Francisco, por meio do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, enviou uma mensagem ao 45º Encontro para a Amizade entre os Povos, em Rimini, Itália. O Pontífice destaca a urgência de focar no essencial, especialmente em tempos de grandes desafios e incertezas, e reflete “sobre a importância de buscar o que realmente importa na vida”.
Thulio Fonseca – Vatican News
Em mensagem enviada pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, o Papa Francisco expressou seus votos e reflexões por ocasião do 45º Encontro para a Amizade entre os Povos, que se realiza em Rimini, na Itália, de 20 a 25 de agosto, com o tema: “Se não estamos em busca do essencial, então o que estamos procurando?”. Na mensagem, o Pontífice sublinha a urgência de focar no que realmente importa, especialmente em tempos de grandes desafios e incertezas.
Texto da Mensagem do Santo Padre na integra:
A busca pelo essencial em tempos difíceis
Na carta, Francisco destaca que a atualidade é marcada por diversas crises e desafios que podem gerar sentimentos de impotência e desânimo, levando as pessoas a perderem o sentido da vida. Nesse contexto, o Papa reforça a importância de procurar o que é essencial para não se deixar levar pela superficialidade e pelo efêmero. O Santo Padre incentiva os participantes do encontro a buscarem com paixão e entusiasmo aquilo que traz à tona a verdadeira beleza da vida.
O Papa também adverte sobre o perigo de perder a paixão pela vida, uma característica que, segundo Francisco, é muito comum nos dias de hoje, até mesmo entre os jovens. E ao abordar temas como guerra, injustiça, violência, desigualdade e a crise climática, faz um chamado à reflexão sobre o que realmente vale a pena viver e esperar.
Um apelo à ação e ao amor
Desde o início de seu pontificado, recorda Parolin, o Santo Padre tem enfatizado a importância de se concentrar no que dá sentido à vida. E ao comparar essa busca à de um alpinista que, para escalar uma montanha, precisa se livrar do peso desnecessário, o Papa destaca que o valor da vida humana não reside em posses materiais ou conquistas, mas na relação de amor com Deus e com o próximo.
Francisco ressalta ainda que retornar ao essencial, que é Jesus Cristo, não significa fugir da realidade, mas sim enfrentá-la com coragem e disposição para amar, mesmo quando as circunstâncias são adversas, e expressa seu apreço pelo propósito do Encontro, que busca inspirar os participantes a transformarem suas vidas em instrumentos de amor, misericórdia e compaixão.
Uma missão de esperança
Ao concluir a mensagem, o Papa exorta todos a se tornarem protagonistas do necessário e urgente processo de mudança, colaborando com a missão da Igreja para criar espaços onde a presença de Cristo possa ser sentida e experimentada. Francisco sublinha que esse compromisso coletivo pode gerar um mundo novo, onde o amor, manifestado em Cristo, prevaleça e transforme o planeta em um templo de fraternidade.
Por fim, o Pontífice expressa seu desejo de que o programa diversificado do evento inspire muitos a buscar o essencial e a espalhar a paixão pelo Evangelho, que liberta e transforma a humanidade. E com sua bênção de coração a todos os organizadores, voluntários e participantes, Francisco pede, como sempre, que não se esqueçam de rezar por ele.
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Texto da mensagem do Santo Padre na íntegra:
Mensagem do Santo Padre Francisco,
Assinada pelo Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin,
Por ocasião do XLV Encontro pela Amizade entre os Povos
[Rimini, 20-25 de agosto de 2024]
Do Vaticano, 19 de julho de 2024
Sua Excelência Reverendíssima
Mons. Nicolò Anselmi
Bispo de Rimini
Excelência Reverendíssima,
Por ocasião do 45º Encontro pela Amizade entre os Povos, o Santo Padre deseja enviar aos participantes uma mensagem de felicitações, saudando os organizadores, os voluntários e todos os que participarão do evento, cujo título representa um apelo sincero à responsabilidade: «Se não estamos à procura do essencial, então o que estamos buscando?».
Justamente enquanto atravessamos tempos complexos, a busca pelo que constitui o centro do mistério da vida e da realidade é de crucial importância. Nossa época, de fato, é marcada por várias problemáticas e desafios consideráveis, diante dos quais às vezes sentimos um senso de impotência, uma atitude de desistência e passividade que podem nos levar a “arrastar a vida” e nos deixar ser arrastados pela efemeridade, até perdermos o sentido da existência. Nesse cenário, portanto, é mais do que pertinente escolher buscar o que é essencial.
