
Reflexão:
“Formar discípulos missionários: com o Coração Imaculado de Maria e os sentimentos de Cristo”
No discurso de hoje, 25 de julho de 2025, o Papa Leão XIV dirige palavras luminosas a formadores e missionários, lembrando que a formação autêntica não se reduz a competências ou técnicas, mas tem como finalidade configurar o coração ao de Cristo. Essa formação integral exige uma amizade profunda com Jesus, uma fraternidade verdadeira e uma missão compartilhada entre todos os batizados. As palavras do Papa ressoam em plena harmonia com a voz materna de Nossa Senhora, como transmitida nas mensagens do Livro Azul, que há mais de meio século prepara os “filhos prediletos” e também nós: consagrados ao Coração Imaculado de Maria para sermos evangelizadores segundo o Coração de Jesus.
1. A amizade com Jesus: fundamento da missão e da formação
“É necessário viver pessoalmente a experiência da intimidade com o Mestre, de ser visto, amado e escolhido por Ele sem mérito e por pura graça […].”
— Papa Leão XIV
Nossa Senhora sempre insistiu que o primeiro passo do apostolado é o encontro pessoal com Jesus. Ela deseja formar apóstolos não apenas ativos, mas intimamente unidos ao seu Filho, irradiando d’Ele.
“Far-lhes-ei compreender como se deverão desapegar de todas as coisas e viver só para o meu Jesus.”
– Mensagem de 29 de julho de 1973
“…quero-os apaixonados pelo meu Filho Jesus, quero-os sempre fiéis ao Evangelho.”
— Mensagem de 24 de agosto de 1973
A Mãe ensina que a missão só frutifica quando nasce do coração unido ao de Cristo. A amizade com Ele é o “alicerce sobre a rocha” (cf. Mt 7,24), do qual falava o Papa.
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2. Formação permanente: conversão interior contínua e transformação evangélica
“É um trabalho constante sobre si mesmos, o compromisso de descer ao próprio coração […] deixando cair as nossas máscaras.”
— Papa Leão XIV
O Papa destaca a necessidade de uma formação contínua, que implica conversão e trabalho interior. Nossa Senhora já nos alertava para isso, exortando-nos a sermos dóceis à sua ação formativa:
“Só Eu vos poderei formar numa união de mente e de coração cada vez maior com o meu Filho Jesus; hei de fazê-los agir só por Ele, quase levados por Mim pela mão e sob o doce influxo da minha inspiração de Mãe.”a vós mesmos para o verdadeiro amor. […] Jesus quer agora agir, mas por meio do Coração de sua Mãe.”
— Mensagem de 27 de novembro de 1973
“ – Convertei-vos e arrependei-vos dos vossos pecados.
– Convertei-vos e voltai a Deus que vos salva.
– Convertei-vos e caminhai pelo caminho do bem, do amor e da santidade.
…se fizerdes o que vos peço, caminhareis comigo cada dia para a vossa conversão.”
— Mensagem de 13 de maio de 1984
Maria não nos quer superficiais ou formais, mas verdadeiramente transformados no coração, para que sejamos instrumentos vivos do Evangelho.
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3. Fraternidade afetiva e espiritual: vencer o individualismo.
“É preciso trabalhar muito sobre nós mesmos para vencer o individualismo […]; construir relações humanas e espirituais boas e fraternas.”
— Papa Leão XIV
A fraternidade não é mera convivência cordial, mas expressão visível do Corpo de Cristo unido. A Mãe da Igreja suplica que seus filhos estejam unidos no amor e na oração, vencendo o isolamento e a competição.
“Estou aqui para ajudar-vos a amar-vos cada vez mais. É a Mãe que acende em vós o desejo de vos conhecerdes, que vos impele a amar-vos, que vos convida a unir-vos; é a Mãe que constrói cada dia uma maior unidade entre vós.”
— Mensagem de 14 de julho de 1977
A comunhão fraterna é também o espaço onde a formação floresce e a missão se torna credível.
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4. Missionariedade compartilhada: todos chamados a evangelizar
“Devemos voltar à participação de todos os batizados no testemunho e no anúncio do Evangelho.”
— Papa Leão XIV
Esse ponto central do discurso encontra eco profundo nas mensagens de Nossa Senhora no Livro Azul. Maria clama por um novo Pentecostes, onde todos os filhos da Igreja se tornem apóstolos, possuidos pelo Espírito.
