
Meus caros amigos, bom dia.
A partir da homilia do Papa Leão XIV na Santa Missa deste domingo e da mensagem de Nossa Senhora do Livro Azul do Movimento Sacerdotal Mariano — lida hoje no Cenáculo das 7h, transmitido pelo nosso canal no YouTube Movimento Sacerdotal Mariano – Brasil — traçamos uma relação entre a palavra do Papa e a de Nossa Senhora.
Nosso intuito é conhecer melhor o Sumo Pontífice, para assim amá-lo mais profundamente, e também mergulhar com maior fervor nas mensagens que Nossa Mãe Celeste nos entrega com tanto amor.
(A homilia do Santo Padre e a Mensagem de Nossa Senhora do Livro do MSM: “Aos Sacerdotes, filhos prediletos de Nossa Senhora”, estão na íntegra no final do texto)
O VIGÁRIO DE CRISTO EM SINTONIA COM A MÃE DO SALVADOR

1. Hospitalidade e disponibilidade interior
Na homilia, o Papa destaca a hospitalidade de Abraão como abertura à presença de Deus — mesmo sem saber exatamente quem eram os visitantes, ele os acolhe com generosidade. Nossa Senhora, em sua mensagem, fala de sua ação materna como presença forte e evidente, especialmente junto aos seus filhos prediletos. Tal como Abraão, que corre ao encontro dos enviados divinos, Maria, Mãe Celeste, corre ao encontro de cada Sacerdote, seu filho predileto e a cada fiel consagrado ao seu Coração Imaculado, para que sejam seu Exército de pequeninos com o qual Ela possibilita chegar “a hora em que o deserto do mundo será renovado pelo Amor Misericordioso do Pai que, no Espírito Santo, quer atrair todos ao Coração divino do Filho, para que possa resplandecer finalmente no mundo o seu Reino de verdade e de graça, de amor, de justiça e de paz.”
2. Serviço e cansaço fecundo
O Papa recorda Marta e sua dedicação, afirmando que o serviço é também expressão concreta de amor. Maria Santíssima, Mãe de Deus e da Igreja, fala do seu agir no silêncio e no escorrimento, que transforma as almas daqueles que se fazem pequenos e vivem a sua consagração ao seu Coração Imaculado, preparando-os para serem instrumentos de salvação. Ela mesma serve, forma, purifica, guia e reconduz — em silêncio, como uma mãe trabalha na intimidade do lar.
“A vossa Mãe Celeste está agora realizando, no silêncio e no escondimento, o seu grande desígnio de amor.”
3. Escuta e contemplação
Maria de Betânia, que se coloca aos pés de Jesus, é o ícone da escuta. O Papa insiste: não há serviço sem escuta, e não há frutos sem vida interior. Na mensagem do Livro Azul, Maria exorta os Sacerdotes seus filhos prediletos e a todos seus filhos consagrados ao seu Coração Imaculado à oração constante, escuta interior, abandono confiante, para que Ela mesma possa agir através de nós. Ela forma em nós o espírito de Maria de Betânia: entrega e acolhimento da Palavra.
“Através de vós, apóstolos de Luz do meu Coração Imaculado, posso abreviar os tempos da grande purificação.”
4. Silêncio e recolhimento: tempo de verão como tempo de graça
O Papa vê o verão, que acontece no hemisfério norte, como oportunidade para reencontrar o silêncio e a comunhão. Nossa Senhora, em 1978, já falava:
“A vossa Mãe Celeste está agora realizando, no silêncio e no escondimento, o seu grande desígnio de amor.
Esta é a hora da minha batalha. Convosco já comecei a atacar o meu adversário precisamente onde ele parece ter alcançado, momentaneamente, a vitória.
Onde satanás destruiu, Eu construo. Onde satanás feriu, Eu curo. Onde satanás venceu, Eu obtenho agora o maior triunfo.
Nisto se torna visível para todos a minha ação materna.”