O Papa Francisco encoraja, assim, a tentativa de buscar, com paixão e entusiasmo, aquilo que faz emergir a beleza da vida, enfrentando a questão colocada por Dom Luigi Giussani, quando corajosamente afirmava: «O coração é corroído pela esclerose, ou seja, pela perda da paixão e do gosto de viver. […] A velhice aos vinte anos e até antes, a velhice aos quinze anos, essa é a característica do mundo de hoje» (O sentido religioso, Milão 2013, 116-117).
Enquanto sopram os ventos gélidos da guerra, somando-se a recorrentes fenômenos de injustiça, violência e desigualdade, bem como à grave emergência climática e a uma mutação antropológica sem precedentes, é imprescindível parar e perguntar-se: há algo pelo qual vale a pena viver e ter esperança?
Desde o início de seu pontificado, o Papa Francisco nos exorta a ler também as resistências, as dificuldades e as quedas dos homens e mulheres de hoje como um apelo à reflexão, para que o coração se abra ao encontro com Deus e cada um tome consciência de si mesmo, do próximo e da realidade.
Seu constante convite é para que nos tornemos mendicantes do essencial, do que dá sentido à nossa vida, antes de tudo, despojando-nos do que pesa no cotidiano, seguindo o exemplo de um alpinista que, ao chegar à base da parede rochosa, deve livrar-se do supérfluo para poder subir mais rapidamente. Assim fazendo, descobrimos que o valor da existência humana não reside nas coisas, nos sucessos obtidos, na corrida pela competição, mas, antes de tudo, naquela relação de amor que nos sustenta, enraizando nosso caminho na confiança e na esperança: é a amizade com Deus, que se reflete em todas as outras relações humanas, que fundamenta a alegria que nunca faltará. Somos amados, essa é a verdade essencial, que o próprio Dom Giussani anunciava aos jovens universitários: «Vocês são amados. Essa é a mensagem que chega à sua vida […]. Este é Jesus Cristo na história da humanidade, o início contínuo dessa mensagem: “Vocês são amados!”. O que é a vida? Ser amado. E o ser que carregamos em nós? Ser amado. E o destino? Ser amado» (Litterae Communionis Tracce, 1996, n. 1).
Na mesma linha, o Papa Francisco lembra que «o que para nós é essencial, mais belo, mais atraente e ao mesmo tempo mais necessário é a fé em Cristo Jesus» (Discurso à Plenária do Dicastério para a Doutrina da Fé, 26 de janeiro de 2024). Somente o Senhor, de fato, salva nossa frágil humanidade e, em meio às adversidades, nos faz experimentar uma alegria que de outra forma seria impossível. Sem esse ponto de ancoragem, o barco de nossa vida estaria à mercê das ondas e correria o risco de afundar.
Retornar ao essencial que é Jesus não significa evadir da realidade, mas, ao contrário, é a condição para mergulhar verdadeiramente na história, enfrentá-la sem fugir dos desafios, encontrar a coragem de arriscar e amar mesmo quando parece que não vale a pena, para viver no mundo sem nenhum temor. Como escreveu o então Arcebispo Montini: «Tu és necessário, ó Cristo, ó Senhor, ó Deus conosco, para aprendermos o verdadeiro amor e caminharmos na alegria e na força da tua caridade, ao longo do caminho de nossa vida árdua» (Omnia nobis est Christus. Carta pastoral à arquidiocese de Milão para a Quaresma de 1955).
Nesse espírito, portanto, o Santo Padre aprecia e compartilha a finalidade do próximo Encontro, porque buscar o essencial nos ajuda a tomar as rédeas de nossa vida e fazer dela um instrumento de amor, misericórdia e compaixão, tornando-nos sinal de bênção para o próximo. Diante da tentação do desânimo, da complexidade da crise atual e, em particular, do desafio de uma paz que parece impossível, o Santo Padre exorta a todos a se tornarem protagonistas responsáveis da mudança, colaborando ativamente na missão da Igreja, para juntos darmos vida a lugares onde a presença de Cristo possa ser vista e tocada. Este compromisso coral pode gerar um mundo novo, onde finalmente triunfe o Amor que em Cristo se manifestou a nós, e todo o planeta se torne templo de fraternidade.
O Papa Francisco deseja que o rico programa do Encontro, na multiplicidade de propostas e linguagens, possa despertar em muitos o desejo de se tornarem buscadores do essencial e fazer florescer nos corações a paixão pelo anúncio do Evangelho, fonte de libertação de toda escravidão e força que cura e transforma a humanidade. A todos, organizadores, voluntários e participantes, Ele envia de coração Sua bênção, pedindo, por favor, que rezem por ele.
Ao unir também meus votos pessoais, aproveito a oportunidade para confirmar com distinto respeito
de Vossa Excelência Reverendíssima
devotamente,
Pietro Cardeal Parolin
Secretário de Estado






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