No contexto da liturgia cristã, o domingo Gaudete representa um chamado à coragem e à alegria, uma exortação a não temer diante da chegada do Deus salvador. Este período, estrategicamente situado no final do ano civil, é propício para vivenciar o “gaudete” cristão, uma alegria que emana do mistério do Natal. Mais do que uma simples celebração, a liturgia nos impulsiona a experimentar o mistério natalino de maneira contínua, transcendendo o tempo e o espaço.

O advento, marcado pela espera alegre, revela-se como um período de transição entre a salvação que já se manifestou e a redenção definitiva que ainda não atingiu sua plenitude. Inicialmente, pode parecer paradoxal unir a espera e a alegria, pois, geralmente, a alegria completa surge apenas com a posse do objeto esperado. Contudo, na liturgia cristã, especialmente no domingo Gaudete, a alegria reside na certeza da presença iminente do Senhor: “Alegrai-vos sempre no Senhor. O Senhor está próximo.”

O Advento, designado como o tempo mariano por excelência, conecta os fiéis à espera generosa de Maria, a mãe que aguardou com alegria a manifestação do Deus conosco, o Emanuel. Unidos a ela, os cristãos são convidados a viver a esperança com alegria, antecipando no presente aquilo que tanto amam e aguardam.

Cada semana que se aproxima do Natal intensifica a alegria no coração dos fiéis. O terceiro domingo do Advento, conhecido como Domingo Gaudete, destaca-se pela visível mudança na liturgia, representada pela transição da cor austera do roxo para o vibrante rosa. Essa transformação simboliza o início da tomada da alegria no ambiente, evidenciada não apenas nos paramentos, mas também na iluminação de uma vela rósea durante a Santa Missa.

A leitura do profeta Isaías oferece uma chave de compreensão, convidando à alegria da realização e da esperança, vivida no Senhor. O convite à alegria enfrenta desafios diante das crises e dramas humanos, mas a liturgia ressalta a importância de se alegrar genuinamente. A questão da vingança de Deus, compreendida como a bondade restabelecedora manifestada na obra da Salvação por meio de Jesus Cristo, é crucial para compreender a verdadeira alegria.

O Advento, mais do que uma preparação para o Natal, convida os cristãos a viverem uma alegria verdadeira, fundamentada na espera não apenas do Santo Natal, mas na expectativa da vinda definitiva do Senhor. A alegria autêntica é alicerçada na certeza de que Deus realizou a obra definitiva da redenção por meio da encarnação de Jesus. Nesse período de espera, a liturgia e a esperança cristãs tornam-se guias, lembrando-nos de que o mundo não tem a última palavra sobre nós, mas que a última palavra será sempre de Deus.

Também hoje, o Papa Francisco completa 87 anos. Jorge Mario Bergoglio nasceu em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires. No entanto, para o Santo Padre, será um dia de trabalho como qualquer outro: após receber, pela manhã, crianças pobres assistidas pelo dispensário de Santa Marta, ao meio-dia – como de costume – celebrará o Angelus na Praça São Pedro, como faz todo domingo. Muitas mensagens de felicitações estão chegando ao Vaticano de todo o mundo.

Enquanto isso, desde quinta-feira passada, a notícia de que, a partir de 19 de março, estará nas livrarias o novo livro do Pontífice: “Life: Minha Vida na História”, publicado pela Harper Collins, que também divulgou a capa. Trata-se de um livro especial, pois é uma verdadeira autobiografia: no volume, o Papa Francisco conta pela primeira vez a história de sua vida por meio dos eventos que marcaram a humanidade, desde o início da Segunda Guerra Mundial em 1939, quando ele tinha quase três anos, até os dias atuais. “Neste livro, contamos uma história, a da minha vida, por meio dos eventos mais importantes e dramáticos que a humanidade viveu nos últimos oitenta anos. É um volume que surge para que, especialmente os mais jovens, possam ouvir a voz de um idoso e refletir sobre o que nosso planeta vivenciou, para não repetir os erros do passado”, explica Bergoglio na introdução.

“Pensamos, por exemplo, nas guerras que assolaram e ainda assolam o mundo. Pensamos nos genocídios, nas perseguições, no ódio entre irmãos e irmãs de diferentes religiões! Quanta dor! Chegando a uma certa idade, é importante, também para nós mesmos, abrir o livro das lembranças e recordar: para aprender, olhando para trás no tempo; para encontrar as coisas ruins, as toxinas que vivemos junto com os pecados cometidos, mas também para reviver tudo o que de bom Deus nos enviou. É um exercício de discernimento que todos deveríamos fazer, antes que seja tarde demais!”, comenta o autor do texto.

“Life” é uma jornada extraordinária ao longo das décadas através das memórias do Papa. Entre elas: a queda do Muro de Berlim, o golpe de Estado de Videla na Argentina, o pouso na Lua em 1969 e também a Copa do Mundo de 1986, onde Maradona marcou o gol que entrou para a história como ‘A mão de Deus’. Memórias de um pastor que, de seu ponto de vista pessoal, narra os anos do extermínio nazista dos judeus, da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki, a grande recessão econômica de 2008, o colapso das Torres Gêmeas, a pandemia, as renúncias de Bento XVI e o conclave que o elegeu Papa com o nome de Francisco. Eventos que se entrelaçam com a vida do “Papa do povo”, que excepcionalmente abre o baú de suas memórias para contar, com a franqueza que o caracteriza, esses momentos que mudaram o mundo.

Ao mesmo tempo, Francisco lança mensagens importantes sobre os temas mais quentes da atualidade: desigualdades sociais, crise climática, guerra, armas nucleares, discriminações raciais, batalhas pró-vida, todos temas muito caros a ele. A voz do Pontífice se alterna com a de um narrador, Fabio Marchese Ragona, vaticanista do grupo televisivo Mediaset, que em cada capítulo descreve o contexto histórico em que o Papa viveu.

O volume, concebido com a HarperCollins Italia e nas livrarias poucos dias antes do aniversário de sua eleição (13 de março), representa para a editora um projeto global que será lançado na primavera de 2024 também nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Brasil, França, Alemanha, México, Polônia, Portugal, Espanha e América do Sul. É a primeira vez que o grupo Harper Collins publica um livro do Papa Francisco. “Estamos honrados. Desde sua vida na Argentina até sua nomeação como Pontífice da Igreja Católica, Papa Francisco viveu uma vida excepcional, testemunha de alguns dos momentos mais decisivos da história recente. Mal podemos esperar para trazer sua história aos leitores de todo o mundo”, comentou Brian Murray, presidente e CEO da HarperCollins Publishers.

Deixe um comentário

Tendência