“Dizei o vosso “sim” para que se cumpra a Vontade do Pai. Por isso sois chamados a penetrar cada vez mais nos seus próprios segredos. Vós o fazeis com a vossa oração, que vos leva a comunicar-vos com Deus.”
— Mensagem de 25 de março de 1980
“Farei refulgir nas almas a Luz da Graça. O Espírito Santo comunicar-Se-á a elas com uma superabundância, para as levar à perfeição do amor.
Estes são os tempos da minha grande batalha.
A Mulher vestida de sol combate contra o dragão vermelho. Predisse-vos isto em Fátima, para vos preparar para a luta que também vós sois agora chamados a combater.
Continuai em frente, sempre, com coragem e com confiança, às ordens da vossa Celeste Comandante.”
— Mensagem de 13 de maio de 1980
A Mãe quer envolver todos os seus filhos, cada um com seu carisma, num movimento evangelizador que brota do amor e da unidade.
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Evangelizadores formados no Coração Imaculado da Mãe
“A Virgem Maria vos acompanhe e interceda por vós!”
— Papa Leão XIV
Sim, é a Virgem Maria quem forma os novos evangelizadores. No seu Coração Imaculado, Ela forma “sacerdotes felizes”, “discípulos felizes”, e “missionários felizes”, como disse o Santo Padre — porque são transformados pelo Evangelho que anunciam, vivendo a doce alegria de serem de Cristo crucificado e ressuscitado.
“As estrelas em torno da minha cabeça indicam então aqueles que se consagram ao meu Coração Imaculado, que fazem parte do meu exército vitorioso e se deixam guiar por Mim, para combater esta batalha e obter, no final, a nossa maior vitória. Assim, todos os meus prediletos e filhos consagrados ao meu Coração Imaculado, chamados a serem hoje os Apóstolos dos últimos tempos, são as estrelas mais luminosas da minha coroa real.”
— Mensagem de 8 de dezembro de 1989
O Editor (PORTAL DUC IN ALTUM)
Discurso do Papa Leão XIV na íntegra:
DISCURSO DO PAPA LEÃO XIV
A UM GRUPO DE FORMADORES E
AOS PARTICIPANTES DO CAPÍTULO GERAL DOS IRMÃOS XAVERIANOS

Sala Clementina
Sexta-feira, 25 de julho de 2025
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Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A paz esteja convosco!
Estimados formadores, caríssimos irmãos Xaverianos!
É com alegria que me encontro convosco no final de dois momentos importantes que vivestes aqui em Roma: o Curso para formadores nos Seminários, promovido desde há tantos anos pelo Pontifício Ateneu Regina Apostolorum, e o Capítulo geral, no qual alguns de vós participastes como delegados.
São certamente duas ocasiões diferentes, mas podemos ver um fio condutor que as une, pois de maneira diferente somos chamados a entrar no dinamismo da missão e a enfrentar os desafios da evangelização. Esta chamada exige de todos, ministros ordenados e fiéis leigos, uma formação sólida e integral, que não se reduz somente a algumas competências cognitivas, mas que deve ter como finalidade transformar a nossa humanidade e a nossa espiritualidade, a fim de que assumam a forma do Evangelho e em nós haja «os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus» (Fl 2, 5).
A vós, formadores, a quantos se ocupam da formação dos formadores e a vós, irmãos Xaverianos, que estais particularmente comprometidos na missão ad gentes, gostaria de oferecer algumas pistas de reflexão. Recentemente, o Dicastério para o Clero promoveu um encontro internacional dedicado aos presbíteros sobre o tema: “Sacerdotes felizes”. Mas podemos dizer também que todos nós devemos ser contagiados pela alegria do Evangelho e, por isso, é possível falar de cristãos felizes, discípulos felizes e missionários felizes.
Para que este desejo não permaneça apenas um slogan, a formação é fundamental. É necessário que a “casa” da nossa vida e do nosso caminho, presbiteral ou laical que seja, esteja fundada sobre a “rocha” (cf. Mt 7, 24-25), isto é, sobre alicerces sólidos para enfrentar as tempestades humanas e espirituais de que não está isenta sequer a vida do cristão, do sacerdote e do missionário. Como construir uma casa sobre a rocha? Desejo apresentar-vos brevemente três pequenas sugestões.