5. Ação materna na fadiga cotidiana
O Papa, citando Santo Agostinho, lembra que o repouso virá, mas pelo caminho do cansaço fecundo, da caridade diária. A Santíssima Virgem não promete ausência de fadiga, mas sim exerce sobre cada um de nós, sobretudo, a sua ação materna. Esta tornar-se-á cada vez mais forte e evidente, até ao momento em que estaremos todos preparados para a missão que nos aguarda.
“Esta é a hora da minha batalha. Convosco já comecei a atacar o meu adversário precisamente onde ele parece ter alcançado, momentaneamente, a vitória.”
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Considerações finais:
A homilia do Papa Leão XIV e a mensagem de Nossa Senhora formam, juntas, uma suplica complementar à Igreja: abrir-se à ação de Deus por meio da escuta, do serviço humilde, da oração silenciosa e da presença de Maria, que é Mãe e a sua ação parte do profundo do seu Coração Imaculado para ajudar todos os filhos que se encontram agora em grandes dificuldades.
A pedagogia peculiar da Mãe educa para deixar-nos conduzir por Ela em todo o momento e correspondermos sempre aos desejos do seu Coração Imaculado. Ela nos prepara para servir como Marta e escutar como Maria, à sombra da árvore de Mambré ou aos pés de Jesus em Betânia.
“Coracão Imaculado de Maria confiança, saúde e vitória minha”.
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A seguir, na íntegra, a homilia de Leão XIV e a Mensagem de Nossa Senhora lida no Cenáculo das 7h, dia 20.JUL.2025:
SANTA MISSA
HOMILIA DO PAPA LEÃO XIV
Catedral de Albano
XVI Domingo do Tempo Comum, 20 de julho de 2025
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Queridos irmãos e irmãs,
Estou muito feliz por hoje me encontrar, aqui, a celebrar a Eucaristia dominical nesta linda Catedral. Como sabeis, a minha chegada estava prevista para o dia 12 de maio, porém o Espírito Santo fez de modo diverso. Mas estou verdadeiramente feliz e, com esta fraternidade e alegria cristã, saúdo todos os presentes, Sua Eminência, o Bispo da Diocese, as Autoridades presentes e todos vós.
Na liturgia hodierna, a Primeira Leitura e o Evangelho falam-nos de hospitalidade, de serviço e de escuta (cf. Gn 18, 1-10; Lc 10, 38-42).
No primeiro caso, Deus visita Abraão na pessoa de “três homens” que se dirigem à sua tenda «na hora mais quente do dia» (cf. Gn18, 1-2). Podemos imaginar a cena: o sol escaldante, a calma do deserto, o calor intenso e os três desconhecidos que procuram abrigo. Abraão, sentado «à porta da sua tenda», está no lugar de anfitrião, e é muito bonito ver como exerce a sua função: reconhecendo nos visitantes a presença de Deus, levanta-se, corre ao seu encontro, prostra-se por terra, pede-lhes que se detenham. E assim, toda a cena ganha vida. A tranquilidade da tarde é preenchida com gestos de amor que envolvem não só o Patriarca, mas também Sara, sua mulher, e os servos. Abraão não está já sentado, mas «de pé junto dos estranhos, debaixo da árvore» (Gn 18, 8), e aí Deus dá-lhe a notícia mais bonita que poderia esperar: «Sara, tua mulher, terá já um filho» (Gn 18, 10).
A dinâmica deste encontro pode fazer-nos refletir: Deus escolhe o caminho da hospitalidade para encontrar Sara e Abraão e para lhes anunciar o dom da sua fecundidade, que eles tanto desejavam e já nem sequer esperavam. Depois de tantos momentos de graça em que anteriormente os tinha visitado, volta a bater-lhes à porta, pedindo acolhimento e confiança. E aqueles dois idosos respondem positivamente, sem saber ainda o que está para acontecer. Reconhecem nos misteriosos visitantes a Sua bênção, a Sua própria presença. Oferecem-Lhe o que têm – comida, companhia, serviço e a sombra de uma árvore –, e recebem a promessa de uma vida nova e de uma descendência.
