria, Rainha da Paz, as vítimas inocentes dos conflitos e os governantes que têm o poder de pôr-lhes fim.

Saúdo a Rádio Vaticano/Vatican News que, para estar mais perto dos fiéis e dos peregrinos durante o Jubileu, com o Osservatore Romano, inaugurou uma pequena estação sob a colunata de Bernini. Obrigado pelo serviço em tantas línguas, que leva a voz do Papa ao mundo. E obrigado a todos os jornalistas que contribuem para uma comunicação de paz e de verdade.

Saúdo todos vós, vindos da Itália e de muitas partes do mundo, especialmente os avôs e as avós de San Cataldo, os jovens frades capuchinhos da Europa, os crismandos da unidade pastoral de Grantorto-Carturo, os jovens de Montecarlo di Lucca e os escuteiros de Licata.

Saúdo com particular afeto os jovens de diversos países, vindos a Roma para o “Jubileu dos Jovens”. Faço votos de que seja uma ocasião para cada um encontrar Cristo e ser por Ele fortalecido na fé e no compromisso de O seguir com coerência.

[Em inglês] Saúdo os fiéis de Kearny (New Jersey), o grupo do ‘Catholic Music Awards’ e a Academia de verão da EWTN. Saúdo também com particular afeto os jovens de vários países que se reuniram em Roma para o Jubileu dos Jovens, que começa amanhã. Espero que esta seja uma oportunidade para cada um de vós de encontrar Cristo e de ser fortalecido por Ele na vossa fé e no vosso compromisso de seguir a Cristo com integridade de vida.

[Em espanhol] Saúdo com especial afeto os jovens provindos de diferentes países e reunidos em Roma para o “Jubileu dos Jovens”. Espero que seja para cada um deles uma ocasião para encontrar Cristo e ser fortalecidos por Ele na fé e no compromisso de segui-lo com coerência.

Esta noite terá lugar a procissão de Nossa Senhora “fiumarola” sobre o rio Tibre: que os participantes nesta bela tradição mariana aprendam da Mãe de Jesus a praticar o Evangelho na vida quotidiana!

Desejo a todos um bom domingo!

Copyright © Dicastero per la Comunicazione – Libreria Editrice Vaticana

Deixe um comentário

Tendência