A primeira é esta: cultivar a amizade com Jesus. Este é o fundamento da casa, que deve ser colocado no centro de cada vocação e missão apostólica. É necessário viver pessoalmente a experiência da intimidade com o Mestre, de ser visto, amado e escolhido por Ele sem mérito e por pura graça, pois é antes de mais nada esta nossa experiência que depois transmitimos no ministério: quando formamos outros para a vida sacerdotal e quando, na nossa vocação específica, anunciamos o Evangelho em terras de missão, transmitimos primeiro a nossa experiência pessoal de amizade com Cristo, que transparece do nosso modo de ser, do nosso estilo, da nossa humanidade, do modo como somos capazes de viver boas relações.
Recordando a Evangelii nuntiandi durante uma Audiência geral, o Papa Franciscoafirmou: «A evangelização é mais do que uma simples transmissão doutrinal e moral. É em primeiro lugar testemunho[…], testemunho do encontro pessoal com Jesus Cristo, Verbo encarnado no qual a salvação se completou […]. Não significa transmitir uma ideologia, nem uma “doutrina” sobre Deus, não! Significa transmitir Deus, que se torna vida em mim» (Audiência geral, 22 de março de 2023).
Isto implica um contínuo caminho de conversão. Os formadores e aqueles que se ocupam deles não devem esquecer que eles próprios percorrem um caminho de permanente conversão evangélica; ao mesmo tempo, os missionários não podem esquecer que são sempre os primeiros destinatários do Evangelho, os primeiros que devem ser evangelizados. E isto significa um trabalho constante sobre si mesmos, o compromisso de descer ao próprio coração e de olhar também para as áreas sombrias e as feridas que nos marcam, a coragem de deixar cair as nossas máscaras, cultivando a amizade íntima com Cristo. Assim, deixar-nos-emos transformar pela vida do Evangelho e poderemos tornar-nos autênticos discípulos missionários.
Um segundo aspeto: viver uma fraternidade efetiva e afetiva entre nós. Quando o Papa Francisco falava da vida sacerdotal e das crises a prevenir, gostava de realçar quatro proximidades: com Deus, com o Bispo, entre os presbíteros e com o Povo (cf. Discurso aos participantes no Simpósio “Para uma teologia fundamental do sacerdócio”, 17 de fevereiro de 2022). Neste sentido, é necessário aprender a viver como irmãos entre os sacerdotes, bem como nas Comunidades religiosas e com os próprios Bispos e Superiores; é preciso trabalhar muito sobre nós mesmos para vencer o individualismo e o anseio de superar os outros, que nos torna concorrentes, para aprender gradualmente a construir relações humanas e espirituais boas e fraternas. Em princípio, penso que todos concordam com isto, mas na realidade ainda há um longo caminho a percorrer.
Terceiro e último aspeto: partilhar a missão com todos os batizados. Nos primeiros séculos da Igreja, era natural que todos os fiéis se sentissem discípulos missionários e se comprometessem pessoalmente como evangelizadores. E o ministério ordenado estava ao serviço desta missão compartilhada por todos. Hoje sentimos fortemente que devemos voltar a esta participação de todos os batizados no testemunho e no anúncio do Evangelho. Nas terras onde vós, irmãos Xaverianos, promoveis a missão, certamente tereis sentido diretamente como é importante trabalhar em conjunto com as irmãs e os irmãos daquelas Comunidades cristãs; ao mesmo tempo, aos formadores gostaria de dizer que devemos formar os presbíteros para isto, a fim de que não se considerem líderes solitários, nem assumam o sacerdócio ordenado na perspetiva de se sentir superiores. Precisamos de sacerdotes capazes de discernir e reconhecer em todos a graça do Batismo e os carismas que dele derivam, talvez também ajudando as pessoas a abrir-se a estes dons, a encontrar a coragem e o entusiasmo para se comprometer na vida da Igreja e na sociedade. Em termos concretos, isto significa que a preparação dos futuros sacerdotes deverá estar cada vez mais mergulhada na realidade do Povo de Deus e realizar-se com a contribuição de todos os seus componentes: sacerdotes, leigos, consagrados e consagradas.
Caríssimos, obrigado por esta ocasião, mas sobretudo pelo vosso serviço, pelo cuidado com a formação sacerdotal, pela missão evangelizadora em terras muitas vezes feridas e necessitadas da esperança do Evangelho. Encorajo-vos a ir em frente pelo vosso caminho.
A Virgem Maria vos acompanhe e interceda por vós!
Obrigado!
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