Embora em circunstâncias diferentes, o Evangelho fala do mesmo modo de agir de Deus. Também aqui, Jesus se apresenta como hóspede em casa de Marta e Maria. Não é um desconhecido: está em casa de amigos e o ambiente é de festa. Uma das irmãs acolhe-o com mil atenções, enquanto a outra o escuta sentada a seus pés, com a atitude típica do discípulo perante o mestre. Como sabemos, às queixas da primeira, que gostaria de receber alguma ajuda em questões práticas, Jesus responde convidando-a a apreciar o valor da escuta (cf. Lc 10, 41-42).
No entanto, seria errado ver estas duas atitudes como contrapostas entre si, bem como fazer comparações em termos de méritos entre as duas mulheres. Com efeito, o serviço e a escuta são duas dimensões gémeas do acolhimento.
Em primeiro lugar, na nossa relação com Deus. Na verdade, se é importante que vivamos a nossa fé com ações concretas e com a fidelidade aos nossos deveres, segundo o estado e a vocação de cada um, é também fundamental que o façamos a partir da meditação da Palavra de Deus e da atenção ao que o Espírito Santo sugere ao nosso coração, reservando, para isso, momentos de silêncio, momentos de oração, tempos em que, silenciando ruídos e distrações, nos reunimos diante d’Ele e construímos a unidade em nós mesmos. Esta é uma dimensão da vida cristã que hoje temos particular necessidade de recuperar, seja como valor pessoal e comunitário seja como sinal profético para o nosso tempo: dar lugar ao silêncio, à escuta do Pai que fala e «vê o oculto» (Mt 6, 6). Neste sentido, os dias de verão podem ser um tempo providencial para experimentar como é bela e importante a intimidade com Deus, e como ela pode também ajudar-nos a ser mais abertos e acolhedores uns para com os outros.
São dias em que dispomos de mais tempo livre, tanto para nos recolhermos e meditarmos, como para nos encontrarmos, deslocando-nos e visitando-nos reciprocamente. Saindo do turbilhão dos compromissos e das preocupações, aproveitemo-los para saborear alguns momentos de sossego e recolhimento, bem como para, indo a algum lado, partilhar a alegria de nos vermos – como acontece comigo, hoje e aqui. Façamos disto uma oportunidade para cuidarmos uns dos outros, para trocarmos experiências, ideias, para nos compreendermos mutuamente e darmos bons conselhos: isto faz-nos sentir amados, e todos precisamos de tal. Façamo-lo com coragem. Deste modo, na solidariedade, na partilha da fé e da vida, promoveremos uma cultura de paz, ajudando também aqueles que nos rodeiam a superar divisões e hostilidades e a construir a comunhão entre pessoas, povos e religiões.
O Papa Francisco disse que «se quisermos saborear a vida com alegria, devemos associar estas duas atitudes: por um lado, “estar aos pés” de Jesus, para o ouvir enquanto Ele nos revela o segredo de tudo; por outro, estar atentos e prontos na hospitalidade, quando Ele passa e bate à nossa porta, com o rosto do amigo que tem necessidade de um momento de conforto e fraternidade» (Angelus, 21 de julho de 2019). Disse estas palavras, de resto, poucos meses antes que a pandemia começasse. E, neste sentido, quanto nos ensinou aquela longa e dura experiência, que ainda hoje recordamos.
Naturalmente, tudo isto implica fadiga. O serviço e a escuta não são sempre fáceis: exigem empenho, capacidade de renúncia. Por exemplo, na escuta e no serviço, a fidelidade e o amor com que um pai e uma mãe orientam a sua família implicam fadiga, o mesmo acontece com o empenho dos filhos, em casa e na escola, para corresponder aos seus esforços; é exigente o compreendermo-nos uns aos outros quando temos opiniões diferentes, o perdoarmo-nos quando se erra, o assistirmo-nos quando se está doente, o apoiarmo-nos quando se está triste. Mas só assim, com estes esforços, se constrói algo de bom na vida; só assim nascem e crescem relações autênticas e fortes entre as pessoas, e a partir de baixo, da quotidianidade, o Reino de Deus cresce, se difunde e se experimenta já presente (cf. Lc 7, 18-22).
Santo Agostinho, ao refletir sobre o episódio de Marta e Maria, comentou num dos seus discursos: «Nestas duas mulheres estão simbolizadas duas vidas: a presente e a futura; uma vivida na fadiga e a outra no repouso; uma atribulada, a outra bem-aventurada; uma temporária, a outra eterna» (Sermão 104, 4). E pensando no trabalho de Marta, Agostinho disse: «Quem na terra está isento deste serviço de cuidar dos outros? Quem na terra consegue descansar destas tarefas? Procuremos desempenhá-las de forma irrepreensível e com caridade […]. O cansaço passará e o repouso chegará; mas o repouso só chegará por meio do cansaço. A barca passará e a pátria chegará; mas não se chegará à pátria senão por meio da barca» (ibid., 6-7).
Abraão, Marta e Maria recordam-nos hoje precisamente isto: que a escuta e o serviço são duas atitudes complementares para, na vida, nos abrirmos à presença abençoadora do Senhor. O seu exemplo convida-nos a conciliar com sabedoria e equilíbrio, ao longo de cada dia, contemplação e ação, repouso e fadiga, silêncio e trabalho, tendo sempre como medida a caridade de Jesus, como luz a sua Palavra e como manancial de força a sua graça, que nos sustenta para além das nossas próprias capacidades (cf. Fl 4, 13).
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Mensagem de Nossa Senhora do Livro do MSM: “Aos Sacerdotes, filhos prediletos de Nossa Senhora”
Fátima, 25 de novembro de 1978
Vigília da Festa de Cristo-Rei
A minha ação materna.
“Filhos prediletos, deixai-vos conduzir por Mim em todo o momento e correspondei sempre aos desejos do meu Coração Imaculado.
A vossa Mãe Celeste está agora realizando, no silêncio e no escondimento, o seu grande desígnio de amor.
Esta é a hora da minha batalha. Convosco já comecei a atacar o meu adversário precisamente onde ele parece ter alcançado, momentaneamente, a vitória.
Onde satanás destruiu, Eu construo.
Onde satanás feriu, Eu curo.
Onde satanás venceu, Eu obtenho agora o maior triunfo.
Nisto se torna visível para todos a minha ação materna.
Sou Mãe e a minha ação parte do profundo do meu Coração Imaculado para ajudar todos os filhos que se encontram agora em grandes dificuldades.
O meu amor quer, sobretudo, manifestar-se de modo extraordinário àqueles que se extraviaram e correm o grave perigo de se perderem eternamente.
É nesta minha ação materna que resplandece todo o amor de Deus, que quer derramar sobre o mundo os rios do seu Amor Misericordioso.
Chegou a hora em que o deserto do mundo será renovado pelo Amor Misericordioso do Pai que, no Espírito Santo, quer atrair todos ao Coração divino do Filho, para que possa resplandecer finalmente no mundo o seu Reino de verdade e de graça, de amor, de justiça e de paz.
Assim a Igreja e o mundo poderão atingir um esplendor como jamais conheceram.
Deus confiou a preparação desta renovação à minha ação materna, para que a sua Misericórdia possa resplandecer ainda mais.
Quero que os tempos sejam abreviados, porque muitas almas se perdem eternamente, todos os dias. Quantas almas vão para o inferno porque já não se reza mais, porque o pecado se difunde e já não é mais reparado, porque o erro é seguido facilmente.
Através de vós, apóstolos de Luz do meu Coração Imaculado, posso abreviar os tempos da grande purificação.
Tenho pressa de vos reunir de toda a parte do mundo, a fim de que o número que o Pai estabeleceu fique completo.
Por isso exerço sobre cada um de vós, sobretudo, a minha ação materna. Esta tornar-se-á cada vez mais forte e evidente, até ao momento em que estareis todos preparados para a missão que vos aguarda.
Desta terra, onde Me manifestei como a Mulher vestida de sol, abençoo-vos, filhos prediletos espalhados por toda a parte do mundo, para que possais refletir sempre o esplendor da vossa Mãe Imaculada.”






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